Evocação e invocação

Evocar e invocar são ações diferentes, mas seus sentidos e usos divergem entre os grupos de praticantes de magia.

De maneira geral entende-se da seguinte forma:

Evocar: chamar à nossa presença um ser, usando de uma espécie de ordem imperativa. O fato de que tal ser nos obedece indica que ele seria inferior ou a nós subordinado.

Invocar: chamar em forma de pedido ou súplica pela presença ou auxílio de um ser de alto escalão na hierarquia evolutiva ou a quem somos subordinados.

Portanto se compreende que, na primeira definição, nossa postura é de comando, na segunda, de subjugação.

Vale lembrar que mandar não é algo fácil. É preciso aprender a bem mandar e bem obedecer. Para dar uma ordem há que se ter postura adequada e firme, além de clareza e precisão. É fundamental também que quem manda se sinta íntegro nesta função, confiante e confortável, pois qualquer insegurança na voz ou na postura será percebida pela outra parte e considerada uma fraqueza ou uma abertura para o comando não ser executado adequadamente.

Museum of Witchcraft – Boscastle, Inglaterra, 2015

Por esse motivo, na magia cerimonial há tanta pompa e rigor em termos de dizeres, gestos, símbolos, objetos e vestuário, para emprestar a devida altivez em todos os âmbitos ao mago que deseja que os elementais lhe obedeçam com disciplina. Reinos não humanos tendem a compreender muito melhor a força emocional e as vibrações mentais que emanamos do que de fato nossas palavras.

Ao invocar uma divindade, por exemplo, o oposto é necessário. Nossa postura é de súplica, seja de joelhos, seja de pé com gestos solenes e respeitosos. Também aqui pode haver muita pompa, mas no lugar do comando, encontramos devoção, pois chamamos pela atenção e presença de seres superiores a nós. Essa é a forma de se clamar por ajuda, proteção, orientação.

O entendimento da forma correta de nos portarmos com as diferentes esferas é uma das marcas da verdadeira magia.

Porém, há outras maneiras de compreendermos esses termos. Há quem use o termo evocar para indicar um chamado à presença no círculo mágico, para que uma entidade ou guardião se apresente. Sendo assim, o próprio chamado aos quadrantes e aos guardiões dos portais dos quatro elementos ou os vigilantes das quatro torres seria uma evocação, como também as liturgias de adoração dos deuses seriam uma evocação de suas magníficas presenças.

E para quem segue essa linha, o termo invocar pode significar chamar para “dentro de si”, puxar uma divindade em um ato de aspectamento, incorporação ou oráculo, técnicas usadas desde os primórdios e muito presentes na Bruxaria Tradicional e até na moderna, como por exemplo, no famoso Drawing down the Moon (puxar a lua para baixo) usado na Wicca tradicional.

E você, como usa ou entende essa terminologia?

Eu e as companheiras bruxas e atrizes da companhia Terra Mysterium de teatro pagão – Chicago, Illinois, 2009.

Feitiço para transmutar energia

Quando morava em Chicago, alguns anos tive como agenda o “Witches’ Datebook” da Llewellyn. Além de ter posições astronômicas, continha informações das lunações, da Roda do Ano e também sempre trazia dicas e textos muito bons sobre diferentes formas de magia natural. Algum desses anos, talvez 2005, veio dentro um texto sobre “The swifting of energy” que é uma forma muito interessante de reaproveitar energia que chega para nós, mesmo quando esta é nociva.

Portanto, a ideia aqui é em lugar de remover uma maldição, amarração ou qualquer outra urucubaca destrutiva ou manipulativa que estejam nos enviando, a gente pega essa energia toda que estão tendo o trabalho de mandar e transforma em neutra, para então reaproveitar,alimentando algo que seja do nosso interesse. Uma total reciclagem energética.

O feitiço portanto remove e neutraliza qualquer inhaca, transformando em energia pura que pode ser direcionada para dar propulsão a algum objetivo seu.

Como este feitiço é daqueles que precisa que as velas terminem de queimar por conta própria (ou por se extinguirem sozinhas ou por queimarem até sobrar só o pavio) precisa ser feito em uma só sentada. Então tire o dia para fazer. As velas não podem ser reacendidas e precisam de supervisão constante.

A dica aqui é usar velas pequenas. Outro detalhe importante é que só funciona para remover uma magia por vez. Se você acha que há mais de uma coisa sendo enviada ao mesmo tempo, vai ter de repetir o feitiço em outro momento tendo em foco a outra fonte de energia ruim. Ele também funciona para remover sentimentos péssimos que carregamos conosco: culpas, remorsos, crenças nocivas e outras auto-sabotagens.

