Afinal o que é magia?

Magia, segundo o dicionário é um substantivo feminino que se define como: “arte que pretende agir sobre a natureza e obter resultados contrários às suas leis, por meio de fórmulas ou de ritos mais ou menos secretos, quer utilizando propriedades da matéria que se afirma serem desconhecidas (magia branca), quer fazendo intervir poderes demoníacos (magia negra), feitiçaria; bruxaria.”

Primeiro, a magia tem sempre algum objetivo, e ele precisa ser claro e preciso. Então existe o objetivo, o método e o resultado. Se, no mundo físico, estou em busca de eletricidade, meu método será a criação de um circuito elétrico, cujo resultado é constatado quando a lâmpada acende. Se quero prosperidade, vou criar não só um bom feitiço ou ritual para atrair essa força para minha vida, como vou me empenhar e ficar atenta às oportunidades no mundo prático. O resultado será um ganho melhor e uma tranquilidade para pagar minhas contas e desfrutar de lazer.

Ela pode ser chamada de branca ou negra, numa referência à magia “do bem”, que atrai coisas boas para sua vida ou busca a cura e o bem estar, ou a magia destrutiva que manipula o livre arbítrio alheio ou destrói algo de outra pessoa, levando em conta apenas a vontade e satisfação de quem origina a magia. Uma amarração para o amor, mesmo sendo para o amor, é magia destrutiva e manipulativa.

A definição do dicionário (acima) é equivocada neste sentido, pois coloca como “magia branca” uma magia que usa componentes da natureza, não importando o objetivo, e coloca como “magia negra” aquela que emprega poderes demoníacos. O problema é a definição de demoníaco num país cristão, pois qualquer força que não seja de Jesus é considerada demoníaca, mesmo quando não é demônio. Mesmo se forem espíritos da natureza, que estão te ajudando a operar uma cura, não importa que você explique que é um ser feérico – no cristianismo, um curupira é um demônio, a sereia é um demônio e por aí vai. E, de novo, não fala nada sobre a finalidade da magia.

Ela pode ser também Alta ou Baixa magia. A Alta magia lida num método estruturado para desenvolvimento espiritual e pessoal. A Baixa magia tem relação a alguma forma de manipulação da realidade física, ou seja, feitiços. Em geral, quem tem a bruxaria como caminho espiritual, pratica uma combinação das duas.

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eu, de Hekate moderna

É bacana que no português temos a palavra “magia”, para tratar da definição colocada acima, e temos a palavra “mágica”, que é usada para truques de prestidigitação, da mesma forma que temos uma clara diferença entre as funções de um mago e as de um mágico. No inglês não é assim.

No inglês só existe a palavra “magic” que serve para as duas coisas. Então, para diferenciar o que era ligado a estados e manipulação da realidade através da vontade pessoal, dos truques usados por um David Cooperfield, por exemplo, o mago Aleister Crowley, que adorava ser diferentão e causar muito, cunhou a grafia “magick”, para distinguir as duas e deixar claro que “magick” era o método dele, que tratava a magia como “a arte e a ciência para provocar mudanças segundo nossa vontade”. Essa grafia ficou tão difundida que hoje a norma é escrever assim em toda a literatura americana ou britânica sobre o tema.

A grande atração da magia é sua capacidade de causar transformações no plano físico se utilizando de meios não-físicos. E para a ação da força mágica, as leis físicas de tempo e distância não se aplicam.

Durante séculos a ciência e a magia estiveram em posições diametralmente opostas, no campo de batalha. Não havia uma linguagem comum, e a magia era descartada como superstição e irrealidade. A ciência por todo esse tempo debochou e menosprezou de tudo que era relacionado ao mundo das forças espirituais.

Com a popularização de certos conceitos da física quântica, há uma animação geral de que a ciência e a magia estão finalmente encontrando um ponto comum, estão começando a se entender e se explicar. Afinal, a magia do passado seria a ciência do futuro, pois tanta coisa que era entendida como feitiço antigamente hoje é passível de explicação científica, e é possível que daqui um tempo a física incorpore a magia dentro de seu rol das forças naturais.

Enquanto isso, ando refletindo sobre esse uso cada vez mais constante de tentar se calcar nas explicações da física quântica para explicar o que fazemos. Se a ciência nunca esteve nem aí pra nós, e os bruxos e sensitivos seguiam cumprindo suas devidas funções mesmo em meio ao total descrédito das instituições científicas, por que diabos estamos tão preocupados em nos provar decentes e verdadeiros agora usando explicações justamente de quem nunca esteve a nosso favor? É algo para pensar.

Que tanta necessidade tenho eu de provar meu valor dentro do establishment quando esse establishment nunca foi gentil com meus iguais? Que ótimo que a ciência está encontrando explicações nos seus moldes para o que desde sempre é vivenciado pela humanidade, mas eu não tenho que me valer dos parcos conhecimentos e provas científicas nessas áreas para explicar aquilo que eu faço e que é muito maior do que eles conseguiram descobrir. Se a ciência está engatinhando nessas questões, não me acrescenta nada usá-la.

Viver a magia é admitir que existe um mundo muito real de forças espirituais que coexiste com a realidade física. Este outro mundo e seus habitantes podem ser acessados e contatados em busca de cooperação. E também é viver atento ao fato de que o pensamento é uma força criadora, que influenciamos sim nossa realidade, não de forma vã e simplificada, mas que nossa observação, foco e energia alimentam certos canais e furtam-se de perceber outros. De acordo com nossos padrões, vamos repetindo nossas experiências de vida e nossos erros, não sabemos usar esse nosso incrível poder criativo.

Essa influência que podemos ter é mais facilmente compreendida se entendermos o universo como holográfico, com cada fragmento sendo um espelho do todo, e é por isso que temos acesso a esse todo, sendo a grande via de acesso o subconsciente. Mas quem é que consegue saber de fato tudo o que lhe vai no subconsciente? É o subconsciente que acaba criando essas experiências todas que vivemos, então vamos no automático, lidando com realidades formadas inconscientemente por nós.

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Grupo Terra Mysterium de Chicago, IL, 2009. Sou a segunda da direita para a esquerda.

Trazer as sombras para a luz não é só extremamente curativo, mas extremamente forte e prático. É conseguirmos canalizar nossas pulsões e forças interiores como correntes a nosso favor, como no arcano VII do Tarot, o Carro, onde o homem controla e comanda um cavalo branco e um preto, com cada um insistindo em andar para um lado diferente. Aliar o pensamento criativo com a emoção limpa e clara, os dois em uníssono, é o que provoca mudanças objetivas via experiências subjetivas.

Os bons resultados se dão quando sentimos que verdadeiramente somos merecedores daquilo. Se não nos acreditamos merecedores de amor, então o amor não virá, não importa que feitiços eu faça. Os feitiços primeiro deveriam ser voltados para me sentir digna de ser amada, e, só com isso resolvido, partiria então para atrair um amor. Mas trabalhar em etapas exige muito autoconhecimento, algo que não é todo mundo que tem coragem de empreender.

Então o objetivo é sempre provocar uma mudança, o método tem a ver com entrar em contato com as energias e forças mais apropriadas do outro mundo para ajudar na tarefa, e o resultado virá em acordo com nossa real intenção.

Porém às vezes o resultado é outro, ou nenhum. A magia é, por natureza, imprecisa.

