Uma experiência muito especial de TradCraft no Brasil

Para os pagãos que curtem a vertente mais tradicional, Old Craft, com pegadas fortes de transe, xamanismo e “lore” (conhecimento passado por tradição oral), a vinda do Gede Parma é uma oportunidade maravilhosa de aprofundar mesmo suas técnicas e vivenciar um estilo de trabalho que tem pouca divulgação no Brasil.

O foco é em praticantes com cancha, que saibam muito bem usar de centramento e aterramento,  além de entrar, manter e sair de transe com controle de si e por vontade própria. Esses são os requisitos básicos. Fora isso, todos são bem vindos, venha você do xamanismo, do druidismo, da Wicca, da BT, da magia cigana… não importa. A ideia não é reforçar diferenças, é trabalhar técnicas que nos fortalecem e nos desenvolvem em nossa força.

Seguem os flyers, as informações para Rio (10 e 11/11) e São Paulo (16, 18 e 19/11) você encontra na página @GedeParmaBrazilTour e entrando em contato com o pessoal do Via Paganus (RJ) ou comigo, Petrucia Finkler para os cursos de São Paulo – informações nos banners abaixo.

As inscrições estão abertas, esperamos você!

gedeRJ

GedeSP

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O grande eclipse de Agosto 2017 (para quem está nos Estados Unidos)

a_mach_eclipse_greateclipse_170803.today-inline-vid-featured-desktopEstá todo mundo falando do eclipse solar que vai acontecer em três dias. Sim, no dia 21 de agosto de 2017 teremos um eclipse solar total que poderá ser avistado em sua completude de oeste a leste dos Estados Unidos. Mas o que isso significa para a sua vida? Talvez nada.

O que é um eclipse?

Um eclipse solar acontece quando a silhueta da lua se interpõe entre a Terra e o sol, tapando a luminosidade deste. Claro que a lua é muito menor que o sol, porém, vista da Terra, quando se encaixa direitinho na frente do astro-rei, ela consegue tapar a luz do dia e, num eclipse total, tudo escurece por alguns minutos . Os passarinhos se atrapalham e voltam para seus ninhos, e os humanos de antigamente achavam que algum monstro havia engolido o globo de fogo que brilha sobre nós ou estava ocorrendo algum outro fenômeno sobrenatural que, em geral, trazia mau agouro e problemas para a tribo ou o reino.

Agora que sabemos calcular fenômenos astronômicos, temos a Nasa para monitorar tudo e a internet para divulgar trocentas bobagens em cima dos acontecimentos, a gente consegue prever quando teremos eclipses e, sendo assim, ninguém dos humanos se assusta mais.

Existem quatro tipos de eclipse solar, e eles sempre acontecem durante a fase da lua nova.

  • Total: quando a silhueta da lua obscurece o sol por completo, o último foi em março de 2016 (o último que eu vi assim foi no pátio da minha faculdade em Porto Alegre, não lembro o ano).
  • Anular: Quando sol e lua estão alinhadinhos com a Terra, mas a bola da lua não está tão grande a ponto de escurecer tudo, então a gente vê um anel de fogo no céu. O último foi agora em fevereiro de 2017, bem durante o carnaval, e podia ser avistado do Brasil. Do meu quintal, no entanto, não dava pra ver o anel perfeito, apenas uma “mordida” que tinha sumido do Sol.
  • Híbrido: de certos pontos da Terra é avistado como um eclipse total, de outras partes, se vê como anular.
  • Parcial: quando sol e lua não estão assim tão perfeitamente alinhados, e o efeito que se dá é que um pedaço do sol está faltando. Nada escurece (já que é preciso tapar 99% do sol para causar qualquer escuridão).

De todo modo, é importante saber que: TODOS OS ANOS TEMOS DE 2 A 5 ECLIPSES SOLARES ocorrendo e que podem ser avistados de algum lugar do planeta . O total é de, em média, 240 eclipses solares por século. É muito eclipse. Não é um evento raro, não é algo extasiante ou nunca visto.

Então por que tá todo mundo louco com esse eclipse de 21 de agosto? A resposta é simples: porque além de ser um eclipse total, ele pega toda a extensão dos Estados Unidos. O hype mundial é porque é um hype americano. Só. Ponto.

Os americanos compraram todos os “óculos para eclipse” à venda no mercado, estão viajando e hotéis estão lotados nas regiões que poderão avistar o eclipse na sua totalidade. Algo, que, inclusive, *todos* os sábios de antigamente aconselhariam negativamente. Pois se o eclipse é uma ocorrência nefasta, por que diabos alguém vai caçar o sol para avistar um?

O que torna este eclipse especial para os americanos é a mídia, martelando sem parar que desde 1918 eles não têm um eclipse solar total cuja sombra percorra o país de oeste a leste em toda sua largura, e que desde 1257 não acontece de um eclipse assim recair exclusivamente sobre solo americano (se bem que, claro, em 1257 aquilo lá era território indígena e tinha o nome que os nativos davam).

O outro grande motivo de alarde lá é que o eclipse vai se dar aos 28 graus de Leão, o que cai em cima, na tampa, cravado no ascendente do presidente americano Donald Trump. Mas, coincidentemente, também cai na tampa, cravadinho no *meu* ascendente, que descobri, é o mesmo do Trump. Buuuuu!!!!