ATENÇÃO: este ritual não pode ser feito para outras pessoas. Cada um cuida de si.

p.s. Não funciona em todos os casos de energia enviada, mas já tive resultados bem interessantes com esta técnica. Porém, como tudo na magia, você precisa acreditar que é possível antes de se lançar a fazer 😉

Convite para um círculo de Lua Roxa

Como viver o sagrado feminino depois de uma histerectomia?

Quando entramos em contato com a energia do sagrado feminino, fazendo o resgate da sacralidade de nossos corpos e de nossa energia autêntica como mulheres, aprendemos a celebrar nossos ciclos mensais e nosso útero. O útero é o grande centro energético feminino, o lugar onde podemos criar e gestar não apenas crianças humanas, mas todos os nossos projetos, nossos relacionamentos, nossos rumos, nossas crias mentais.

No entanto, mesmo vibrando e trabalhando com nossos ciclos aprendendo a amar e respeitar nossos corpos de fêmea, não estamos blindadas contra problemas hormonais, cistos, miomas e até câncer. A ferida feminina é muito antiga e muito profunda, e tantas vezes vivemos essa ferida fisicamente em nossos corpos.

Mesmo quem não descobriu ainda esse caminho da sua sacralidade, pode ficar atônita e perdida ao receber a notícia de que precisará passar por uma histerectomia. São muitas as emoções e os estigmas que acompanham a ideia de uma mulher que perdeu seu útero: há uma sensação de mutilação, de vazio, de uma perda tremenda e irreparável, há o alívio de não ter mais os sintomas graves a cada sangramento, há o alívio de não ter mais o sangue todos os meses – e pode haver também o luto da perda desse ciclo, desse tempo mensal que nos regra e organiza, limpa e purifica.

Na ordem natural das coisas, temos nossa menarca, depois ao longo da vida fértil podemos ou não gestar e parir, e nos parece garantido que teremos anos e anos de menstruação em menstruação até que um dia esse sangue se despeça de nós no processo da menopausa. E como fica para nós que temos um corte súbito desse processo? Cujo sangue é forçosamente parado com a retirada do útero? Como vivemos esta passagem, este limbo, muitas vezes ainda bem jovens?

Sketch de Circe – de John Williams Waterhouse

Na espiritualidade feminina, aprendemos que há três faces da Deusa: Donzela, Mãe e Anciã. E onde nos enquadramos nós que ainda não somos as Velhas Sábias pós-menopausa, mas também não temos mais a experiência cíclica do arquétipo da Mãe? Que tipo de Mulheres Sábias poderemos ser?

Somos talvez invisíveis socialmente na nossa dor e na nossa vivência, mas somos muitas e temos nossas particularidades. No meu caminho de vivência da sacralidade feminina iniciado há duas décadas, ainda estou tentando me encontrar e me entender energeticamente como um ser cíclico tendo perdido meus ciclos visíveis há quatro anos.

Fiz a formação de Lua Roxa com a autora DeAnna L’am em novembro de 2019, e uma das propostas que ela faz é a criação de um círculo de Lua Roxa, para mulheres na perimenopausa e menopausa, para um espaço espiritual de partilha de nossas experiências e aprendizados. O Círculo de Irmandade que eu estou começando é focado em mulheres que pararam de sangrar por terem passado por histerectomia (ou que vão passar por isso em breve), pois essa é a minha experiência, a minha vivência, e é isso que posso partilhar e trocar. 

Todas as mulheres pertencem às Tendas Vermelhas, lugares onde as mais velhas podem oferecer seus dons e sabedoria às irmãs de todas as idades. Mulheres na menopausa ou que não sangram mais pertencem aos Círculos de Lua Roxa, onde como iguais, trocamos experiências ainda não vividas por aquelas que seguem menstruando.

Não precisamos viver nossas histórias de forma isolada, este círculo é um convite para um espaço de apoio, de nutrir e cultivar um coletivo de mulheres que partilham as mesmas cicatrizes.

A proposta é para um círculo mensal ou bimestral, onde nos encontramos para atividades e trocas. Como uma Ativadora Lua Roxa de Nível 1, sou apta a facilitar esta roda, mas também participarei dela, recebendo as mesmas bênçãos e curas neste espaço sagrado. Portanto, como estarei ali como igual, este círculo não tem um valor de troca. Ele é gratuito, mas vai pedir da sua energia, da sua abertura, vai exigir seu comprometimento.