Coisas que ajudam muito:

  • Já no preparo para um ritual e durante todo o tempo em que se faz o ritual, deve-se pensar, visualizar e sentir o objetivo como já tendo acontecido, não no futuro, mas no presente.
  • Um estado de consciência levemente alterado é necessário para ser eficaz, não podemos estar tensos. O relaxamento e a tranquilidade fazem com que tudo ande melhor. Atenção, o estado alterado é alcançado naturalmente, sem o uso de substâncias externas a nós.
  • Esforço demais parece afugentar o que queremos. Precisamos lançar a energia e esperar que a coisa se desenrole. Por isso devemos fazer o ritual, o feitiço, a simpatia, como que celebrando algo já conquistado e, então, imediatamente depois, deixar pra lá. Fazer outra coisa, ver TV, sair com amigos, mudar o foco completamente.
  • Entender que a vibração só pode ser feita numa única direção: ou é contra ou é a favor de algo, ou atrai ou repele. Não posso fazer um feitiço que ao mesmo tempo me proteja e afaste todo o mal. Ou é proteção ou é para afastar o mal. São movimentos contrários, e misturar os dois, nem que seja na forma com que se fala, pode dar um super tilt, um choque de forças, resultando – na melhor das hipóteses – em coisa nenhuma. Fique aliviado se o resultado for igual a nada. Porque um choque de forças grande, colocando muitas intenções misturadas num trabalho só, pode dar em algo que bagunça e desanda a tua vida seriamente. Falo por experiência.
  • Atenção a horas planetárias, dia da semana, estação do ano e lugar/ambiente em que se faz algo afeta muito, especialmente na psicologia do mago, e isso tem um resultado direto e potencializante.

Seguir receitas antigas e testadas pode ajudar ou limitar. Se estiver inseguro de suas pesquisas, vá no que já foi feito. Do contrário, sinta-se livre para criar uma invencionice cuidadosa, sempre evitando misturar ingredientes e ideias que possam ser divergentes.  Estudar as correspondências é fundamental para não fazer um feitiço de fogo usando ingredientes relativos ao elemento água, por exemplo.

Menos é mais, vá no simples, e confie também naquilo que te ocorre espontaneamente, seja um gesto, um sopro, um prato que você cozinha, algo feito na hora usando o que se tem em casa, ou até um simples desejo ao avistar uma estrela.

Estude muito, estude sempre, mas ouça também a sabedoria singela que habita seu interior.

Águas de fontes e rios sagrados

A água é um elemento presente demais nas nossas vidas. Bebemos água, tomamos banho, lavamos as mãos, usamos o vaso sanitário e damos descarga, choramos, lavamos roupa, caminhamos na chuva, ficamos admirados com fotos poéticas de mar, de rio e de cataratas, sonhamos com praias, piscinas ou cachoeiras.

A água exerce um fascínio sobre nós. É fonte de vida, de purificação, de prazer e também de morte. A água afoga ou a água toma e destrói o que está em seu caminho quando há enchente, enxurrada, tsunami, além de nos desesperar por sua falta – seja por causas naturais ou irresponsabilidade humana.

Com tamanha força e presença em nossas vidas, não admira que ao longo da história tenham havido tantos poços, fontes e rios considerados sagrados por diversas culturas. Pela nossa desconexão moderna, vários deles foram esquecidos em sua sacralidade e servem apenas de fonte natural de recursos para nós. Sabemos se o rio Doce que morreu em 2015 pela tragédia e negligência da Samarco não era sagrado e celebrado por populações indígenas? Sabemos de sua importância para as populações ribeirinhas e como fonte de abastecimento de muitas comunidades, mas e como fonte devocional mesmo? O que sabemos sobre esse rio e tantos outros rios brasileiros?

Quem guarda essa informação são os povos nativos, já que a maioria dos locais sagrados para eles estão relacionados a mitos de origem e narrativas históricas. São locais onde ocorreram fatos ligados à criação da humanidade e a origem das etnias. Como é o caso, por exemplo da Cachoeira de Iauretê, no Amapá.

Embora os católicos se utilizem de água benta, e mesmo os protestantes usem água em batismos e outros rituais, os países ocidentais parecem ter perdido esse respeito e amor por um recurso tão importante, mesmo que para os povos do deserto – de onde surgiu a fé cristã –, fontes, rios e oásis eram sim algo muito especial e considerados presentes divinos. Felizmente há algumas fontes ligadas a nomes de santos, e esses locais mantém esse ar místico e transcendental que a água sempre teve.

É comprovado que a água de alguns locais é sim dotada de propriedades curativas especiais, e histórias de todos os tempos refletem milagres e curas ocorridos para gente que consumiu ou se banhou em certas águas. Com essas águas testadas, e verificado seus teores minerais, nosso capitalismo tratou de engarrafá-las para vender como água pura da fonte ou construir ali spas de águas terapêuticas, às quais só se tem acesso ao frequentarmos o local e, claro, pagando um preço.

September 27 2010 One CTA Card in the Fountain

Piscina decorativa na base da escada da Harold Washington Library em Chicago. Moedas e até um cartão de ônibus.

A ideia do poço dos desejos, que pede apenas uma moeda para satisfazer nossos pedidos mais profundos, seja por brincadeira ou superstição, ainda se mantém, e mesmo em prédios públicos as pessoas por vezes insistem em jogar moedas em algum chafariz existente. É o caso da piscina decorativa ao pé da escada da Harold Washington Library em Chicago, onde as pessoas insistem em jogar não só moedas, mas até cartão de passe de ônibus e metrô.

 

Também há lendas de fontes malignas, que traziam doenças a quem dali bebesse, e cujo espírito enviava maldições aos nomes cantados às suas margens. A água é ambígua, e isso acrescenta a seu mistério.

Por sua qualidade que dá e tira a vida, a água é um dos símbolos mais antigos de tudo que é fora do plano material, tudo que é além do visível. É um meio de contato com os espíritos e um meio de receber bênçãos do além. Os mares, chuvas e rios precisavam ser propiciados e acalmados para que nos fossem benevolentes em nossas viagens e travessias, pois a água sempre guardou o desconhecido e deve ser tratada, no mínimo, com muito respeito.

Em culturas de países mais antigos, é notável a presença e a memória dessas águas sagradas, embora muito também haja se perdido. A mania das metrópoles em cobrir seus rios e córregos para esconder o uso a que foram relegados – como esgoto – nos afasta ainda mais da presença da água e nossa responsabilidade sobre esse recurso de que tanto necessitamos.

Quando se viaja, especialmente em busca de lugares espirituais para nós, é comum a visita a lugares de águas sagradas, e, apesar de todos os obstáculos da inspeção alfandegária, também é comum que o viajante traga um pouco dessa água santa de volta para sua casa.

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no Pueblo de Taos, o rio sagrado não pode ser nem tocado por quem não é da reserva.

Há rios sacros que são intocáveis por quem não é dali, como o Blue Lake do povo Pueblo em Taos no Novo México, EUA. Eles acreditam que seu povo se originou do lago, e conseguiram que o governo lhes devolvesse o local, para que os indígenas tivessem acesso irrestrito. O rio Pueblo, que corre em meio à reserva que podemos visitar, nasce nesse lago e é proibido aos visitantes sequer tocar naquela água.

 

O lago Titicaca no Peru é considerado um lago de águas mágicas. Esconde um sem fim de enigmas, histórias e lendas ligados ao misticismo xamânico, à cosmologia inca e à magia. Até o contorno do lago lembra o de um dos animais sagrados para os incas, o puma. O lago também é visto como uma divindade propriamente dita, Mamakhota.

O rio Ganges, na Índia, é o mais venerado do mundo, considerado pelos hindus uma divindade materna, é usado para tudo. Como banheiro, para cremar os mortos ritualisticamente, para se banhar e expiar suas impurezas… é um rio com partes muito poluídas (embora isso em nada pareça deter o fervor dos hindus dedicados), mas com outras de água ainda muito pura. Quem visita conta que é possível pegar dessa água junto à nascente. Tenho uma amiga que guarda uma garrafinha dessa água na geladeira há nove anos. Desde que trouxe de uma viagem.

Essa é outra característica fascinante dessas águas… parecem não sofrer a deterioração comum de outras águas. Algo há… que nove anos depois, a água não tenha mudado nem de gosto, nem de cheiro. Permanece como deve ser, insípida, inodora e incolor.

