Mandingas de Réveillon

Como ainda há algumas boas almas desesperadas, cheias de dúvidas sobre o que fazer na virada, decidi fazer essa postagem de última hora com algumas dicas bem boas.

O Réveillon é importante por tratar-se de um limiar.

Toda troca ou alteração de uma coisa para outra coisa cria um estado de limiar, de travessia, um momento em que não estamos nem aqui, nem lá, e oferece a oportunidade de um recomeço. A virada do ano, que é celebrada por algumas nações (veja bem, nem todo mundo tá ligando para a troca do calendário), se presta muito bem para evocar esse momento de “ponto de mutação”, uma união do passado com o futuro – um espaço onde, teoricamente, tudo é possível. Agora, dito isso, reparem que temos vários desses momentos ao longo da vida e até de um único dia, como, por exemplo, o amanhecer e o entardecer, o meio-dia e a meia-noite. Qualquer troca é troca, é travessia e, portanto, passível de ser utilizada para potencializar as energias que queremos emanar e, assim, atrair.

Esse é outro detalhe importante: a gente precisa emanar a vibe do que desejamos manifestar para que aquilo seja atraído ao nosso campo magnético. Nada é tão simples, óbvio, mas esse é o começo da coisa.

“Aimeusdeuses! Petrucia, me ajuda, estou desesperada/insegura/perdida, não sei o que fazer!”

Se esse é seu caso, vamos então ao que interessa:

CALCINHA

Para este Réveillon, já passei a dica da lingerie combinando com o esmalte de unha na entrevista mega fofa que dei para o site Chic Glória Kalil. Quem não viu ou não lembra, clique aqui. Outro fator fundamental para essa mandinga dar certo é que a calcinha precisa ser nova e recebida de presente. Não vale comprar a sua, precisa ganhar. Claro que pode combinar com a mãe/irmã/amiga/vizinha para uma comprar pra outra a cor desejada.

PARA VIAJAR MUITO

Outra coisa que eu adoro fazer depois da meia-noite, quando quero viajar bastante, é correr na rua com uma mala de viagem, vazia mesmo. O importante é a corrida com a bagagem. Aprendi isso quando eu tinha 13 anos, com um amigo da minha mãe que era peruano. Ele disse que era tradicional fazer isso no Peru. Pode não ser verdade, mas a ideia é boa, e o resultado sempre deu certo pra mim. É mais difícil de fazer na cidade grande, mas quem mora em praia ou bairros menores, deve aproveitar. Teve uma tia minha que teve preguiça e foi só até o portão da casa com a mala. Resultado? Viajou, mas foi perto. O ideal é dar a volta na quadra.

EM BUSCA DE CHAMEGO

Para quem está só e quer companhia, é imprescindível que a primeira pessoa a ser cumprimentada no toque das 12 badaladas seja alguém do sexo oposto (ou do mesmo, se essa é sua preferência, claro). Quando eu era solteira-e-à-procura, não perdia essa chance, a ponto de, em um Réveillon bem simplinho no qual que estávamos apenas eu e uma amiga na casa dela, a gente primeiro abraçar o cachorro – que era pequeno, mas macho – quando deu meia-noite, sob risco de não conseguirmos nos emparceirar naquele ano.

ADEUS ANO VELHO, VIDA VELHA, ENERGIA VELHA, PELE VELHA

sálvia e alecrimAno passado, passei essa data em Marrakech, no Marrocos. Não rolou celebração nenhuma nas ruas, apenas em hotéis. E ficamos, eu e meu marido, zanzando em busca de uma contagem regressiva que não aconteceu. Estava bem frio, 3c, e achamos por fim restaurante, perto da praça Jmaa el Fna, onde pedimos um chá de hortelã tradicional que o garçom nos trouxe a 15 segundos da meia-noite. Brindamos singelamente com chá. Porém, mais cedo, havíamos feito um Hamman, o banho marroquino que tem uma sessão inacreditável de esfoliação. Acho que a mulher tirou um meio quilo de pele velha do meu corpitcho. Tudo do banho foi incrível, mas o melhor foi me dar conta que eu entraria o ano deixando tudo de antigo para trás.