Este é um chamado para você tirar um tempo para si, para se entender com suas energias e sua sacralidade dentro de um espaço espiritual de apoio entre iguais.

“Os CÍRCULOS DA LUA ROXA geralmente ocorrem em espaços compartilhados, mantidos por grupos de mulheres dedicadas, abertos a todas as mulheres de um bairro/vila/comunidade, que estão na jornada da pré-menopausa, menopausa ou pós-menopausa. São espaços onde as mulheres se reúnem apenas para ESTAR.”

Este é um convite para você co-criar este espaço comigo e com a Danielle Sales que será minha parceira na organização de nossos encontros.

DATA: 28 DE MARÇO DE 2020

Das 14h30 às 17h

Local: próximo à estação Borba Gato da linha lilás em São Paulo.

Por favor preencha a ficha de inscrição, nos contando um pouco de você. As vagas são super limitadas e você receberá o endereço do encontro ao ter sua inscrição confirmada.

A importância e a coragem de se fazer a pergunta certa

A bruxaria pode ser muito terapêutica, pois nos faz repensar e trabalhar internamente as modéstias, pudores e questões de autoestima que nos são inculcados pela sociedade na qual crescemos, sentimentos que muitas vezes levamos e preservamos vida afora sem qualquer motivo válido.

Por exemplo, somos ensinados que é feio pedir presente, não se deve dizer o que se quer, não devemos demonstrar nossa vontade porque não é educado. Isso é ainda mais enfatizado se você nascer menina. Eu aprendi isso aos 7 anos quando respondi, toda faceira, à minha tia avó Maria Dulce que eu queria uma boneca Susi de patins. Minha mãe só faltou se esconder de vergonha e depois me ensinou que isso não se faz que, quando alguém nos pergunta o que a gente quer ganhar, o certo e bonito é dizer: “–Qualquer coisa”. Isso é reforçado inúmeras vezes ao longo da vida, culminando no desespero de responder à temida pergunta de qual o salário pretendido para um cargo que estamos tentando, ou na hora de colocar preço nos nossos serviços.

Claro que isso não é exclusivo das mulheres, mas é epidêmico entre nós sem dúvida. Imbui a crença de que não merecemos lá grande coisa e qualquer migalha que o universo mandar tá bom, porque é a parte que nos cabe deste latifúndio, já que somos ensinadas que é o outro quem decide nosso valor. A humildade e culpa católicas também contribuem para isso, lógico.

E isso precisa ser curado, e a bruxaria é maravilhosa porque ela nos faz bancar nossos quereres, nos faz bancar nossas vontades e ousar pedir até mais. E a forma, as palavras exatas que usamos para pedir são fundamentais, pois as palavras usadas na pergunta ao oráculo ou a frase usada para o encantamento vão determinar o que teremos como resposta.

O exemplo histórico mais famoso é o de Creso, último rei da Lídia que, antes de enfrentar as forças persas do rei Ciro o Grande, mandou consultar o oráculo de Delphos para saber o resultado da batalha. O oráculo respondeu que se Creso cruzasse o rio Hális, destruiria um grande império. Ele se alegrou muito com essas palavras e instigou a guerra que, ironicamente, destruiu o império dele próprio.

Uma resposta também pode facilmente ser mal interpretada, mas o problema maior já começa quando não temos certeza ou coragem para formular a pergunta ou formulamos mal. Isso vale para consultas oraculares e vale para jornadas ou contatos espirituais de toda sorte, pois o plano espiritual vai responder à pergunta tal qual foi enunciada.

Por exemplo, se estou usando o baralho Lenormand, e alguém quer saber o que vai acontecer com o câncer de seu pai, e a resposta que sai é a árvore – um símbolo de viço e saúde – a tendência é interpretar como o pai se recuperando plenamente e restabelecendo sua força. Mas a pergunta não foi sobre como ficaria o paciente, a pergunta foi sobre o que ocorreria com o câncer. Então, se eu preciso me basear na pergunta, a resposta desoladora aqui é que o câncer vai muito bem obrigado, seguirá firme e forte. Para saber do futuro da doença em si, o desejável são cartas que indiquem a aniquilação e enfraquecimento dessa doença. Se pergunto sobre o paciente, aí sim, quero ver as cartas de vitalidade e vigor, embora claro, essas respostas muitas vezes não sejam as que recebemos.