A Fonte Vermelha e a Fonte Branca ao pé do Tor

England_2015 (178)Em 2015, tive a oportunidade de visitar Glastonbury, uma cidade inglesa que tem lendas e histórias fascinantes. Realmente é um local muito, muito especial, já que ali é a entrada para Avalon. O Tor, o morro de “Ynis Vitrin”, a ilha de vidro, é dominante na paisagem. E a seu pé, nascem duas fontes. A mais famosa é Chalice Well (Fonte do Cálice), sagrada por ser reconhecidamente um local de fortíssima energia da Deusa, uma força feminina que imbui toda a região do poço e seus jardins, onde se pode passar horas relaxando e aproveitando a energia, além de beber da água e lavar-se com ela.

England_2015 (166)Chalice Well apesar de muito anterior ao cristianismo, também entrou no imaginário cristão pois dizem que foi ali que José de Arimateia teria enterrado o santo graal, e, ao fazê-lo, ali brotou uma fonte de água com gosto de sangue. Isso é verdade, a água de Chalice Well tem gosto de sangue, por ser de teor de ferro altíssimo. Nada mais apropriado para uma fonte da força divina feminina do que uma água que tem gosto de sangue, algo com que as mulheres lidam todos os meses. Não só ela tem o gosto, como também é avermelhada e tinge tudo por onde passa, deixando um rastro vermelho em seu percurso, assim também é conhecida como a Fonte Vermelha.England_2015 (164)

Tenho um amigo americano, com o qual perdi contato, que era HIV positivo. Ele ficou anos fazendo treinamento com sacerdotisas em alguma tradição em Glastonbury. Ficou bebendo da água e também fazia monitoramento sanguíneo enquanto esteve lá e depois de retornar. Ele contava que seus índices virais haviam caído de forma vertiginosa, que deixava os médicos americanos embasbacados.

Fiquei hospedada de frente para Chalice Well, enxergava seus jardins da varanda do quarto de nosso Bed & Breakfast. Todos os dias, a qualquer horário, via pessoas que traziam garrafas para buscar a água. Para entrar nos jardins é preciso pagar um valor que fica para a fundação de Chalice Well, porém há uma bica externa ao muro, com acesso livre a qualquer horário. Foi lá que enchi duas garrafas da sagrada água para trazer para casa.

Do outro lado da rua, ou seja, a questão de vinte metros, e também ao pé do Tor, nasce outra fonte: The White Spring. A Fonte Branca tem bem menos ferro, portanto o gosto é com certeza mais palatável, mas é rica em calcário. Por seu sabor mais agradável, foi usada por um tempo como a fonte oficial da cidade, e em sua nascente foi erigida uma construção para conter as cisternas. Dentro é proibido tirar fotos. O ambiente é marcadamente distinto de Chalice Well. É um prédio escuro, úmido, com o ruído da água e uma atmosfera espiritual que remete mais a um templo. É um templo. E ali não há fundação mantenedora, mas um grupo de voluntários que abre a fonte à tarde para visitação pública. Há incenso queimando, velas, altares. Aliás, dois grandes, um para o Deus Cornífero, e outro para a Deusa Mãe. Ficam diametralmente opostos. Andar ali dentro é andar pisando em águas… é bastante mágica a experiência. E completamente diferente da que se tem do outro lado da rua na fonte feminina. A White Spring, tem uma sensação de elevação, algo que nos puxa para cima, que relaxa ao se derramar sobre nós, ao contrário da gravidade reforçada e amorosa que sobe da terra para nos envolver e acolher em Chalice Well. Ali também é possível se banhar e fazer rituais. O grupo de voluntários também conduz rituais ocasionais no local. E, como na outra fonte, há uma bica externa, onde eu enchia minhas garrafas de água diariamente para beber ao longo das muitas caminhadas e passeios.

England_2015 (163)Por ser rica demais em calcário, a cisterna foi desativada porque os canos  constantemente entupiam. Então a fonte foi aposentada no seu papel de abastecimento de água da cidade, e o local permaneceu fechado até o grupo de voluntários assumir.

Por ser rica demais em calcário, a White Spring, deixa um rastro – adivinhe – branco por onde passa.

Não é a coisa mais incrível, fantástica e sagrada? Duas fontes, distantes coisa de vinte metros, deixarem rastros diferentes e tão simbólicos por onde passam? E também descobri que as duas águas se unem em canais subterrâneos e, juntas, abastecem a água do lago que fica dentro da propriedade da abadia de Glastonbury Abbey, que existiu desde o século V e chegou a ser a abadia mais rica e poderosa da Inglaterra até ser destruída por Henrique VIII. (Reza a lenda que o Rei Artur foi enterrado lá com Guinevere).

Usando a água sagrada em casa

Eu também trouxe uma garrafa dessa água da Fonte Branca, e está feliz e linda, junto com a água vermelhinha de Chalice Well na minha geladeira há quase seis meses. Porém, como são garrafas grandes (sim, eu arrisquei mesmo com a alfândega e trouxe no total três litros de água dentro da mala), ocupam espaço, e meu marido anda reclamando.

Então… uma inspiração minha foi de guardar e poder usar essa água em sprays. Uma mistura sagrada para borrifar na aura ou no ambiente, para limpeza e bênção. Optei por combinar com óleos essenciais de acordo com a vibração e efeito que estou buscando.

spraysCriei quatro vidros por enquanto. Alguns com pura água, óleos essenciais e glicerina vegetal, outros com mistura de águas da fonte branca ou da vermelha de Glastonbury
com água desmineralizada e até um pouco de álcool de cereais para ajudar na conservação e evaporação na hora de aplicar.

A água da chuva de dias sagrados na roda do ano é considerada sacra também. É comum coletar essa água e guardar em garrafinhas para usaagua white springr depois em feitiços, talismãs e bênçãos. Outra ideia é guardar água do mar de uma praia muito limpa. O uso é um pouco diferente, por ter sal, ela é basicamente purificadora. Tenho uma garrafa de água do Mariscal, SC há três anos comigo. Segue ótima.

Se você também tem águas sagradas guardadas a sete chaves em algum lugar da sua geladeira e curtiu a ideia de fazer um spray com elas, segue a receita:

Spray para aura ou ambiente

*1 vidro para 120 ml de líquido, com spray

*30 gotas de óleo essencial (boas combinações espirituais e sensoriais são lavanda com olíbano, sândalo com ylang ylang, vetiver com neroli e palmarosa)

*2 colheres de sopa de álcool de cereais ou vodka

*½ colher de chá de glicerina vegetal

* água sagrada ou água desmineralizada (ou uma combinação destas) <120ml, para completar o vidro.

Cristais de água

Masaru Emoto é o japonês que fotografa moléculas de águas congeladas. O trabalho dele é fascinante. Ele não só compara moléculas de água de fontes sagradas do mundo com águas comuns ou até poluídas, mas também compara moléculas do mesmo copo de água antes e depois de receberem uma oração, por exemplo. É impressionante as alterações moleculares que ocorrem sob a ação de sentimentos humanos (eu te amo, eu te odeio), estilos musicais, ou preces de qualquer tipo, rabinos, sufis, cristãos, budistas, e reiki, por exemplo. Considerando que nossos corpos e nosso planeta são compostos de 80% de água, imagine que tipo e força de ação nossos pensamentos individuais e coletivos podem ter sobre essa substância!

Isso também quer dizer que toda e qualquer água pode ser sacralizada ou benta. E é isso que devemos fazer. Abençoar o copo que bebemos, abençoar nosso corpo, enviar sentimentos de amor e bênção às águas que nos rodeiam, mesmo as mais poluídas. Imagine o espírito do rio Tietê… como precisa de atenção e encorajamento.

Um mapa de nossas águas sagradas

Em um país jovem e inconsciente como o nosso, onde ninguém consultou os habitantes nativos e onde, para homenagear e peticionar orixás (que são deuses importados, embora já muito arraigados por aqui), as pessoas entopem o oceano e os rios com material plástico, cabe a nós redescobrirmos e retomarmos o hábito de fazer oferendas naturais, peregrinações e devoções às águas sagradas que existem no nosso território. Eu adoraria que nos lançássemos em uma campanha de pesquisa e busca desses locais. E adoraria que quem já tem algum conhecimento sobre isso ajudasse, apontando suas descobertas aqui em comentários ou em outro lugar! Vamos fazer um mapa de nossos tesouros abençoados aquáticos brasileiros?

