Águas de fontes e rios sagrados

A água é um elemento presente demais nas nossas vidas. Bebemos água, tomamos banho, lavamos as mãos, usamos o vaso sanitário e damos descarga, choramos, lavamos roupa, caminhamos na chuva, ficamos admirados com fotos poéticas de mar, de rio e de cataratas, sonhamos com praias, piscinas ou cachoeiras.

A água exerce um fascínio sobre nós. É fonte de vida, de purificação, de prazer e também de morte. A água afoga ou a água toma e destrói o que está em seu caminho quando há enchente, enxurrada, tsunami, além de nos desesperar por sua falta – seja por causas naturais ou irresponsabilidade humana.

Com tamanha força e presença em nossas vidas, não admira que ao longo da história tenham havido tantos poços, fontes e rios considerados sagrados por diversas culturas. Pela nossa desconexão moderna, vários deles foram esquecidos em sua sacralidade e servem apenas de fonte natural de recursos para nós. Sabemos se o rio Doce que morreu em 2015 pela tragédia e negligência da Samarco não era sagrado e celebrado por populações indígenas? Sabemos de sua importância para as populações ribeirinhas e como fonte de abastecimento de muitas comunidades, mas e como fonte devocional mesmo? O que sabemos sobre esse rio e tantos outros rios brasileiros?

Quem guarda essa informação são os povos nativos, já que a maioria dos locais sagrados para eles estão relacionados a mitos de origem e narrativas históricas. São locais onde ocorreram fatos ligados à criação da humanidade e a origem das etnias. Como é o caso, por exemplo da Cachoeira de Iauretê, no Amapá.

Embora os católicos se utilizem de água benta, e mesmo os protestantes usem água em batismos e outros rituais, os países ocidentais parecem ter perdido esse respeito e amor por um recurso tão importante, mesmo que para os povos do deserto – de onde surgiu a fé cristã –, fontes, rios e oásis eram sim algo muito especial e considerados presentes divinos. Felizmente há algumas fontes ligadas a nomes de santos, e esses locais mantém esse ar místico e transcendental que a água sempre teve.

É comprovado que a água de alguns locais é sim dotada de propriedades curativas especiais, e histórias de todos os tempos refletem milagres e curas ocorridos para gente que consumiu ou se banhou em certas águas. Com essas águas testadas, e verificado seus teores minerais, nosso capitalismo tratou de engarrafá-las para vender como água pura da fonte ou construir ali spas de águas terapêuticas, às quais só se tem acesso ao frequentarmos o local e, claro, pagando um preço.

September 27 2010 One CTA Card in the Fountain

Piscina decorativa na base da escada da Harold Washington Library em Chicago. Moedas e até um cartão de ônibus.

A ideia do poço dos desejos, que pede apenas uma moeda para satisfazer nossos pedidos mais profundos, seja por brincadeira ou superstição, ainda se mantém, e mesmo em prédios públicos as pessoas por vezes insistem em jogar moedas em algum chafariz existente. É o caso da piscina decorativa ao pé da escada da Harold Washington Library em Chicago, onde as pessoas insistem em jogar não só moedas, mas até cartão de passe de ônibus e metrô.

 

Também há lendas de fontes malignas, que traziam doenças a quem dali bebesse, e cujo espírito enviava maldições aos nomes cantados às suas margens. A água é ambígua, e isso acrescenta a seu mistério.

Por sua qualidade que dá e tira a vida, a água é um dos símbolos mais antigos de tudo que é fora do plano material, tudo que é além do visível. É um meio de contato com os espíritos e um meio de receber bênçãos do além. Os mares, chuvas e rios precisavam ser propiciados e acalmados para que nos fossem benevolentes em nossas viagens e travessias, pois a água sempre guardou o desconhecido e deve ser tratada, no mínimo, com muito respeito.

Em culturas de países mais antigos, é notável a presença e a memória dessas águas sagradas, embora muito também haja se perdido. A mania das metrópoles em cobrir seus rios e córregos para esconder o uso a que foram relegados – como esgoto – nos afasta ainda mais da presença da água e nossa responsabilidade sobre esse recurso de que tanto necessitamos.

Quando se viaja, especialmente em busca de lugares espirituais para nós, é comum a visita a lugares de águas sagradas, e, apesar de todos os obstáculos da inspeção alfandegária, também é comum que o viajante traga um pouco dessa água santa de volta para sua casa.

