Nova turma de formação mágica

Em 2015 dei início a um grupo de formação mágica com duração de 12 meses. Estamos na reta final com essa primeira turma. Está na hora de preparar o terreno para a próxima roda.

Tenho preferência por encontros presenciais (São Paulo), mas, dependendo do caso, é possível participar via skype ou hangout.

Para saber mais, leia o post no blog do próprio Conclave da Rosa e do Espinho. Se o chamado ecoar no seu âmago, mande um email pedindo pelo formulário, com mais informações e espaço para sua declaração de interesse.

A próxima turma de formação mágica começa na primeira quinzena de setembro.

A DATA DE ENCERRAMENTO PARA ENVIO DO FORMULÁRIO É 18 DE AGOSTO DE 2016.

 

 

Mandingas de Réveillon

Como ainda há algumas boas almas desesperadas, cheias de dúvidas sobre o que fazer na virada, decidi fazer essa postagem de última hora com algumas dicas bem boas.

O Réveillon é importante por tratar-se de um limiar.

Toda troca ou alteração de uma coisa para outra coisa cria um estado de limiar, de travessia, um momento em que não estamos nem aqui, nem lá, e oferece a oportunidade de um recomeço. A virada do ano, que é celebrada por algumas nações (veja bem, nem todo mundo tá ligando para a troca do calendário), se presta muito bem para evocar esse momento de “ponto de mutação”, uma união do passado com o futuro – um espaço onde, teoricamente, tudo é possível. Agora, dito isso, reparem que temos vários desses momentos ao longo da vida e até de um único dia, como, por exemplo, o amanhecer e o entardecer, o meio-dia e a meia-noite. Qualquer troca é troca, é travessia e, portanto, passível de ser utilizada para potencializar as energias que queremos emanar e, assim, atrair.

Esse é outro detalhe importante: a gente precisa emanar a vibe do que desejamos manifestar para que aquilo seja atraído ao nosso campo magnético. Nada é tão simples, óbvio, mas esse é o começo da coisa.

“Aimeusdeuses! Petrucia, me ajuda, estou desesperada/insegura/perdida, não sei o que fazer!”

Se esse é seu caso, vamos então ao que interessa:

CALCINHA

Para este Réveillon, já passei a dica da lingerie combinando com o esmalte de unha na entrevista mega fofa que dei para o site Chic Glória Kalil. Quem não viu ou não lembra, clique aqui. Outro fator fundamental para essa mandinga dar certo é que a calcinha precisa ser nova e recebida de presente. Não vale comprar a sua, precisa ganhar. Claro que pode combinar com a mãe/irmã/amiga/vizinha para uma comprar pra outra a cor desejada.

PARA VIAJAR MUITO

Outra coisa que eu adoro fazer depois da meia-noite, quando quero viajar bastante, é correr na rua com uma mala de viagem, vazia mesmo. O importante é a corrida com a bagagem. Aprendi isso quando eu tinha 13 anos, com um amigo da minha mãe que era peruano. Ele disse que era tradicional fazer isso no Peru. Pode não ser verdade, mas a ideia é boa, e o resultado sempre deu certo pra mim. É mais difícil de fazer na cidade grande, mas quem mora em praia ou bairros menores, deve aproveitar. Teve uma tia minha que teve preguiça e foi só até o portão da casa com a mala. Resultado? Viajou, mas foi perto. O ideal é dar a volta na quadra.

EM BUSCA DE CHAMEGO

Para quem está só e quer companhia, é imprescindível que a primeira pessoa a ser cumprimentada no toque das 12 badaladas seja alguém do sexo oposto (ou do mesmo, se essa é sua preferência, claro). Quando eu era solteira-e-à-procura, não perdia essa chance, a ponto de, em um Réveillon bem simplinho no qual que estávamos apenas eu e uma amiga na casa dela, a gente primeiro abraçar o cachorro – que era pequeno, mas macho – quando deu meia-noite, sob risco de não conseguirmos nos emparceirar naquele ano.