Horário ou anti-horário? Para que lado eu giro?

Sofro de uma angústia terrível com uma prática muito comum da bruxaria e da Wicca aqui no Brasil, com a qual, pessoalmente, não consigo ficar em paz ou entender.

Estou ruminando essa série de postagens há anos, porque minha angústia com o assunto é visceral e sei que vou propor aqui é um desafio à forma de pensar e praticar, mas não deveria ser.

Tendo tido a maior parte do meu treinamento e experiência mágicos no hemisfério norte, tudo fazia sentido natural. Girava-se e lançava-se um círculo no sentido horário (do sol) e o Ar ficava ao Leste, Fogo, ao Sul, Água ao Oeste e Terra, ao Norte. Bem como na maioria dos livros.

Bom, se entendemos que a bruxaria e o neopaganismo têm raízes nas práticas e tradições indígenas da Europa pré-cristã, faz sentido que a maior parte da literatura a respeito dessas tradições nos chegue desse continente e também dos EUA e Canadá que, por terem sido colonizados por ingleses, partilharam de muito do conhecimento oculto que foi escarafunchado, praticado e difundido na época vitoriana.

Certo.

Mas e como ficamos nós, bruxos que praticamos essas técnicas e religiosidade no hemisfério onde tudo fica ao contrário? Sim, porque não são apenas os rituais sazonais que ficam invertidos, (enquanto meus irmãos em Chicago se preparam para celebrar o outono, a gente aqui está chegando na primavera. E quando eles forem dar boas vindas ao inverno em dezembro, estarei suando em bicas com o verão), mas a maioria das correntes energéticas flui ao contrário, não só pelo efeito coriolis, observável nos vórtices de água e muitas vezes na descarga do vaso sanitário, mas pela própria direção na qual se move o sol.

Nosso sol sempre vai nascer ao leste e se pôr no oeste. Fato. Porém, contudo, todavia, entretanto, o percurso do ângulo que ele usa para chegar de um lado a outro é oposto dependendo do hemisfério no qual a gente se encontra.  Se você não estiver exatamente no Equador, ou no grau 22º (Sul no solstício de verão do hemisfério sul, e Norte, no do norte) o sol não passa exatamente a pino por cima da sua cabeça, mas tende à uma inclinação para o horizonte – quanto mais longe do equador você estiver, mais óbvia essa inclinação e mais baixa).

A regra é: o sol sempre vai fazer o percurso de leste a oeste pendendo para a direção da linha do equador. Portanto, se você mora no hemisfério norte, o sol vai rumar de leste a oeste passando pelo SUL. Dando a sensação daquilo que chamamos e conhecemos como “sentido horário”, que é o sentido do relógio – um apetrecho para medir o tempo inventado por europeus por que era o sentido que a sombra se movia no relógio de sol que eles usavam LÁ.

Agora, se você mora no hemisfério sul, o sol vai rumar de leste a oeste passando pelo NORTE. Dando a sensação do que chamamos e conhecemos como “sentido anti-horário”.

Qualquer arquiteto pode confirmar isso para você. Aqui no Brasil, se a gente quer uma casa bem iluminada, há que ter uma face norte com janelas. No Canadá, se suas janelas forem na face norte da casa, você não vê o sol nunca. Ponto final. Isso não é achismo, é astronomia e geografia.

Voltando à bruxaria, Pagãos adoram usar os termos antigos em gaélico ou saxão (baixo alemão antigo). Nessas línguas, que são tradição na Wicca e bastante usadas na bruxaria, usa-se as expressões Deosil e Widdershins para denotar as direções possíveis para lançarmos um círculo e nos movimentarmos nele.

Deosil quer dizer “sunwise” = na direção do sol (vem da mesma raiz do latim “dexter” – destro)

Widdershins quer dizer “lado contrário”.

Quando voltei dos EUA para o Brasil, não consegui praticar magia e fazer nenhum ritual por um bom tempo. Além da necessidade de me reambientar e readaptar, também não conseguia usar nada nórdico aqui, porque não fazia sentido no meu corpo e no meu trabalho mágico.

Minha religião é da terra, do chão, do lugar e do território onde estou. Minha magia também. Como bruxa, é assim que eu me entendo, eu me conecto com o planeta e suas forças naturais no local onde me encontro. Isso é mais forte do que qualquer ideia teórica pra mim.

Constatando que boa maioria dos bruxos brasileiros não arrisca fazer nada diferente do que dizem as bases nórdicas (de um sistema descoberto e convencionado porque funciona no local onde foram criados, no norte), fui em busca de outros bruxos de tradições nórdicas que trabalham e vivenciam essas tradições no sul – ou seja, australianos, sul-africanos e neozelandeses.

E… tá dá!!!! ELES INVERTEM TUDO.

Observe que eles são ingleses de origem e não tem o menor pudor em bagunçar o coreto. Eles não ficam cheios de nove horas ou de dedos para mexer e alterar ideias originárias de uma localidade outra, que claramente não se aplica ao ponto onde estão. Eles são da minha turma. 😉

Foi um alívio tremendo para mim. E algo que verifiquei não apenas em websites, mas livros escritos por bruxos australianos (sem contar os bruxos europeus que mencionam o tempo todo que no hemisfério sul as coisas são invertidas).

Então, se você é um buscador ou buscadora no Brasil, e não está contente em seguir uma regra apenas porque ela se insere em uma sólida egrégora estabelecida, mas quer mais é se conectar com as forças e correntes energéticas valorizando o ponto no planeta onde você trabalha e chama de casa, eu o convido a se juntar à turma que inverte a regra básica para adequar ao lugar que vive.

A direção para a qual a bruxa/bruxo/mago se move em um ritual é muito importante para o tipo de trabalho e energia que se busca, então a ideia é mover-se deosil, com o Sol (no caso brasileiro, anti-horário) para invocar, aumentar a energia, acrescer e entrar em contato com a potência da vida; e contra o Sol, (para nós, o horário), para banir, minguar a energia, encerrar um ritual, ou decrescer algo.

Seguindo esse mesmo sistema, algumas das correspondências de direções também se invertem, para manter a ordem fluída da energia e dos elementos, mas esse é assunto para outro post.

Encerro com a letra e um link para a belíssima canção da australiana Wendy Rule, que vem ainda com a observação entre parênteses. Traduções mais abaixo.

THE CIRCLE SONG ( Do álbum Wolf Sky)

The East the air the sword the mind

The gate that leaves the night behind

The North the sun the flame the fire

The gateway to our souls’ desire

The West the womb the water’s flow

The gateway to the world below

The South the star the silent Earth

The gateway to our souls’ rebirth

(This song casts circle in the Southern hemisphere.

For Northern hemisphere, switch Fire to South,

and Earth to North.)

“A canção do círculo

O Leste o ar a espada a mente

O portal que deixa a noite para trás

 O Norte o sol a chama o fogo

O portal para o desejo da nossa alma

O Oeste o ventre o fluxo d’água

O portal para o mundo abaixo

 O Sul a estrela a Terra silenciosa

O portal para o renascimento da alma

(Esta canção lança o círculo no Hemisfério Sul. Para o Hemisfério Norte, troque o fogo para o Sul e a terra para o Norte.)”

A Bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração de um herege…

Vou inaugurar algo novo neste blog.  Como tenho amigos internacionais que escrevem coisas lindas, mas que não têm material disponível em português, vou passar a fazer algumas traduções pontuais e compartilhar aqui. Vou começar por um texto de Gede Parma, um bruxo amigo (e agora também meu professor) que tem três livros muito legais publicados. Ele agora está em Bali, mas cresceu na Austrália, e muito do meu interesse pelos bruxos australianos veio por conta de partilharmos do mesmo hemisfério terrestre, o que traz características especiais para nosso trabalho mágico.

