Amarração não é amor

Trago seu amor de volta

Trago seu amor de volta em 3 dias

Trago seu amor de joelhos aos seus pés

Supostos pais e mães de todos os orixás colam incessantemente seus cartazes pelos postes de iluminação pública das grandes cidades, mas o que oferecem nada tem de luminoso.

O amor é a grande cola do mundo, é verdade que Eros tudo move e faz tudo se mover por ele. Flechados pelo cupido, brilham nossos olhos embevecidos de desejo por quem julgamos amar. Mas será amor? Ou será uma forma de poder?

Se o desejo não for recíproco, toda autoajuda e todo bom aconselhamento nos ensina a tocar o barco, seguir adiante e buscarmos quem também por nós se embeveça.

Mas o coração é teimoso e quer porque quer.

Então, como dar às costas à paixão e mirar noutro alvo? Ou mirar no escuro, pois é Deus/Deusa/Grande Consciência Cósmica quem define qual criatura vai enviar para esquentar nossa cama e nosso chocolate no micro-ondas? Como confiar nessa Grande Consciência que é invisível quando tenho o rostinho lindo do amado assim, logo ali na postagem do Insta, fazendo beicinho com cara de sono e marcando #nofilter?  Mas isso é o coração? Ou será um sentimento de poder?

Se minha escolha de atitude envolve recorrer ao de Pai Zézinho de Oxum para garantir a parada, meu sofrimento nada tem de amor nem de paixão. Tem de poder. Só poder.

Porque o amor não quer o outro a seus pés.

Nem a paixão quer o outro de joelhos.

Quem precisa de alguém de joelhos, chorando arrependimentos e jurando fidelidade eterna é alguém com a autoestima muito abalada e que precisa provar seu poder. Um poder de subjugar, ou o poder de se saber mais forte por ter conseguido arrancar o que é de outro, ou de outra.

Isso não tem nada a ver com amor.

Porque a fantasia não corresponde à realidade que vai se colocar. E ninguém quer amor à força. A gente quer desejo mútuo, brilho no olho, tonturas ao tocar a mão – e isso, meus amigos, isso um feitiço de amarração não traz.

Por isso, sejam inteligentes e corajosos de verdade. Façam feitiços para se desinvestirem de quem vocês apostaram, pois a grande verdade é que todo investimento amoroso vai exigir o mesmo nível de desinvestimento para poder se desligar. Façam feitiços para deixar o passado para trás, para superarem a desilusão e prepararem o coração, a mente e o corpinho para viver um novo encontro, um novo romance, quiçá mais verdadeiro.

Gastem seus suados dinheirinhos e seu capital emocional investindo em magia para atrair para vocês a pessoa certa, que ainda não vai ter nome e endereço conhecidos. Isso é mais saudável e mais garantido. E ainda, invistam principalmente em feitiços para curas pessoais, para melhorar a pontaria a partir de uma autoestima fortalecida e de um bem estar interior, para que, assim, vocês tenham olhos para ver e coração para sentir quando aquela pessoa que tem o encaixe perfeito para uma linda parceria aparecer milagrosamente na sua vida.amor de volta

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Nova turma de formação mágica

Tenho sido muito procurada por pessoas que desejam estudar magia e bruxaria com uma orientação adequada. De fato, livros não bastam, é preciso prática; e prática com orientação específica, dentro de uma linha que a gente goste, com uma pessoa em quem confiamos, é algo muito proveitoso e acelera muito o progresso pessoal dentro de qualquer arte ou ofício.

Então é com muito carinho que apresento o currículo novo da Formação Mágica do Conclave da Rosa e do Espinho. O Conclave é um clã de bruxaria, ainda em formação, ainda se estabelecendo devagarinho, reunindo pessoas que passaram pela formação mágica que eu venho oferecendo desde 2015. A formação era mais complexa e ampla, reunindo várias áreas do saber, e poderia ser levada com o aluno para qualquer vertente que ele fosse explorar ou viver. Para a versão 3.0, mexi em muita coisa e deixei ainda mais prático e direto ao ponto no que diz respeito à Bruxaria Tradicional Moderna. Segue sendo uma formação bem completa, mas espacei de forma distinta e retirei conteúdos que vou oferecer em workshops e webinários a partir de abril. Com os webinários, pessoas de outras localidades vão poder ter acesso a vários conteúdos e práticas de aprofundamento, e alguns participantes da formação também podem optar em experimentar coisas diferentes e complementar os estudos com essas aulas extras.

A formação ficou mais curta, agora é de nove meses, mas a duração dos encontros é mais longa, para incluir mais práticas orientadas. E, ao final, ta-dá!, teremos uma formatura com um mega intensivo de práticas avançadas.

Para saber do currículo, horários, turmas, valores, e o que esperar, clique no formulário, tá tudo lá. Se tiver dúvida de algo que não estiver lá, me escreva.

Clique aqui para o formulário de declaração de interesse

Bênçãos luminosas para um ano brilhante para todos nós!

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Magia com velas – simples e explicada

19623098_1264257330349406_5702311784069726208_nAcender uma vela na igreja diante de um santo, aceder uma vela em casa para rezar por alguém doente, soprar uma vela de aniversário enquanto se faz um desejo, todas essas são magias plenamente aceitas e integradas em nossa sociedade e, pela simplicidade do ato, uma das receitas mais fáceis de compormos um feitiço quando vamos trabalhar para impulsionar algo magicamente.

Um dia li, não lembro onde, que o universo responde à nossa força, e não às nossas preces. Isso é verdade. Quanto mais forte você for, mais talentoso e preparado, mais influência tem seu ato mágico, mesmo se naquele determinado momento, você se encontre mais debilitado. Porém, essa máxima é importante: quando estivermos verdadeiramente debilitados emocionalmente ou fisicamente, é melhor pedir ajuda a outra pessoa para efetuar o ato mágico por nós ou para nós, já que magia consome energia vital e depende dessa força pessoal para reverberar nos planos e causar alguma mudança.

A magia sempre atua como um megafone, um amplificador de nossas intenções para o universo. Esse chamado pode ser respondido por diversas forças. Pode ser nosso próprio darma que nos acode, como podemos obter a delicada atenção de seres e espíritos que decidem nos ajudar. Alguns podem pedir algo a mais como troca energética para nos conceder o milagre ou ajuda, mas, em geral, a magia com vela é por si só uma oferenda a essas forças aliadas, afinal, a vela contém matéria que é transformada e tornada etérea pelo fogo que consome o material, transmutando e irradiando as preces e símbolos ali contidos. Lembre-se de sempre acompanhar qualquer magia com as devidas providências mundanas e práticas que te levem ao objetivo. Se é por saúde, vá ao médico, tome os remédios; se é por emprego, envie seu currículo, aprimore-se; se é por amor, saia de casa, invista em sua autoestima e cure a si para atrair um par ideal, e por aí vai.

