Fogos Sagrados de Hekate

Na noite de 26 de maio deste ano, vou conduzir mais uma vez um rito público para celebrar os Fogos Sagrados de Hekate (Hekate Her Sacred Fires). Esse é um movimento mundial que nasceu em 2010, sob inspiração e chamado da própria Deusa, a que a autora Sorita D’Este prontamente teve de atender.

Desde 2016 ofereço o rito com a participação do meu clã, o Conclave da Rosa e do Espinho. Desde 2020, o evento vem sendo feito de maneira virtual, através do Zoom.

Caso vc deseje participar, entre no link do formulário, onde vai encontrar mais informações.

Seja bem vindo e bem vinda!!

Hecate, Senhora dos Caminhos

Ó Hecate, senhora dos caminhos

Vinde a nosso reino

E permitais que toquemos o vosso

Ó Hecate, senhora dos caminhos

Escuta as preces e honrarias

De teus filhos e teus amigos

Ó Hecate, senhora dos caminhos

Abre as portas do conhecimento

De nós mesmos e de nossa luz interna

Ó Hecate, senhora dos caminhos

Com tuas tochas, orienta e ilumina os passos trôpegos

De nossas vestes e nossas mentes mortais

Ó Hecate, senhora dos caminhos

Acordai em nós a fagulha divina

Para que despertemos ao nosso propósito sagrado

Ó Hecate, senhora dos caminhos

Desvelai nossas sombras aos nossos olhos

Para que possamos trazê-las à luz.

Ó Hecate, senhora dos caminhos

Vós que sois senhora dos três mundos

Ensinai-nos a transitar por onde nosso eu estelar nos guia

Ó Hecate, senhora dos caminhos

Dai nos tuas trevas e

Dai nos tua luz

(Chamado poético escrito de forma inspirada para o ritual dos Fogos Sagrados de Hekate em 2017. )

Mensagem de Sekhmet

Escreve agora o que te digo eu, neste local aguardo a nós e vós.

Museo do Vaticano – Roma. Fev 2020

Meu corpo de pedra basáltica nada mais é do que uma representação da minha força visceral que se apresenta neste contexto onde renasço a cada dia no coração de mais e mais pessoas.

Sekhem + met é meu nome. Um deles.

Sou tua

Sou nossa.

Presença e fogo

e me aprazo de ti

de tua vinda

a me louvar.

Teu louvor me acorda e alimenta.

Think not twice of coming here again

to praise me.

In my honor good

deeds are done and inspired.

Love is much

love is all that matters

towards us and others.

Sa – set – hep netem.

(mensagem canalizada entre 2014 e 2015)

Evocação e invocação

Evocar e invocar são ações diferentes, mas seus sentidos e usos divergem entre os grupos de praticantes de magia.

De maneira geral entende-se da seguinte forma:

Evocar: chamar à nossa presença um ser, usando de uma espécie de ordem imperativa. O fato de que tal ser nos obedece indica que ele seria inferior ou a nós subordinado.

Invocar: chamar em forma de pedido ou súplica pela presença ou auxílio de um ser de alto escalão na hierarquia evolutiva ou a quem somos subordinados.

Portanto se compreende que, na primeira definição, nossa postura é de comando, na segunda, de subjugação.

Vale lembrar que mandar não é algo fácil. É preciso aprender a bem mandar e bem obedecer. Para dar uma ordem há que se ter postura adequada e firme, além de clareza e precisão. É fundamental também que quem manda se sinta íntegro nesta função, confiante e confortável, pois qualquer insegurança na voz ou na postura será percebida pela outra parte e considerada uma fraqueza ou uma abertura para o comando não ser executado adequadamente.

Museum of Witchcraft – Boscastle, Inglaterra, 2015

Por esse motivo, na magia cerimonial há tanta pompa e rigor em termos de dizeres, gestos, símbolos, objetos e vestuário, para emprestar a devida altivez em todos os âmbitos ao mago que deseja que os elementais lhe obedeçam com disciplina. Reinos não humanos tendem a compreender muito melhor a força emocional e as vibrações mentais que emanamos do que de fato nossas palavras.

Ao invocar uma divindade, por exemplo, o oposto é necessário. Nossa postura é de súplica, seja de joelhos, seja de pé com gestos solenes e respeitosos. Também aqui pode haver muita pompa, mas no lugar do comando, encontramos devoção, pois chamamos pela atenção e presença de seres superiores a nós. Essa é a forma de se clamar por ajuda, proteção, orientação.

