Witchcraft

De vez em quando me sinto profundamente comovida com algum texto. Várias vezes esse texto é de autoria do Gede Parma (Fio Aengus Santika). Não foi diferente esta semana, li a seguinte postagem que abriu meu peito e sussurrou com minha alma, então pedi a ele pela permissão de traduzir e postar em português. Segue aqui, com muita honra, o texto do Fio sobre a palavra “Witchcraft”. **

Witchcraft – Gede Parma (Fio Aengus Santika)

“Bruxaria é um termo escorregadio precisamente por conta de quem e a que o termo se refere, aponta, invoca.

Se tentarmos estabelecer uma definição precisa de bruxaria, não faria sentido fazer isso sem olharmos para as pessoas chamadas de bruxas e que podem, em sociedades tão variadas quanto México, Nigéria, Irlanda, Islândia e Grécia, ser identificadas como tal por lenda, folclore e linguistas.

Uma bruxa é uma mulher que conjura, fascina, lê sinais do Destino nas estrelas e nos sonhos, é amiga das coisas selvagens e conhece os lugares ocultos.

Uma bruxa é um homem que canta as runas, chama os espíritos do mundo inferior, estuda a medicina e o veneno das plantas, ingere o povo cogumelo, voa no vento…

Um bruxo é uma criatura sabática e extática, levada pela natureza e comunhão iniciatória a um congresso erótico com os Mistérios.

E uma bruxa encontrou-se com o Diabo na encruzilhada.

E uma bruxa foi enforcada por maldições de justiça injustamente… e queimada na Escócia por desejar o mal e estragar as colheitas, e por curar os doentes e ensinar às jovens moças sobre o poder.

E um bruxo curou os doentes e abençoou o camponês.

E uma bruxa clamou nas ruas por uma revolução.

E bruxas foram caçadas.

E bruxos foram celebrados.

E bruxos foram ridicularizados.

E bruxas foram respeitadas.

Um bruxo está comprometido apenas com sua natureza e destino, responde apenas à sua estrela e ao conselho dos seus, é responsável por todas suas ações, e sabe, e comanda todos seus sentidos e, ao mesmo tempo, não controla nada…

Pode rasgar a garganta das cobras ou enviar os rios de volta a suas fontes. Podem consolar o ancião que morre e abençoar o recém-nascido, bem como pode ajudar o bebê a morrer no ventre e libertar a mãe de um destino pior.

O bruxo não se humilha. Às vezes vamos aos Deuses e dizemos – vão se foder – de todas as formas em que isso pode ser dito. A bruxa chama, e Eles vêm.

E se nada disso faz sentido, é porque nosso jeito de ser não é feito para um mundo de estupro e redução, ou para sociedades de intolerância e vergonha. A bruxa é Lilith nos desertos, é Prometeu roubando o fogo dos deuses, é Aradia liderando o pedido de liberdade, é Isobel Gowdie que saiu noite afora em forma de lebre e deixou uma vassoura ao lado do marido adormecido, é Alice Kyteler conversando com Robin Artisson na escuridão da encruzilhada, é Bessie Dunlop com seu familiar Thomas Reid, é Tituba, raptada de suas terras e tentando se proteger, é Doreen Valiente cuja poesia rompe os corações, é Rosaleen Norton com seu pincel e sua faca, é Victor Anderson, cujo tambor abre os céus…

A bruxa anda pela floresta, pelo campo fértil, pela urze queimada, por vias urbanas, e pelos limites do vilarejo… e não podem nos matar. Não, temos nossos truques… em cada árvores, cada lago, em cada pira e nó corredio, em todo lado onde humanos rastejam e subjugam… temos nossos truques.

E a Bruxa segue adiante. E assim, se você deseja definir a bruxaria, primeiro reflita e sinta essas criaturas a que chamamos de bruxas. Não nem toda magia é dela, mas uma bruxa pode empregar aquilo que quiser, como bruxa. E é aí que mora o segredo.”