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no Pueblo de Taos, o rio sagrado não pode ser nem tocado por quem não é da reserva.

Há rios sacros que são intocáveis por quem não é dali, como o Blue Lake do povo Pueblo em Taos no Novo México, EUA. Eles acreditam que seu povo se originou do lago, e conseguiram que o governo lhes devolvesse o local, para que os indígenas tivessem acesso irrestrito. O rio Pueblo, que corre em meio à reserva que podemos visitar, nasce nesse lago e é proibido aos visitantes sequer tocar naquela água.

 

O lago Titicaca no Peru é considerado um lago de águas mágicas. Esconde um sem fim de enigmas, histórias e lendas ligados ao misticismo xamânico, à cosmologia inca e à magia. Até o contorno do lago lembra o de um dos animais sagrados para os incas, o puma. O lago também é visto como uma divindade propriamente dita, Mamakhota.

O rio Ganges, na Índia, é o mais venerado do mundo, considerado pelos hindus uma divindade materna, é usado para tudo. Como banheiro, para cremar os mortos ritualisticamente, para se banhar e expiar suas impurezas… é um rio com partes muito poluídas (embora isso em nada pareça deter o fervor dos hindus dedicados), mas com outras de água ainda muito pura. Quem visita conta que é possível pegar dessa água junto à nascente. Tenho uma amiga que guarda uma garrafinha dessa água na geladeira há nove anos. Desde que trouxe de uma viagem.

Essa é outra característica fascinante dessas águas… parecem não sofrer a deterioração comum de outras águas. Algo há… que nove anos depois, a água não tenha mudado nem de gosto, nem de cheiro. Permanece como deve ser, insípida, inodora e incolor.

A Fonte Vermelha e a Fonte Branca ao pé do Tor

England_2015 (178)Em 2015, tive a oportunidade de visitar Glastonbury, uma cidade inglesa que tem lendas e histórias fascinantes. Realmente é um local muito, muito especial, já que ali é a entrada para Avalon. O Tor, o morro de “Ynis Vitrin”, a ilha de vidro, é dominante na paisagem. E a seu pé, nascem duas fontes. A mais famosa é Chalice Well (Fonte do Cálice), sagrada por ser reconhecidamente um local de fortíssima energia da Deusa, uma força feminina que imbui toda a região do poço e seus jardins, onde se pode passar horas relaxando e aproveitando a energia, além de beber da água e lavar-se com ela.

England_2015 (166)Chalice Well apesar de muito anterior ao cristianismo, também entrou no imaginário cristão pois dizem que foi ali que José de Arimateia teria enterrado o santo graal, e, ao fazê-lo, ali brotou uma fonte de água com gosto de sangue. Isso é verdade, a água de Chalice Well tem gosto de sangue, por ser de teor de ferro altíssimo. Nada mais apropriado para uma fonte da força divina feminina do que uma água que tem gosto de sangue, algo com que as mulheres lidam todos os meses. Não só ela tem o gosto, como também é avermelhada e tinge tudo por onde passa, deixando um rastro vermelho em seu percurso, assim também é conhecida como a Fonte Vermelha.England_2015 (164)

Tenho um amigo americano, com o qual perdi contato, que era HIV positivo. Ele ficou anos fazendo treinamento com sacerdotisas em alguma tradição em Glastonbury. Ficou bebendo da água e também fazia monitoramento sanguíneo enquanto esteve lá e depois de retornar. Ele contava que seus índices virais haviam caído de forma vertiginosa, que deixava os médicos americanos embasbacados.

Fiquei hospedada de frente para Chalice Well, enxergava seus jardins da varanda do quarto de nosso Bed & Breakfast. Todos os dias, a qualquer horário, via pessoas que traziam garrafas para buscar a água. Para entrar nos jardins é preciso pagar um valor que fica para a fundação de Chalice Well, porém há uma bica externa ao muro, com acesso livre a qualquer horário. Foi lá que enchi duas garrafas da sagrada água para trazer para casa.