Então com certeza para mim será um grande evento, e pro Trump também. Mas se o eclipse – não importa se é total, parcial ou anular – não for cair em cima do seu ascendente, sol, lua ou outro planeta importante no seu mapa astrológico (ou do mapa da sua cidade ou país),  a chance é enorme de que você não vá sentir o efeito.

Então parem com essas baboseiras de sites de que o eclipse anuncia uma nova era, que a super lua vai mudar o paradigma da existência humana, que os portais vão se abrir e uma nova consciência vai finalmente chegar, bla bla bla bla bla.  Ou algo mudou desde as 20 super luas que tivemos ano passado?

Não vamos botar a cargo dos astros aquilo que NÓS COMO SERES HUMANOS precisamos dar conta de fazer. O lixo e a atrapalhação são nossos, vamos parar de achar que alguma salvação vem de fora, vamos nós trabalhar para construir uma vida mais justa e harmônica, e cuidar do planeta antes que ela se livre de nós porque estamos causando muito estrago.

Mas, se cair em cima dos pontos importantes do meu mapa, que efeitos ele tem?

Para saber se este eclipse terá um efeito sobre você, uma pista é examinar o que rolou na tua vida no segundo semestre de 1998. Os eclipses têm um ciclo de mais ou menos 19 anos para pegar um mesmo ponto no céu. Em 22/8/1998 houve um eclipse anular no grau 28 do Leão.

Caso conheça seu mapa, examine então se ele vai tocar seu ascendente, lua ou sol, principalmente. Depois, veja em que casa vai cair. Isso sim será afetado, aquela área da sua vida estará propensa a grandes eventos, onde algo termina e algo novo se inicia.

Eclipses solares disparam nascimentos, casamentos, promoções, avanço incrível na carreira, contratos, viagem, venda ou compra de casa, cirurgias, perda de animais de estimação ou novo animal na casa, início de estudos, e por aí vai. Em geral tende a puxar o foco para áreas da vida que precisam de atenção ou mudança. Ele pode inspirar, motivar ou pressionar você na direção do que necessita.

Eclipses lunares (que acontecem durante a lua cheia) também têm efeitos, mas tendem a ser mais emocionais. O último, do dia 7/8 agora, trouxe à tona questões com amizades, por exemplo, já que tende a revelar o caráter das pessoas.

Se pegar teu signo ou teu ascendente, a tendência é de uma vida nova pela frente ou até um casamento (o que é uma vida nova pela frente).

Dito isso, astrologia é como um relógio. Para saber o que vai acontecer no mundo ou na nossa vida, é só observar as pistas nas ocorrências de quando aquilo se deu da última vez.

Os americanos estão torcendo que algo muito ruim aconteça ao Donald. Ok pode ser, mas pode ser bem o contrário. Pode ser que a vida nova dele seja sair da presidência, mas pode ser que algo se dê que favoreça aquele homem horrível.

O que me intriga é que em 1776, ano da independência dos EUA, houve um eclipse parcial (não era total e não caía sobre os EUA)  em agosto no grau 21 do Leão. Então dado isso, de que é próximo deste, e mais o fato de que cai sobre o ascendente do presidente, pode ser que algo novo surja no horizonte e mude o rumo da política da nação. Este também opõe no grau a lua dos EUA, ou seja, afeta o povo (que será ainda mais diretamente afetado no próximo eclipse, em 2018).

Ah, em tempo, os efeitos pessoais que um eclipse tem no nosso mapa tendem a durar até o próximo eclipse do mesmo tipo. Portanto, se este agora cair na sua casa 10, da carreira e reputação social, a pressão que você vai sentir para buscar reconhecimento, a garra e determinação e as chances de aumento de salário ou visibilidade duram até fevereiro de 2018, quando o eclipse solar parcial será aos 27 do aquário.

Sinceramente, fora da minha vida pessoal (e de todos que partilham do mesmo ascendente, haha), não espero grandes efeitos mundiais deste eclipse de agora – posso estar enganada claro –, estou seriamente preocupada é com o que vem em 6/1/2019. Com o tipo de conjunção que teremos no céu, nossa divisão social, nossa materialidade e nossos horrores podem chegar a um extremo nunca visto.

Vamos todos, por favor, nos engajar verdadeiramente em transformações e crescimento pessoal, em ativismo, em lutas por justiça e igualdade, em fazer bons atos, atos amorosos, que repercutam junto aos nossos próximos, para que a gente evite que algo assim aconteça.

 

 

 

 

GEDE PARMA NO BRASIL

12604709_443667695824303_8155754261481628369_oEm novembro agora o querido e muitíssimo talentoso bruxo e autor australiano vem ao Brasil para uma série de workshops de aprofundamento no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Há anos, ele manifesta uma vontade imensa de conhecer o Brasil, e estamos muito felizes, eu, Wagner Périco e Cris Morgan (estes dois do espaço Via Paganus no Rio) em poder auxiliar com essa possibilidade, conectando o Gede com pessoas interessadas no trabalho dele por aqui.

Serão workshops bem focados em praticantes mais avançados, que terão a oportunidade de aprofundar técnicas de bruxaria extática e xamânica, pois são bastante vivenciais e exigem dos participantes uma boa experiência de trabalho com estados discretos de consciência.

