O preço da magia

Admirando feitiços no Museum of Witchcraft and Magic

No momento em que o buscador descobre o potencial mágico de um feitiço e recebe as instruções básicas de como fazer isso, seus olhos brilham com as infinitas possibilidades. Há uma empolgação que vem de se perceber capaz de influenciar o próprio destino, mas ao mesmo tempo uma inflação egoica que acha que agora tem poderes e vai usá-los o tempo todo e sem pensar duas vezes.

Bom, a primeira coisa que qualquer um que esteja neste caminho logo descobre é que nem sempre o feitiço dá o resultado esperado. E às vezes pode ser uma bênção o encantamento não funcionar.

O efeito de um trabalho mágico depende diretamente do talento (e alianças) de quem faz, da crença pessoal sobre o merecimento que temos daquilo que estamos pedindo, e também de um alinhamento de uma série de outros fatores sobre os quais não temos controle algum.

Além disso, existe um preceito bem conhecido: “Toda magia tem um preço”.

Quando dizemos isso não estamos nos referindo ao valor que você pagaria a uma mãe de santo ou um feiticeiro para realizar um trabalho, estamos falando do preço energético atrelado a alterarmos o curso da vida. O preço existe pelo desgaste e a dívida que podemos gerar ao mobilizarmos e direcionarmos energia de uma forma não natural.  

Toda vez que metemos o bedelho no curso natural das coisas, causamos algo. Pode ser que lá adiante, o resultado do que colocamos em movimento não seja inofensivo e talvez nem benéfico, inclusive para nós mesmos. É o famoso efeito borboleta. Tudo está interligado, e nosso ego não têm condições de ver o tamanho da teia do destino e todos os fatores envolvidos. Algo que teimamos em querer pode não ser para nós, pode não ser bom para nós.

Também, para que você receba, é possível que tenha de perder. Para algo vir, outra coisa pode ser tirada, e na maior parte das vezes, a gente não sabe onde a conta vai chegar. Considere que o próprio ato mágico queima energia nossa, gasta chi, qi, prana… Não admira que tantos bruxos tenham problemas de saúde, muitas vezes inexplicáveis, depois dos 35 anos. É preciso escolher bem, ter senso de responsabilidade para consigo e para com o todo.

E também não se faz magia para tudo. A magia entra para dar um empurrão extra em algo no qual estou empreendendo meus esforços, ou entra como último recurso, um ato de desespero em um momento de extrema necessidade quando todos os caminhos mundanos foram tentados e nada está dando certo.

Se faço feitiços todos os dias para todas as coisas, então deixa de ser especial, a energia é dispersa e pulverizada entre essas diversas atenções. Não há condições de concentração de forças, portanto fico desgastada e sem resultados.

Escolha bem. Não é à toa que bruxas eram conhecidas como sábias.

Tableau no Museum of Witchcraft and Magic. Boscastle, UK.

O cérebro trino e a astrologia

Em 1970, o neurocientista Paul MacLean desenvolveu uma teoria sobre a evolução cerebral que ele demorou vinte anos para publicar.

Segundo MacLean, os humanos têm o cérebro dividido em três unidades funcionais: cérebro reptiliano, cérebro dos mamíferos inferiores e cérebro racional. Cada unidade representa um estágio evolutivo do sistema nervoso dos vertebrados.

O cérebro humano e primata apresenta os três estágios funcionando dentro de nós e informando nossas ações, emoções e racionalidade. O equilíbrio entre os sistemas varia de pessoa para pessoa, mas pode existir uma forma de buscar compreender qual deles opera em nós com mais força. Os três estratos podem ter relação com signos astrológicos e seus princípios mais elementares, dependendo da forma que cada signo funciona em sua essência. Quem realmente propôs e estudou essa relação a fundo é o astrólogo Carlos Fini, mas segue aqui uma abordagem simplificada.