Do outro lado da rua, ou seja, a questão de vinte metros, e também ao pé do Tor, nasce outra fonte: The White Spring. A Fonte Branca tem bem menos ferro, portanto o gosto é com certeza mais palatável, mas é rica em calcário. Por seu sabor mais agradável, foi usada por um tempo como a fonte oficial da cidade, e em sua nascente foi erigida uma construção para conter as cisternas. Dentro é proibido tirar fotos. O ambiente é marcadamente distinto de Chalice Well. É um prédio escuro, úmido, com o ruído da água e uma atmosfera espiritual que remete mais a um templo. É um templo. E ali não há fundação mantenedora, mas um grupo de voluntários que abre a fonte à tarde para visitação pública. Há incenso queimando, velas, altares. Aliás, dois grandes, um para o Deus Cornífero, e outro para a Deusa Mãe. Ficam diametralmente opostos. Andar ali dentro é andar pisando em águas… é bastante mágica a experiência. E completamente diferente da que se tem do outro lado da rua na fonte feminina. A White Spring, tem uma sensação de elevação, algo que nos puxa para cima, que relaxa ao se derramar sobre nós, ao contrário da gravidade reforçada e amorosa que sobe da terra para nos envolver e acolher em Chalice Well. Ali também é possível se banhar e fazer rituais. O grupo de voluntários também conduz rituais ocasionais no local. E, como na outra fonte, há uma bica externa, onde eu enchia minhas garrafas de água diariamente para beber ao longo das muitas caminhadas e passeios.

England_2015 (163)Por ser rica demais em calcário, a cisterna foi desativada porque os canos  constantemente entupiam. Então a fonte foi aposentada no seu papel de abastecimento de água da cidade, e o local permaneceu fechado até o grupo de voluntários assumir.

Por ser rica demais em calcário, a White Spring, deixa um rastro – adivinhe – branco por onde passa.

Não é a coisa mais incrível, fantástica e sagrada? Duas fontes, distantes coisa de vinte metros, deixarem rastros diferentes e tão simbólicos por onde passam? E também descobri que as duas águas se unem em canais subterrâneos e, juntas, abastecem a água do lago que fica dentro da propriedade da abadia de Glastonbury Abbey, que existiu desde o século V e chegou a ser a abadia mais rica e poderosa da Inglaterra até ser destruída por Henrique VIII. (Reza a lenda que o Rei Artur foi enterrado lá com Guinevere).

Usando a água sagrada em casa

Eu também trouxe uma garrafa dessa água da Fonte Branca, e está feliz e linda, junto com a água vermelhinha de Chalice Well na minha geladeira há quase seis meses. Porém, como são garrafas grandes (sim, eu arrisquei mesmo com a alfândega e trouxe no total três litros de água dentro da mala), ocupam espaço, e meu marido anda reclamando.

Então… uma inspiração minha foi de guardar e poder usar essa água em sprays. Uma mistura sagrada para borrifar na aura ou no ambiente, para limpeza e bênção. Optei por combinar com óleos essenciais de acordo com a vibração e efeito que estou buscando.

spraysCriei quatro vidros por enquanto. Alguns com pura água, óleos essenciais e glicerina vegetal, outros com mistura de águas da fonte branca ou da vermelha de Glastonbury
com água desmineralizada e até um pouco de álcool de cereais para ajudar na conservação e evaporação na hora de aplicar.

A água da chuva de dias sagrados na roda do ano é considerada sacra também. É comum coletar essa água e guardar em garrafinhas para usaagua white springr depois em feitiços, talismãs e bênçãos. Outra ideia é guardar água do mar de uma praia muito limpa. O uso é um pouco diferente, por ter sal, ela é basicamente purificadora. Tenho uma garrafa de água do Mariscal, SC há três anos comigo. Segue ótima.

Se você também tem águas sagradas guardadas a sete chaves em algum lugar da sua geladeira e curtiu a ideia de fazer um spray com elas, segue a receita:

Spray para aura ou ambiente

*1 vidro para 120 ml de líquido, com spray

*30 gotas de óleo essencial (boas combinações espirituais e sensoriais são lavanda com olíbano, sândalo com ylang ylang, vetiver com neroli e palmarosa)

*2 colheres de sopa de álcool de cereais ou vodka

*½ colher de chá de glicerina vegetal

* água sagrada ou água desmineralizada (ou uma combinação destas) <120ml, para completar o vidro.

