Honrando Sekhmet

Sekhmet apareceu na minha vida com uma força que é toda dela. Foi se infiltrando em uma série de coincidências, incluindo sonhos e até um desenho animado. Demorei um pouco, mas entendi o recado. Ao longo desses dez anos de relacionamento estável passamos por diferentes fases para nos conhecermos melhor.

Comecei tímida, com uma mini estátua douradinha e mal acabada no altar. Hoje até um bracinho quebrou desta minha primeira – embora diminuta – Sekhmet. Passei a acender minhas primeiras velas vermelhas pra ela, sempre em honra, em culto, em devoção. Demorei para começar a pedir.

Uma das minhas amigas que já tinha ouvido o chamado me avisou sobre a cerveja vermelha, a bebida favorita e, portanto, a oferenda principal. Mas quente ou gelada? – – Tanto faz, mas se você prefere beber gelada, então sirva gelada, dê o seu melhor para a Deusa. Preciso servir num copo? – Não é necessário, pode só abrir a garrafa, tudo bem.

Outra, uma mulher mais velha, bem mais vivida, me avisou da estátua do museu de história natural da cidade. Aquela, mesmo em estado bem regular, de nariz e orelha quebradinhos, carcomida pelos cinco milênios de história e seu trajeto do Egito aos Estados Unidos, sentada em seu trono glorioso, mas discreto, passando por vezes despercebida como pano de fundo de inúmeras fotos turísticas e balbúrdias dos grupos escolares, bem no meio do salão da exposição do Egito Antigo, aquela mesma, se move. Ela responde se você perguntar. Fui lá, no meio da semana, conversar com ela.

Sekhmet do Field Museum em Chicago

Sekhmet do Field Museum em Chicago

Ainda bem que eu tinha o português para ficar sussurrando, plantada, em meio a idas e vindas de gentes de todas as idades, tipos e etnias. Conversei, me apresentei, pedi licença, agradeci, e perguntei se ela me aceitava como filha. Quando, já satisfeita apenas por ter tido aquele quality time, com aquela conversa do fundo do coração, eu estava de saída, conformada e feliz, quando vi o gesto. Inconfundível. Exato. Perfeito. Inesperado. Totalmente inesperado. E sou mais uma a dizer: ela se mexe sim.

Já as do Louvre, que tem uma sala cheinha de Sekhmets, não respondem perguntas, não acenam com a cabeça, apenas oscilam ritmicamente em seus tronos, como quem assiste a vida e as eras passando de sua cadeira de balanço. Se tiver a chance, confira. E me conte depois, se elas mudaram alguma coisa.

Hoje o altar dela é ponto de honra da minha sala. A estátua grande que tenho foi encomendada especialmente de uma artista que a fez baseada em fotografias. É linda. E eu soube depois, que ao fazer a estrutura de aramado dentro da estátua, a artista cortou os dedos com o material, durante o trabalho. Ela me disse depois, “aí dentro tem meu sangue, dei meu sangue por essa sua estátua”.  E eu penso: que perfeito! Não poderia ser mais perfeito. E penso também: será que, para cada uma das milhares de estátuas dela que existiram em dado momento no Egito, Ela foi exigindo algum sacrifício dos escultores que se dedicavam a representá-la?

Descobri há pouco tempo que ela gosta também, óbvio, de carne crua! Isso não é o tipo de informação que se acha escrita por aí, é o tipo de informação que a gente tem acesso com a vivência e outras técnicas de buscar conhecimento. Tem outras coisas, mas vou deixando espaço para você descobrir, na sua própria jornada, a seu próprio tempo.

Mas comece com a vela vermelha, a cerveja vermelha e, se não tem uma estátua, imprima uma foto da internet, mas escolha uma tradicional, seja retratando uma das estátuas ou papiros egípcios, com ela no trono, ou de pé, com o Ankh na mão.

Se achar um pingente, compre, e leve Ela com você.