Enfim, sem mais, vou proceder com o ótimo e poético texto que ele publicou originalmente em 22 de abril no blog da página dele. Bruxos e bruxas, com vocês, Gede Parma:

“A Bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração de um herege…

Hoje, muita gente vê a Bruxaria – em suas várias modalidades – como um resgate das feitiçarias pagãs pré-cristãs e o xamanismo ancestral de nossos antepassados europeus. Sim, ela é. E, no entanto, a Bruxaria pertence a uma História, é uma Medicina Mítica nascida da terrível união entre serpentes de fogo, o povo escondido dos ocos dos morros e aqueles com língua serpentiforme que testemunham tudo isso – a magia humana se encontra com o fogo do outro mundo, e a Árvore do Conhecimento oferece seus frutos.

As famílias particulares e os clãs de Craft de hoje contam lendas sobre anjos decaídos, gnose Luciferiana, irmãs Feéricas no vento e nos rios, da sabedoria dos mortos, nossos amados e poderosos ancestrais, e essa é uma conversa, um confronto, uma interrogação. Nossa conversa não se encerrou com a corrupção da Igreja de Constantino e a conversão gradual da Europa, África e Oriente Próximo às crenças abraâmicas. Isso foi, claro, o começo de um genocídio cultural que a população profundamente ferida da Europa propagou em seus navios coloniais como uma doença, levada a quase todos os cantos do planeta. Essa é uma doença que Bruxos conhecem bem. Ele surge para combater esse tirano, aqueles que de propósito decidem empunhar essa monstruosidade. Ele nasce para conjurar a Arte e a Consciência para dentro das pessoas e abrir à força nossos corações um pouco mais para a Beleza. Dançamos com demônios para que saibamos como estraçalhá-los, e os antigos deuses nos ajudam, enquanto somos nós estraçalhados para renascermos em um Fogo Alquímico que nos leva ao Fio da Navalha. Palavras aqui sussurradas vão reformular o Mundo.

Sim sou Bruxo. Sou Pagão às vezes, sou pagão a maior parte do tempo. Tenho de ser animista com as samambaias e as flores, cantando para a glória do pó anterior, que existe sob o peso do asfalto e do concreto, espirais de aço no desenho das cidades. Preciso sê-lo com rios tóxicos e ar poluído, eu o inspiro e ele se move em mim. Tento provar e absorver o veneno e transmutá-lo num bálsamo de cura, uma canção corvídea radical que vai consertar a quebra. Sei como voar no Vento, mas esse conhecimento, e até mesmo essa ação, é apenas verdadeiramente da Bruxaria quando inserido em um contexto de muitos, de uma comunidade dos que transitam no mistério. Abençoados sejam os guerreiros dessas últimas palavras… Lee Morgan, Peter Grey, Oberyn Huldren, Ravyn Stanfield…

Uma famosa líder da Bruxaria Moderna, que é em geral considerada como New Age ou uma pastora excessivamente politizada, na verdade explica o âmago da Bruxaria para os iniciados quando diz: “A Bruxaria é a tradição secreta iniciatória da Deusa da Europa e do Oriente Próximo.” No coração de nossa Bruxaria está a Deusa, Nossa Senhora. É a Verdade, a Sabedoria, o Amor. Mas não paramos nossa conversa nas cavernas; levamos nossas antigas e profundas alianças com aqueles espíritos ancestrais e os mistérios e infiltramos capelas e catedrais, onde eles construíram suas casas para Deus, conhecendo a estratégia deles. Esses pagãos imundos, esse vadios gentios, precisam vir até esses poços, onde essas linhas de poder convergem nesta terra, precisam vir até onde nós derrubamos os bosques do demônio, então é aqui que vamos construir. E então nós fomos – meus ancestrais, e provavelmente os seus também, foram – e, primeiro, por baixo de nossas preces ao Cristo, Maria e os santos, nós sussurramos e lembramos de outros Nomes, outros Poderes, até que um dia não lembramos mais. Há uma Casa Secreta que guarda essa memória, beba dessa Água e talvez vá recordar. Sim, isso era pagão, a religião da própria terra, mas o segredo das bruxas mesmo na barriga do algoz. Conhecemos o comportamento das feras, bestas saudáveis, fortes, vívidas, ou lembramos de como as coisas deveriam ser.

Sou herege. Mantenho santuários com luzes iluminando o rosto dos Santos, de Maria, de Jesus. Sussurro seus Nomes junto a outros Nomes – os Antigos são alimentados, regozijam, re-lembram, como eu relembro. Tenho uma faca e um cálice diante de Maria; invada minha casa, caçador, sim, há heresia aqui… que a fidelidade da casa, a antiga providência do coração, seja meu escudo. As bruxas sobem pelas chaminés, levadas pela fumaça de nossas plantas sagradas, pactos que fizemos há muito tempo, e alçamos voo para nos comprometermos com o desdobrar das obras do próprio Destino. Sempre, como a raposa voadora, como a lebre saltitante, aparentemente delicados e mansos, mas verdadeiramente astuciosos, escapamos de seu ávido domínio.

Ordens enviadas para nos pacificar e oprimir são desmontadas quando as subvertemos de dentro para fora. Nunca deixamos de conversar nossas conspirações corvídeas, nossas catedrais de congregação encobertas pela noite. Nossos ritos não são relíquias, são bestas vivas e famintas. Elas nos tiram de nossas camas à noite para que cruzemos o limiar do lar colhido conjurando poderes ctônicos que se erguem do frêmito terrestre. Buchadas soturnas são evacuadas, enquanto sonhos urdidos em tranças fortes e ancestrais de luxúria nos levam de volta para casa e uns para os outros. Reunimo-nos em grupos de mais de três, nas encruzilhadas e em chãos tortuosos e desparelhos, para encantar e perturbar as burocracias do tempo e o gasto energético da elite. A sombra da tirania capitalista afoga as Pessoas e o Planeta. Foi para isso que nascemos, e Antigas Casas são ressuscitadas. Aradia, Jack, Robin da Arte, Jeanne da Árvore, fervilhamos no espaço entre as palavras nos livros de história… o mundo jamais esqueceu de verdade… assombramos e levamos vivacidade aonde apenas a aridez do coração parece governar… Chegamos com um tição feito das cinzas de nossos Companheiros Decaídos e as brasas das cavernas, nossos espíritos acenderam a Fagulha uma vez mais.

Esgueiramo-nos em cemitérios e dançamos em rochedos esculpidos pelo mar…

Consorciamos com Poderes Leviatânicos nas frestas do que foi e do que vai ser. Tudo o que vai ser. Irmãs Nornes de rostos encovados e olhar jovial seduzem nossos espíritos a saltarem muros rumo à terra de nosso legado…

O baixar das armas de guerra uns contra os outros e nossos corpos se avizinha, se dobra, contorce, para criar Arte nos centro concordantes onde a feitiçaria se torna uma sinergia com Nosso Próprios Espíritos…

Nossa conversa nunca terminou. Não uns com os outros. Nem com você. Nem com os vis vilões que são os terroristas da riqueza da terra e nossa imanência soberana. Nossa conversa se tornou silenciosa, efervescente, lamuriosa… se tornou cambaleante, arruinada e tempestuosa… se tornou o sal nas lágrimas e o trovejante arco-íris na risada de nossas peles ao entrarmos e sairmos do Trabalho que fazemos para derrubar a fortaleza… não duvide que estamos trabalhando…

A bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração do herege… E hereges se fortalecem quando por Escolha somos tomados por Loucos, e nessa Loucura recebemos as Chaves para as Torres… cantamos com os Tecelões-Estelares e os relâmpagos se arqueiam para cima e para baixo, para baixo e para cima.

Nossa Loucura não é para todo mundo até que nosso Trabalho esteja terminado. Declarações de Domínio Daimônico habitam em Sonhos. Sonhos que vamos despertar.”