Cristais de água

Masaru Emoto é o japonês que fotografa moléculas de águas congeladas. O trabalho dele é fascinante. Ele não só compara moléculas de água de fontes sagradas do mundo com águas comuns ou até poluídas, mas também compara moléculas do mesmo copo de água antes e depois de receberem uma oração, por exemplo. É impressionante as alterações moleculares que ocorrem sob a ação de sentimentos humanos (eu te amo, eu te odeio), estilos musicais, ou preces de qualquer tipo, rabinos, sufis, cristãos, budistas, e reiki, por exemplo. Considerando que nossos corpos e nosso planeta são compostos de 80% de água, imagine que tipo e força de ação nossos pensamentos individuais e coletivos podem ter sobre essa substância!

Isso também quer dizer que toda e qualquer água pode ser sacralizada ou benta. E é isso que devemos fazer. Abençoar o copo que bebemos, abençoar nosso corpo, enviar sentimentos de amor e bênção às águas que nos rodeiam, mesmo as mais poluídas. Imagine o espírito do rio Tietê… como precisa de atenção e encorajamento.

Um mapa de nossas águas sagradas

Em um país jovem e inconsciente como o nosso, onde ninguém consultou os habitantes nativos e onde, para homenagear e peticionar orixás (que são deuses importados, embora já muito arraigados por aqui), as pessoas entopem o oceano e os rios com material plástico, cabe a nós redescobrirmos e retomarmos o hábito de fazer oferendas naturais, peregrinações e devoções às águas sagradas que existem no nosso território. Eu adoraria que nos lançássemos em uma campanha de pesquisa e busca desses locais. E adoraria que quem já tem algum conhecimento sobre isso ajudasse, apontando suas descobertas aqui em comentários ou em outro lugar! Vamos fazer um mapa de nossos tesouros abençoados aquáticos brasileiros?

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Horário ou anti-horário? Para que lado eu giro?

Sofro de uma angústia terrível com uma prática muito comum da bruxaria e da Wicca aqui no Brasil, com a qual, pessoalmente, não consigo ficar em paz ou entender.

Estou ruminando essa série de postagens há anos, porque minha angústia com o assunto é visceral e sei que vou propor aqui é um desafio à forma de pensar e praticar, mas não deveria ser.

Tendo tido a maior parte do meu treinamento e experiência mágicos no hemisfério norte, tudo fazia sentido natural. Girava-se e lançava-se um círculo no sentido horário (do sol) e o Ar ficava ao Leste, Fogo, ao Sul, Água ao Oeste e Terra, ao Norte. Bem como na maioria dos livros.

Bom, se entendemos que a bruxaria e o neopaganismo têm raízes nas práticas e tradições indígenas da Europa pré-cristã, faz sentido que a maior parte da literatura a respeito dessas tradições nos chegue desse continente e também dos EUA e Canadá que, por terem sido colonizados por ingleses, partilharam de muito do conhecimento oculto que foi escarafunchado, praticado e difundido na época vitoriana.

Certo.

Mas e como ficamos nós, bruxos que praticamos essas técnicas e religiosidade no hemisfério onde tudo fica ao contrário? Sim, porque não são apenas os rituais sazonais que ficam invertidos, (enquanto meus irmãos em Chicago se preparam para celebrar o outono, a gente aqui está chegando na primavera. E quando eles forem dar boas vindas ao inverno em dezembro, estarei suando em bicas com o verão), mas a maioria das correntes energéticas flui ao contrário, não só pelo efeito coriolis, observável nos vórtices de água e muitas vezes na descarga do vaso sanitário, mas pela própria direção na qual se move o sol.

Nosso sol sempre vai nascer ao leste e se pôr no oeste. Fato. Porém, contudo, todavia, entretanto, o percurso do ângulo que ele usa para chegar de um lado a outro é oposto dependendo do hemisfério no qual a gente se encontra.  Se você não estiver exatamente no Equador, ou no grau 22º (Sul no solstício de verão do hemisfério sul, e Norte, no do norte) o sol não passa exatamente a pino por cima da sua cabeça, mas tende à uma inclinação para o horizonte – quanto mais longe do equador você estiver, mais óbvia essa inclinação e mais baixa).

A regra é: o sol sempre vai fazer o percurso de leste a oeste pendendo para a direção da linha do equador. Portanto, se você mora no hemisfério norte, o sol vai rumar de leste a oeste passando pelo SUL. Dando a sensação daquilo que chamamos e conhecemos como “sentido horário”, que é o sentido do relógio – um apetrecho para medir o tempo inventado por europeus por que era o sentido que a sombra se movia no relógio de sol que eles usavam LÁ.