Para o altar, comece com simplicidade e vá incrementando. Como Ela é solar, pense no posicionamento de acordo com o sol, para que você fique voltada/o para onde ele nasce ou por onde ele passa ao longo do dia – leste ou norte, portanto, já que estamos no hemisfério sul.  É minha sugestão.  Mas vá descobrindo, se aventurando, se abrindo para entender e receber as mensagens sutis ou não (há!) que vão aparecer.

Ah, e hoje eu sempre sirvo a cerveja em copos. Afinal, Ela é uma Lady!P1010443

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7 pensamentos sobre “Honrando Sekhmet

  1. Alessandra Prado disse:

    Descobri seu blog apenas agora, fui direcionada pela busca de mais informações sobre essa Deusa maravilhosa depois de uma coincidência e de ter tido uma experiência única de sentir a energia dela, algo forte é surreal. Estou devorando seus posts, não somente sobre ela, mas sobre a magia em geral, pois sou iniciante. Obrigada por compartilhar seu imenso conhecimento!
    Uma dúvida que está me incomodando, pois quero fazer o certo para cultuar Sekhmet é sobre a cerveja vermelha, que já li várias vezes ser a bebida devocional dela: pode ser essas cervejas vermelhas que já compramos prontas (a tal dá resultado ale, se não me engano), ou temos q torná-la vermelha artesanalmente com romãs ou amoras? Estou com dificuldade de encontrar essas frutas onde moro. Li também que podemos ofertar o vinho tinto por causa da cor. Se puder me esclarecer essa dúvida ficarei grata. Um abraço!

    • oi Alessandra, desculpa a demora em te responder. Sobre a cerveja, pode vir vermelha de fábrica, aliás, melhor assim, pois é uma cerveja de boa qualidade. Ela gosta é das REd Ale, e adora muito uma red ale da Way, que tem priprioca! Descobri isso ano passado. Vinho tinto nem pensar. Ela não vê a menor graça e esnoba, eu não me atreveria jamais. Hidromel pode, mas só de vez em quando. Velas vermelhas, incenso de canela ou manjericão, flores do campo e pedaços de carne crua são todas oferendas que ela gosta. Pode deixar água numa vasilha no altar também, mas aproveite para fazer isso ainda mais se tiver uma vasilha de prata. Nos templos antigos dEla, os leões e leoas circulavam livremente e eram alimentados e recebiam água em vasilhas de ouro e prata. Olha o luxo! Beijo

  2. Ingrid disse:

    Boa tarde! Tenho verdadeiro fascínio por Sekhmet.
    Pude conhecer em 2015, no museu do Louvre as diversas estátuas dela, lindas, cheias de energia…misteriosamente (a sala se esvaziou), fiquei alguns minutos sozinha no ambiente, e pude tocar em algumas esculturas, conversar, tirar fotos, me emocionei muito!
    Ela é maravilhosa!

  3. Dani disse:

    Gostei muito de tudo que você escreve, porque é pessoal e refere-se à sua vivência. Sekhmet me fascina bastante e, na verdade, minha deusa mãe é Bastet, a outra faceta de Sekhmet. Ainda não sei muito bem como me conectar a ela, acendo velas verdes e lhe ofereço leite, mas to no início do percurso ainda. É muito legal encontrar na internet gente que pode ter a ver comigo em relação à espiritualidade! Gratidão por vc compartilhar suas experiências!

  4. Magdalena disse:

    Nossa, que arrepio que senti lendo esse post! Incrível sua experiência com ela. Fico pensando, será que ela surgiu realmente na hora mais oportuna pra mim? Começo a achar que sim, foi inesperado e sutil, mas veio, e justamente, quando percebi que realmente preciso de ajuda. Estou ficando muito interessada nEla. Obrigada por partilhar seus conhecimentos 🙂

  5. Divinas as imagens! a experiência da descoberta sobre gostos, falas, ritualística tuas para com Sekhmet, me foi surpreendentemente identificatória, eu vivencio assim para com minha Senhora, Hékate… Há coisas que apenas a lida mostram.

  6. Andrea disse:

    adorei o post!! mas posso fazer uma pergunta muito básica? quais as técnicas ou caminhos que vc usou até chegar a ela? será que vale um novo post??

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