O Complexo-R ou cérebro reptiliano é basal e formado pela medula espinhal apenas e porções do prosencéfalo. Este primeiro nível é capaz apenas de promover reflexos simples e tem características de defesa da sobrevivência, sendo responsável pela autopreservação e agressão. É a parte em nós que mapeia o meio-ambiente, esquadrinhando tudo para detectar perigos. É responsável pelos movimentos, atividades automáticas e funções fisiológicas involuntárias como batimentos cardíacos e respiração, é o centro instintivo e motor.

Pessoas mais conectadas a essa atividade basal do cérebro tendem a enxergar a vida o tempo todo como uma situação de luta, de vida e morte; antecipam o pior e são bastante territoriais. Há uma dificuldade em respeitar o território alheio, sempre se partindo para a conquista, e uma defesa intensa do próprio território para evitar invasões. Se você é de Áries, Escorpião ou Capricórnio, observe o quanto essas funções instintivas imperam na sua vida. São signos que apreciam hierarquias e rituais pessoais repetitivos, que muitas vezes se cristalizam.

Outra possibilidade de ativar de forma definitiva essa sensação constante de que a vida é só sobrevivência é ter aspectos fortes no mapa astrológico relacionados a Saturno e Plutão, que reforçam a memória da dor e das vivências negativas, como forma de se proteger da vida.

Já o cérebro límbico, dos mamíferos inferiores, também conhecido como cérebro emocional segundo MacLean, é o segundo nível funcional do sistema nervoso. Além dos componentes do cérebro reptiliano, ele engloba o telencéfalo e diencéfalo, unindo ali tálamo, hipotálamo e epitálamo, e também o hipocampo e parahipocampo. Esse sistema é responsável pelo controle do comportamento emocional dos indivíduos. É nesta região do cérebro onde são processados os sentimento e emoções mais nobres, como amor, proteção, saudades e carinho. É uma fase secundária da nossa evolução, pois diz respeito a olhar o outro. Depois de sobrevivermos apenas, podemos relaxar mais, aprender a cuidar, acolher, salvar… é ali que entra algo de alteridade e também altruísmo. Esta parte cerebral também é responsável pela experiência das emoções que emergem como toque, os cheiros, o carinho… é o sistema límbico que nos deixa carinhosos. Aqui é possível exercitar uma relação entre esses princípios e os signos de Touro, Câncer, Libra e Peixes. Afinal, são esses signos que mais remetem à relação com o outro no sentido do afeto, da proteção, acolhimento, do uso de expressões faciais e do choro como forma de manipular ou chamar a atenção. São os signos com mais senso estético, muita sensibilidade, com o desejo da troca afetiva com o outro e portanto, o desejo de casar, ter filhos… Enfim, é por eles que passa o entendimento emocional do amor e do prazer, e isso inclui as pessoas que têm uma forte presença de Netuno também em suas configurações astrológicas, esse planeta traz para esse mix uma qualidade insuperável da capacidade de compaixão.

O cérebro racional, conhecido como neocórtex, é composto pelo córtex telencefálico, que é dividido em frontal, parietal, temporal, occipital e insular. Cada uma dessas regiões tem diferentes responsabilidades, e elas incluem as funções executivas. Mas é o néocortex a parte que diferencia seres humanos dos demais animais, é por sua presença que somos capazes de desenvolver o pensamento abstrato e produzir invenções. É a parte mais externa e mais moderna da massa cinzenta, onde funcionam os mecanismos cognitivos, especulativos e racionais. E os signos que mais teriam afinidade natural com essas funções da razão são Gêmeos, Leão, Virgem, Sagitário e Aquário, pois têm como seu principal foco o desejo pelas mudanças, pelas novidades, a expressão da individualidade e o plano das ideias racionais. Outros indicativos astrológicos de termos essas funções bem diferenciadas seria um Mercúrio fortalecido e bons aspectos com Urano.

O funcionamento saudável dessas três partes é fundamental para uma vida plena, pois todos temos de sobreviver, lutar, nos mover, amar, cuidar, relaxar, refletir, compreender e criar. O ideal seria que as três partes tivessem um desenvolvimento harmônico em cada um de nós; a partir do entendimento e valorização dessas diferentes “mentes” que possuímos, podemos encontrar maior paz e harmonia interior.