O entendimento da forma correta de nos portarmos com as diferentes esferas é uma das marcas da verdadeira magia.

Porém, há outras maneiras de compreendermos esses termos. Há quem use o termo evocar para indicar um chamado à presença no círculo mágico, para que uma entidade ou guardião se apresente. Sendo assim, o próprio chamado aos quadrantes e aos guardiões dos portais dos quatro elementos ou os vigilantes das quatro torres seria uma evocação, como também as liturgias de adoração dos deuses seriam uma evocação de suas magníficas presenças.

E para quem segue essa linha, o termo invocar pode significar chamar para “dentro de si”, puxar uma divindade em um ato de aspectamento, incorporação ou oráculo, técnicas usadas desde os primórdios e muito presentes na Bruxaria Tradicional e até na moderna, como por exemplo, no famoso Drawing down the Moon (puxar a lua para baixo) usado na Wicca tradicional.

E você, como usa ou entende essa terminologia?

Eu e as companheiras bruxas e atrizes da companhia Terra Mysterium de teatro pagão – Chicago, Illinois, 2009.

Feitiço para transmutar energia

Quando morava em Chicago, alguns anos tive como agenda o “Witches’ Datebook” da Llewellyn. Além de ter posições astronômicas, continha informações das lunações, da Roda do Ano e também sempre trazia dicas e textos muito bons sobre diferentes formas de magia natural. Algum desses anos, talvez 2005, veio dentro um texto sobre “The swifting of energy” que é uma forma muito interessante de reaproveitar energia que chega para nós, mesmo quando esta é nociva.

Portanto, a ideia aqui é em lugar de remover uma maldição, amarração ou qualquer outra urucubaca destrutiva ou manipulativa que estejam nos enviando, a gente pega essa energia toda que estão tendo o trabalho de mandar e transforma em neutra, para então reaproveitar,alimentando algo que seja do nosso interesse. Uma total reciclagem energética.

O feitiço portanto remove e neutraliza qualquer inhaca, transformando em energia pura que pode ser direcionada para dar propulsão a algum objetivo seu.

Como este feitiço é daqueles que precisa que as velas terminem de queimar por conta própria (ou por se extinguirem sozinhas ou por queimarem até sobrar só o pavio) precisa ser feito em uma só sentada. Então tire o dia para fazer. As velas não podem ser reacendidas e precisam de supervisão constante.

A dica aqui é usar velas pequenas. Outro detalhe importante é que só funciona para remover uma magia por vez. Se você acha que há mais de uma coisa sendo enviada ao mesmo tempo, vai ter de repetir o feitiço em outro momento tendo em foco a outra fonte de energia ruim. Ele também funciona para remover sentimentos péssimos que carregamos conosco: culpas, remorsos, crenças nocivas e outras auto-sabotagens.

ATENÇÃO: este ritual não pode ser feito para outras pessoas. Cada um cuida de si.

p.s. Não funciona em todos os casos de energia enviada, mas já tive resultados bem interessantes com esta técnica. Porém, como tudo na magia, você precisa acreditar que é possível antes de se lançar a fazer 😉

Convite para um círculo de Lua Roxa

Como viver o sagrado feminino depois de uma histerectomia?

Quando entramos em contato com a energia do sagrado feminino, fazendo o resgate da sacralidade de nossos corpos e de nossa energia autêntica como mulheres, aprendemos a celebrar nossos ciclos mensais e nosso útero. O útero é o grande centro energético feminino, o lugar onde podemos criar e gestar não apenas crianças humanas, mas todos os nossos projetos, nossos relacionamentos, nossos rumos, nossas crias mentais.

No entanto, mesmo vibrando e trabalhando com nossos ciclos aprendendo a amar e respeitar nossos corpos de fêmea, não estamos blindadas contra problemas hormonais, cistos, miomas e até câncer. A ferida feminina é muito antiga e muito profunda, e tantas vezes vivemos essa ferida fisicamente em nossos corpos.

Mesmo quem não descobriu ainda esse caminho da sua sacralidade, pode ficar atônita e perdida ao receber a notícia de que precisará passar por uma histerectomia. São muitas as emoções e os estigmas que acompanham a ideia de uma mulher que perdeu seu útero: há uma sensação de mutilação, de vazio, de uma perda tremenda e irreparável, há o alívio de não ter mais os sintomas graves a cada sangramento, há o alívio de não ter mais o sangue todos os meses – e pode haver também o luto da perda desse ciclo, desse tempo mensal que nos regra e organiza, limpa e purifica.

