A volta do Caldeirão!

Depois de um longo hiato para trabalhos de curas pessoais meus, estou de volta com uma nova edição do curso Ativando o Caldeirão de Poder Feminino. Como acredito firmemente que a gente só consegue levar as pessoas até onde a gente mesmo se aventurou a chegar, precisei me dar um tempo para eu ter o tempo de processar uma experiência muito nova na minha vida, e agora me sinto em condições de partilhar mais uma vez minhas descobertas e guiar vivências com uma nova turma.

Este é um curso ritualístico e vivencial, bastante intenso em seus processos que se propõe a despertar a magia feminina extática e espontânea nas nossas vidas, propor curas de autoestima, de dinâmicas de relações e de aceitar a mulher selvagem que habita em nós, a diva-feiticeira que escreve seu próprio destino.

Seguem as datas e as devidas informações. São três módulos, só poderá participar do Módulo II quem tiver completado o Módulo I, e assim por diante.

Ativando o caldeirão de poder: um curso de magia feminina baseada no valor pessoal e na sabedoria do corpo

 O verdadeiro caldeirão de toda a magia habita dentro de cada mulher: é o nosso ventre. O útero tem uma energia tão incrível que pode formar e gestar não apenas o milagre de uma vida humana, mas também nossos projetos, sonhos e relacionamentos. Despertando, honrando e nos conectando a essa energia tomamos o trono do poder das nossas vidas como verdadeiras imperatrizes que somos.

Este curso propõe vivências e ritos profundos para fazer este resgate e conexão, mudando sua energia de vida.
É dividido em três módulos que são uma construção. O primeiro é independente, mas é um pré-requisito para o segundo e assim por diante. Este é um convite para você despertar e viver sua energia em sua máxima potência. Vamos?

 Módulo 1: Uma mulher, quatro arquétipos: Entendendo os poderes secretos do nosso ciclo e das nossas fases; celebrando a sacralidade de nascer e viver mulher

 Nesse workshop vamos abordar um pouco das representações femininas sagradas ao longo da história, nos reconectar com nossa divindade interior,  reconhecer os talentos e energias de cada fase de nosso ciclo menstrual e cada fase da vida, despertar para nossa natureza verdadeira de força, amor e criatividade e firmar um compromisso ritualístico com ela.

 Alguns tópicos abordados:

* imagens de Deusas ancestrais e nossa reconexão com a Sacralidade Feminina   *o útero como centro de força e criação da nossa vida *entendendo nossa face Donzela, Mãe, Feiticeira e Anciã * mistérios do sangue: da menarca à menopausa * o ciclo menstrual, seus arquétipos e as fases da lua *cuidados naturais com o corpo; aromaterapia e ervas que auxiliam nas diferentes fases da mulher.

 Dia 16/06/18 No Laboratório Lunar – Rua Cayowaá 895, São Paulo

Das 10h às 18h com pausa para o almoço. Inclui coffee break e todos os materiais.

Investimento: 250,00

INSCREVA-SE  CLICANDO AQUI

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 Módulo 2: O casamento sagrado; fazendo as pazes com nossa sexualidade, recuperando o prazer, alquimia e magia sexual.

No segundo encontro, vamos tratar de nossa relação com o outro, em especial, com o masculino externo a nós, representado nos nossos parceiros sexuais e afetivos; as dinâmicas que se desenvolvem e que precisam ser curadas e acordando para as armadilhas sociais nas quais, muitas vezes, entramos de bom grado. Também vamos falar do grande poder da sexualidade e o que ocorre em níveis energéticos para a mulher no encontro íntimo, além da fundamental busca e redescoberta do prazer feminino para vivermos uma vida plena de força e alegria pessoal. Os rituais trabalhados serão de limpeza energética de nosso útero para libertação de padrões (e amarras) passados.

Data: 15 de setembro  Horário: das 10h às 18h    Local: no Laboratório Lunar

Módulo III: Reconhecendo a mulher selvagem, o poder da feiticeira sobre sua cura e seu destino.

Neste encontro caminhamos para o encerramento do ciclo, trabalhando curas familiares, reconhecendo nossos poderes e ferramentas pessoais como caminho para uma vida plena em conformidade com nossa força interior.