Sem mais delongas, vamos lá:

MAGIA COM VELAS

Ingredientes indispensáveis:

  • uma vela
  • uma prece

É isso mesmo, esse é o mínimo do mínimo e, com esses dois componentes, você já tem uma magia. Claro que a fórmula usada para a prece faz diferença, por exemplo, use sempre palavras no sentido positivo – evitando a palavra “não”, já que tanto nosso cérebro quanto os espíritos parecem não registrar essa palavrinha dentro da frase ­– começando com seu nome dito em alto e bom tom e encerrando com um “que assim seja”.

Por exemplo: “Eu, fulana de tal, intento esta vela para …. bla bla bla… Que assim seja.” Se você não é boa de fórmulas espontâneas, pratique antes de acender a vela ou até escreva num papel.

Adicione para ficar mais interessante:

+  cor da vela e tamanho, formato da prece

Estude correspondências de cores e escolha uma vela com a cor e formato mais apropriados para conduzir a energia do seu desejo. Altere a formatação da sua prece para se adequar melhor a uma divindade específica que vc esteja requerindo, ou use algum encantamento já testado por outros bruxos. Rebusque o seu próprio encantamento.

+ óleos para ungir a vela

Pesquise óleos essenciais, sinergias ou prepare uma infusão de ervas em óleo que possam acrescentar as energias mais adequadas para fortalecer seu intento. Lembre de diluir óleos essenciais, que são puros, ou você pode acabar com lesões na pele.

Para ungir, vá de baixo para cima ou de cima para baixo, dependendo do sentido em que está trabalhando a energia (atraindo, repelindo, expandindo, irradiando)

+ ungir formando uma bateria

Outra forma de unção é fazer uma bateria. Na metade superior da vela você unge no sentido horário, e na metade inferior, no anti-horário. Isso evoca o macrocosmo do próprio globo terrestre, que tem energia rodando em sentido contrário em cada um dos hemisférios.

+ símbolos (astrológicos, rúnicos, nomes)

Adicione escrita simbólica ou literal. Risque nomes, runas, planetas, etc. na cera. Eu costumo fazer com a escrita na vertical sempre. E uso minha faca cerimonial para isso, mas se você for de outra tradição e não puder usar sua faca, ou se não a tiver, use um palito.

+ queimar um barbante

Há tradições que incluem a queima de um barbante de algodão ou lã natural  na cor propícia como parte da prece.

+ dia e hora adequados à magia

Estude as tabelas clássicas e siga as lunações, estações, astrologia, dia correspondentes, hora planetária, etc. etc. etc. para potencializar tudo. Evite fazer magia em lua fora de curso, a menos que você esteja fazendo algo que vá lhe trazer invisibilidade.

+ queimar a mão

Na bruxaria tradicional, sabe-se que magia tem um preço e que sempre algo nos é exigido. Há muitas histórias de sacrifícios, até de Deuses, para que se obtenha um conhecimento ou um milagre especial.

Portanto, é um bom sinal da sua disposição e sacrifício dar uma queimadinha na mão no final da prece quando o pedido ali colocado for de vital importância.

OBSERVAÇÃO: qualquer combinação das dicas anteriores é válida.

ATENÇÃO:

A vela deve sempre queimar até o final do final do final. Coloque a vela em um lugar ultra seguro para evitar incêndio. Box do banheiro e pia da cozinha são bons lugares caso a vela esteja sem supervisão. Mas sério, não pense que porque é uma vela encantada que você recebe uma apólice anti-incêndio do além. Tire TUDO de perto desta vela, calcule se ela acaso cair, se bater um vento, se um espírito aprontar, calcule muito bem todos os riscos antes de deixar uma vela acesa desatendida.

Se não sobrar nada de cera, apenas um mísero restolho do pavio no fundo do prato/castiçal, seu serviço foi bem feito e sua prece recebida. É assim que você sabe. Se a vela chorar desesperadamente, ficar apagando, derramar-se no entorno todo… isso é um sinal que algo não vai bem. Pare tudo, desista e refaça noutro momento, sempre atenta para ver se pode ser um problema na sua formulação da prece, na escolha do momento, ou o seu desejo que é mal intencionado e tem alguém decidindo te proteger de você mesma.

 

Afinal o que é magia?

Magia, segundo o dicionário é um substantivo feminino que se define como: “arte que pretende agir sobre a natureza e obter resultados contrários às suas leis, por meio de fórmulas ou de ritos mais ou menos secretos, quer utilizando propriedades da matéria que se afirma serem desconhecidas (magia branca), quer fazendo intervir poderes demoníacos (magia negra), feitiçaria; bruxaria.”

Primeiro, a magia tem sempre algum objetivo, e ele precisa ser claro e preciso. Então existe o objetivo, o método e o resultado. Se, no mundo físico, estou em busca de eletricidade, meu método será a criação de um circuito elétrico, cujo resultado é constatado quando a lâmpada acende. Se quero prosperidade, vou criar não só um bom feitiço ou ritual para atrair essa força para minha vida, como vou me empenhar e ficar atenta às oportunidades no mundo prático. O resultado será um ganho melhor e uma tranquilidade para pagar minhas contas e desfrutar de lazer.

Ela pode ser chamada de branca ou negra, numa referência à magia “do bem”, que atrai coisas boas para sua vida ou busca a cura e o bem estar, ou a magia destrutiva que manipula o livre arbítrio alheio ou destrói algo de outra pessoa, levando em conta apenas a vontade e satisfação de quem origina a magia. Uma amarração para o amor, mesmo sendo para o amor, é magia destrutiva e manipulativa.

A definição do dicionário (acima) é equivocada neste sentido, pois coloca como “magia branca” uma magia que usa componentes da natureza, não importando o objetivo, e coloca como “magia negra” aquela que emprega poderes demoníacos. O problema é a definição de demoníaco num país cristão, pois qualquer força que não seja de Jesus é considerada demoníaca, mesmo quando não é demônio. Mesmo se forem espíritos da natureza, que estão te ajudando a operar uma cura, não importa que você explique que é um ser feérico – no cristianismo, um curupira é um demônio, a sereia é um demônio e por aí vai. E, de novo, não fala nada sobre a finalidade da magia.