Na ordem natural das coisas, temos nossa menarca, depois ao longo da vida fértil podemos ou não gestar e parir, e nos parece garantido que teremos anos e anos de menstruação em menstruação até que um dia esse sangue se despeça de nós no processo da menopausa. E como fica para nós que temos um corte súbito desse processo? Cujo sangue é forçosamente parado com a retirada do útero? Como vivemos esta passagem, este limbo, muitas vezes ainda bem jovens?

Sketch de Circe – de John Williams Waterhouse

Na espiritualidade feminina, aprendemos que há três faces da Deusa: Donzela, Mãe e Anciã. E onde nos enquadramos nós que ainda não somos as Velhas Sábias pós-menopausa, mas também não temos mais a experiência cíclica do arquétipo da Mãe? Que tipo de Mulheres Sábias poderemos ser?

Somos talvez invisíveis socialmente na nossa dor e na nossa vivência, mas somos muitas e temos nossas particularidades. No meu caminho de vivência da sacralidade feminina iniciado há duas décadas, ainda estou tentando me encontrar e me entender energeticamente como um ser cíclico tendo perdido meus ciclos visíveis há quatro anos.

Fiz a formação de Lua Roxa com a autora DeAnna L’am em novembro de 2019, e uma das propostas que ela faz é a criação de um círculo de Lua Roxa, para mulheres na perimenopausa e menopausa, para um espaço espiritual de partilha de nossas experiências e aprendizados. O Círculo de Irmandade que eu estou começando é focado em mulheres que pararam de sangrar por terem passado por histerectomia (ou que vão passar por isso em breve), pois essa é a minha experiência, a minha vivência, e é isso que posso partilhar e trocar. 

Todas as mulheres pertencem às Tendas Vermelhas, lugares onde as mais velhas podem oferecer seus dons e sabedoria às irmãs de todas as idades. Mulheres na menopausa ou que não sangram mais pertencem aos Círculos de Lua Roxa, onde como iguais, trocamos experiências ainda não vividas por aquelas que seguem menstruando.

Não precisamos viver nossas histórias de forma isolada, este círculo é um convite para um espaço de apoio, de nutrir e cultivar um coletivo de mulheres que partilham as mesmas cicatrizes.

A proposta é para um círculo mensal ou bimestral, onde nos encontramos para atividades e trocas. Como uma Ativadora Lua Roxa de Nível 1, sou apta a facilitar esta roda, mas também participarei dela, recebendo as mesmas bênçãos e curas neste espaço sagrado. Portanto, como estarei ali como igual, este círculo não tem um valor de troca. Ele é gratuito, mas vai pedir da sua energia, da sua abertura, vai exigir seu comprometimento.

Este é um chamado para você tirar um tempo para si, para se entender com suas energias e sua sacralidade dentro de um espaço espiritual de apoio entre iguais.

“Os CÍRCULOS DA LUA ROXA geralmente ocorrem em espaços compartilhados, mantidos por grupos de mulheres dedicadas, abertos a todas as mulheres de um bairro/vila/comunidade, que estão na jornada da pré-menopausa, menopausa ou pós-menopausa. São espaços onde as mulheres se reúnem apenas para ESTAR.”

Este é um convite para você co-criar este espaço comigo e com a Danielle Sales que será minha parceira na organização de nossos encontros.

DATA: 28 DE MARÇO DE 2020

Das 14h30 às 17h

Local: próximo à estação Borba Gato da linha lilás em São Paulo.

Por favor preencha a ficha de inscrição, nos contando um pouco de você. As vagas são super limitadas e você receberá o endereço do encontro ao ter sua inscrição confirmada.

A importância e a coragem de se fazer a pergunta certa

A bruxaria pode ser muito terapêutica, pois nos faz repensar e trabalhar internamente as modéstias, pudores e questões de autoestima que nos são inculcados pela sociedade na qual crescemos, sentimentos que muitas vezes levamos e preservamos vida afora sem qualquer motivo válido.

Por exemplo, somos ensinados que é feio pedir presente, não se deve dizer o que se quer, não devemos demonstrar nossa vontade porque não é educado. Isso é ainda mais enfatizado se você nascer menina. Eu aprendi isso aos 7 anos quando respondi, toda faceira, à minha tia avó Maria Dulce que eu queria uma boneca Susi de patins. Minha mãe só faltou se esconder de vergonha e depois me ensinou que isso não se faz que, quando alguém nos pergunta o que a gente quer ganhar, o certo e bonito é dizer: “–Qualquer coisa”. Isso é reforçado inúmeras vezes ao longo da vida, culminando no desespero de responder à temida pergunta de qual o salário pretendido para um cargo que estamos tentando, ou na hora de colocar preço nos nossos serviços.