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Gede-FaceGede Parma (Fio) é bruxo, vidente, curandeiro, místico, ativista e escritor. Mora em Ubud, Bali, a ilha onde nasceu, e é um viajante do mundo. É um autor premiado de livros sobre paganismo e bruxaria e um entusiasta da poesia informal e da dança. Apresenta workshops sobre magia xamânica, feitiçaria e também rituais em ambos os hemisférios e é iniciado nas linhagens Wildwood e Anderean de bruxaria, bem como Reclaiming e é um aprendiz da Anderson Faery. É conhecido por seu foco facilitador em espaços de êxtase e comunhão íntima com os Poderes do Eterno Cosmos e Espíritos Locais em todo o mundo.

Já palestrou em muitas conferências pagãs e espirituais, festivais e retiros. Já compartilhou sua magia e suas perspectivas no Parliament of the World’s Religions, Reclaiming WitchCamps, BaliSpirit Festival, Between the Worlds, Pagan Summer Gathering, DragonEye Tours, Ritual Experience Weekends e facilitou centenas de rituais abertos ou privados, workshops e intensivos ao redor do mundo.

 

Defesa energética básica – parte 1: ATERRAMENTO

Nossa primeira linha de defesa energética, tanto para nosso dia a dia quanto para cada uma de nossas atividades mágicas, reside nas técnicas básicas de aterramento (grounding), centramento (centering) e escudo (shielding).

**Dei um workshop prático com esse tema ao final de 2013, em São Paulo, e vou apresentar aqui, em três posts, um resumo do que trabalhamos no encontro.

Aqui a palavra “básica” é usada no sentido mais de “fundamental” do que de nível de complexidade, já que as técnicas e visualizações vão se tornando mais e mais eficazes a medida que o praticante têm mais experiência e habilidade mágica.

Independente de praticarmos artes mágicas ou não, todos temos momentos na vida em que precisamos de foco e concentração: uma entrevista de emprego, uma apresentação importante, prestando um concurso ou exame, ou uma conversa séria sobre algum assunto delicado. Se prestarmos atenção, cada um tem seus métodos e pequenos rituais – às vezes aliados a preces e objetos de sorte – de se preparar para esses momentos, para atingir essa concentração necessária, evitando que algo externo nos faça perder o rebolado.

Desde o primeiro momento em que somos apresentados às primeiras técnicas para a magia ou meditação, fica claro o quanto os instantes preparatórios fazem toda a diferença para a qualidade do trabalho ou da experiência que vem a seguir. Quem nunca ouviu uma sacerdotisa ou um facilitador pedindo para “fechar os olhos e respirar devagar e profundamente”? Essa é uma técnica de aterramento e centramento, pois nos ancora de volta no corpo, nos trazendo ao instante presente e acalmando a nossa energia, deixando de lado todas as vibrações mentais e caóticas que não têm lugar ali.

Essas técnicas são preparatórias para meditação, trabalhos de cura, leituras oraculares, trabalho com pêndulo, psicometria, rituais e feitiços. E também são muito úteis na nossa vida mundana, ótimas para utilizarmos quando estamos nos sentindo esquisitos em algum ambiente, quando estamos nervosos (alguém disse TPM?), em contato com muita gente estressada (fila de banco, ônibus lotado) ou como ajuda para manter concentração e foco antes de alguma atividade que exija nossa melhor performance.

ATERRAMENTO – ÂNCORA- GROUNDINGP1000840 (480x640)

 É a ativação do nosso “fio terra”, para que nossos corpos físicos e energéticos se mantenham estabilizados durante nossas atividades e para ajudar a processarmos as vivências astrais, retornando ao nosso corpo físico com harmonia e liberando para a terra o excesso de correntes que podem inclusive ser nocivas para nosso sistema. Em alguns casos, também pode ser visto como um partilhar, uma oferenda desse “boost” extra de energia que passamos para o local onde estamos ou o planeta.

Quando envolvidos em trabalhos espirituais podemos sofrer uma série de desconfortos físicos ou energéticos, como tontura, cabeça pesada, ficar zonzo, aéreo, desorientado, confuso, sentindo certas partes do corpo mais pesadas do que as outras, sofrer alteração de temperatura, etc. Essas técnicas equilibram o corpo, fazendo com que a gente se sinta mais seguro, firme, alinhado e apoiado pelo universo.

Vivemos em um corpo físico em um mundo físico, isso é uma riqueza! Fazer um “aterramento” firma nossa presença no corpo e no momento presente, para que outros corpos sutis possam alçar voo sem correr riscos.

Esse sentimento de estabilidade vem da nossa conexão com a Terra e o chão. Se não estivermos aterrados, é fácil girar fora do eixo, entrando em processos de hiperatividade e perdendo quantidades imensas de energia além de permitir que vibrações ou entidades indesejadas façam uso da nossa falta de cuidado com nós mesmos.

O trabalho espiritual deve ter como objetivo que nos sintamos bem, caso estejamos nos sentindo mal, ou esquisitos, estamos vazando energia ou lidando com uma sobrecarga para a qual não estamos preparados.

 Algumas técnicas

 Conectar-se com o mundo tangível do corpo e da realidade concreta imediatamente faz esse “fio terra”.

  •  Respiração diafragmática
  • Respiração 4 X 4 (inspira, segura, expira, segura – cada um em quatro tempos)
  • Deitar de barriga na terra
  • Tocar o chão
  • Segurar alguma pedra na mão
  • Fazer tarefas bem mundanas como lavar louça, cortar grama, cozinhar, limpar a casa (muitos ritualistas sentem necessidade de fazer algo assim depois de facilitar um trabalho poderoso).
  • Segurar uma turmalina
  • Comer chocolate (olha que desculpa incrível para ter sempre um bombom na bolsa!).
  • Comer – nada como essa atividade prazerosa para nos jogar de volta ao corpo na hora.
  • Visualizar suas raízes penetrando e se firmando na terra, buscando energia estável do solo e passando para a terra energias confusas ou excessivas.

Exercício Corda Âncora

  1. Sente-se bem aprumado em uma cadeira, com os pés tocando o chão e a coluna reta.
  2. Respire devagar e profundamente. Respiração diafragmática.
  3. Feche os olhos e imagine uma bola de luz verde girando de uns 10 a 15 cm de diâmetro, no seu chakra cardíaco.
  4. Deixe que um tentáculo, um fio de luz, desça suavemente pelo seu corpo e passando para as profundezas da Terra até o centro do planeta, formando uma corda âncora para você.
  5. Permita que a ponta do fio se funda com o centro da Terra e se firme.
  6. Puxe um pouco dessa energia de volta até seu peito e enrole a energia, conectando-a ao seu quarto chakra – o cardíaco.  (ela vai fazer um tipo de “clique” quando se ajustar ali).
  7. Verifique se a corda está bem conectada ao chakra e que não haja nenhuma obstrução ou rompimento entre seu centro e o centro da Terra.
  8. Faça com que a energia da corda no seu peito se amplie para a largura dos ombros, ou até mais larga de estiver planejando limpar a aura.
  9. Dê permissão a seu corpo para se livrar de qualquer energia em excesso ou desnecessária através dessa corda. Mande para baixo, liberando na Terra e vendo essa energia ser absorvida ou transmutada no coração do planeta mãe.
  10. Lembre-se que de agora em diante, sua âncora vai continuar operando, ajustando seu corpo na frequência planetária e sempre permitindo que seu corpo libere energias desnecessárias ou em desacordo através da sua vontade.
  11. Quando terminar, toque com as mãos no chão ou em algum objeto sólido para se reconectar com a superfície e o seu corpo, inspire profundamente, então levante e alongue-se.

No próximo post, técnicas de centramento.

Marés Lunares

Da mesma forma que a Lua afeta as águas, várias áreas da nossa vida também sofrem sua influência.

A vida no nosso planeta é em ciclos. O dia, com seus picos e vales energéticos, e o ano – com suas estações – são ciclos solares, e nossa civilização está muito habituada a se guiar pelo sol.

