Visita às fiandeiras

No solo escuro e fértilthree fates

na base de Yggdrasil

ouço o ritmo cadenciado do corte de uma tesoura.

Apesar de tão definitivo, o som chega com um neutro distanciamento

Não sinto horror

Nem pena

Nem medo do momento em que o meu corte virá.

O fio da tesoura me parece um agente amoroso e compassivo. 

Medo, sinto da que mede

que analisa  julga 

e determina.

A moça que fia é um fofa, de bochechas rosadas e lábios carnudinhos. Não consigo nem dizer “carnudos”, porque daria a ela uma conotação sensual mais madura que ela não parece ter. 

Desta vez, ouvi a roca e não o fuso, e ela fia numa animação esperançosa

Acho que atende tudo que lhe pedem. O que as pessoas não sabem é que a voz que ela escuta é a do nosso lado meio anjo, meio irmão mais velho — que habita um pouquinho acima de nossas cabeças. 

Seu olhar desfia galáxias

Seu silêncio faz corar a eloquência de uma montanha

Os presentes que dão a conhecer são lembrados só quando elas permitem

Num caldeirão, imagens fervem e borbulham

mas é preciso mais do que coragem para espiar dentro.

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3 pensamentos sobre “Visita às fiandeiras

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