Claro que isso não é exclusivo das mulheres, mas é epidêmico entre nós sem dúvida. Imbui a crença de que não merecemos lá grande coisa e qualquer migalha que o universo mandar tá bom, porque é a parte que nos cabe deste latifúndio, já que somos ensinadas que é o outro quem decide nosso valor. A humildade e culpa católicas também contribuem para isso, lógico.

E isso precisa ser curado, e a bruxaria é maravilhosa porque ela nos faz bancar nossos quereres, nos faz bancar nossas vontades e ousar pedir até mais. E a forma, as palavras exatas que usamos para pedir são fundamentais, pois as palavras usadas na pergunta ao oráculo ou a frase usada para o encantamento vão determinar o que teremos como resposta.

O exemplo histórico mais famoso é o de Creso, último rei da Lídia que, antes de enfrentar as forças persas do rei Ciro o Grande, mandou consultar o oráculo de Delphos para saber o resultado da batalha. O oráculo respondeu que se Creso cruzasse o rio Hális, destruiria um grande império. Ele se alegrou muito com essas palavras e instigou a guerra que, ironicamente, destruiu o império dele próprio.

Uma resposta também pode facilmente ser mal interpretada, mas o problema maior já começa quando não temos certeza ou coragem para formular a pergunta ou formulamos mal. Isso vale para consultas oraculares e vale para jornadas ou contatos espirituais de toda sorte, pois o plano espiritual vai responder à pergunta tal qual foi enunciada.

Por exemplo, se estou usando o baralho Lenormand, e alguém quer saber o que vai acontecer com o câncer de seu pai, e a resposta que sai é a árvore – um símbolo de viço e saúde – a tendência é interpretar como o pai se recuperando plenamente e restabelecendo sua força. Mas a pergunta não foi sobre como ficaria o paciente, a pergunta foi sobre o que ocorreria com o câncer. Então, se eu preciso me basear na pergunta, a resposta desoladora aqui é que o câncer vai muito bem obrigado, seguirá firme e forte. Para saber do futuro da doença em si, o desejável são cartas que indiquem a aniquilação e enfraquecimento dessa doença. Se pergunto sobre o paciente, aí sim, quero ver as cartas de vitalidade e vigor, embora claro, essas respostas muitas vezes não sejam as que recebemos.

Outro exemplo: digamos que deseje aumentar o número de clientes para meus atendimentos com tarô porém, por algum receio ou pudor, tenho bloqueio em formular exatamente essa pergunta para uma jornada ao plano astral. Se algo no meu inconsciente se sente desconfortável em ligar a ideia do dinheiro com meu trabalho ou não se sente merecedor de verdadeira prosperidade, enfim, acredita que é “feio pedir o que quero ganhar”, posso fazer rodeios e acabar perguntando sobre modos de trabalhar melhor como taróloga. E os espíritos vão me responder, e vão me responder lindamente dando dicas e ensinamentos de como atuar melhor prestando esse serviço, me conectando com os símbolos, indicando estudos que tenho a fazer, preparos necessários, etc… Mas não vão me responder como atrair mais clientes, pois não foi o que perguntei. E eu não tenho direito de me queixar, pois quem fez a pergunta enviesada fui eu.

Ou seja, formular uma pergunta que revela nosso real desejo exige um nível de autoconhecimento, assertividade, segurança e cara de pau.

O mesmo é exigido para eu formular o intento de um feitiço. Se formular algo meia-boca, titubeando, patinando em volta do tema real em vez de ser direta para atrair ou repelir o que realmente desejo, vai dar meleca.

Portanto, segue a minha dica, se você sofre com insegurança, pergunte sobre isso, peça auxílio do plano astral e dos oráculos para te mostrar como superar, como ser uma pessoa mais segura, com maior autoestima e assertividade. Trabalhe magicamente para se sentir merecedor e merecedora de coisas boas.  Faça isso primeiro. E, só mais adiante, já com segurança e com a cara trabalhada no óleo de peroba, faça, com gosto, as perguntas que precisam ser feitas.

p.s. Minha tia Dulce era uma pessoa muito maravilhosa, e eu ganhei a Suzy de patins. 🙂

Formação mágica

É com imensa alegria que anuncio esta nova turma de formação, já pelo sexto ano, com versão presencial em São Paulo e online. As inscrições estão abertas até 31 de janeiro e as aulas online já começam dia 6/2.