Outro exemplo: digamos que deseje aumentar o número de clientes para meus atendimentos com tarô porém, por algum receio ou pudor, tenho bloqueio em formular exatamente essa pergunta para uma jornada ao plano astral. Se algo no meu inconsciente se sente desconfortável em ligar a ideia do dinheiro com meu trabalho ou não se sente merecedor de verdadeira prosperidade, enfim, acredita que é “feio pedir o que quero ganhar”, posso fazer rodeios e acabar perguntando sobre modos de trabalhar melhor como taróloga. E os espíritos vão me responder, e vão me responder lindamente dando dicas e ensinamentos de como atuar melhor prestando esse serviço, me conectando com os símbolos, indicando estudos que tenho a fazer, preparos necessários, etc… Mas não vão me responder como atrair mais clientes, pois não foi o que perguntei. E eu não tenho direito de me queixar, pois quem fez a pergunta enviesada fui eu.

Ou seja, formular uma pergunta que revela nosso real desejo exige um nível de autoconhecimento, assertividade, segurança e cara de pau.

O mesmo é exigido para eu formular o intento de um feitiço. Se formular algo meia-boca, titubeando, patinando em volta do tema real em vez de ser direta para atrair ou repelir o que realmente desejo, vai dar meleca.

Portanto, segue a minha dica, se você sofre com insegurança, pergunte sobre isso, peça auxílio do plano astral e dos oráculos para te mostrar como superar, como ser uma pessoa mais segura, com maior autoestima e assertividade. Trabalhe magicamente para se sentir merecedor e merecedora de coisas boas.  Faça isso primeiro. E, só mais adiante, já com segurança e com a cara trabalhada no óleo de peroba, faça, com gosto, as perguntas que precisam ser feitas.

p.s. Minha tia Dulce era uma pessoa muito maravilhosa, e eu ganhei a Suzy de patins. 🙂

Formação mágica

É com imensa alegria que anuncio esta nova turma de formação, já pelo sexto ano, com versão presencial em São Paulo e online. As inscrições estão abertas até 31 de janeiro e as aulas online já começam dia 6/2.

As vagas são super limitadas, apresse-se. 😉

Todas as informações, datas, currículo, valor, etc, estão neste formulário:

https://forms.gle/QKjfRCUtRdDELvMz8

Talismãs para contato com o povo encantado

Muita gente chama as fadas ou encantados de elementais. Prefiro não usar essa nomenclatura e usar o termo para me referir exclusivamente a ondinas, gnomos, sílfides e salamandras, que são os seres elementais por excelência, pois são compostos unicamente daquele elemento ao qual pertencem. Já os encantados, fadas ou feéricos, como costumamos chamar esses espíritos, são muito mais complexos na sua composição. Mesmo não tendo corpo físico, eles não se atém em essência a um único elemento, sendo formados por uma combinação. Entre esses seres podemos incluir curupira, saci, iara, elfos, anões, leprechauns, selkies, goblins, ekkekos, pixies, faunos, devas, entre tantos e tantos outros. Suas variações são inúmeras, de acordo com o local de onde se originam.

Esses espíritos não-humanos têm uma relação muito próxima com a bruxaria folclórica desde sempre. Enquanto a magia cerimonial se dedicava muito ao contato com anjos, deuses e demônios, a are bruxa e feiticeira sempre teve maior pendor pela comunhão com o povo feérico. É através dessa relação bem estreita e estabelecida que somos capazes de melhor compreender as flutuações energéticas do lugar que habitamos e também de angariar suas forças e alianças para nossa busca de sabedoria e outros auxílios. Essa relação era tão próxima que a bruxaria foi por muito tempo conhecida na Grã-Bretanha como Faery Faith, a fé das fadas.

A primeira condição para podermos nos reaproximar desse povo é sairmos do racional e irmos para os sentidos. É primordial que, para contatarmos os encantados, tenhamos em nós a capacidade de nos encantar.

Dito isso, algumas coisas ajudam na proximidade para quem busca trabalhar magicamente com esses espíritos e desenvolver uma amizade com eles.

Uma das magias mais fáceis de fazer são as bolsinhas ou mojo bags, e elas podem ter os mais variados fins. Em geral são usadas como talismãs, atraindo aquilo que desejamos, como saúde, amor, poderes psíquicos, proteção, coragem, sucesso, fertilidade, etc. Algumas podem ser sintonizadas na energia dos encantados, as fadas que habitam o mundo natural.

Para buscar essa ajuda, prepare sua bolsinha mágica preferencialmente em uma sexta-feira de lua crescente.

Segue uma lista de ingredientes e uma sugestão de ritual.