Ele faz parte da Reclaiming, da tradição Wildwood da Austrália e iniciado em Anderean Craft. Não é conhecido amplamente no Brasil, mas tem quatro livros publicados pela Lllewellyn.

Novidades e ficha de inscrição você encontra na página sobre a turnê.

Inscrições e informações sobre os cursos do Rio de Janeiro (10 e 11 de novembro), entre em contato com o Via Paganus no email: viapaganus.rj@viapaganus.com

Inscrições e informações sobre os cursos em São Paulo (16, 18 e 19 de novembro) você encontra aqui 

Confira o vídeo da entrevista que fiz com ele sobre esta vinda:

 

A bruxaria é antiga

England_2015 (247)A bruxaria é antiga. Ela nasceu da curiosidade humana de buscar alcançar o mesmo conhecimento e a capacidade dos Deuses. É filha da desobediência, filha da necessidade – nascida do encontro com o outro e o outro mundo, tudo aquilo que não é nós, aquilo que vai além dos sentidos ordinários, mas que era visto, vivenciado e honrado antes de virar proibido. Antes de virar pecado. Antes de pararmos de enxergar. Antes de deixar de ser compreendido pelo próprio afastamento da experiência humana.

A bruxaria é antiga. Ela desperta sentidos adormecidos ou é despertada em nós porque os sentidos adormecidos acordam de repente. Ela abre a visão, a audição, o tato, e principalmente a compreensão de que não estamos sós, que não fomos abandonados, não somos separados do mundo natural, do encanto, e principalmente que não precisamos de redenção alguma.

A bruxaria é antiga. Sabe usar o que há e o que é possível, o corpo, o ambiente, a casa. Cuspe, osso, folha. Água, sol, lágrima. Urina, pano, barro. Caldeirão, faca, vassoura, cálice, prato, pilão e espelho. O que é possível e passível de se disfarçar, pois a bruxaria enxerga os perigos, e fala em silêncios, em sinais, em murmúrios. Anda pelo escuro e se move sem provocar ruído. Sabe não chamar a atenção quando essa atenção é perigosa e pode levar à fogueira, ou à fogueira das vaidades.

A bruxaria é antiga e é não-binária, transita entre polaridades. Sendo selvagem, não determina o tom, nem cobra que você se posicione rigidamente – como se fosse possível lhe colocar inteiro em uma caixinha. Tudo cabe, toda chama cabe. Se te arde o espírito, você é dela, e ela é sua, mesmo que você não faça nada, mas é melhor se fizer.

19121648_307273559699522_4339839048429338624_nA bruxaria é antiga e ela em si não dá regras, exceto aquelas que cada um encontra no seu caminho particular com os Deuses, os espíritos e os encantados. Aquelas que vêm do aprendizado, do tombo, do erro, da atenção, da revelação e das leis do retorno.

A bruxaria não é elitista, não demanda livros, não demanda iniciações pagas, viagem a lugares sagrados nem retiros em spas do espírito. Mas ela é plural e sempre pode se beneficiar muito de várias dessas coisas.

A bruxaria é antiga, tão antiga que é ancestral. Nascida do desespero de não ser ouvido, de não ter justiça humana que ajude, de não encontrar meio mundano de tocar a vida para frente ou superar a adversidade. Ela é nascida da celebração do pacto do visível com o invisível e da necessidade de partilhar com o invisível porque a vida é mais e a vida pede.

Ela é Arte, ela é Ofício, ela é Religião, ela é Feitiçaria, ela é Espiritualidade, e também pode não ser nada disso. A bruxaria não pode ser domesticada, ela não se curva a rótulos ou a regras que venham de fora da tradição a qual você pertence. Ela não suporta a perseguição religiosa contra a liberdade de crença e de prática, muito menos quando é empunhada por filhos seus que, num enlevo de soberba, usam de deboche e escárnio para diminuir e difamar quaisquer outras vertentes e práticas que difiram da sua. Ela é um fogo, um dom que é presente dos Deuses. E os Deuses não costumam tolerar a intolerância de alguns de seus filhos para com os outros.

Ela pode ser xamânica, extática, hereditária, wiccana, heathen, nórdica, gentia, natural, cigana, tradicional, moderna, luciferiana, cerimonial, umbandista, espiritista, druídica, contemporânea, possessória, ela é de quem quiser ser dela, de quem arde com ela, de quem dança com ela, de quem deseja arriscar chamar a si de bruxo e carregar sua marca indelével e inconfundível.

Bruxaria não tem dono. Ela é tão antiga quanto a humanidade, não é um nome com marca registrada.

A bruxaria é herege e libertária. Pelos Deuses, que ela continue assim.

 

Magia com velas – simples e explicada

19623098_1264257330349406_5702311784069726208_nAcender uma vela na igreja diante de um santo, aceder uma vela em casa para rezar por alguém doente, soprar uma vela de aniversário enquanto se faz um desejo, todas essas são magias plenamente aceitas e integradas em nossa sociedade e, pela simplicidade do ato, uma das receitas mais fáceis de compormos um feitiço quando vamos trabalhar para impulsionar algo magicamente.