**Fio é um bruxo e autor australiano que esteve no Brasil ensinando alguns workshops em Rio e São Paulo no ano de 2017. Para saber mais sobre seu trabalho, por favor visite http://www.gedeparma.com/

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Prazeres físicos em práticas espirituais

Exercícios de meditação, jornadas e práticas devocionais nos chegam sempre acompanhados de  uma lista de benefícios mentais, mágicos e de conhecimento. Quando se fala em resultados físicos, em geral se relaciona a melhoras em estados de saúde e eventuais curas que podemos atingir, mas pouco – ou nada – se discute sobre os prazeres físicos que podemos sentir durante essas práticas, seja pela sensibilidade energética e sua atuação em nossos centros, seja por termos um encontro de cunho sexual com deuses ou outras entidades.

Habitando uma esfera dominada pela cultura judaico-cristã, é comum sentirmos em um primeiro momento como se esse tipo de contato fosse algo proibido ou tabu, para então descobrirmos que não estamos sós nessa experiência.

 

OS SENTIDOS ETÉRICOS

“Só os sentidos podem curar a alma, tal como só a alma pode curar os sentidos.”

– Oscar Wilde

Os sentidos são sem dúvida a porta das nossas percepções neste plano, e agradá-los é algo muito poderoso e prazeroso. Todos sabemos.

Selene and Endymion

Os cinco sentidos, visão, tato, gosto, olfato e audição, podem ser apurados e desenvolvidos, assim temos verdadeiros eruditos, vide um perfumista, um enólogo, um grande chef ou maestro de orquestra.

Como bruxos, logo aprendemos que devemos desenvolver ainda mais esses sentidos para refiná-los a percepções ainda mais sutis… aquelas que raramente podem ser captadas pelas terminações nervosas do corpo, mas são perceptíveis pelos corpos sensíveis energéticos por criarem “perturbações” identificáveis nas nossas energias mais etéricas, a que podemos chamar de Qi (chi) na medicina chinesa e taoísmo ou de prana, na ayurveda, por exemplo.

Também há teorias científicas sobre energias sutis no corpo humano, esses estudos e proposições vêm desde Hipócrates, nascido em 460 AEC (antes da era comum). Pai da medicina, ele descrevia um campo energético que fluía das mãos das pessoas. Pitágoras chamava de pneuma essa energia que tudo permeia, o fogo central do universo. Ele também descrevia três corpos ocupados pela alma: Etéreo, Luminoso e Terrestre. A partir da Idade Média, temos Paracelso, Kepler, Van Helmont, Reichenbach abordando o assunto de diversas formas. Já no século XX, em 1911, Kilner chamou de aura os campos energéticos em três camadas que ele percebeu em seu trabalho no hospital St. Thomas em Londres. Harold Burr, em 1935, médico especialista em neuroanatomia de Yale, revelou que os blocos formadores da vida são “campos eletrodinâmicos”. Ele mediu e mapeou esses “campos de vida” com voltímetros e propôs seu uso para diagnosticar doenças precocemente. Em 1939, Semyon Davidovich Kirlian descobriu que poderia fotografar o campo de alta frequência da corrente colorida de luz emanada pelo corpo humano; Wilhelm Reich, chamava essa energia de Orgone, e estudou alterações no fluxo do orgone em relação a doenças e traumas físicos ou psicológicos.

 

CHAKRAS SUPERIORES

Uma abordagem que muito interessa para ajudar a explicar por que experiências místicas produzem sensações intensas, não apenas de bem estar, mas de prazer físico pode vir da ayurveda.

O prana é entendido como “a primeira essência abaixo da respiração” e seria classificado como o que chamamos de “energia vital”. Não é material, mas está presente em cada partícula da criação é o aspecto expansivo da energia e vyria (potência viril) é sua intensidade. Virya inspira todos os fervores sejam eles místicos, sexuais, criativos, artísticos, políticos, espirituais… No seu corpo físico, prana e vyria são manifestações de ojas, a vitalidade interior. Esses dois, completamente despertos e fusionados, criam samarasya – a benção da fusão entre a vida mística e a instintiva.