Agora, se você mora no hemisfério sul, o sol vai rumar de leste a oeste passando pelo NORTE. Dando a sensação do que chamamos e conhecemos como “sentido anti-horário”.

Qualquer arquiteto pode confirmar isso para você. Aqui no Brasil, se a gente quer uma casa bem iluminada, há que ter uma face norte com janelas. No Canadá, se suas janelas forem na face norte da casa, você não vê o sol nunca. Ponto final. Isso não é achismo, é astronomia e geografia.

Voltando à bruxaria, Pagãos adoram usar os termos antigos em gaélico ou saxão (baixo alemão antigo). Nessas línguas, que são tradição na Wicca e bastante usadas na bruxaria, usa-se as expressões Deosil e Widdershins para denotar as direções possíveis para lançarmos um círculo e nos movimentarmos nele.

Deosil quer dizer “sunwise” = na direção do sol (vem da mesma raiz do latim “dexter” – destro)

Widdershins quer dizer “lado contrário”.

Quando voltei dos EUA para o Brasil, não consegui praticar magia e fazer nenhum ritual por um bom tempo. Além da necessidade de me reambientar e readaptar, também não conseguia usar nada nórdico aqui, porque não fazia sentido no meu corpo e no meu trabalho mágico.

Minha religião é da terra, do chão, do lugar e do território onde estou. Minha magia também. Como bruxa, é assim que eu me entendo, eu me conecto com o planeta e suas forças naturais no local onde me encontro. Isso é mais forte do que qualquer ideia teórica pra mim.

Constatando que boa maioria dos bruxos brasileiros não arrisca fazer nada diferente do que dizem as bases nórdicas (de um sistema descoberto e convencionado porque funciona no local onde foram criados, no norte), fui em busca de outros bruxos de tradições nórdicas que trabalham e vivenciam essas tradições no sul – ou seja, australianos, sul-africanos e neozelandeses.

E… tá dá!!!! ELES INVERTEM TUDO.

Observe que eles são ingleses de origem e não tem o menor pudor em bagunçar o coreto. Eles não ficam cheios de nove horas ou de dedos para mexer e alterar ideias originárias de uma localidade outra, que claramente não se aplica ao ponto onde estão. Eles são da minha turma. 😉

Foi um alívio tremendo para mim. E algo que verifiquei não apenas em websites, mas livros escritos por bruxos australianos (sem contar os bruxos europeus que mencionam o tempo todo que no hemisfério sul as coisas são invertidas).

Então, se você é um buscador ou buscadora no Brasil, e não está contente em seguir uma regra apenas porque ela se insere em uma sólida egrégora estabelecida, mas quer mais é se conectar com as forças e correntes energéticas valorizando o ponto no planeta onde você trabalha e chama de casa, eu o convido a se juntar à turma que inverte a regra básica para adequar ao lugar que vive.

A direção para a qual a bruxa/bruxo/mago se move em um ritual é muito importante para o tipo de trabalho e energia que se busca, então a ideia é mover-se deosil, com o Sol (no caso brasileiro, anti-horário) para invocar, aumentar a energia, acrescer e entrar em contato com a potência da vida; e contra o Sol, (para nós, o horário), para banir, minguar a energia, encerrar um ritual, ou decrescer algo.

Seguindo esse mesmo sistema, algumas das correspondências de direções também se invertem, para manter a ordem fluída da energia e dos elementos, mas esse é assunto para outro post.

Encerro com a letra e um link para a belíssima canção da australiana Wendy Rule, que vem ainda com a observação entre parênteses. Traduções mais abaixo.

THE CIRCLE SONG ( Do álbum Wolf Sky)

The East the air the sword the mind

The gate that leaves the night behind

The North the sun the flame the fire

The gateway to our souls’ desire

The West the womb the water’s flow

The gateway to the world below

The South the star the silent Earth

The gateway to our souls’ rebirth

(This song casts circle in the Southern hemisphere.

For Northern hemisphere, switch Fire to South,

and Earth to North.)

“A canção do círculo

O Leste o ar a espada a mente

O portal que deixa a noite para trás

 O Norte o sol a chama o fogo

O portal para o desejo da nossa alma

O Oeste o ventre o fluxo d’água

O portal para o mundo abaixo

 O Sul a estrela a Terra silenciosa

O portal para o renascimento da alma

(Esta canção lança o círculo no Hemisfério Sul. Para o Hemisfério Norte, troque o fogo para o Sul e a terra para o Norte.)”