Ela pode ser também Alta ou Baixa magia. A Alta magia lida num método estruturado para desenvolvimento espiritual e pessoal. A Baixa magia tem relação a alguma forma de manipulação da realidade física, ou seja, feitiços. Em geral, quem tem a bruxaria como caminho espiritual, pratica uma combinação das duas.

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eu, de Hekate moderna

É bacana que no português temos a palavra “magia”, para tratar da definição colocada acima, e temos a palavra “mágica”, que é usada para truques de prestidigitação, da mesma forma que temos uma clara diferença entre as funções de um mago e as de um mágico. No inglês não é assim.

No inglês só existe a palavra “magic” que serve para as duas coisas. Então, para diferenciar o que era ligado a estados e manipulação da realidade através da vontade pessoal, dos truques usados por um David Cooperfield, por exemplo, o mago Aleister Crowley, que adorava ser diferentão e causar muito, cunhou a grafia “magick”, para distinguir as duas e deixar claro que “magick” era o método dele, que tratava a magia como “a arte e a ciência para provocar mudanças segundo nossa vontade”. Essa grafia ficou tão difundida que hoje a norma é escrever assim em toda a literatura americana ou britânica sobre o tema.

A grande atração da magia é sua capacidade de causar transformações no plano físico se utilizando de meios não-físicos. E para a ação da força mágica, as leis físicas de tempo e distância não se aplicam.

Durante séculos a ciência e a magia estiveram em posições diametralmente opostas, no campo de batalha. Não havia uma linguagem comum, e a magia era descartada como superstição e irrealidade. A ciência por todo esse tempo debochou e menosprezou de tudo que era relacionado ao mundo das forças espirituais.

Com a popularização de certos conceitos da física quântica, há uma animação geral de que a ciência e a magia estão finalmente encontrando um ponto comum, estão começando a se entender e se explicar. Afinal, a magia do passado seria a ciência do futuro, pois tanta coisa que era entendida como feitiço antigamente hoje é passível de explicação científica, e é possível que daqui um tempo a física incorpore a magia dentro de seu rol das forças naturais.

Enquanto isso, ando refletindo sobre esse uso cada vez mais constante de tentar se calcar nas explicações da física quântica para explicar o que fazemos. Se a ciência nunca esteve nem aí pra nós, e os bruxos e sensitivos seguiam cumprindo suas devidas funções mesmo em meio ao total descrédito das instituições científicas, por que diabos estamos tão preocupados em nos provar decentes e verdadeiros agora usando explicações justamente de quem nunca esteve a nosso favor? É algo para pensar.

Que tanta necessidade tenho eu de provar meu valor dentro do establishment quando esse establishment nunca foi gentil com meus iguais? Que ótimo que a ciência está encontrando explicações nos seus moldes para o que desde sempre é vivenciado pela humanidade, mas eu não tenho que me valer dos parcos conhecimentos e provas científicas nessas áreas para explicar aquilo que eu faço e que é muito maior do que eles conseguiram descobrir. Se a ciência está engatinhando nessas questões, não me acrescenta nada usá-la.

Viver a magia é admitir que existe um mundo muito real de forças espirituais que coexiste com a realidade física. Este outro mundo e seus habitantes podem ser acessados e contatados em busca de cooperação. E também é viver atento ao fato de que o pensamento é uma força criadora, que influenciamos sim nossa realidade, não de forma vã e simplificada, mas que nossa observação, foco e energia alimentam certos canais e furtam-se de perceber outros. De acordo com nossos padrões, vamos repetindo nossas experiências de vida e nossos erros, não sabemos usar esse nosso incrível poder criativo.

Essa influência que podemos ter é mais facilmente compreendida se entendermos o universo como holográfico, com cada fragmento sendo um espelho do todo, e é por isso que temos acesso a esse todo, sendo a grande via de acesso o subconsciente. Mas quem é que consegue saber de fato tudo o que lhe vai no subconsciente? É o subconsciente que acaba criando essas experiências todas que vivemos, então vamos no automático, lidando com realidades formadas inconscientemente por nós.

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Grupo Terra Mysterium de Chicago, IL, 2009. Sou a segunda da direita para a esquerda.

Trazer as sombras para a luz não é só extremamente curativo, mas extremamente forte e prático. É conseguirmos canalizar nossas pulsões e forças interiores como correntes a nosso favor, como no arcano VII do Tarot, o Carro, onde o homem controla e comanda um cavalo branco e um preto, com cada um insistindo em andar para um lado diferente. Aliar o pensamento criativo com a emoção limpa e clara, os dois em uníssono, é o que provoca mudanças objetivas via experiências subjetivas.

Os bons resultados se dão quando sentimos que verdadeiramente somos merecedores daquilo. Se não nos acreditamos merecedores de amor, então o amor não virá, não importa que feitiços eu faça. Os feitiços primeiro deveriam ser voltados para me sentir digna de ser amada, e, só com isso resolvido, partiria então para atrair um amor. Mas trabalhar em etapas exige muito autoconhecimento, algo que não é todo mundo que tem coragem de empreender.

Então o objetivo é sempre provocar uma mudança, o método tem a ver com entrar em contato com as energias e forças mais apropriadas do outro mundo para ajudar na tarefa, e o resultado virá em acordo com nossa real intenção.

Porém às vezes o resultado é outro, ou nenhum. A magia é, por natureza, imprecisa.

Coisas que ajudam muito:

  • Já no preparo para um ritual e durante todo o tempo em que se faz o ritual, deve-se pensar, visualizar e sentir o objetivo como já tendo acontecido, não no futuro, mas no presente.
  • Um estado de consciência levemente alterado é necessário para ser eficaz, não podemos estar tensos. O relaxamento e a tranquilidade fazem com que tudo ande melhor. Atenção, o estado alterado é alcançado naturalmente, sem o uso de substâncias externas a nós.
  • Esforço demais parece afugentar o que queremos. Precisamos lançar a energia e esperar que a coisa se desenrole. Por isso devemos fazer o ritual, o feitiço, a simpatia, como que celebrando algo já conquistado e, então, imediatamente depois, deixar pra lá. Fazer outra coisa, ver TV, sair com amigos, mudar o foco completamente.
  • Entender que a vibração só pode ser feita numa única direção: ou é contra ou é a favor de algo, ou atrai ou repele. Não posso fazer um feitiço que ao mesmo tempo me proteja e afaste todo o mal. Ou é proteção ou é para afastar o mal. São movimentos contrários, e misturar os dois, nem que seja na forma com que se fala, pode dar um super tilt, um choque de forças, resultando – na melhor das hipóteses – em coisa nenhuma. Fique aliviado se o resultado for igual a nada. Porque um choque de forças grande, colocando muitas intenções misturadas num trabalho só, pode dar em algo que bagunça e desanda a tua vida seriamente. Falo por experiência.
  • Atenção a horas planetárias, dia da semana, estação do ano e lugar/ambiente em que se faz algo afeta muito, especialmente na psicologia do mago, e isso tem um resultado direto e potencializante.