Aqui entra também o Sahasrara – chakra coronoário, que tem seu ponto físico no topo da cabeça, traz consciência da unidade do infinito inexpressável. No estado em que se atinge o sahasrara, a experiência e o experienciador são uma e a mesma coisa. O centro de tudo em infinito nada. É além de tudo, porém está aqui e agora, também chamado de nirvana, satori, samadhi, Ain Soph, paraíso, tao…

Um pouco mais abaixo, no crânio, encontramos o Bindu Chakra, um ponto no Sahasrara superior, que seria a fonte de todos os chakras. É o centro onde a unidade se divide na dualidade, a semente da origem do universo, simbolizado ao mesmo tempo por uma lua cheia e uma crescente. É comumente chamado de bindu visarga  – a gota que cai, indicando as gotas de ambrosia continuamente escorrendo do Sahasrara, a fonte do amrit , néctar, que desce fluindo pelo centro da coluna que se chama Sushumna Nadi. Ele é o chakra responsável pela sensação de “banho de mel”.

 

BANHO DE MEL

Nas tradições xamânicas toltecas praticadas no México e no sudoeste americano, se fala nessa sensação de um tremor ou calafrio de corpo inteiro, que começa na cabeça e desce até os pés, como se alguém abrisse o topo do nosso crânio e ali derramasse um líquido morno e aromático. É uma sensação extremamente prazerosa, muitas vezes se demorando no abdômen, onde se sente um ‘frio’ similar a uma montanha russa e alguns espasmos que lembram mesmo um orgasmo sexual.

No livro “Don Juan and the Art of Sexual Energy” de Merilyn Tunneshende, Doña Celestina que está treinando a autora americana descreve o que chama de “Banho celestial”, como uma resposta do corpo energético a algo que o estimula e excita. Não é uma sensação que pode ser forçada ou manipulada, e diferente do orgasmo físico, esse orgasmo do corpo sutil, em vez de começar nos genitais e subir, começa no topo da cabeça e desce.

Para experimentá-lo é necessário muita sensibilidade, extrema até. Muitos vão passar uma vida inteira e jamais vivenciar isso. Ele pode acontecer durante práticas de meditação, ou até por algum estímulo artístico, como uma música que nos toque profundamente a alma.

Outra experiência, sem esse “banho” energético, é o profundo prazer que se experimenta ao atingirmos o silêncio mental. Muito se fala nos benefícios mentais e físicos da meditação no mundo moderno, defendida até mesmo por médicos e cientistas. É comprovada sua eficácia para auxiliar em casos de pressão alta, administração de estados de estresse e tensão nervosa, além de proporcionar muito bem-estar.

Mas ao atingirmos, com a prática, o silêncio, o vazio mental mesmo, a ausência de pensamentos que é o objetivo da meditação, há um vislumbre de outra sensação, muito mais profunda e intensa do que a descrição de “bem-estar”. A sensação do silêncio mental tem algo mais… Algo tão atraente que explica o porquê de tantos yoguis e mestres tibetanos conseguirem ficar dias a fio, sem comer, beber, dormir ou falar, nesse estado de meditação. É um sensação tão incrível, da qual não queremos mais sair.

Então essa é uma primeira forma de experimentarmos um prazer muito intenso dentro de práticas espirituais, e um prazer que se manifesta reverberando no corpo físico. E essa forma independe da interação com outros seres, é um voo solo, apenas uma interação nossa com a energia ou os elementos.