Ervas ligadas aos encantados, atraindo sua atenção e favores em termos de proteção e boa sorte:

Sementes de anis, dente-de-leão, lavanda, tília, calêndula, espinheiro, mental, alecrim, verbena, flores de sabugueiro, aspérula

Correspondência de cores (para o tecido):

Preto: proteção, contato espiritual

Azul: sonhos, meditação

Marrom: saúde animal, aterramento

Amarelo: criatividade, clarividência

Dourado: sucesso, força, energia

Cinza: comunicação com fadas e viagens pelos reinos encantados

Verde: magia feérica, fertilidade, prosperidade

Lilás: sensibilidade psíquica, uso divinatório, abertura de visão

Laranja: coragem, atraindo o que se deseja

Rosa: amor, companheirismo, amizade

Roxo: desenvolvimento espiritual, intuição

Vermelho: energia, força, coragem e paixão

Branco: meditação, purificação, magia de lua cheia

Correspondência de cristais com afinidades com o povo feérico

Turmalina negra – aterramento, proteção

Água-marinha – desenvolvimento espiritual, intuição

Esmeralda – visões

Fluorita – atrai encantados, jornadas em seus reinos

Granada – equilibra energias, amor, união

Pirita – sucesso, prosperidade

Quartzo fumê – conexões ancestrais e com fadas, atrai energias positivas e protege

Pedra da lua – poderes psíquicos, satisfação de desejos

Opala – viagem astral

Jade – boa sorte, amizade, harmonia

Quartzo branco – energiza o conjunto todo

Além desses cristais, todas as pedras que contenham um furo que ocorreu naturalmente têm afinidade com o povo encantado.

Para seu rito de encantamento:

Tenha um cristal, uma vela nas cores cinza ou lavanda, um incenso de aroma floral e água de riacho/cachoeira ou fonte em uma tigelinha ou cálice. Tenha à mão os ingredientes escolhidos e o tecido/bolsinha na cor apropriada ao seu intento, além de uma fita para amarrar.

Ponha os ingredientes de ervas, cristais e outros objetos escolhidos dentro de uma bolsinha costurada ou um pedaço de tecido redondo que será amarrado numa trouxinha.

Acenda sua vela. Passe a trouxinha mágica por cada um dos elementos. Fazendo uma prece:

“Chamo pelos poderes dos elementos e de seus elementais, imbuam este talismã mágico com seus poderes e energias atraindo os bons vizinhos desta terra para trabalharem comigo e fazerem parte da minha vida espiritual. Consagrando pelo Ar (passe pelo incenso), pelo Fogo (passe pela chama), pela Água (molhe com as pontas dos dedos) e pela Terra (toque a bolsinha no cristal), chamo pelo poder do povo da natureza, do povo encantado, nossos bons vizinhos, povos das fadas; que em amizade, afeto e parceria de crescimento mútuo sejam atraídos e bem vindos à minha vida. Que assim seja!”

Segure a bolsinha nas suas mãos e deseje fortemente, chamando em imaginação e força por esse contato com os habitantes desse reino.

Guarde em um local escuro até a lua cheia. Então exponha seu talismã à luz da lua e chame mais uma vez pelos reinos encantados, para que se façam presentes abençoando esse contato e auxiliando em seu desejo. Deixe o talismã tomar um banho de lua por algumas horas, então pode usar ou colocar no seu quarto, no seu altar, ou mesa de trabalho.

O preço da magia

Admirando feitiços no Museum of Witchcraft and Magic

No momento em que o buscador descobre o potencial mágico de um feitiço e recebe as instruções básicas de como fazer isso, seus olhos brilham com as infinitas possibilidades. Há uma empolgação que vem de se perceber capaz de influenciar o próprio destino, mas ao mesmo tempo uma inflação egoica que acha que agora tem poderes e vai usá-los o tempo todo e sem pensar duas vezes.

Bom, a primeira coisa que qualquer um que esteja neste caminho logo descobre é que nem sempre o feitiço dá o resultado esperado. E às vezes pode ser uma bênção o encantamento não funcionar.

O efeito de um trabalho mágico depende diretamente do talento (e alianças) de quem faz, da crença pessoal sobre o merecimento que temos daquilo que estamos pedindo, e também de um alinhamento de uma série de outros fatores sobre os quais não temos controle algum.

Além disso, existe um preceito bem conhecido: “Toda magia tem um preço”.

Quando dizemos isso não estamos nos referindo ao valor que você pagaria a uma mãe de santo ou um feiticeiro para realizar um trabalho, estamos falando do preço energético atrelado a alterarmos o curso da vida. O preço existe pelo desgaste e a dívida que podemos gerar ao mobilizarmos e direcionarmos energia de uma forma não natural.  