ADEUS ANO VELHO, VIDA VELHA, ENERGIA VELHA, PELE VELHA

sálvia e alecrimAno passado, passei essa data em Marrakech, no Marrocos. Não rolou celebração nenhuma nas ruas, apenas em hotéis. E ficamos, eu e meu marido, zanzando em busca de uma contagem regressiva que não aconteceu. Estava bem frio, 3c, e achamos por fim restaurante, perto da praça Jmaa el Fna, onde pedimos um chá de hortelã tradicional que o garçom nos trouxe a 15 segundos da meia-noite. Brindamos singelamente com chá. Porém, mais cedo, havíamos feito um Hamman, o banho marroquino que tem uma sessão inacreditável de esfoliação. Acho que a mulher tirou um meio quilo de pele velha do meu corpitcho. Tudo do banho foi incrível, mas o melhor foi me dar conta que eu entraria o ano deixando tudo de antigo para trás.

Então, para quem quer abandonar o velho e fazer uma limpeza legal das suas energias, eu recomendo um banho feito com alecrim ou sálvia, ou os dois. A gente fica com cheiro de tempero, mas são ervas muito eficientes para limpeza de energias discordantes ou negativas, purificação e também de forte proteção. O alecrim dá uma energizada bem legal, uma acordada boa, que tem a ver com o nome da festa (“réveillon” vem do francês e quer dizer despertar) além de ser uma plantinha muito usada nos feitiços de amor. Voilá.

O sal grosso, eu acho um pouco forte demais para nosso lindo, sutil e colorido campo energético. Seria o equivalente a tomar banho com água sanitária. Salvo em raras excessões, seu uso é abrasivo demais e desnecessário.

RÉVEILLON ENTRE OS LENÇÓISmandinga1

Minha última dica não é para amor, mas um banho para “uso da área de lazer”, ou seja, para diversão pura, a princípio sem visar compromisso algum. Se você anda devagar, esse é um banho incrível para tirar a teia de aranha e aproveitar todo o potencial daquele órgão feminino pequeno e fundamental, o único órgão do corpo humano cuja função é exclusivamente o prazer . Talvez o banho dê resultado para homens também, não sei. Se algum menino usar e der certo, me conte depois!

Enfim, tenha ou não um alvo à vista, tome esse banho por sua própria conta e risco.

Os ingredientes:

3 pétalas de rosa

3 paus de canela

3 xícaras de café de sakê

mel

Jogue tudo numa panelinha no fogo e deixe levantar fervura. Desligue e deixe curtir um tempo. Tome banho normal, por último, encha a panelinha com água do chuveiro, diga as palavras do seu encantamento, abençoando a poção. Diga com todas as letras a finalidade daquela mistura e do seu ritual. Não é recomendado dizer o nome da pessoa que você deseja, por razões de livre arbítrio, mas cada um sabe do seu karma. Aí, jogue a mistura sobre o corpo e deixe secar naturalmente.

Boa sorte e feliz 2015!!!!

10a CWED

Agora já finalmente descansada posso contar e registrar minhas aventuras na 10a Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, que ocorreu nos dias 1,2,3, e 4 de agosto, um evento que se repete anualmente em São Paulo desde 2005, mas do qual participei pela primeira vez nesta edição.

E foi uma edição especial, comemorativa, e fiquei muito orgulhosa de fazer parte dessa história.

Zsuzsanna Budapest e eu na abertura da 10a CWED

Zsuzsanna Budapest e eu na abertura da 10a CWED

Fui no ritual de abertura na sexta à noite, que era uma reconstrução do ritual de “abertura da boca”, uma cerimônia sagrada egípcia que consagrava certas estátuas e imagens dos Deuses para que elas se tornassem vivas. Já falei sobre minha experiência com uma estátua viva autêntica de Sekhmet aqui, mas estava curiosíssima para vislumbrar um pouco da cerimônia antiga. De quebra, conheci pessoalmente naquela noite Zsuzsanna Budapest.