 

PRAZER FÍSICO ATRAVÉS DO CONTATO COM ESPÍRITOS, ENTIDADES E DEUSES

Apollo-og-Dahne1Aqui entramos noutro campo de possibilidades. E as ideias a que estamos mais acostumados incluem sonhos eróticos com deuses e entidades do astral ou então incubus e sucubus. Estes últimos são os famosos “demônios” que nos visitam no sono para nos proporcionar um prazer claramente sexual enquanto sugam nossa energia, como vampiros. Quem teve um encontro com um ser desses sabe muito bem o quanto é difícil resistir, mesmo quando ficamos conscientes do que está acontecendo. A sensação é extremamente prazerosa, enquanto ao mesmo tempo muito esquisita e até dolorosa. No dia seguinte, levantamos da cama sem energia e passamos o dia tentando nos recuperar, como quem tem uma ressaca difícil. Portanto, não encorajo ninguém a conscientemente buscar contatos com incubus e sucubus, e se você é constantemente assaltado por eles na sua energia, precisa achar formas de se proteger.

Além dos sonhos, podemos ter contatos íntimos com Deuses, encantados e outros seres dentro de trabalhos visionários ou transes. Pessoas com travas e inibições no plano físico podem ter uma experiência completamente satisfatória e surpreendente nesse nível etérico/astral. É importante ressaltar que o contato sexual com esses seres independe da sua orientação sexual, muitos seres do plano astral não têm esse tipo de diferenciação ou preconceito, e você pode ficar muito surpreso. Vale reforçar que esse contato é iniciado pelo outro lado, raramente consegue ser forçado por nós.

Para os pagãos, o relacionamento com nossas divindades pode variar desde uma apreciação distante e reverente, até uma relação bem mais próxima, passando por uma sensação de parceria e amizade e podendo chegar ao amor romântico. Não se engane, essa história de um deus desejar deitar-se com uma mortal ou de um boto virar homem não é só mitologia grega ou lenda indígena.

Para um exemplo de enlevo ou arroubo de êxtase em contato com a divindade, podemos nos mirar no cristianismo, onde isso é muito documentado. As freiras são conhecidas como “noivas de Cristo”, e isso não é à toa!

Santa Teresa de Ávila se questiona em seus escritos:

Eu queria saber explicar, com o favor de Deus, a diferença que há entre união e arroubo ou enlevo ou voo, que chamam de espírito ou arrebatamento, que são uma coisa só. Digo que esses diferentes nomes se referem a uma só coisa, que também se chama êxtase.

Nesses arroubos (…) não há como resistir, ao contrário da união em que ficamos em nosso próprio terreno, podendo quase sempre, mesmo que com sofrimentos e esforços, resistir, nos arroubos, na maioria das vezes, isso não é possível, pois eles amiúde surgem sem que penseis, nem coopereis, vindo como um ímpeto tão acelerado e forte que vedes e sentir uma nuvem ou águia possante levantar-se e colher-vos com suas asas.”

 

CONTATO SENSUAL COM SERES ELEMENTAIS

Há bruxos que têm aliados constantes do reino dos encantados, os chamados fetchmates, com quem podem manter uma relação de cunho sexual. Um encontro assim com um feérico pode ser também ocasional, dentro de algum trabalho visionário específico, ou, caso tenha muita afinidade com esse reino, pode acabar casando, ou seja, tendo uma noiva ou noivo encantado. Essas histórias eram comuns alguns séculos atrás e seguem acontecendo ainda hoje nos meios mágicos.

“Eu vim a ti pelos portais de pedra naquele monte circundado.

Teu nome elfo tu me deste, um segredo de som prateado

Nos meus pés, sapatos dourados, eu de escarlate vestida

Minha cama é onde deitas tua cabeça, tua boca contra o meu seio.

Não é mortal o meu marido, com ele minha alma mora

E se por isso sou amaldiçoada, essa tristeza levo embora

E ainda sei, e sei tão bem, que o amor não tem barreiras

E vou amar para todo sempre, meu caminhante das estrelas.”