Um dia li, não lembro onde, que o universo responde à nossa força, e não às nossas preces. Isso é verdade. Quanto mais forte você for, mais talentoso e preparado, mais influência tem seu ato mágico, mesmo se naquele determinado momento, você se encontre mais debilitado. Porém, essa máxima é importante: quando estivermos verdadeiramente debilitados emocionalmente ou fisicamente, é melhor pedir ajuda a outra pessoa para efetuar o ato mágico por nós ou para nós, já que magia consome energia vital e depende dessa força pessoal para reverberar nos planos e causar alguma mudança.

A magia sempre atua como um megafone, um amplificador de nossas intenções para o universo. Esse chamado pode ser respondido por diversas forças. Pode ser nosso próprio darma que nos acode, como podemos obter a delicada atenção de seres e espíritos que decidem nos ajudar. Alguns podem pedir algo a mais como troca energética para nos conceder o milagre ou ajuda, mas, em geral, a magia com vela é por si só uma oferenda a essas forças aliadas, afinal, a vela contém matéria que é transformada e tornada etérea pelo fogo que consome o material, transmutando e irradiando as preces e símbolos ali contidos. Lembre-se de sempre acompanhar qualquer magia com as devidas providências mundanas e práticas que te levem ao objetivo. Se é por saúde, vá ao médico, tome os remédios; se é por emprego, envie seu currículo, aprimore-se; se é por amor, saia de casa, invista em sua autoestima e cure a si para atrair um par ideal, e por aí vai.

Sem mais delongas, vamos lá:

MAGIA COM VELAS

Ingredientes indispensáveis:

  • uma vela
  • uma prece

É isso mesmo, esse é o mínimo do mínimo e, com esses dois componentes, você já tem uma magia. Claro que a fórmula usada para a prece faz diferença, por exemplo, use sempre palavras no sentido positivo – evitando a palavra “não”, já que tanto nosso cérebro quanto os espíritos parecem não registrar essa palavrinha dentro da frase ­– começando com seu nome dito em alto e bom tom e encerrando com um “que assim seja”.

Por exemplo: “Eu, fulana de tal, intento esta vela para …. bla bla bla… Que assim seja.” Se você não é boa de fórmulas espontâneas, pratique antes de acender a vela ou até escreva num papel.

Adicione para ficar mais interessante:

+  cor da vela e tamanho, formato da prece

Estude correspondências de cores e escolha uma vela com a cor e formato mais apropriados para conduzir a energia do seu desejo. Altere a formatação da sua prece para se adequar melhor a uma divindade específica que vc esteja requerindo, ou use algum encantamento já testado por outros bruxos. Rebusque o seu próprio encantamento.

+ óleos para ungir a vela

Pesquise óleos essenciais, sinergias ou prepare uma infusão de ervas em óleo que possam acrescentar as energias mais adequadas para fortalecer seu intento. Lembre de diluir óleos essenciais, que são puros, ou você pode acabar com lesões na pele.

Para ungir, vá de baixo para cima ou de cima para baixo, dependendo do sentido em que está trabalhando a energia (atraindo, repelindo, expandindo, irradiando)

+ ungir formando uma bateria

Outra forma de unção é fazer uma bateria. Na metade superior da vela você unge no sentido horário, e na metade inferior, no anti-horário. Isso evoca o macrocosmo do próprio globo terrestre, que tem energia rodando em sentido contrário em cada um dos hemisférios.

+ símbolos (astrológicos, rúnicos, nomes)

Adicione escrita simbólica ou literal. Risque nomes, runas, planetas, etc. na cera. Eu costumo fazer com a escrita na vertical sempre. E uso minha faca cerimonial para isso, mas se você for de outra tradição e não puder usar sua faca, ou se não a tiver, use um palito.

+ queimar um barbante

Há tradições que incluem a queima de um barbante de algodão ou lã natural  na cor propícia como parte da prece.

+ dia e hora adequados à magia

Estude as tabelas clássicas e siga as lunações, estações, astrologia, dia correspondentes, hora planetária, etc. etc. etc. para potencializar tudo. Evite fazer magia em lua fora de curso, a menos que você esteja fazendo algo que vá lhe trazer invisibilidade.

+ queimar a mão

Na bruxaria tradicional, sabe-se que magia tem um preço e que sempre algo nos é exigido. Há muitas histórias de sacrifícios, até de Deuses, para que se obtenha um conhecimento ou um milagre especial.

Portanto, é um bom sinal da sua disposição e sacrifício dar uma queimadinha na mão no final da prece quando o pedido ali colocado for de vital importância.

OBSERVAÇÃO: qualquer combinação das dicas anteriores é válida.

ATENÇÃO:

A vela deve sempre queimar até o final do final do final. Coloque a vela em um lugar ultra seguro para evitar incêndio. Box do banheiro e pia da cozinha são bons lugares caso a vela esteja sem supervisão. Mas sério, não pense que porque é uma vela encantada que você recebe uma apólice anti-incêndio do além. Tire TUDO de perto desta vela, calcule se ela acaso cair, se bater um vento, se um espírito aprontar, calcule muito bem todos os riscos antes de deixar uma vela acesa desatendida.

Se não sobrar nada de cera, apenas um mísero restolho do pavio no fundo do prato/castiçal, seu serviço foi bem feito e sua prece recebida. É assim que você sabe. Se a vela chorar desesperadamente, ficar apagando, derramar-se no entorno todo… isso é um sinal que algo não vai bem. Pare tudo, desista e refaça noutro momento, sempre atenta para ver se pode ser um problema na sua formulação da prece, na escolha do momento, ou o seu desejo que é mal intencionado e tem alguém decidindo te proteger de você mesma.