As vagas são super limitadas, apresse-se. 😉

Todas as informações, datas, currículo, valor, etc, estão neste formulário:

https://forms.gle/QKjfRCUtRdDELvMz8

Talismãs para contato com o povo encantado

Muita gente chama as fadas ou encantados de elementais. Prefiro não usar essa nomenclatura e usar o termo para me referir exclusivamente a ondinas, gnomos, sílfides e salamandras, que são os seres elementais por excelência, pois são compostos unicamente daquele elemento ao qual pertencem. Já os encantados, fadas ou feéricos, como costumamos chamar esses espíritos, são muito mais complexos na sua composição. Mesmo não tendo corpo físico, eles não se atém em essência a um único elemento, sendo formados por uma combinação. Entre esses seres podemos incluir curupira, saci, iara, elfos, anões, leprechauns, selkies, goblins, ekkekos, pixies, faunos, devas, entre tantos e tantos outros. Suas variações são inúmeras, de acordo com o local de onde se originam.

Esses espíritos não-humanos têm uma relação muito próxima com a bruxaria folclórica desde sempre. Enquanto a magia cerimonial se dedicava muito ao contato com anjos, deuses e demônios, a are bruxa e feiticeira sempre teve maior pendor pela comunhão com o povo feérico. É através dessa relação bem estreita e estabelecida que somos capazes de melhor compreender as flutuações energéticas do lugar que habitamos e também de angariar suas forças e alianças para nossa busca de sabedoria e outros auxílios. Essa relação era tão próxima que a bruxaria foi por muito tempo conhecida na Grã-Bretanha como Faery Faith, a fé das fadas.

A primeira condição para podermos nos reaproximar desse povo é sairmos do racional e irmos para os sentidos. É primordial que, para contatarmos os encantados, tenhamos em nós a capacidade de nos encantar.

Dito isso, algumas coisas ajudam na proximidade para quem busca trabalhar magicamente com esses espíritos e desenvolver uma amizade com eles.

Uma das magias mais fáceis de fazer são as bolsinhas ou mojo bags, e elas podem ter os mais variados fins. Em geral são usadas como talismãs, atraindo aquilo que desejamos, como saúde, amor, poderes psíquicos, proteção, coragem, sucesso, fertilidade, etc. Algumas podem ser sintonizadas na energia dos encantados, as fadas que habitam o mundo natural.

Para buscar essa ajuda, prepare sua bolsinha mágica preferencialmente em uma sexta-feira de lua crescente.

Segue uma lista de ingredientes e uma sugestão de ritual.

Ervas ligadas aos encantados, atraindo sua atenção e favores em termos de proteção e boa sorte:

Sementes de anis, dente-de-leão, lavanda, tília, calêndula, espinheiro, mental, alecrim, verbena, flores de sabugueiro, aspérula

Correspondência de cores (para o tecido):

Preto: proteção, contato espiritual

Azul: sonhos, meditação

Marrom: saúde animal, aterramento

Amarelo: criatividade, clarividência

Dourado: sucesso, força, energia

Cinza: comunicação com fadas e viagens pelos reinos encantados

Verde: magia feérica, fertilidade, prosperidade

Lilás: sensibilidade psíquica, uso divinatório, abertura de visão

Laranja: coragem, atraindo o que se deseja

Rosa: amor, companheirismo, amizade

Roxo: desenvolvimento espiritual, intuição

Vermelho: energia, força, coragem e paixão

Branco: meditação, purificação, magia de lua cheia

Correspondência de cristais com afinidades com o povo feérico

Turmalina negra – aterramento, proteção

Água-marinha – desenvolvimento espiritual, intuição

Esmeralda – visões

Fluorita – atrai encantados, jornadas em seus reinos

Granada – equilibra energias, amor, união

Pirita – sucesso, prosperidade

Quartzo fumê – conexões ancestrais e com fadas, atrai energias positivas e protege

Pedra da lua – poderes psíquicos, satisfação de desejos

Opala – viagem astral

Jade – boa sorte, amizade, harmonia

Quartzo branco – energiza o conjunto todo

Além desses cristais, todas as pedras que contenham um furo que ocorreu naturalmente têm afinidade com o povo encantado.