Toda vez que metemos o bedelho no curso natural das coisas, causamos algo. Pode ser que lá adiante, o resultado do que colocamos em movimento não seja inofensivo e talvez nem benéfico, inclusive para nós mesmos. É o famoso efeito borboleta. Tudo está interligado, e nosso ego não têm condições de ver o tamanho da teia do destino e todos os fatores envolvidos. Algo que teimamos em querer pode não ser para nós, pode não ser bom para nós.

Também, para que você receba, é possível que tenha de perder. Para algo vir, outra coisa pode ser tirada, e na maior parte das vezes, a gente não sabe onde a conta vai chegar. Considere que o próprio ato mágico queima energia nossa, gasta chi, qi, prana… Não admira que tantos bruxos tenham problemas de saúde, muitas vezes inexplicáveis, depois dos 35 anos. É preciso escolher bem, ter senso de responsabilidade para consigo e para com o todo.

E também não se faz magia para tudo. A magia entra para dar um empurrão extra em algo no qual estou empreendendo meus esforços, ou entra como último recurso, um ato de desespero em um momento de extrema necessidade quando todos os caminhos mundanos foram tentados e nada está dando certo.

Se faço feitiços todos os dias para todas as coisas, então deixa de ser especial, a energia é dispersa e pulverizada entre essas diversas atenções. Não há condições de concentração de forças, portanto fico desgastada e sem resultados.

Escolha bem. Não é à toa que bruxas eram conhecidas como sábias.

Tableau no Museum of Witchcraft and Magic. Boscastle, UK.

O cérebro trino e a astrologia

Em 1970, o neurocientista Paul MacLean desenvolveu uma teoria sobre a evolução cerebral que ele demorou vinte anos para publicar.

Segundo MacLean, os humanos têm o cérebro dividido em três unidades funcionais: cérebro reptiliano, cérebro dos mamíferos inferiores e cérebro racional. Cada unidade representa um estágio evolutivo do sistema nervoso dos vertebrados.

O cérebro humano e primata apresenta os três estágios funcionando dentro de nós e informando nossas ações, emoções e racionalidade. O equilíbrio entre os sistemas varia de pessoa para pessoa, mas pode existir uma forma de buscar compreender qual deles opera em nós com mais força. Os três estratos podem ter relação com signos astrológicos e seus princípios mais elementares, dependendo da forma que cada signo funciona em sua essência. Quem realmente propôs e estudou essa relação a fundo é o astrólogo Carlos Fini, mas segue aqui uma abordagem simplificada.

O Complexo-R ou cérebro reptiliano é basal e formado pela medula espinhal apenas e porções do prosencéfalo. Este primeiro nível é capaz apenas de promover reflexos simples e tem características de defesa da sobrevivência, sendo responsável pela autopreservação e agressão. É a parte em nós que mapeia o meio-ambiente, esquadrinhando tudo para detectar perigos. É responsável pelos movimentos, atividades automáticas e funções fisiológicas involuntárias como batimentos cardíacos e respiração, é o centro instintivo e motor.

Pessoas mais conectadas a essa atividade basal do cérebro tendem a enxergar a vida o tempo todo como uma situação de luta, de vida e morte; antecipam o pior e são bastante territoriais. Há uma dificuldade em respeitar o território alheio, sempre se partindo para a conquista, e uma defesa intensa do próprio território para evitar invasões. Se você é de Áries, Escorpião ou Capricórnio, observe o quanto essas funções instintivas imperam na sua vida. São signos que apreciam hierarquias e rituais pessoais repetitivos, que muitas vezes se cristalizam.

Outra possibilidade de ativar de forma definitiva essa sensação constante de que a vida é só sobrevivência é ter aspectos fortes no mapa astrológico relacionados a Saturno e Plutão, que reforçam a memória da dor e das vivências negativas, como forma de se proteger da vida.

Já o cérebro límbico, dos mamíferos inferiores, também conhecido como cérebro emocional segundo MacLean, é o segundo nível funcional do sistema nervoso. Além dos componentes do cérebro reptiliano, ele engloba o telencéfalo e diencéfalo, unindo ali tálamo, hipotálamo e epitálamo, e também o hipocampo e parahipocampo. Esse sistema é responsável pelo controle do comportamento emocional dos indivíduos. É nesta região do cérebro onde são processados os sentimento e emoções mais nobres, como amor, proteção, saudades e carinho. É uma fase secundária da nossa evolução, pois diz respeito a olhar o outro. Depois de sobrevivermos apenas, podemos relaxar mais, aprender a cuidar, acolher, salvar… é ali que entra algo de alteridade e também altruísmo. Esta parte cerebral também é responsável pela experiência das emoções que emergem como toque, os cheiros, o carinho… é o sistema límbico que nos deixa carinhosos. Aqui é possível exercitar uma relação entre esses princípios e os signos de Touro, Câncer, Libra e Peixes. Afinal, são esses signos que mais remetem à relação com o outro no sentido do afeto, da proteção, acolhimento, do uso de expressões faciais e do choro como forma de manipular ou chamar a atenção. São os signos com mais senso estético, muita sensibilidade, com o desejo da troca afetiva com o outro e portanto, o desejo de casar, ter filhos… Enfim, é por eles que passa o entendimento emocional do amor e do prazer, e isso inclui as pessoas que têm uma forte presença de Netuno também em suas configurações astrológicas, esse planeta traz para esse mix uma qualidade insuperável da capacidade de compaixão.