 

O amante desconhecido, Dolores Ashcroft-Nowicki

 

Quem segue tradições de fadas, em um nível avançado, depois de trabalhar com um ser (em geral do sexo oposto) que primeiro se apresenta como aliado e parceiro de trabalho, pode evoluir para uma relação de simbiose completa entre o parceiro humano e o faery. Há tradições bem rígidas a este respeito, não é algo feito levianamente. Caso ocorra um casamento, este é pela eternidade.

O autor Orion Foxwood que tem uma tradição de trabalho muito intenso com esses seres, descreve a relação dele para seus alunos como uma ponte entre os dois mundos: quando ele fecha os olhos, enxerga no mundo de sua noiva fada, quando abre, é ela quem vê para dentro do mundo dele.

Ele também defende que nos encontros com encantados é comum confundirmos qualquer contato como tendo conotação sexual, pelo tipo de energia que eles vibram. Como são de uma rara intensidade, nossa consciência humana atual interpreta e identifica tudo como tensão sexual. Então atenção para não confundir as coisas. Pode não ser essa a intenção do ser que você encontrou.

Outra possibilidade interessante é quem incorpora um deus ou deusa durante o ato sexual. Isso acontece de forma casual, quando já se está no ato, e, de repente, algo divino ou feérico toma emprestado nosso corpo, para também se divertir. É uma possessão leve, parcial, mas que guia nossos movimentos e pode fazer coisas que não são do nosso repertório normal. A experiência é muito intensa e em geral divertida. É uma invasão por parte da entidade, e você pode ou não acolher, claro. A soberania é sempre sua.

 

TABUS, ONDE DE FATO FICA MINHA LINHA AMARELA? QUAL O LIMITE?

             Eu trabalho apenas com duas restrições, mas elas são absolutamente rígidas, por considerar que seriam envolvimentos muito perigosos para nossa integridade real. Trata-se se interações sexuais com espíritos condicionais (demônios) ou com espíritos de humanos desencarnados. Jamais experimente com essas categorias.

 

E DE QUE NOS SERVEM ESSES CONTATOS?

As práticas individuais que trazem o prazer físico são maravilhosas e enriquecedoras, eu entendo como um acelerador evolutivo. A sensação mais permanente disso, o que nos levaria a um estado constante “orgástico” seria na iluminação, ao atingirmos um estado pleno no Sahashara, achei um texto do Osho que descreve isso muito bem:

“Realmente, quando você alcança ao sahasrar, uma coroa floresce dentro de você, uma lótus de mil e uma pétalas se abre. Nenhuma coroa pode ser comparado com isso, mas assim isso tornou-se apenas um símbolo e o símbolo tem existido por todo o mundo. Isso simplesmente mostra que em toda parte as pessoas se tornaram cônscias e alertas de um modo ou de outro da suprema síntese no sahasrar.

Num orgasmo sexual interior e exterior se encontram, porém momentaneamente. No sahasrar eles se unem permanentemente. É por isso que digo que a pessoa precisa ir do sexo ao samadhi. No sexo noventa e nove por cento é sexo, um por cento é sahasrar; no sahasrar noventa e nove por cento é sahasrar, um por cento é sexo. Eles estão juntos, estão interligados, por profundas correntes de energia. Portanto, se você desfrutou do sexo, não faça lá sua moradia. Sexo é somente um vislumbre do sahasrar. O sahasrar irá proporcionar milhares, milhões de bem aventuranças, de bênçãos a você.”

Já os contatos aprofundam nosso trabalho com os planos interiores, nos trazem maior afinidade e ampliam nossa percepção. Também é uma forma de devoção a nossos deuses oferecendo o presente da nossa energia física através das sensações que eles podem assim também experimentar. No entanto, ninguém jamais deve permitir um contato forçado. As ocorrências de encontros com conotação sexual com seres do astral são também para benefício deles, eles têm interesse nessa troca. Se você se assustar ou não tiver vontade, pare, diga não, você é soberano de todos os seus corpos e tem todo direito de escolher com quem vai se relacionar, mesmo no plano etérico.