 

Na casa dos espíritos – oferendas, trocas e sacrifício (um texto de Gede Parma)

*Gede Parma é um bruxo australiano, autor de quatro livros: Spirited – taking paganism beyond the circle; By Land, Sky and Sea – three realms of shamanic witchcraft; Ecstatic Witchcraft – magick, philosophy & trance in the shamanic craft; Magic of the Iron Pentacle, este último juntamente com Jane Meredith. Ele é parte das tradições Wildwood e Reclaiming. Mora atualmente em Melbourne, mas viaja constantemente para ensinar workshops e virá ao Brasil em novembro, oferecendo workshops em São Paulo, Rio de Janeiro e, possivelmente, Brasília. No intuito de que o trabalho sensacional que ele conduz seja mais conhecido dos leitores brasileiros, venho traduzindo alguns dos textos dele neste blog, com autorização e amizade do autor. Para saber mais, visite o website do autor e leia também os outros textos dele já publicados aqui no Elemento Chão.

 

Na casa dos espíritos – oferendas, trocas e sacrifício

27 de novembro de 2012 (leia o original aqui)

Observação: Este ensaio é reforçado pelas minhas experiências como bruxo da tradição WildWood, portador das cargas de curandeiro e de xamã, e como trabalhador do plano espiritual e receptáculo (possessório e oracular) entre os mundos.

Este ensaio é dedicado a Pipaluk – meu querido amigo, aluno e professor.

Alguns meses atrás, tive um debate, dentro de uma situação de ensino do ofício xamânico (via Skype) com meu aluno à distância, Pipaluk, que mora na Holanda. Falávamos dos conceitos mais amplos do xamanismo, relacionados ao entendimento vivencial da Divindade, dos Deus, dos Espíritos e nossa conexão com eles enquanto bruxos xamânicos e selvagens. Afinal, somos tradicionalmente trabalhadores do plano espiritual. Tudo é espírito; tudo é Deus. Esse é um conceito chave em uma variedade de tradições contemporâneas da Arte, inclusive na Wildwood e Anderson Feri. Como Victor Anderson, um dos últimos grandmasters da tradição diria, nós bruxos temos mais em comum com os Shinto e os Ainu do Japão do que com os magos cerimoniais da Europa medieval. Trabalhamos com o ímpeto dinâmico e residimos no centro imóvel e caótico do cosmos vivo, tal como seres presentes, alinhados e sagrados (cientes disto e experientes nessa consciência) em vez atuarmos como ditadores de uma máquina ordenada e mecânica. Reconheço que esta última é uma representação radical das tradições de magia cerimonial como um todo, mas estou me referindo a uma compreensão e prática populistas e quiçá equivocadas dos sistemas de Ocultismo/Esoterismo Ocidental, em oposição aos verdadeiros adeptos que já conheci e respeito.

Antes que possa abordar a natureza de Oferendas, Trocas e Sacrifícios no contexto das relações com as entidades, preciso primeiro definir o que quero dizer por Espírito, e até mesmo, “Divindade” ou um Deus.

Um Espírito é uma potência/força incorporada (tudo é físico, tudo é possuidor de [um] corpo); um senso de percepção de si reside nesse Espírito e é sua qualidade animadora. Isso não precisa ser necessariamente medido ou quantificado pelos conceitos racionalista-científicos de “sensciência”; por exemplo, uma pedra é um espírito porque se expressa como possuindo forma e corpo e tem noção de si como pedra e apresenta esta natureza.

Uma Divindade (Deus/a) é um espírito que é tão ciente de suas origens auto-provocadas que, assim como a Mãe Primordial/Grande Deusa, fica tão inebriada por sua própria imagem e reflexo causados pela Dança Luminosa (matéria estelar) que as bordas fenomenais de “pessoalidade” se dissolvem e se acomodam de tal forma que o Deus se torna uma História (Pró)Ativa; um Altar de Mitos. Tudo isso é de uma realidade das mais profundas.

Todas as deidades, dentro dessa compreensão e relação Experiencial, Ontológica e Teológica são portanto “crísticas” (relativo aos ensinamentos da natureza divina no místico) no sentido de que há um sacrifício consciente das “bordas fenomenais” do estar-humano a serviço e celebração dos Povos Conscientes. Com frequência sinto que algumas divindades, alguns Deuses (uso esse termo de uma forma contendo nenhum e todos os gêneros ao mesmo tempo), estão mais próximos de nossa humanidade do que outros; de fato, alguns desses Grandes Espíritos (Potências Ocultas), segundo alguns ensinamentos e lendas tradicionais, um dia foram humanos. Somos todos Deuses em formação, afinal somos feitos à imagem e semelhança Dela, e como diria T. Thorn Coyle: “A Deusa em si está em processo de formação”.