Para seu rito de encantamento:

Tenha um cristal, uma vela nas cores cinza ou lavanda, um incenso de aroma floral e água de riacho/cachoeira ou fonte em uma tigelinha ou cálice. Tenha à mão os ingredientes escolhidos e o tecido/bolsinha na cor apropriada ao seu intento, além de uma fita para amarrar.

Ponha os ingredientes de ervas, cristais e outros objetos escolhidos dentro de uma bolsinha costurada ou um pedaço de tecido redondo que será amarrado numa trouxinha.

Acenda sua vela. Passe a trouxinha mágica por cada um dos elementos. Fazendo uma prece:

“Chamo pelos poderes dos elementos e de seus elementais, imbuam este talismã mágico com seus poderes e energias atraindo os bons vizinhos desta terra para trabalharem comigo e fazerem parte da minha vida espiritual. Consagrando pelo Ar (passe pelo incenso), pelo Fogo (passe pela chama), pela Água (molhe com as pontas dos dedos) e pela Terra (toque a bolsinha no cristal), chamo pelo poder do povo da natureza, do povo encantado, nossos bons vizinhos, povos das fadas; que em amizade, afeto e parceria de crescimento mútuo sejam atraídos e bem vindos à minha vida. Que assim seja!”

Segure a bolsinha nas suas mãos e deseje fortemente, chamando em imaginação e força por esse contato com os habitantes desse reino.

Guarde em um local escuro até a lua cheia. Então exponha seu talismã à luz da lua e chame mais uma vez pelos reinos encantados, para que se façam presentes abençoando esse contato e auxiliando em seu desejo. Deixe o talismã tomar um banho de lua por algumas horas, então pode usar ou colocar no seu quarto, no seu altar, ou mesa de trabalho.

O preço da magia

Admirando feitiços no Museum of Witchcraft and Magic

No momento em que o buscador descobre o potencial mágico de um feitiço e recebe as instruções básicas de como fazer isso, seus olhos brilham com as infinitas possibilidades. Há uma empolgação que vem de se perceber capaz de influenciar o próprio destino, mas ao mesmo tempo uma inflação egoica que acha que agora tem poderes e vai usá-los o tempo todo e sem pensar duas vezes.

Bom, a primeira coisa que qualquer um que esteja neste caminho logo descobre é que nem sempre o feitiço dá o resultado esperado. E às vezes pode ser uma bênção o encantamento não funcionar.

O efeito de um trabalho mágico depende diretamente do talento (e alianças) de quem faz, da crença pessoal sobre o merecimento que temos daquilo que estamos pedindo, e também de um alinhamento de uma série de outros fatores sobre os quais não temos controle algum.

Além disso, existe um preceito bem conhecido: “Toda magia tem um preço”.

Quando dizemos isso não estamos nos referindo ao valor que você pagaria a uma mãe de santo ou um feiticeiro para realizar um trabalho, estamos falando do preço energético atrelado a alterarmos o curso da vida. O preço existe pelo desgaste e a dívida que podemos gerar ao mobilizarmos e direcionarmos energia de uma forma não natural.  

Toda vez que metemos o bedelho no curso natural das coisas, causamos algo. Pode ser que lá adiante, o resultado do que colocamos em movimento não seja inofensivo e talvez nem benéfico, inclusive para nós mesmos. É o famoso efeito borboleta. Tudo está interligado, e nosso ego não têm condições de ver o tamanho da teia do destino e todos os fatores envolvidos. Algo que teimamos em querer pode não ser para nós, pode não ser bom para nós.

Também, para que você receba, é possível que tenha de perder. Para algo vir, outra coisa pode ser tirada, e na maior parte das vezes, a gente não sabe onde a conta vai chegar. Considere que o próprio ato mágico queima energia nossa, gasta chi, qi, prana… Não admira que tantos bruxos tenham problemas de saúde, muitas vezes inexplicáveis, depois dos 35 anos. É preciso escolher bem, ter senso de responsabilidade para consigo e para com o todo.

E também não se faz magia para tudo. A magia entra para dar um empurrão extra em algo no qual estou empreendendo meus esforços, ou entra como último recurso, um ato de desespero em um momento de extrema necessidade quando todos os caminhos mundanos foram tentados e nada está dando certo.

Se faço feitiços todos os dias para todas as coisas, então deixa de ser especial, a energia é dispersa e pulverizada entre essas diversas atenções. Não há condições de concentração de forças, portanto fico desgastada e sem resultados.

Escolha bem. Não é à toa que bruxas eram conhecidas como sábias.

Tableau no Museum of Witchcraft and Magic. Boscastle, UK.