Seguir receitas antigas e testadas pode ajudar ou limitar. Se estiver inseguro de suas pesquisas, vá no que já foi feito. Do contrário, sinta-se livre para criar uma invencionice cuidadosa, sempre evitando misturar ingredientes e ideias que possam ser divergentes.  Estudar as correspondências é fundamental para não fazer um feitiço de fogo usando ingredientes relativos ao elemento água, por exemplo.

Menos é mais, vá no simples, e confie também naquilo que te ocorre espontaneamente, seja um gesto, um sopro, um prato que você cozinha, algo feito na hora usando o que se tem em casa, ou até um simples desejo ao avistar uma estrela.

Estude muito, estude sempre, mas ouça também a sabedoria singela que habita seu interior.

Águas de fontes e rios sagrados

A água é um elemento presente demais nas nossas vidas. Bebemos água, tomamos banho, lavamos as mãos, usamos o vaso sanitário e damos descarga, choramos, lavamos roupa, caminhamos na chuva, ficamos admirados com fotos poéticas de mar, de rio e de cataratas, sonhamos com praias, piscinas ou cachoeiras.

A água exerce um fascínio sobre nós. É fonte de vida, de purificação, de prazer e também de morte. A água afoga ou a água toma e destrói o que está em seu caminho quando há enchente, enxurrada, tsunami, além de nos desesperar por sua falta – seja por causas naturais ou irresponsabilidade humana.

Com tamanha força e presença em nossas vidas, não admira que ao longo da história tenham havido tantos poços, fontes e rios considerados sagrados por diversas culturas. Pela nossa desconexão moderna, vários deles foram esquecidos em sua sacralidade e servem apenas de fonte natural de recursos para nós. Sabemos se o rio Doce que morreu em 2015 pela tragédia e negligência da Samarco não era sagrado e celebrado por populações indígenas? Sabemos de sua importância para as populações ribeirinhas e como fonte de abastecimento de muitas comunidades, mas e como fonte devocional mesmo? O que sabemos sobre esse rio e tantos outros rios brasileiros?

Quem guarda essa informação são os povos nativos, já que a maioria dos locais sagrados para eles estão relacionados a mitos de origem e narrativas históricas. São locais onde ocorreram fatos ligados à criação da humanidade e a origem das etnias. Como é o caso, por exemplo da Cachoeira de Iauretê, no Amapá.

Embora os católicos se utilizem de água benta, e mesmo os protestantes usem água em batismos e outros rituais, os países ocidentais parecem ter perdido esse respeito e amor por um recurso tão importante, mesmo que para os povos do deserto – de onde surgiu a fé cristã –, fontes, rios e oásis eram sim algo muito especial e considerados presentes divinos. Felizmente há algumas fontes ligadas a nomes de santos, e esses locais mantém esse ar místico e transcendental que a água sempre teve.

É comprovado que a água de alguns locais é sim dotada de propriedades curativas especiais, e histórias de todos os tempos refletem milagres e curas ocorridos para gente que consumiu ou se banhou em certas águas. Com essas águas testadas, e verificado seus teores minerais, nosso capitalismo tratou de engarrafá-las para vender como água pura da fonte ou construir ali spas de águas terapêuticas, às quais só se tem acesso ao frequentarmos o local e, claro, pagando um preço.

September 27 2010 One CTA Card in the Fountain

Piscina decorativa na base da escada da Harold Washington Library em Chicago. Moedas e até um cartão de ônibus.

A ideia do poço dos desejos, que pede apenas uma moeda para satisfazer nossos pedidos mais profundos, seja por brincadeira ou superstição, ainda se mantém, e mesmo em prédios públicos as pessoas por vezes insistem em jogar moedas em algum chafariz existente. É o caso da piscina decorativa ao pé da escada da Harold Washington Library em Chicago, onde as pessoas insistem em jogar não só moedas, mas até cartão de passe de ônibus e metrô.

 

Também há lendas de fontes malignas, que traziam doenças a quem dali bebesse, e cujo espírito enviava maldições aos nomes cantados às suas margens. A água é ambígua, e isso acrescenta a seu mistério.

Por sua qualidade que dá e tira a vida, a água é um dos símbolos mais antigos de tudo que é fora do plano material, tudo que é além do visível. É um meio de contato com os espíritos e um meio de receber bênçãos do além. Os mares, chuvas e rios precisavam ser propiciados e acalmados para que nos fossem benevolentes em nossas viagens e travessias, pois a água sempre guardou o desconhecido e deve ser tratada, no mínimo, com muito respeito.

Em culturas de países mais antigos, é notável a presença e a memória dessas águas sagradas, embora muito também haja se perdido. A mania das metrópoles em cobrir seus rios e córregos para esconder o uso a que foram relegados – como esgoto – nos afasta ainda mais da presença da água e nossa responsabilidade sobre esse recurso de que tanto necessitamos.

Quando se viaja, especialmente em busca de lugares espirituais para nós, é comum a visita a lugares de águas sagradas, e, apesar de todos os obstáculos da inspeção alfandegária, também é comum que o viajante traga um pouco dessa água santa de volta para sua casa.

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no Pueblo de Taos, o rio sagrado não pode ser nem tocado por quem não é da reserva.

Há rios sacros que são intocáveis por quem não é dali, como o Blue Lake do povo Pueblo em Taos no Novo México, EUA. Eles acreditam que seu povo se originou do lago, e conseguiram que o governo lhes devolvesse o local, para que os indígenas tivessem acesso irrestrito. O rio Pueblo, que corre em meio à reserva que podemos visitar, nasce nesse lago e é proibido aos visitantes sequer tocar naquela água.

 

O lago Titicaca no Peru é considerado um lago de águas mágicas. Esconde um sem fim de enigmas, histórias e lendas ligados ao misticismo xamânico, à cosmologia inca e à magia. Até o contorno do lago lembra o de um dos animais sagrados para os incas, o puma. O lago também é visto como uma divindade propriamente dita, Mamakhota.