Data: 1/12/2018   Horário: das 10h às 18h    Local: no Laboratório Lunar

PETRUCIA FINKLER é astróloga, taróloga, Moon Mother iniciada por Miranda Gray, e praticante de bruxaria. Natural de Porto Alegre, desde 2001 trabalha com curas do feminino a partir de uma visão xamânica e energética. Depois foi morar no exterior e participou ativamente e também conduziu círculos de mulheres em Chicago, EUA, onde passou nove anos. De volta ao Brasil, radicada em São Paulo, entre 2012 e 2013 foi uma das facilitadoras da roda feminina Irmandade das Pedras em São Paulo e, em 2015, deu início ao curso Ativando o Caldeirão de Poder Feminino. Ela é palestrante convidada de diversos eventos místicos, faz atendimentos, mantém o blog Elemento Chão e ensina magia em seu Conclave da Rosa e do Espinho.

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Nova turma de formação mágica

Tenho sido muito procurada por pessoas que desejam estudar magia e bruxaria com uma orientação adequada. De fato, livros não bastam, é preciso prática; e prática com orientação específica, dentro de uma linha que a gente goste, com uma pessoa em quem confiamos, é algo muito proveitoso e acelera muito o progresso pessoal dentro de qualquer arte ou ofício.

Então é com muito carinho que apresento o currículo novo da Formação Mágica do Conclave da Rosa e do Espinho. O Conclave é um clã de bruxaria, ainda em formação, ainda se estabelecendo devagarinho, reunindo pessoas que passaram pela formação mágica que eu venho oferecendo desde 2015. A formação era mais complexa e ampla, reunindo várias áreas do saber, e poderia ser levada com o aluno para qualquer vertente que ele fosse explorar ou viver. Para a versão 3.0, mexi em muita coisa e deixei ainda mais prático e direto ao ponto no que diz respeito à Bruxaria Tradicional Moderna. Segue sendo uma formação bem completa, mas espacei de forma distinta e retirei conteúdos que vou oferecer em workshops e webinários a partir de abril. Com os webinários, pessoas de outras localidades vão poder ter acesso a vários conteúdos e práticas de aprofundamento, e alguns participantes da formação também podem optar em experimentar coisas diferentes e complementar os estudos com essas aulas extras.

A formação ficou mais curta, agora é de nove meses, mas a duração dos encontros é mais longa, para incluir mais práticas orientadas. E, ao final, ta-dá!, teremos uma formatura com um mega intensivo de práticas avançadas.

Para saber do currículo, horários, turmas, valores, e o que esperar, clique no formulário, tá tudo lá. Se tiver dúvida de algo que não estiver lá, me escreva.

Clique aqui para o formulário de declaração de interesse

Bênçãos luminosas para um ano brilhante para todos nós!

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Uma experiência muito especial de TradCraft no Brasil

Para os pagãos que curtem a vertente mais tradicional, Old Craft, com pegadas fortes de transe, xamanismo e “lore” (conhecimento passado por tradição oral), a vinda do Gede Parma é uma oportunidade maravilhosa de aprofundar mesmo suas técnicas e vivenciar um estilo de trabalho que tem pouca divulgação no Brasil.

O foco é em praticantes com cancha, que saibam muito bem usar de centramento e aterramento,  além de entrar, manter e sair de transe com controle de si e por vontade própria. Esses são os requisitos básicos. Fora isso, todos são bem vindos, venha você do xamanismo, do druidismo, da Wicca, da BT, da magia cigana… não importa. A ideia não é reforçar diferenças, é trabalhar técnicas que nos fortalecem e nos desenvolvem em nossa força.

Seguem os flyers, as informações para Rio (10 e 11/11) e São Paulo (16, 18 e 19/11) você encontra na página @GedeParmaBrazilTour e entrando em contato com o pessoal do Via Paganus (RJ) ou comigo, Petrucia Finkler para os cursos de São Paulo – informações nos banners abaixo.

As inscrições estão abertas, esperamos você!