Porém os calendários mais antigos da humanidade tinham como referência o ciclo lunar, que orientava o cultivo da terra e os rituais celebrados por nossos ancestrais. A Igreja ainda hoje revela suas raízes pagãs calculando a data da Páscoa de acordo com a lua (primeiro domingo depois da lua cheia de primavera no hemisfério norte).

As fases de nosso satélite natural contavam a passagem do tempo, e há muitos registros de marcações feitas em ossos, além de inscrições em cavernas, datando de vinte a trinta mil anos atrás, as quais os antropólogos creem serem relacionadas às fases da lua.

As mulheres sempre foram associadas à lua porque o ciclo feminino mensal tem a mesma duração do lunar.  A palavra mês vem do latim mensis e é a origem do termo menstruação. Month (mês, em inglês), por sua vez, tem a mesma raiz indo-europeia de moon (lua) e atesta para a importância deste astro para os povos antigos.

Para entender melhor a ideia de maré nesse caso, vamos lembrar que as tradições de magia ocidental compreendem o universo como sendo substância em movimento.

Além no nível físico, estudado ad nauseum por nossa ciência terrena, as tradições ocidentais de mistério ou ocultismo consideram outros dois níveis mais elevados de substância:

Astral – energia sutil que se estende pelo espaço.  Os movimentos dos planetas do sistema solar têm efeito neste nível, causando marés energéticas e influenciando nossos sentimentos e pensamentos, que também pertencem ao plano astral. Essas influências são estudadas pela astrologia. Desde a renascença, já se frisa a importância de realizarmos uma magia ou ritual na hora mais propícia ditada pela astrologia.

Etérico – os planetas também exercem influência neste nível.  O oceano de éter que nos rodeia recebe o nome de akasha e tem suas próprias correntes, marés e ciclos de energia. A matéria aqui é descrita como um fluido sutil que a tudo permeia e em tudo flui.

A lua é senhora das marés etéricas da mesma forma que domina as físicas, e o ciclo de suas fases é muito potente não só para qualquer trabalho conduzido no etérico, mas como influência de tudo aquilo que se forma no etérico e que vai afetar o físico mais tarde.

Da mesma forma que sabemos que, se nadarmos a favor da correnteza, a gente chega mais rápido e mais fácil ao nosso destino, facilita muito nossa vida se, sempre que possível, adequarmos nossas atividades e projetos às correntes astrais e etéricas sob influencia dos planetas.

A lua então, nos seus 28 dias de ciclo, passa sete dias em cada uma de suas fases. Nesses 28, passa por todos os 12 signos do zodíaco, permanecendo em média 2,5 dias em cada um. Por se mover muito rápido, é fator determinante em ciclos humanos de curta duração, como o mês, a semana e o dia.

Seu movimento e sua luminosidade então (vistos da terra) seguem um ciclo de crescimento e auge, para depois desinflar e apagar-se no céu – e então recomeçar tudo de novo. Vale assinalar que apesar das fases serem as mesmas para ambos hemisférios, norte e sul, a impressão visual que se tem de cada hemisfério é oposta.

Símbolo da Deusa Tríplice, as fases da lua vistas pelo hemisfério norte aqui correspondem a: Crescente, Cheia e Minguante.

Símbolo da Deusa Tríplice, as fases da lua vistas pelo hemisfério norte aqui correspondem a: Crescente, Cheia e Minguante.

 Ela rege:

  •  Fertilidade (da concepção ao parto)
  • Nutrição (apetite, metabolismo, assimilação de nutrientes)
  • Água e líquidos (plantas, corpo humano). É bom conferir a lua antes de marcar cirurgias,algumas podem inibir ou aumentar a chance de inchaço, hemorragias e interferir na velocidade e qualidade da recuperação no pós-operatório. A lua cheia é a menos indicada para qualquer procedimento, e a minguante, a mais favorável.
  • Emoções: o maior impacto é no comportamento das massas, levando mais ou menos pessoas a eventos públicos, e o signo em que está vai ditar o tipo de “crowd” que o evento vai atrair.
  • Negócios: as flutuações do mercado financeiro e imobiliário.
  • Sono: quantidade, qualidade e tranquilidade do sono.

Sem entrar em detalhes, a regra geral daquilo que é favorecido pelas fases da lua é a seguinte:

NOVA: processos para dentro

CRESCENTE: processos para fora

CHEIA: intensificar curas, plena de prazer

MINGUANTE: curas profundas

Pensando em termos de fase e signo… você arriscaria um palpite de qual seria a melhor lua para:

a)fazer uma poção para se livrar de todo o mal?

b)reconciliar-se com um amigo?

c)começar sua obra prima da literatura?

d)fazer uma viagem no tempo?

Transcrição de palestra com Laurie Cabot

Fiquei imensamente honrada pelo convite e a oportunidade de traduzir a palestra de Laurie Cabot e Chris LeVasseur como parte do Festival de Paganismo Grego organizado pelo templo Faces da Lua no último fim de semana.

Videoconferência com Laurie Cabot e Chris LeVasseur @ Faces da Lua.

Eles falavam, eu anotava e traduzia cada parte para os participantes ali presentes. Muita gente perguntou depois se a palestra fora gravada ou se eu faria uma transcrição em algum lugar. Avisei que minha caligrafia é trágica e às vezes nem eu mesma consigo decifrar o que escrevi. Porém, acho que é possível aproveitar que a memória ainda está fresca depois do evento e tentar recuperar o que for possível dos meus garranchos e anotações. Portanto, aqui vai! –

Transcrição da palestra de Laurie Cabot – High Priestess da Cabot Tradition  acompanhada de Chris LeVasseur, discípulo da tradição. 24/11/2012 Templo Faces da Lua, São Paulo:

Os dois começaram explicando que, do ponto de vista deles, a Bruxaria é tratada como Arte, Ciência e Religião. Eles focam muito na ciência por trabalharam partindo do fato que a atividade cerebral é responsável por despertar nosso poder interior. A diminuição da frequência das ondas mentais é o segredo para o desenvolvimento e acesso de atributos psíquicos. As pessoas sensitivas fazem isso naturalmente, sem perceber que é este o processo. Os bruxos fazem isso ao trabalhar magia e também ao energizar e imbuir suas ferramentas mágicas.

Eles acreditam que através do ato de ensinar essa ciência da Bruxaria para o mundo é que podemos alcançar mais respeito e aceitação de nossas práticas, pois assim somos capazes de explicar de maneira prática porque a Bruxaria é algo bom.

A Física Quântica postula que todas as coisas existem ao mesmo tempo. Quando estamos dormindo, estamos num estado em que acessamos o todo. Mas precisamos acessar este estado de acordo com nossa vontade, para realizar alguma tarefa.

A magia deve ser prática e constante, e não esporádica. É algo que ajuda a fazer acontecer, a saber coisas, a saber com antecedência. Quando sabemos algo com antecedência, podemos parar o processo, escalar ou acelerar.

Todo mundo tem essa capacidade, mas é necessário aprender o controle. Temos desenvolver habilidades psíquicas e também controlar o que entra e o que sai do nosso campo. Para isso, usamos escudos de proteção.

Há séculos sabemos que a magia é real. Agora, finalmente, os cientistas ligados à Física Quântica estão afirmando que a magia é real. Esse é um grande choque para eles.

Mas e como podemos controlar? E como evitar trabalhar a magia pelos motivos errados?

Bem, as regras são bem naturais. O que você fizer, retorna; multiplicado por três ou até dez vezes. Então você é seu próprio juiz ao escolher o que vai trazer para sua vida. É muito simples e tão natural que esquecemos que tudo que vai, volta – até fofoca!

É necessário ter muita atenção aos nossos pensamentos. Há um trabalho de programação para aprender a controlar o que pensamos e dizemos. Quando desenvolvemos nossas habilidades, as coisas ficam mais rápidas, o efeito é mais rápido. É importante aprender a neutralizar o acabamos de dizer quando enunciamos algo que não era nossa intenção e não queremos manifestar.