O rio Ganges, na Índia, é o mais venerado do mundo, considerado pelos hindus uma divindade materna, é usado para tudo. Como banheiro, para cremar os mortos ritualisticamente, para se banhar e expiar suas impurezas… é um rio com partes muito poluídas (embora isso em nada pareça deter o fervor dos hindus dedicados), mas com outras de água ainda muito pura. Quem visita conta que é possível pegar dessa água junto à nascente. Tenho uma amiga que guarda uma garrafinha dessa água na geladeira há nove anos. Desde que trouxe de uma viagem.

Essa é outra característica fascinante dessas águas… parecem não sofrer a deterioração comum de outras águas. Algo há… que nove anos depois, a água não tenha mudado nem de gosto, nem de cheiro. Permanece como deve ser, insípida, inodora e incolor.

A Fonte Vermelha e a Fonte Branca ao pé do Tor

England_2015 (178)Em 2015, tive a oportunidade de visitar Glastonbury, uma cidade inglesa que tem lendas e histórias fascinantes. Realmente é um local muito, muito especial, já que ali é a entrada para Avalon. O Tor, o morro de “Ynis Vitrin”, a ilha de vidro, é dominante na paisagem. E a seu pé, nascem duas fontes. A mais famosa é Chalice Well (Fonte do Cálice), sagrada por ser reconhecidamente um local de fortíssima energia da Deusa, uma força feminina que imbui toda a região do poço e seus jardins, onde se pode passar horas relaxando e aproveitando a energia, além de beber da água e lavar-se com ela.

England_2015 (166)Chalice Well apesar de muito anterior ao cristianismo, também entrou no imaginário cristão pois dizem que foi ali que José de Arimateia teria enterrado o santo graal, e, ao fazê-lo, ali brotou uma fonte de água com gosto de sangue. Isso é verdade, a água de Chalice Well tem gosto de sangue, por ser de teor de ferro altíssimo. Nada mais apropriado para uma fonte da força divina feminina do que uma água que tem gosto de sangue, algo com que as mulheres lidam todos os meses. Não só ela tem o gosto, como também é avermelhada e tinge tudo por onde passa, deixando um rastro vermelho em seu percurso, assim também é conhecida como a Fonte Vermelha.England_2015 (164)

Tenho um amigo americano, com o qual perdi contato, que era HIV positivo. Ele ficou anos fazendo treinamento com sacerdotisas em alguma tradição em Glastonbury. Ficou bebendo da água e também fazia monitoramento sanguíneo enquanto esteve lá e depois de retornar. Ele contava que seus índices virais haviam caído de forma vertiginosa, que deixava os médicos americanos embasbacados.

Fiquei hospedada de frente para Chalice Well, enxergava seus jardins da varanda do quarto de nosso Bed & Breakfast. Todos os dias, a qualquer horário, via pessoas que traziam garrafas para buscar a água. Para entrar nos jardins é preciso pagar um valor que fica para a fundação de Chalice Well, porém há uma bica externa ao muro, com acesso livre a qualquer horário. Foi lá que enchi duas garrafas da sagrada água para trazer para casa.

Do outro lado da rua, ou seja, a questão de vinte metros, e também ao pé do Tor, nasce outra fonte: The White Spring. A Fonte Branca tem bem menos ferro, portanto o gosto é com certeza mais palatável, mas é rica em calcário. Por seu sabor mais agradável, foi usada por um tempo como a fonte oficial da cidade, e em sua nascente foi erigida uma construção para conter as cisternas. Dentro é proibido tirar fotos. O ambiente é marcadamente distinto de Chalice Well. É um prédio escuro, úmido, com o ruído da água e uma atmosfera espiritual que remete mais a um templo. É um templo. E ali não há fundação mantenedora, mas um grupo de voluntários que abre a fonte à tarde para visitação pública. Há incenso queimando, velas, altares. Aliás, dois grandes, um para o Deus Cornífero, e outro para a Deusa Mãe. Ficam diametralmente opostos. Andar ali dentro é andar pisando em águas… é bastante mágica a experiência. E completamente diferente da que se tem do outro lado da rua na fonte feminina. A White Spring, tem uma sensação de elevação, algo que nos puxa para cima, que relaxa ao se derramar sobre nós, ao contrário da gravidade reforçada e amorosa que sobe da terra para nos envolver e acolher em Chalice Well. Ali também é possível se banhar e fazer rituais. O grupo de voluntários também conduz rituais ocasionais no local. E, como na outra fonte, há uma bica externa, onde eu enchia minhas garrafas de água diariamente para beber ao longo das muitas caminhadas e passeios.

England_2015 (163)Por ser rica demais em calcário, a cisterna foi desativada porque os canos  constantemente entupiam. Então a fonte foi aposentada no seu papel de abastecimento de água da cidade, e o local permaneceu fechado até o grupo de voluntários assumir.

Por ser rica demais em calcário, a White Spring, deixa um rastro – adivinhe – branco por onde passa.

Não é a coisa mais incrível, fantástica e sagrada? Duas fontes, distantes coisa de vinte metros, deixarem rastros diferentes e tão simbólicos por onde passam? E também descobri que as duas águas se unem em canais subterrâneos e, juntas, abastecem a água do lago que fica dentro da propriedade da abadia de Glastonbury Abbey, que existiu desde o século V e chegou a ser a abadia mais rica e poderosa da Inglaterra até ser destruída por Henrique VIII. (Reza a lenda que o Rei Artur foi enterrado lá com Guinevere).

Usando a água sagrada em casa

Eu também trouxe uma garrafa dessa água da Fonte Branca, e está feliz e linda, junto com a água vermelhinha de Chalice Well na minha geladeira há quase seis meses. Porém, como são garrafas grandes (sim, eu arrisquei mesmo com a alfândega e trouxe no total três litros de água dentro da mala), ocupam espaço, e meu marido anda reclamando.

Então… uma inspiração minha foi de guardar e poder usar essa água em sprays. Uma mistura sagrada para borrifar na aura ou no ambiente, para limpeza e bênção. Optei por combinar com óleos essenciais de acordo com a vibração e efeito que estou buscando.

spraysCriei quatro vidros por enquanto. Alguns com pura água, óleos essenciais e glicerina vegetal, outros com mistura de águas da fonte branca ou da vermelha de Glastonbury
com água desmineralizada e até um pouco de álcool de cereais para ajudar na conservação e evaporação na hora de aplicar.