O cérebro racional, conhecido como neocórtex, é composto pelo córtex telencefálico, que é dividido em frontal, parietal, temporal, occipital e insular. Cada uma dessas regiões tem diferentes responsabilidades, e elas incluem as funções executivas. Mas é o néocortex a parte que diferencia seres humanos dos demais animais, é por sua presença que somos capazes de desenvolver o pensamento abstrato e produzir invenções. É a parte mais externa e mais moderna da massa cinzenta, onde funcionam os mecanismos cognitivos, especulativos e racionais. E os signos que mais teriam afinidade natural com essas funções da razão são Gêmeos, Leão, Virgem, Sagitário e Aquário, pois têm como seu principal foco o desejo pelas mudanças, pelas novidades, a expressão da individualidade e o plano das ideias racionais. Outros indicativos astrológicos de termos essas funções bem diferenciadas seria um Mercúrio fortalecido e bons aspectos com Urano.

O funcionamento saudável dessas três partes é fundamental para uma vida plena, pois todos temos de sobreviver, lutar, nos mover, amar, cuidar, relaxar, refletir, compreender e criar. O ideal seria que as três partes tivessem um desenvolvimento harmônico em cada um de nós; a partir do entendimento e valorização dessas diferentes “mentes” que possuímos, podemos encontrar maior paz e harmonia interior.

A hospedaria

Li agora pela manhã, num post de facebook em inglês, um poema lindíssimo de Rumi.

A Casa de Hóspedes

O ser humano é uma casa de hóspedes.
Toda manhã uma nova chegada.

A alegria, a depressão, a falta de sentido, como visitantes inesperados.

Receba e entretenha a todos
Mesmo que seja uma multidão de dores
Que violentamente varrem sua casa e tira seus móveis.
Ainda assim trate seus hóspedes honradamente.
Eles podem estar te limpando
para um novo prazer.

O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,
encontre-os à porta rindo.

Agradeça a quem vem,
porque cada um foi enviado
como um guardião do além.

— Rumi (Mestre sufi do séc. XII)

Esse poema me remete demais a tudo que venho transformando em mim e nos meus atendimentos desde que dei início à minha especialização em psicoterapia junguiana. Carl G. Jung era um grande defensor do politeísmo da consciência, desse entendimento lindo de que somos visitados por deuses, por mensageiros, que passam e despertam em nós reações e emoções. Sentimos desejo com uma visita de Afrodite, sentimos vontade de brigar com uma visita de Ares, nos entregamos à dança e à embriaguez com uma visita de Dionísio. Nos tempos gregos, nada do sentir nos pertencia, eram os deuses que nos inspiravam e moviam.

Hoje, infelizmente, para nosso detrimento, achamos que tudo pertence ao “eu”, temos um só deus habitando em nós, um deus que é dono de tudo… de toda tristeza, de toda angústia, de todas os grandes pensamentos, sacadas e façanhas. Mas essa inflação não nos ajuda, na verdade ela nos desespera.

Se tudo sou eu, o peso é muito, muito maior. É ótimo quando sou eu que sou incrível, mas como lidar com aquilo que toma conta de mim, aquele ou aquela que se apossa do meu corpo e faz coisas nas quais não me reconheço? Ou quando a tristeza é grande demais e não consigo me mexer? Ela é minha só? Ou é uma visita que veio se hospedar? E se o desânimo for um hóspede que traz uma mensagem, me conta uma história? Em vez de rechaçar ou eliminar, posso então escutar essas visitas, compreender a mensagem, a notícia que me trazem de coisas as quais preciso (ou precisamos – já que cada um de nós é múltiplo) rever.

Isso não quer dizer que o deus ou o visitante podem tomar conta de tudo na minha vida, ganhar tentáculos para permear cada cantinho, mas que cada um recebe sim seu altar, seu lugar de culto e de escuta.