Assistir ao noticiário é ruim, mas ao vermos notícias de assassinatos, acidentes, etc., devemos parar e neutralizar. Também podemos projetar que o assassino seja apanhado e preso para que não cometa aquilo novamente.

Não devemos assistir a filmes de terror. As imagens são muito fortes, é difícil neutralizar e nós não precisamos de mais terror no mundo. Não assistir esses filmes para não perpetuar essa energia.

A Bruxaria vem sendo trabalhada há muitos anos como devocional, e fala-se em estados mágicos, mas não se ensina como fazer. É uma questão de treinar o cérebro, programar para controlar o cérebro. Quanto mais se pratica, mais fácil vai ficando.

Chris explicou que foi incorporando essa ciência dentro dos aprendizados e técnicas que aprendeu no 1º grau, nos rituais, etc., e fez muita diferença.

Laurie salientou que é tudo muito prático. É diferente de apenas desejarmos alguma coisa, é saber que sua palavra, seu pensamento vai se realizar; não se trata de faz de conta, de mundo de Disney. É uma ferramenta para usar energia real.

Eles não se preocupam em acreditar, se preocupam em saber.

É importante os bruxos e bruxas lembrarem que um de nossos grandes talentos é a cura.  Com o uso de nossas habilidades entramos na energia vital e na aura de outra pessoa. Podemos aprender a energizar com cores para facilitar a cura. Cores diferentes são usadas para doenças diferentes.  Isso vai funcionar nove vezes em dez. Nada funciona 100% das vezes, mas 70 a 90% já é muito bom.  A história da Bruxaria nos mostra que somos curadores.

Em Witchcraft 1 (curso), que o Chris ensina agora é onde se aprende esse trabalho de luz curativa e diagnóstico de doenças a distância, pois se pode visualizar e tocar o paciente à distância.

No primeiro grau da tradição Cabot, isso é verificável e provado. É possível constatar que houve a cura. É fácil testar o diagnóstico feito também, ao comparar com o que a medicina convencional afirmou. No primeiro grau, então, já se tem essa habilidade comprovada. A primeira vez que acontece para o aluno, é um momento dramático.

Todos têm habilidades psíquicas e é sensacional poder verificar isso através de uma perspectiva científica. A meditação é importante, mas não te prepara pra o que você pode fazer com aquilo.

Um exemplo de exercício que eles fazem em aula é descrever alguém que nunca viram e dizer o que está errado com a pessoa.

Está bem que muitas vezes a gente sabe quem está chamando assim que o telefone toca, mas não deve ser esporádico, devemos poder usar essa capacidade quando a gente quer.

O uso do tarot é psíquico, não é memorizado. Eles entram em alfa e a informação vem. Não tem a ver com as cartas.

Você quer que sua magia funcione, que traga resultados. A ciência se soma à magia e manifestação; mas vê-se que é possível ir além. Entender que as entidades estão vivas no outro mundo – isso é palpável – de falar, conversar, contatar Deuses, ancestrais, o que eles dizem é verdade, pois têm uma perspectiva mais clara.

Esse desenvolvimento torna nossa religião mais poderosa. Fazemos vários tipos de ritual e a energia que recebemos é real, é mais poderoso traçar o círculo e a energia vai naquela direção.

Os Deuses às vezes nos ajudam, diferente das outras religiões, nossos Deuses às vezes não atendem, não ajudam, pois querem que aprendamos nossas lições. Porém, em tempos de grave crise, eles operam milagres que seriam impossíveis de superarmos de outra forma.

Devemos trabalhar e desenvolver um relacionamento especial com um Deus ou Deusa específico, uma relação de amizade. Assim, pode ser que esse Deus ou Deusa nos ajude. Não é qualquer um que atende nosso chamado.

Este deve ser um relacionamento pessoal, não só às vezes e não com deuses variados. É importante ter um altar e uma devoção diária dirigida a um Deus ou Deusa na nossa casa, além de nosso altar geral. É preciso alimentar essa relação. Não é para chamar por eles só quando se precisa. Não é tarefa deles ajudar os humanos. Você que tem de fazer sua magia, às vezes eles ajudam.

Assim vamos entendendo qual é a do outro mundo, que é para onde todos nós vamos. É melhor nos familiarizarmos, assim temos menos medo de chegar lá, sem medo da morte.

As várias facetas da Bruxaria

A Bruxaria tem tantas facetas, pode-se estudar uma vida inteira.

Poções empregam ervas, raízes, e isso é real. A energia vai manifestar a intenção das plantas.

A astrologia traz outro entendimento de mundo, como os planetas nos afetam.

Escolha uma especialidade como bruxo, seja porções, trabalho com ervas, astrologia… Veja onde está seu talento.  E também pode tentar aprender de tudo um pouco, pois é tudo interconectado. Ervas estão ligadas à astrologia, algumas são regidas pela lua, outras por Vênus… Temos de saber as diferentes qualidades, como misturar e como imbuir energeticamente para poder fazer a magia.

Velas é um trabalho mais fácil e a magia fica mais poderosa ao acrescentar cores, que estão ligadas ao planeta que rege aquela cor.

Por exemplo, o preto não é usado para malefícios. Para obtermos o preto, há que se combinar todas as cores, portanto ele puxa as cores e luzes de todos os planetas e puxa a magia para nós.

O branco reflete e envia a mensagem, o preto puxa e manifesta.

Cada cor do arco-íris tem sua influência regida por um planeta. Mas não é tão simples usar, sempre tem mais…

A parafina ou o material da vela também faz diferença, cera de abelha é mais pura.

Pode se usar ervas e cristais para magias bem mundanas. Acrescentar um cristal programado no pote de hidratante de rosto, por exemplo, ou ervas também. assim você trabalha sua beleza física e mágica juntas.

Mas preste atenção, pois da mesma forma que temos alergia a certas substâncias, também não nos damos bem magicamente com todas as substâncias.

Outra linha de trabalho mágico é a magia de cristais, ou seja, são muitas facetas. Às vezes não sou bom naquilo, ver onde está sua especialidade.

Imbuindo ferramentas mágicas com a sua energia

Chris reforça que eles falam muito em habilidades psíquicas, mas que isso não é só para prever coisas e fazer adivinhação, mas para controlar e dirigir energia.

Para energizar, imbuir uma ferramenta, entrar primeiro em estado alfa e dirigir a energia luminosa usando sua habilidade. Nas aulas eles testam depois as varinhas que foram energizadas e sentem a ferramenta mágica projetando energia na mão. Podemos imbuir as ferramentas e os cristais com nossa energia pessoal.

Laurie explica que a aura ao nosso redor é real, a aura da varinha também existe por conta de seu material. No estado alfa, você projeta a sua energia para dentro da aura da varinha, por exemplo.

Ciência dos Cristais

A ciência dos cristais está ligada a ressonância elétrica que eles possuem. Se tomar um banho de banheira com um quartzo branco gigante, e o cristal se partir, você pode ser eletrocutado. O governo (americano) usa cristais na construção de mísseis para que não percam a direção. Eles cortam um cristal grande ao meio pela base e aplicam uma metade de cada lado do míssil, e as metades ficam enviando impulsos elétricos ritmicamente de um lado a outro.

Um relógio de quartzo usa um cristal muito diminuto, e mesmo daquele tamanho o cristal faz funcionar o relógio.

O estado alfa

O estado alfa é um nível de onda cerebral, o mesmo do sono. Durante o sono, descemos ainda mais e chegamos ao estado teta, mas é no alfa onde a magia acontece. Então precisamos reproduzir o estado alfa pela nossa vontade.,

Estado beta é o estado quando estamos acordados.

Assim que fechar os olhos por mais de três minutos, o cérebro baixa a onda para o nível alfa. É quando todos temos acesso a onde se envia a energia para a manifestação do feitiço.  O cérebro é um computador, ao treiná-lo para fazer isso você se torna uma máquina que tem controle de seu poder.

Também estão anotadas as respostas às perguntas feitas pelos participantes. Essa parte, prometo acrescentar em um outro post.