A água da chuva de dias sagrados na roda do ano é considerada sacra também. É comum coletar essa água e guardar em garrafinhas para usaagua white springr depois em feitiços, talismãs e bênçãos. Outra ideia é guardar água do mar de uma praia muito limpa. O uso é um pouco diferente, por ter sal, ela é basicamente purificadora. Tenho uma garrafa de água do Mariscal, SC há três anos comigo. Segue ótima.

Se você também tem águas sagradas guardadas a sete chaves em algum lugar da sua geladeira e curtiu a ideia de fazer um spray com elas, segue a receita:

Spray para aura ou ambiente

*1 vidro para 120 ml de líquido, com spray

*30 gotas de óleo essencial (boas combinações espirituais e sensoriais são lavanda com olíbano, sândalo com ylang ylang, vetiver com neroli e palmarosa)

*2 colheres de sopa de álcool de cereais ou vodka

*½ colher de chá de glicerina vegetal

* água sagrada ou água desmineralizada (ou uma combinação destas) <120ml, para completar o vidro.

Cristais de água

Masaru Emoto é o japonês que fotografa moléculas de águas congeladas. O trabalho dele é fascinante. Ele não só compara moléculas de água de fontes sagradas do mundo com águas comuns ou até poluídas, mas também compara moléculas do mesmo copo de água antes e depois de receberem uma oração, por exemplo. É impressionante as alterações moleculares que ocorrem sob a ação de sentimentos humanos (eu te amo, eu te odeio), estilos musicais, ou preces de qualquer tipo, rabinos, sufis, cristãos, budistas, e reiki, por exemplo. Considerando que nossos corpos e nosso planeta são compostos de 80% de água, imagine que tipo e força de ação nossos pensamentos individuais e coletivos podem ter sobre essa substância!

Isso também quer dizer que toda e qualquer água pode ser sacralizada ou benta. E é isso que devemos fazer. Abençoar o copo que bebemos, abençoar nosso corpo, enviar sentimentos de amor e bênção às águas que nos rodeiam, mesmo as mais poluídas. Imagine o espírito do rio Tietê… como precisa de atenção e encorajamento.

Um mapa de nossas águas sagradas

Em um país jovem e inconsciente como o nosso, onde ninguém consultou os habitantes nativos e onde, para homenagear e peticionar orixás (que são deuses importados, embora já muito arraigados por aqui), as pessoas entopem o oceano e os rios com material plástico, cabe a nós redescobrirmos e retomarmos o hábito de fazer oferendas naturais, peregrinações e devoções às águas sagradas que existem no nosso território. Eu adoraria que nos lançássemos em uma campanha de pesquisa e busca desses locais. E adoraria que quem já tem algum conhecimento sobre isso ajudasse, apontando suas descobertas aqui em comentários ou em outro lugar! Vamos fazer um mapa de nossos tesouros abençoados aquáticos brasileiros?

Horário ou anti-horário? Para que lado eu giro?

Sofro de uma angústia terrível com uma prática muito comum da bruxaria e da Wicca aqui no Brasil, com a qual, pessoalmente, não consigo ficar em paz ou entender.

Estou ruminando essa série de postagens há anos, porque minha angústia com o assunto é visceral e sei que vou propor aqui é um desafio à forma de pensar e praticar, mas não deveria ser.

Tendo tido a maior parte do meu treinamento e experiência mágicos no hemisfério norte, tudo fazia sentido natural. Girava-se e lançava-se um círculo no sentido horário (do sol) e o Ar ficava ao Leste, Fogo, ao Sul, Água ao Oeste e Terra, ao Norte. Bem como na maioria dos livros.

Bom, se entendemos que a bruxaria e o neopaganismo têm raízes nas práticas e tradições indígenas da Europa pré-cristã, faz sentido que a maior parte da literatura a respeito dessas tradições nos chegue desse continente e também dos EUA e Canadá que, por terem sido colonizados por ingleses, partilharam de muito do conhecimento oculto que foi escarafunchado, praticado e difundido na época vitoriana.

Certo.

Mas e como ficamos nós, bruxos que praticamos essas técnicas e religiosidade no hemisfério onde tudo fica ao contrário? Sim, porque não são apenas os rituais sazonais que ficam invertidos, (enquanto meus irmãos em Chicago se preparam para celebrar o outono, a gente aqui está chegando na primavera. E quando eles forem dar boas vindas ao inverno em dezembro, estarei suando em bicas com o verão), mas a maioria das correntes energéticas flui ao contrário, não só pelo efeito coriolis, observável nos vórtices de água e muitas vezes na descarga do vaso sanitário, mas pela própria direção na qual se move o sol.

Nosso sol sempre vai nascer ao leste e se pôr no oeste. Fato. Porém, contudo, todavia, entretanto, o percurso do ângulo que ele usa para chegar de um lado a outro é oposto dependendo do hemisfério no qual a gente se encontra.  Se você não estiver exatamente no Equador, ou no grau 22º (Sul no solstício de verão do hemisfério sul, e Norte, no do norte) o sol não passa exatamente a pino por cima da sua cabeça, mas tende à uma inclinação para o horizonte – quanto mais longe do equador você estiver, mais óbvia essa inclinação e mais baixa).

A regra é: o sol sempre vai fazer o percurso de leste a oeste pendendo para a direção da linha do equador. Portanto, se você mora no hemisfério norte, o sol vai rumar de leste a oeste passando pelo SUL. Dando a sensação daquilo que chamamos e conhecemos como “sentido horário”, que é o sentido do relógio – um apetrecho para medir o tempo inventado por europeus por que era o sentido que a sombra se movia no relógio de sol que eles usavam LÁ.

Agora, se você mora no hemisfério sul, o sol vai rumar de leste a oeste passando pelo NORTE. Dando a sensação do que chamamos e conhecemos como “sentido anti-horário”.

Qualquer arquiteto pode confirmar isso para você. Aqui no Brasil, se a gente quer uma casa bem iluminada, há que ter uma face norte com janelas. No Canadá, se suas janelas forem na face norte da casa, você não vê o sol nunca. Ponto final. Isso não é achismo, é astronomia e geografia.

Voltando à bruxaria, Pagãos adoram usar os termos antigos em gaélico ou saxão (baixo alemão antigo). Nessas línguas, que são tradição na Wicca e bastante usadas na bruxaria, usa-se as expressões Deosil e Widdershins para denotar as direções possíveis para lançarmos um círculo e nos movimentarmos nele.

Deosil quer dizer “sunwise” = na direção do sol (vem da mesma raiz do latim “dexter” – destro)

Widdershins quer dizer “lado contrário”.