Isso é, de certa forma, uma perspectiva místico-iniciatória e voltada aos Mistérios; entretanto, deriva de minhas próprias experiências como um bruxo xamânico e um trabalhador espiritual tradicional. Compreendendo o que digo acima, como não fazer oferendas aos Deuses, aos Grandes Espíritos, a Todos os Espíritos, pois quando entro em Suas Casas, tenho acesso ao Atemporal, ao Mítico, à raiz das histórias. Talvez cada divindade individual – Kali, Odin, Lugh, Iemanjá, e todos os outros – beba de certas qualidades eternas e emanações da Deusa em Si, e assim se torna possuidor daquilo que o falecido Carl G. Jung chamou de arquétipos, que não residem apenas em nossas mentes pessoais, mas no “Inconsciente Coletivo”, que permeia cada um de nós –surgimos da Escuridão Inconsciente que é o espaço sem fôlego da Deusa. No entanto, levando isso em consideração, também é verdade para mim que a Deusa é o Todo Divino, é plural e infinita em uma miríade de expressões e portanto, Todos os Espíritos (todos nós) possuímos uma história muito única, sagrada e potente de nosso Próprio Self Sagrado. Muitos rios saindo e voltando do grande oceano.

Quando adentro a Casa do(s) Espírito(s), e entro no templo de Afrodite (talvez, como faço muitas vezes), levo uma oferenda de forma, e de força, para simplesmente expressar meu amor e adoração da potência, história e fonte mítica profunda que é Afrodite. Esse é o primeiro tipo de oferenda, uma simples expressão de gratidão por dividir espaço sagrado e tempo, com uma adoração ao Espírito Sagrado do Deus. Ele vem do Meu Deus (minha Alma Estelar, meu Eu Superior mais Profundo) e portanto é uma consolidação da ponte que conecta nossos espíritos. Isso é, como se diz, educado, mas não feito por obrigação ou necessidade. Quando visitamos a casa uns dos outros no plano humano, muitos de nós levam presentes de comida, bebida, arte e até histórias para contar. Todas essas oferendas são maravilhosas para se compartilhar.

Há oferendas para fechar um “acordo” ou trabalho de troca que vai acontecer entre espíritos. Essas oferendas vêm de um entendimento de que é “correta”uma “troca de energia” entre os espíritos. Agora, um pagão que não seja bruxo, curandeiro ou xamã, pode sentir que estejam aplacando os espíritos ao fazer isso e garantindo a benevolência deles para um novo ciclo. Um Bruxo sabe que os Espíritos (não todos) na verdade desejam estar em relação com a gente, e assim essa troca é feiticeira no contexto de trabalho, preces/expiações. O tipo de oferenda vai depender se a pessoa está calcada nos costumes e tradições (o que se sabe que o espírito aprecia como oferenda/troca com base em uma relação contínua e de observância) ou num diálogo pessoal com o(s) espírito(s). Eu, por exemplo, sou um sacerdote-amante do deus Hermes e mesmo sabendo, já por conta de oito anos de oferendas e sacrifícios para Hermes no âmbito da gratidão, adoração e troca mágica, aquilo que Ele adora e prefere, Hermes também é brincalhão, engraçado e sensual, sendo assim, recentemente, quando perguntei ao Deus o que Ele gostaria em troca de preces atendidas e auxílio nos meus trabalhos, expressou que gostaria muito de fazer amor comigo diretamente. Na verdade, isso ficou marcado para amanhã à noite (uma quarta-feira), mas já aconteceu espontaneamente várias vezes antes. Também recentemente, depois de proteger o carro do meu amigo que estava destrancado em um lugar meio perigoso e garantindo que o veículo permanecesse lá, decidiu que ele queria que eu, em troca, me aproximasse do próximo papagaio que eu visse com plumagem vermelha e verde (e com toques de azul) e sussurrasse para o bicho: “Desastre é uma coisa engraçada”. Aceitei o desafio! Na noite seguinte, eu estava assistindo um episódio qualquer de Family Guy, e o personagem Peter decide se tornar um pirata por causa de um papagaio incrível que conheceu na clínica veterinária. O tal papagaio era vermelho e verde (com toques de azul) e eu logo reconheci a natureza brincalhona e cômica dessa sincronicidade, então gatinhei até a TV e sussurrei “Desastre é uma coisa engraçada” para o papagaio na tela. Trabalhar com os espíritos não carece de acontecimentos risíveis e bizarros.

E quanto ao sacrifício? Que é tornar sagrado? Esse é um mistério. A verdadeira natureza do sacrifício diz respeito a estar disposto a ficar aberto, vulnerável e confiar, rendendo-se ao mistério, sob os auspícios de sua própria Soberania; se não temos nossa Soberania, então de que vale o sacrifício? Não farei sacrifícios, como mencionado acima, para apaziguar ou aplacar necessariamente algo, pois o conceito de antropomorfizar as forças cósmicas, muitas das quais são Deuses e Grandes Espíritos, é ridícula em seu evidente antropocentrismo; nem tudo é padronizado ou qualificável, no cósmico, por meio de sua relação com nossa espécie. Sendo assim, sacrifício é uma vontade em entrar no Caos e Incerteza (infinitas possibilidades) com o outro. Sacrificar-se é pausar por um momento sagrado, ficar em silêncio e conscientemente observar e escutar. Ali aprendemos, e o mistério flui, e recebemos iniciação múltiplas vezes como um presente da Graça. Oferecemos sacrifício para marcar o significado profundo e poderoso dessas epifanias, e uma grande potência é liberada para alimentar a nós e todos os Deuses. Tornar sagrado quer dizer exatamente isso – criar o Sagrado com o Mistério.