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Amarração não é amor

Trago seu amor de volta

Trago seu amor de volta em 3 dias

Trago seu amor de joelhos aos seus pés

Supostos pais e mães de todos os orixás colam incessantemente seus cartazes pelos postes de iluminação pública das grandes cidades, mas o que oferecem nada tem de luminoso.

O amor é a grande cola do mundo, é verdade que Eros tudo move e faz tudo se mover por ele. Flechados pelo cupido, brilham nossos olhos embevecidos de desejo por quem julgamos amar. Mas será amor? Ou será uma forma de poder?

Se o desejo não for recíproco, toda autoajuda e todo bom aconselhamento nos ensina a tocar o barco, seguir adiante e buscarmos quem também por nós se embeveça.

Mas o coração é teimoso e quer porque quer.

Então, como dar às costas à paixão e mirar noutro alvo? Ou mirar no escuro, pois é Deus/Deusa/Grande Consciência Cósmica quem define qual criatura vai enviar para esquentar nossa cama e nosso chocolate no micro-ondas? Como confiar nessa Grande Consciência que é invisível quando tenho o rostinho lindo do amado assim, logo ali na postagem do Insta, fazendo beicinho com cara de sono e marcando #nofilter?  Mas isso é o coração? Ou será um sentimento de poder?

Se minha escolha de atitude envolve recorrer ao de Pai Zézinho de Oxum para garantir a parada, meu sofrimento nada tem de amor nem de paixão. Tem de poder. Só poder.

Porque o amor não quer o outro a seus pés.

Nem a paixão quer o outro de joelhos.

Quem precisa de alguém de joelhos, chorando arrependimentos e jurando fidelidade eterna é alguém com a autoestima muito abalada e que precisa provar seu poder. Um poder de subjugar, ou o poder de se saber mais forte por ter conseguido arrancar o que é de outro, ou de outra.

Isso não tem nada a ver com amor.

Porque a fantasia não corresponde à realidade que vai se colocar. E ninguém quer amor à força. A gente quer desejo mútuo, brilho no olho, tonturas ao tocar a mão – e isso, meus amigos, isso um feitiço de amarração não traz.

Por isso, sejam inteligentes e corajosos de verdade. Façam feitiços para se desinvestirem de quem vocês apostaram, pois a grande verdade é que todo investimento amoroso vai exigir o mesmo nível de desinvestimento para poder se desligar. Façam feitiços para deixar o passado para trás, para superarem a desilusão e prepararem o coração, a mente e o corpinho para viver um novo encontro, um novo romance, quiçá mais verdadeiro.

Gastem seus suados dinheirinhos e seu capital emocional investindo em magia para atrair para vocês a pessoa certa, que ainda não vai ter nome e endereço conhecidos. Isso é mais saudável e mais garantido. E ainda, invistam principalmente em feitiços para curas pessoais, para melhorar a pontaria a partir de uma autoestima fortalecida e de um bem estar interior, para que, assim, vocês tenham olhos para ver e coração para sentir quando aquela pessoa que tem o encaixe perfeito para uma linda parceria aparecer milagrosamente na sua vida.amor de volta

Nova turma de formação mágica

Tenho sido muito procurada por pessoas que desejam estudar magia e bruxaria com uma orientação adequada. De fato, livros não bastam, é preciso prática; e prática com orientação específica, dentro de uma linha que a gente goste, com uma pessoa em quem confiamos, é algo muito proveitoso e acelera muito o progresso pessoal dentro de qualquer arte ou ofício.