Quando voltei dos EUA para o Brasil, não consegui praticar magia e fazer nenhum ritual por um bom tempo. Além da necessidade de me reambientar e readaptar, também não conseguia usar nada nórdico aqui, porque não fazia sentido no meu corpo e no meu trabalho mágico.

Minha religião é da terra, do chão, do lugar e do território onde estou. Minha magia também. Como bruxa, é assim que eu me entendo, eu me conecto com o planeta e suas forças naturais no local onde me encontro. Isso é mais forte do que qualquer ideia teórica pra mim.

Constatando que boa maioria dos bruxos brasileiros não arrisca fazer nada diferente do que dizem as bases nórdicas (de um sistema descoberto e convencionado porque funciona no local onde foram criados, no norte), fui em busca de outros bruxos de tradições nórdicas que trabalham e vivenciam essas tradições no sul – ou seja, australianos, sul-africanos e neozelandeses.

E… tá dá!!!! ELES INVERTEM TUDO.

Observe que eles são ingleses de origem e não tem o menor pudor em bagunçar o coreto. Eles não ficam cheios de nove horas ou de dedos para mexer e alterar ideias originárias de uma localidade outra, que claramente não se aplica ao ponto onde estão. Eles são da minha turma. 😉

Foi um alívio tremendo para mim. E algo que verifiquei não apenas em websites, mas livros escritos por bruxos australianos (sem contar os bruxos europeus que mencionam o tempo todo que no hemisfério sul as coisas são invertidas).

Então, se você é um buscador ou buscadora no Brasil, e não está contente em seguir uma regra apenas porque ela se insere em uma sólida egrégora estabelecida, mas quer mais é se conectar com as forças e correntes energéticas valorizando o ponto no planeta onde você trabalha e chama de casa, eu o convido a se juntar à turma que inverte a regra básica para adequar ao lugar que vive.

A direção para a qual a bruxa/bruxo/mago se move em um ritual é muito importante para o tipo de trabalho e energia que se busca, então a ideia é mover-se deosil, com o Sol (no caso brasileiro, anti-horário) para invocar, aumentar a energia, acrescer e entrar em contato com a potência da vida; e contra o Sol, (para nós, o horário), para banir, minguar a energia, encerrar um ritual, ou decrescer algo.

Seguindo esse mesmo sistema, algumas das correspondências de direções também se invertem, para manter a ordem fluída da energia e dos elementos, mas esse é assunto para outro post.

Encerro com a letra e um link para a belíssima canção da australiana Wendy Rule, que vem ainda com a observação entre parênteses. Traduções mais abaixo.

THE CIRCLE SONG ( Do álbum Wolf Sky)

The East the air the sword the mind

The gate that leaves the night behind

The North the sun the flame the fire

The gateway to our souls’ desire

The West the womb the water’s flow

The gateway to the world below

The South the star the silent Earth

The gateway to our souls’ rebirth

(This song casts circle in the Southern hemisphere.

For Northern hemisphere, switch Fire to South,

and Earth to North.)

“A canção do círculo

O Leste o ar a espada a mente

O portal que deixa a noite para trás

 O Norte o sol a chama o fogo

O portal para o desejo da nossa alma

O Oeste o ventre o fluxo d’água

O portal para o mundo abaixo

 O Sul a estrela a Terra silenciosa

O portal para o renascimento da alma

(Esta canção lança o círculo no Hemisfério Sul. Para o Hemisfério Norte, troque o fogo para o Sul e a terra para o Norte.)”

A Bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração de um herege…

Vou inaugurar algo novo neste blog.  Como tenho amigos internacionais que escrevem coisas lindas, mas que não têm material disponível em português, vou passar a fazer algumas traduções pontuais e compartilhar aqui. Vou começar por um texto de Gede Parma, um bruxo amigo (e agora também meu professor) que tem três livros muito legais publicados. Ele agora está em Bali, mas cresceu na Austrália, e muito do meu interesse pelos bruxos australianos veio por conta de partilharmos do mesmo hemisfério terrestre, o que traz características especiais para nosso trabalho mágico.

Enfim, sem mais, vou proceder com o ótimo e poético texto que ele publicou originalmente em 22 de abril no blog da página dele. Bruxos e bruxas, com vocês, Gede Parma:

“A Bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração de um herege…

Hoje, muita gente vê a Bruxaria – em suas várias modalidades – como um resgate das feitiçarias pagãs pré-cristãs e o xamanismo ancestral de nossos antepassados europeus. Sim, ela é. E, no entanto, a Bruxaria pertence a uma História, é uma Medicina Mítica nascida da terrível união entre serpentes de fogo, o povo escondido dos ocos dos morros e aqueles com língua serpentiforme que testemunham tudo isso – a magia humana se encontra com o fogo do outro mundo, e a Árvore do Conhecimento oferece seus frutos.

As famílias particulares e os clãs de Craft de hoje contam lendas sobre anjos decaídos, gnose Luciferiana, irmãs Feéricas no vento e nos rios, da sabedoria dos mortos, nossos amados e poderosos ancestrais, e essa é uma conversa, um confronto, uma interrogação. Nossa conversa não se encerrou com a corrupção da Igreja de Constantino e a conversão gradual da Europa, África e Oriente Próximo às crenças abraâmicas. Isso foi, claro, o começo de um genocídio cultural que a população profundamente ferida da Europa propagou em seus navios coloniais como uma doença, levada a quase todos os cantos do planeta. Essa é uma doença que Bruxos conhecem bem. Ele surge para combater esse tirano, aqueles que de propósito decidem empunhar essa monstruosidade. Ele nasce para conjurar a Arte e a Consciência para dentro das pessoas e abrir à força nossos corações um pouco mais para a Beleza. Dançamos com demônios para que saibamos como estraçalhá-los, e os antigos deuses nos ajudam, enquanto somos nós estraçalhados para renascermos em um Fogo Alquímico que nos leva ao Fio da Navalha. Palavras aqui sussurradas vão reformular o Mundo.