Uma prece:

“Eu habito a Casa dos Espíritos – sempre e para sempre.

Primeiro, rezo a meu próprio Eu Sagrado, e para o Deus que Coroa minhas Almas – que eu conheça meu mistério e beba fundo em minha fonte.

Rezo também para os Grandes Espíritos que me circundam em aliança – que trabalhemos juntos em Amor, Verdade e Sabedoria, para revelar e festejar a beleza do paraíso juntos.

Rezo à Deusa Infinita, a Avó do Espaço Sem Alento e da Hora da Meia-Noite, rezo para a Tecelã para que o Inefável esteja bem e eu esteja bem com o Inefável.”

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Afinal o que é magia?

Magia, segundo o dicionário é um substantivo feminino que se define como: “arte que pretende agir sobre a natureza e obter resultados contrários às suas leis, por meio de fórmulas ou de ritos mais ou menos secretos, quer utilizando propriedades da matéria que se afirma serem desconhecidas (magia branca), quer fazendo intervir poderes demoníacos (magia negra), feitiçaria; bruxaria.”

Primeiro, a magia tem sempre algum objetivo, e ele precisa ser claro e preciso. Então existe o objetivo, o método e o resultado. Se, no mundo físico, estou em busca de eletricidade, meu método será a criação de um circuito elétrico, cujo resultado é constatado quando a lâmpada acende. Se quero prosperidade, vou criar não só um bom feitiço ou ritual para atrair essa força para minha vida, como vou me empenhar e ficar atenta às oportunidades no mundo prático. O resultado será um ganho melhor e uma tranquilidade para pagar minhas contas e desfrutar de lazer.

Ela pode ser chamada de branca ou negra, numa referência à magia “do bem”, que atrai coisas boas para sua vida ou busca a cura e o bem estar, ou a magia destrutiva que manipula o livre arbítrio alheio ou destrói algo de outra pessoa, levando em conta apenas a vontade e satisfação de quem origina a magia. Uma amarração para o amor, mesmo sendo para o amor, é magia destrutiva e manipulativa.

A definição do dicionário (acima) é equivocada neste sentido, pois coloca como “magia branca” uma magia que usa componentes da natureza, não importando o objetivo, e coloca como “magia negra” aquela que emprega poderes demoníacos. O problema é a definição de demoníaco num país cristão, pois qualquer força que não seja de Jesus é considerada demoníaca, mesmo quando não é demônio. Mesmo se forem espíritos da natureza, que estão te ajudando a operar uma cura, não importa que você explique que é um ser feérico – no cristianismo, um curupira é um demônio, a sereia é um demônio e por aí vai. E, de novo, não fala nada sobre a finalidade da magia.

Ela pode ser também Alta ou Baixa magia. A Alta magia lida num método estruturado para desenvolvimento espiritual e pessoal. A Baixa magia tem relação a alguma forma de manipulação da realidade física, ou seja, feitiços. Em geral, quem tem a bruxaria como caminho espiritual, pratica uma combinação das duas.

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eu, de Hekate moderna

É bacana que no português temos a palavra “magia”, para tratar da definição colocada acima, e temos a palavra “mágica”, que é usada para truques de prestidigitação, da mesma forma que temos uma clara diferença entre as funções de um mago e as de um mágico. No inglês não é assim.

No inglês só existe a palavra “magic” que serve para as duas coisas. Então, para diferenciar o que era ligado a estados e manipulação da realidade através da vontade pessoal, dos truques usados por um David Cooperfield, por exemplo, o mago Aleister Crowley, que adorava ser diferentão e causar muito, cunhou a grafia “magick”, para distinguir as duas e deixar claro que “magick” era o método dele, que tratava a magia como “a arte e a ciência para provocar mudanças segundo nossa vontade”. Essa grafia ficou tão difundida que hoje a norma é escrever assim em toda a literatura americana ou britânica sobre o tema.

A grande atração da magia é sua capacidade de causar transformações no plano físico se utilizando de meios não-físicos. E para a ação da força mágica, as leis físicas de tempo e distância não se aplicam.

Durante séculos a ciência e a magia estiveram em posições diametralmente opostas, no campo de batalha. Não havia uma linguagem comum, e a magia era descartada como superstição e irrealidade. A ciência por todo esse tempo debochou e menosprezou de tudo que era relacionado ao mundo das forças espirituais.

Com a popularização de certos conceitos da física quântica, há uma animação geral de que a ciência e a magia estão finalmente encontrando um ponto comum, estão começando a se entender e se explicar. Afinal, a magia do passado seria a ciência do futuro, pois tanta coisa que era entendida como feitiço antigamente hoje é passível de explicação científica, e é possível que daqui um tempo a física incorpore a magia dentro de seu rol das forças naturais.

Enquanto isso, ando refletindo sobre esse uso cada vez mais constante de tentar se calcar nas explicações da física quântica para explicar o que fazemos. Se a ciência nunca esteve nem aí pra nós, e os bruxos e sensitivos seguiam cumprindo suas devidas funções mesmo em meio ao total descrédito das instituições científicas, por que diabos estamos tão preocupados em nos provar decentes e verdadeiros agora usando explicações justamente de quem nunca esteve a nosso favor? É algo para pensar.