Então, para quem quer abandonar o velho e fazer uma limpeza legal das suas energias, eu recomendo um banho feito com alecrim ou sálvia, ou os dois. A gente fica com cheiro de tempero, mas são ervas muito eficientes para limpeza de energias discordantes ou negativas, purificação e também de forte proteção. O alecrim dá uma energizada bem legal, uma acordada boa, que tem a ver com o nome da festa (“réveillon” vem do francês e quer dizer despertar) além de ser uma plantinha muito usada nos feitiços de amor. Voilá.

O sal grosso, eu acho um pouco forte demais para nosso lindo, sutil e colorido campo energético. Seria o equivalente a tomar banho com água sanitária. Salvo em raras excessões, seu uso é abrasivo demais e desnecessário.

RÉVEILLON ENTRE OS LENÇÓISmandinga1

Minha última dica não é para amor, mas um banho para “uso da área de lazer”, ou seja, para diversão pura, a princípio sem visar compromisso algum. Se você anda devagar, esse é um banho incrível para tirar a teia de aranha e aproveitar todo o potencial daquele órgão feminino pequeno e fundamental, o único órgão do corpo humano cuja função é exclusivamente o prazer . Talvez o banho dê resultado para homens também, não sei. Se algum menino usar e der certo, me conte depois!

Enfim, tenha ou não um alvo à vista, tome esse banho por sua própria conta e risco.

Os ingredientes:

3 pétalas de rosa

3 paus de canela

3 xícaras de café de sakê

mel

Jogue tudo numa panelinha no fogo e deixe levantar fervura. Desligue e deixe curtir um tempo. Tome banho normal, por último, encha a panelinha com água do chuveiro, diga as palavras do seu encantamento, abençoando a poção. Diga com todas as letras a finalidade daquela mistura e do seu ritual. Não é recomendado dizer o nome da pessoa que você deseja, por razões de livre arbítrio, mas cada um sabe do seu karma. Aí, jogue a mistura sobre o corpo e deixe secar naturalmente.

Boa sorte e feliz 2015!!!!

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de volta à fogueira?

Por muitos e muitos anos, fui adepta da calcinha nova em tal e tal cor para a virada do ano, mas já faz algum tempo que me preocupo muito pouco com roupas (íntimas ou não) e adereços para passar o revèillon. Porém, nunca jamais antes me ocorreu combinar a cor do esmalte com a da calcinha, para dar, digamos, um peso a mais no poder da atração daquilo que desejamos para o novo ano.

Bom, essa foi a ideia do site Chic- Gloria Kalil, que me convidou para contribuir com as informações sobre as correspondências e efeito de cada cor para calcinha + esmalte de unhas. Usando conhecimentos de kabbalah, cromoterapia e magia, respondi ao desafio, e o resultado – que ficou ótimo! – está aqui.

Porém, no processo da publicação, algo interessante ocorreu. A repórter, que é uma querida e conhecida minha,  perguntou como poderia me creditar, e eu pedi “bruxa e astróloga”. Depois, ela me informou que a orientação do site pediu para não usar a palavra “bruxa”. Confesso que fiquei incomodada, e como disse uma amiga no facebook: “que coisa mais Idade Média”! Oras, as informações são permitidas (e desejadas), mas o que sou não é?!

Sendo bem sincera, achei um super preconceito do site e um desrespeito, não só a mim, como fonte da matéria, mas a toda uma religião e modo de vida que aí está.

Que coisa feia, em pleno século XXI!!!!

Nada, mas nada chic.

******ATUALIZAÇÃO: aparentemente houve algum mal entendido, a repórter do site me informou que não ocorreu nenhum veto à palavra/expressão “bruxa”, mas sim que estavam tentando adequar à linguagem das leitoras; assim que perceberam que a supressão da palavra estava sendo compreendida como uma atitude preconceituosa, elas imediatamente voltaram atrás e, no mesmo dia, a incluíram corretamente nos meus créditos como “bruxa e astróloga”.