Então é com muito carinho que apresento o currículo novo da Formação Mágica do Conclave da Rosa e do Espinho. O Conclave é um clã de bruxaria, ainda em formação, ainda se estabelecendo devagarinho, reunindo pessoas que passaram pela formação mágica que eu venho oferecendo desde 2015. A formação era mais complexa e ampla, reunindo várias áreas do saber, e poderia ser levada com o aluno para qualquer vertente que ele fosse explorar ou viver. Para a versão 3.0, mexi em muita coisa e deixei ainda mais prático e direto ao ponto no que diz respeito à Bruxaria Tradicional Moderna. Segue sendo uma formação bem completa, mas espacei de forma distinta e retirei conteúdos que vou oferecer em workshops e webinários a partir de abril. Com os webinários, pessoas de outras localidades vão poder ter acesso a vários conteúdos e práticas de aprofundamento, e alguns participantes da formação também podem optar em experimentar coisas diferentes e complementar os estudos com essas aulas extras.

A formação ficou mais curta, agora é de nove meses, mas a duração dos encontros é mais longa, para incluir mais práticas orientadas. E, ao final, ta-dá!, teremos uma formatura com um mega intensivo de práticas avançadas.

Para saber do currículo, horários, turmas, valores, e o que esperar, clique no formulário, tá tudo lá. Se tiver dúvida de algo que não estiver lá, me escreva.

Clique aqui para o formulário de declaração de interesse

Bênçãos luminosas para um ano brilhante para todos nós!

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Uma experiência muito especial de TradCraft no Brasil

Para os pagãos que curtem a vertente mais tradicional, Old Craft, com pegadas fortes de transe, xamanismo e “lore” (conhecimento passado por tradição oral), a vinda do Gede Parma é uma oportunidade maravilhosa de aprofundar mesmo suas técnicas e vivenciar um estilo de trabalho que tem pouca divulgação no Brasil.

O foco é em praticantes com cancha, que saibam muito bem usar de centramento e aterramento,  além de entrar, manter e sair de transe com controle de si e por vontade própria. Esses são os requisitos básicos. Fora isso, todos são bem vindos, venha você do xamanismo, do druidismo, da Wicca, da BT, da magia cigana… não importa. A ideia não é reforçar diferenças, é trabalhar técnicas que nos fortalecem e nos desenvolvem em nossa força.

Seguem os flyers, as informações para Rio (10 e 11/11) e São Paulo (16, 18 e 19/11) você encontra na página @GedeParmaBrazilTour e entrando em contato com o pessoal do Via Paganus (RJ) ou comigo, Petrucia Finkler para os cursos de São Paulo – informações nos banners abaixo.

As inscrições estão abertas, esperamos você!

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GedeSP

GEDE PARMA NO BRASIL

12604709_443667695824303_8155754261481628369_oEm novembro agora o querido e muitíssimo talentoso bruxo e autor australiano vem ao Brasil para uma série de workshops de aprofundamento no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Há anos, ele manifesta uma vontade imensa de conhecer o Brasil, e estamos muito felizes, eu, Wagner Périco e Cris Morgan (estes dois do espaço Via Paganus no Rio) em poder auxiliar com essa possibilidade, conectando o Gede com pessoas interessadas no trabalho dele por aqui.

Serão workshops bem focados em praticantes mais avançados, que terão a oportunidade de aprofundar técnicas de bruxaria extática e xamânica, pois são bastante vivenciais e exigem dos participantes uma boa experiência de trabalho com estados discretos de consciência.

Ele faz parte da Reclaiming, da tradição Wildwood da Austrália e iniciado em Anderean Craft. Não é conhecido amplamente no Brasil, mas tem quatro livros publicados pela Lllewellyn.

Novidades e ficha de inscrição você encontra na página sobre a turnê.

Inscrições e informações sobre os cursos do Rio de Janeiro (10 e 11 de novembro), entre em contato com o Via Paganus no email: viapaganus.rj@viapaganus.com

Inscrições e informações sobre os cursos em São Paulo (16, 18 e 19 de novembro) você encontra aqui 

Confira o vídeo da entrevista que fiz com ele sobre esta vinda:

 

A bruxaria é antiga

England_2015 (247)A bruxaria é antiga. Ela nasceu da curiosidade humana de buscar alcançar o mesmo conhecimento e a capacidade dos Deuses. É filha da desobediência, filha da necessidade – nascida do encontro com o outro e o outro mundo, tudo aquilo que não é nós, aquilo que vai além dos sentidos ordinários, mas que era visto, vivenciado e honrado antes de virar proibido. Antes de virar pecado. Antes de pararmos de enxergar. Antes de deixar de ser compreendido pelo próprio afastamento da experiência humana.