Que tanta necessidade tenho eu de provar meu valor dentro do establishment quando esse establishment nunca foi gentil com meus iguais? Que ótimo que a ciência está encontrando explicações nos seus moldes para o que desde sempre é vivenciado pela humanidade, mas eu não tenho que me valer dos parcos conhecimentos e provas científicas nessas áreas para explicar aquilo que eu faço e que é muito maior do que eles conseguiram descobrir. Se a ciência está engatinhando nessas questões, não me acrescenta nada usá-la.

Viver a magia é admitir que existe um mundo muito real de forças espirituais que coexiste com a realidade física. Este outro mundo e seus habitantes podem ser acessados e contatados em busca de cooperação. E também é viver atento ao fato de que o pensamento é uma força criadora, que influenciamos sim nossa realidade, não de forma vã e simplificada, mas que nossa observação, foco e energia alimentam certos canais e furtam-se de perceber outros. De acordo com nossos padrões, vamos repetindo nossas experiências de vida e nossos erros, não sabemos usar esse nosso incrível poder criativo.

Essa influência que podemos ter é mais facilmente compreendida se entendermos o universo como holográfico, com cada fragmento sendo um espelho do todo, e é por isso que temos acesso a esse todo, sendo a grande via de acesso o subconsciente. Mas quem é que consegue saber de fato tudo o que lhe vai no subconsciente? É o subconsciente que acaba criando essas experiências todas que vivemos, então vamos no automático, lidando com realidades formadas inconscientemente por nós.

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Grupo Terra Mysterium de Chicago, IL, 2009. Sou a segunda da direita para a esquerda.

Trazer as sombras para a luz não é só extremamente curativo, mas extremamente forte e prático. É conseguirmos canalizar nossas pulsões e forças interiores como correntes a nosso favor, como no arcano VII do Tarot, o Carro, onde o homem controla e comanda um cavalo branco e um preto, com cada um insistindo em andar para um lado diferente. Aliar o pensamento criativo com a emoção limpa e clara, os dois em uníssono, é o que provoca mudanças objetivas via experiências subjetivas.

Os bons resultados se dão quando sentimos que verdadeiramente somos merecedores daquilo. Se não nos acreditamos merecedores de amor, então o amor não virá, não importa que feitiços eu faça. Os feitiços primeiro deveriam ser voltados para me sentir digna de ser amada, e, só com isso resolvido, partiria então para atrair um amor. Mas trabalhar em etapas exige muito autoconhecimento, algo que não é todo mundo que tem coragem de empreender.

Então o objetivo é sempre provocar uma mudança, o método tem a ver com entrar em contato com as energias e forças mais apropriadas do outro mundo para ajudar na tarefa, e o resultado virá em acordo com nossa real intenção.

Porém às vezes o resultado é outro, ou nenhum. A magia é, por natureza, imprecisa.

Coisas que ajudam muito:

  • Já no preparo para um ritual e durante todo o tempo em que se faz o ritual, deve-se pensar, visualizar e sentir o objetivo como já tendo acontecido, não no futuro, mas no presente.
  • Um estado de consciência levemente alterado é necessário para ser eficaz, não podemos estar tensos. O relaxamento e a tranquilidade fazem com que tudo ande melhor. Atenção, o estado alterado é alcançado naturalmente, sem o uso de substâncias externas a nós.
  • Esforço demais parece afugentar o que queremos. Precisamos lançar a energia e esperar que a coisa se desenrole. Por isso devemos fazer o ritual, o feitiço, a simpatia, como que celebrando algo já conquistado e, então, imediatamente depois, deixar pra lá. Fazer outra coisa, ver TV, sair com amigos, mudar o foco completamente.
  • Entender que a vibração só pode ser feita numa única direção: ou é contra ou é a favor de algo, ou atrai ou repele. Não posso fazer um feitiço que ao mesmo tempo me proteja e afaste todo o mal. Ou é proteção ou é para afastar o mal. São movimentos contrários, e misturar os dois, nem que seja na forma com que se fala, pode dar um super tilt, um choque de forças, resultando – na melhor das hipóteses – em coisa nenhuma. Fique aliviado se o resultado for igual a nada. Porque um choque de forças grande, colocando muitas intenções misturadas num trabalho só, pode dar em algo que bagunça e desanda a tua vida seriamente. Falo por experiência.
  • Atenção a horas planetárias, dia da semana, estação do ano e lugar/ambiente em que se faz algo afeta muito, especialmente na psicologia do mago, e isso tem um resultado direto e potencializante.

Seguir receitas antigas e testadas pode ajudar ou limitar. Se estiver inseguro de suas pesquisas, vá no que já foi feito. Do contrário, sinta-se livre para criar uma invencionice cuidadosa, sempre evitando misturar ingredientes e ideias que possam ser divergentes.  Estudar as correspondências é fundamental para não fazer um feitiço de fogo usando ingredientes relativos ao elemento água, por exemplo.

Menos é mais, vá no simples, e confie também naquilo que te ocorre espontaneamente, seja um gesto, um sopro, um prato que você cozinha, algo feito na hora usando o que se tem em casa, ou até um simples desejo ao avistar uma estrela.

Estude muito, estude sempre, mas ouça também a sabedoria singela que habita seu interior.