Sim sou Bruxo. Sou Pagão às vezes, sou pagão a maior parte do tempo. Tenho de ser animista com as samambaias e as flores, cantando para a glória do pó anterior, que existe sob o peso do asfalto e do concreto, espirais de aço no desenho das cidades. Preciso sê-lo com rios tóxicos e ar poluído, eu o inspiro e ele se move em mim. Tento provar e absorver o veneno e transmutá-lo num bálsamo de cura, uma canção corvídea radical que vai consertar a quebra. Sei como voar no Vento, mas esse conhecimento, e até mesmo essa ação, é apenas verdadeiramente da Bruxaria quando inserido em um contexto de muitos, de uma comunidade dos que transitam no mistério. Abençoados sejam os guerreiros dessas últimas palavras… Lee Morgan, Peter Grey, Oberyn Huldren, Ravyn Stanfield…

Uma famosa líder da Bruxaria Moderna, que é em geral considerada como New Age ou uma pastora excessivamente politizada, na verdade explica o âmago da Bruxaria para os iniciados quando diz: “A Bruxaria é a tradição secreta iniciatória da Deusa da Europa e do Oriente Próximo.” No coração de nossa Bruxaria está a Deusa, Nossa Senhora. É a Verdade, a Sabedoria, o Amor. Mas não paramos nossa conversa nas cavernas; levamos nossas antigas e profundas alianças com aqueles espíritos ancestrais e os mistérios e infiltramos capelas e catedrais, onde eles construíram suas casas para Deus, conhecendo a estratégia deles. Esses pagãos imundos, esse vadios gentios, precisam vir até esses poços, onde essas linhas de poder convergem nesta terra, precisam vir até onde nós derrubamos os bosques do demônio, então é aqui que vamos construir. E então nós fomos – meus ancestrais, e provavelmente os seus também, foram – e, primeiro, por baixo de nossas preces ao Cristo, Maria e os santos, nós sussurramos e lembramos de outros Nomes, outros Poderes, até que um dia não lembramos mais. Há uma Casa Secreta que guarda essa memória, beba dessa Água e talvez vá recordar. Sim, isso era pagão, a religião da própria terra, mas o segredo das bruxas mesmo na barriga do algoz. Conhecemos o comportamento das feras, bestas saudáveis, fortes, vívidas, ou lembramos de como as coisas deveriam ser.

Sou herege. Mantenho santuários com luzes iluminando o rosto dos Santos, de Maria, de Jesus. Sussurro seus Nomes junto a outros Nomes – os Antigos são alimentados, regozijam, re-lembram, como eu relembro. Tenho uma faca e um cálice diante de Maria; invada minha casa, caçador, sim, há heresia aqui… que a fidelidade da casa, a antiga providência do coração, seja meu escudo. As bruxas sobem pelas chaminés, levadas pela fumaça de nossas plantas sagradas, pactos que fizemos há muito tempo, e alçamos voo para nos comprometermos com o desdobrar das obras do próprio Destino. Sempre, como a raposa voadora, como a lebre saltitante, aparentemente delicados e mansos, mas verdadeiramente astuciosos, escapamos de seu ávido domínio.

Ordens enviadas para nos pacificar e oprimir são desmontadas quando as subvertemos de dentro para fora. Nunca deixamos de conversar nossas conspirações corvídeas, nossas catedrais de congregação encobertas pela noite. Nossos ritos não são relíquias, são bestas vivas e famintas. Elas nos tiram de nossas camas à noite para que cruzemos o limiar do lar colhido conjurando poderes ctônicos que se erguem do frêmito terrestre. Buchadas soturnas são evacuadas, enquanto sonhos urdidos em tranças fortes e ancestrais de luxúria nos levam de volta para casa e uns para os outros. Reunimo-nos em grupos de mais de três, nas encruzilhadas e em chãos tortuosos e desparelhos, para encantar e perturbar as burocracias do tempo e o gasto energético da elite. A sombra da tirania capitalista afoga as Pessoas e o Planeta. Foi para isso que nascemos, e Antigas Casas são ressuscitadas. Aradia, Jack, Robin da Arte, Jeanne da Árvore, fervilhamos no espaço entre as palavras nos livros de história… o mundo jamais esqueceu de verdade… assombramos e levamos vivacidade aonde apenas a aridez do coração parece governar… Chegamos com um tição feito das cinzas de nossos Companheiros Decaídos e as brasas das cavernas, nossos espíritos acenderam a Fagulha uma vez mais.

Esgueiramo-nos em cemitérios e dançamos em rochedos esculpidos pelo mar…

Consorciamos com Poderes Leviatânicos nas frestas do que foi e do que vai ser. Tudo o que vai ser. Irmãs Nornes de rostos encovados e olhar jovial seduzem nossos espíritos a saltarem muros rumo à terra de nosso legado…

O baixar das armas de guerra uns contra os outros e nossos corpos se avizinha, se dobra, contorce, para criar Arte nos centro concordantes onde a feitiçaria se torna uma sinergia com Nosso Próprios Espíritos…

Nossa conversa nunca terminou. Não uns com os outros. Nem com você. Nem com os vis vilões que são os terroristas da riqueza da terra e nossa imanência soberana. Nossa conversa se tornou silenciosa, efervescente, lamuriosa… se tornou cambaleante, arruinada e tempestuosa… se tornou o sal nas lágrimas e o trovejante arco-íris na risada de nossas peles ao entrarmos e sairmos do Trabalho que fazemos para derrubar a fortaleza… não duvide que estamos trabalhando…

A bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração do herege… E hereges se fortalecem quando por Escolha somos tomados por Loucos, e nessa Loucura recebemos as Chaves para as Torres… cantamos com os Tecelões-Estelares e os relâmpagos se arqueiam para cima e para baixo, para baixo e para cima.

Nossa Loucura não é para todo mundo até que nosso Trabalho esteja terminado. Declarações de Domínio Daimônico habitam em Sonhos. Sonhos que vamos despertar.”

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Gede-FaceGede Parma (Fio) é bruxo, vidente, curandeiro, místico, ativista e escritor. Mora em Ubud, Bali, a ilha onde nasceu, e é um viajante do mundo. É um autor premiado de livros sobre paganismo e bruxaria e um entusiasta da poesia informal e da dança. Apresenta workshops sobre magia xamânica, feitiçaria e também rituais em ambos os hemisférios e é iniciado nas linhagens Wildwood e Anderean de bruxaria, bem como Reclaiming e é um aprendiz da Anderson Faery. É conhecido por seu foco facilitador em espaços de êxtase e comunhão íntima com os Poderes do Eterno Cosmos e Espíritos Locais em todo o mundo.

Já palestrou em muitas conferências pagãs e espirituais, festivais e retiros. Já compartilhou sua magia e suas perspectivas no Parliament of the World’s Religions, Reclaiming WitchCamps, BaliSpirit Festival, Between the Worlds, Pagan Summer Gathering, DragonEye Tours, Ritual Experience Weekends e facilitou centenas de rituais abertos ou privados, workshops e intensivos ao redor do mundo.