Ao vermos essas chegadas como outras faces, outros em nós, criamos espaço para novas relações internas. Ao acolhermos e ouvirmos os guardiões do além, permitimos também que eles passem, que eles sigam seu rumo depois que a visita terminar.

René Arceo, “Dos Experiencias, Una Identidad.” National Museum of Mexican Art, 1852 

Witchcraft

De vez em quando me sinto profundamente comovida com algum texto. Várias vezes esse texto é de autoria do Gede Parma (Fio Aengus Santika). Não foi diferente esta semana, li a seguinte postagem que abriu meu peito e sussurrou com minha alma, então pedi a ele pela permissão de traduzir e postar em português. Segue aqui, com muita honra, o texto do Fio sobre a palavra “Witchcraft”. **

Witchcraft – Gede Parma (Fio Aengus Santika)

“Bruxaria é um termo escorregadio precisamente por conta de quem e a que o termo se refere, aponta, invoca.

Se tentarmos estabelecer uma definição precisa de bruxaria, não faria sentido fazer isso sem olharmos para as pessoas chamadas de bruxas e que podem, em sociedades tão variadas quanto México, Nigéria, Irlanda, Islândia e Grécia, ser identificadas como tal por lenda, folclore e linguistas.

Uma bruxa é uma mulher que conjura, fascina, lê sinais do Destino nas estrelas e nos sonhos, é amiga das coisas selvagens e conhece os lugares ocultos.

Uma bruxa é um homem que canta as runas, chama os espíritos do mundo inferior, estuda a medicina e o veneno das plantas, ingere o povo cogumelo, voa no vento…

Um bruxo é uma criatura sabática e extática, levada pela natureza e comunhão iniciatória a um congresso erótico com os Mistérios.

E uma bruxa encontrou-se com o Diabo na encruzilhada.

E uma bruxa foi enforcada por maldições de justiça injustamente… e queimada na Escócia por desejar o mal e estragar as colheitas, e por curar os doentes e ensinar às jovens moças sobre o poder.

E um bruxo curou os doentes e abençoou o camponês.

E uma bruxa clamou nas ruas por uma revolução.

E bruxas foram caçadas.

E bruxos foram celebrados.

E bruxos foram ridicularizados.

E bruxas foram respeitadas.

Um bruxo está comprometido apenas com sua natureza e destino, responde apenas à sua estrela e ao conselho dos seus, é responsável por todas suas ações, e sabe, e comanda todos seus sentidos e, ao mesmo tempo, não controla nada…

Pode rasgar a garganta das cobras ou enviar os rios de volta a suas fontes. Podem consolar o ancião que morre e abençoar o recém-nascido, bem como pode ajudar o bebê a morrer no ventre e libertar a mãe de um destino pior.

O bruxo não se humilha. Às vezes vamos aos Deuses e dizemos – vão se foder – de todas as formas em que isso pode ser dito. A bruxa chama, e Eles vêm.

E se nada disso faz sentido, é porque nosso jeito de ser não é feito para um mundo de estupro e redução, ou para sociedades de intolerância e vergonha. A bruxa é Lilith nos desertos, é Prometeu roubando o fogo dos deuses, é Aradia liderando o pedido de liberdade, é Isobel Gowdie que saiu noite afora em forma de lebre e deixou uma vassoura ao lado do marido adormecido, é Alice Kyteler conversando com Robin Artisson na escuridão da encruzilhada, é Bessie Dunlop com seu familiar Thomas Reid, é Tituba, raptada de suas terras e tentando se proteger, é Doreen Valiente cuja poesia rompe os corações, é Rosaleen Norton com seu pincel e sua faca, é Victor Anderson, cujo tambor abre os céus…

A bruxa anda pela floresta, pelo campo fértil, pela urze queimada, por vias urbanas, e pelos limites do vilarejo… e não podem nos matar. Não, temos nossos truques… em cada árvores, cada lago, em cada pira e nó corredio, em todo lado onde humanos rastejam e subjugam… temos nossos truques.

E a Bruxa segue adiante. E assim, se você deseja definir a bruxaria, primeiro reflita e sinta essas criaturas a que chamamos de bruxas. Não nem toda magia é dela, mas uma bruxa pode empregar aquilo que quiser, como bruxa. E é aí que mora o segredo.”

**Fio é um bruxo e autor australiano que esteve no Brasil ensinando alguns workshops em Rio e São Paulo no ano de 2017. Para saber mais sobre seu trabalho, por favor visite http://www.gedeparma.com/