No sábado, fui cedinho e acabei ajudando nas traduções das conferencistas internacionais: Z Budapest e Deborah Lipp nas palestras da manhã.

Com a fofíssima e inigualável Sorita d'Este.

Com a fofíssima e inigualável Sorita d’Este.

À tarde, nem sei como, engatei num papo maluco e sem fim com a querida Sorita d’Este, o assunto passeou entre outras coisas por círculos de macieiras, o caldeirão de Gundestrup, Hecate, teatro, vestidos, livros, família, sotaques, mudanças e seres mitológicos. As pessoas curtiram tanto o astral da Sorita, que acho que ela quase podia levar um troféu de Miss Simpatia do evento, isso sem contar na quantidade de bruxos que não queriam mais que ela fosse embora.

Domingo foi dia da minha palestra “Deusas da Pesada: o medo e o fascínio das senhoras da Guerra, da Morte e da Escuridão”. E no escuro Elas me deixaram, que danadas! Preparei uma apresentação com slides lindos, mas não lembrei de levar adaptador para o plug do meu laptop que é daqueles de pinos chatos. Adivinha se o hotel não tinha apenas essas tomadas novas e impossíveis de 3 buracos! Acabou minha bateria no meio do papo e ficamos sem slides, mas o encontro em si foi muito legal. Eu falei um pouco, conversamos todos um pouco, trocando histórias, sensações e experiências, e depois levei todo mundo numa jornada para encontrar minha mãe Sekhmet. palestra3

Os relatos da experiência das pessoas foram interessantíssimos. Teve uma moça que foi lambida por ela, o que é uma atitude já bem conhecida dessa Deusa Leoa, mas que surpreendeu muito a sortuda desavisada. Adorei! Fico muito grata a todo mundo que foi, pela confiança e pela participação. A gente encerrou a tarde tocando a música “Bitch” de Meredith Brooks, que tem tudo a ver com o que conversamos.

traduzindo...

traduzindo…

Na segunda-feira, fui convidada por Claudiney Prieto, organizador do evento, para traduzir os workshops de aprofundamento, e apesar do cansaço inominável no final do dia, valeu cada segundo. Do trabalho com a Z, guardo a música cantada para a água, que agora cantarolo todos os dias no chuveiro: “Water is the first mother”; do papo sobre magia e feitiços com Deborah Lipp, retomei ótimas ideias e conceitos que andavam esquecidos; e do ritual com Sorita d’Este, guardo uma cartinha linda de uma fae com uma mensagem curta e direta que vai me guiar nesse semestre, além de uma deusinha linda que ela trouxe para cada um de Glastonbury.

turma do workshop de aprofundamento com Deborah Lipp (de roxo, ao centro)

turma do workshop de aprofundamento com Deborah Lipp (de roxo, ao centro)

Aliás foi o dia dos presentes. Para me socorrer energeticamente na minha exaustão tradutiva, a amiga Silvia Brianna Bastet me trouxe um dos sprays mágicos dela, e Sorita me presenteou com um livro sobre uma deusa que me ronda, que conversa comigo e com quem eu quero começar a trabalhar também. 20140812_095504

Embora eu esteja postando fotos, quero deixar registrado meu incômodo com as fotografias *durante* os rituais. Ritual, mesmo se mitodrama, mesmo que pareça teatral, não deve ser fotografado, ou talvez apenas por uma ou duas pessoas da organização para guardar como registro. No meu entender, (e isso é minha opinião, cada um tem direito à sua) ou você está dentro ou você está fora de um ritual, não há meio termo. E tirar fotos te põe imediatamente e indiscutivelmente fora, além de ser uma grosseria disparar centenas de flashes por minuto em ambientes escuros desnorteando os outros participantes e os facilitadores.

Proponho às pessoas uma experiência radical: sumam com seus telefones e se façam presentes com *todos* os seus corpos no local onde vocês estão, vivenciando e sorvendo a sacralidade do momento presente. Que tal?