A bruxaria é antiga. Ela desperta sentidos adormecidos ou é despertada em nós porque os sentidos adormecidos acordam de repente. Ela abre a visão, a audição, o tato, e principalmente a compreensão de que não estamos sós, que não fomos abandonados, não somos separados do mundo natural, do encanto, e principalmente que não precisamos de redenção alguma.

A bruxaria é antiga. Sabe usar o que há e o que é possível, o corpo, o ambiente, a casa. Cuspe, osso, folha. Água, sol, lágrima. Urina, pano, barro. Caldeirão, faca, vassoura, cálice, prato, pilão e espelho. O que é possível e passível de se disfarçar, pois a bruxaria enxerga os perigos, e fala em silêncios, em sinais, em murmúrios. Anda pelo escuro e se move sem provocar ruído. Sabe não chamar a atenção quando essa atenção é perigosa e pode levar à fogueira, ou à fogueira das vaidades.

A bruxaria é antiga e é não-binária, transita entre polaridades. Sendo selvagem, não determina o tom, nem cobra que você se posicione rigidamente – como se fosse possível lhe colocar inteiro em uma caixinha. Tudo cabe, toda chama cabe. Se te arde o espírito, você é dela, e ela é sua, mesmo que você não faça nada, mas é melhor se fizer.

19121648_307273559699522_4339839048429338624_nA bruxaria é antiga e ela em si não dá regras, exceto aquelas que cada um encontra no seu caminho particular com os Deuses, os espíritos e os encantados. Aquelas que vêm do aprendizado, do tombo, do erro, da atenção, da revelação e das leis do retorno.

A bruxaria não é elitista, não demanda livros, não demanda iniciações pagas, viagem a lugares sagrados nem retiros em spas do espírito. Mas ela é plural e sempre pode se beneficiar muito de várias dessas coisas.

A bruxaria é antiga, tão antiga que é ancestral. Nascida do desespero de não ser ouvido, de não ter justiça humana que ajude, de não encontrar meio mundano de tocar a vida para frente ou superar a adversidade. Ela é nascida da celebração do pacto do visível com o invisível e da necessidade de partilhar com o invisível porque a vida é mais e a vida pede.

Ela é Arte, ela é Ofício, ela é Religião, ela é Feitiçaria, ela é Espiritualidade, e também pode não ser nada disso. A bruxaria não pode ser domesticada, ela não se curva a rótulos ou a regras que venham de fora da tradição a qual você pertence. Ela não suporta a perseguição religiosa contra a liberdade de crença e de prática, muito menos quando é empunhada por filhos seus que, num enlevo de soberba, usam de deboche e escárnio para diminuir e difamar quaisquer outras vertentes e práticas que difiram da sua. Ela é um fogo, um dom que é presente dos Deuses. E os Deuses não costumam tolerar a intolerância de alguns de seus filhos para com os outros.

Ela pode ser xamânica, extática, hereditária, wiccana, heathen, nórdica, gentia, natural, cigana, tradicional, moderna, luciferiana, cerimonial, umbandista, espiritista, druídica, contemporânea, possessória, ela é de quem quiser ser dela, de quem arde com ela, de quem dança com ela, de quem deseja arriscar chamar a si de bruxo e carregar sua marca indelével e inconfundível.

Bruxaria não tem dono. Ela é tão antiga quanto a humanidade, não é um nome com marca registrada.

A bruxaria é herege e libertária. Pelos Deuses, que ela continue assim.