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GedeSP

GEDE PARMA NO BRASIL

12604709_443667695824303_8155754261481628369_oEm novembro agora o querido e muitíssimo talentoso bruxo e autor australiano vem ao Brasil para uma série de workshops de aprofundamento no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Há anos, ele manifesta uma vontade imensa de conhecer o Brasil, e estamos muito felizes, eu, Wagner Périco e Cris Morgan (estes dois do espaço Via Paganus no Rio) em poder auxiliar com essa possibilidade, conectando o Gede com pessoas interessadas no trabalho dele por aqui.

Serão workshops bem focados em praticantes mais avançados, que terão a oportunidade de aprofundar técnicas de bruxaria extática e xamânica, pois são bastante vivenciais e exigem dos participantes uma boa experiência de trabalho com estados discretos de consciência.

Ele faz parte da Reclaiming, da tradição Wildwood da Austrália e iniciado em Anderean Craft. Não é conhecido amplamente no Brasil, mas tem quatro livros publicados pela Lllewellyn.

Novidades e ficha de inscrição você encontra na página sobre a turnê.

Inscrições e informações sobre os cursos do Rio de Janeiro (10 e 11 de novembro), entre em contato com o Via Paganus no email: viapaganus.rj@viapaganus.com

Inscrições e informações sobre os cursos em São Paulo (16, 18 e 19 de novembro) você encontra aqui 

Confira o vídeo da entrevista que fiz com ele sobre esta vinda:

 

Nova turma de formação mágica

Em 2015 dei início a um grupo de formação mágica com duração de 12 meses. Estamos na reta final com essa primeira turma. Está na hora de preparar o terreno para a próxima roda.

Tenho preferência por encontros presenciais (São Paulo), mas, dependendo do caso, é possível participar via skype ou hangout.

Para saber mais, leia o post no blog do próprio Conclave da Rosa e do Espinho. Se o chamado ecoar no seu âmago, mande um email pedindo pelo formulário, com mais informações e espaço para sua declaração de interesse.

A próxima turma de formação mágica começa na primeira quinzena de setembro.

A DATA DE ENCERRAMENTO PARA ENVIO DO FORMULÁRIO É 18 DE AGOSTO DE 2016.

 

 

Abrindo portais de possibilidades

“Toda mulhcooking-poter é feita à imagem da Deusa.”

Lembro tão claramente da primeira vez que escutei isso, e o quanto esse pensamento instantaneamente abriu em mim um portal de possibilidades e uma elevação imediata de autoestima. Eu já tinha lido as Brumas de Avalon anos antes, já tinha achado lindo mulheres cultuando a Deusa, como criadora de todas as coisas e cujos rituais são os atos de amor e prazer; já havia conhecido um coven de Wicca em Porto Alegre em 1994 e estava levemente familiarizada com a ideia de paganismo, mas nada disso mexeu comigo tão visceralmente quanto o trabalho de cura xamânica do útero do qual participei alguns anos mais tarde.

Nascer e crescer mulher traz em si experiências muito próprias e por vezes muito doloridas por estarmos inseridas em uma sociedade que aprendeu a valorizar muito mais os traços e atitudes masculinas e acabou restringindo as mulheres a certos papéis e limites. Temos, aparentemente, apenas duas escolhas: o caminho do feminino tradicionalmente aceito pelo patriarcado e a sociedade de consumo, ou abrir um atalho à força, endurecendo nossa natureza para sermos aceitas como iguais em um mundo gerido pelo clube do bolinha. Esse clube que aceita, espera e louva as figuras, por exemplo, da mãe perfeita, da barbie, e até do furacão sexy, ao mesmo tempo, abusa de todas elas, pois parece que podem ser usadas quando convém e descartadas, magoadas ou traídas quando convém. Se vamos pela outra senda possível, se não crescemos com uma beleza tradicional e estonteante, ou desejos imediatamente maternais e casadoiros, mas tivemos a sorte de sermos inteligentes e reconhecidas por isso, então, para nos inserirmos e sermos respeitadas de verdade, acabamos por nos masculinizar demais, exacerbando nossa competitividade, nossas cobranças e encontrando um sem fim de dificuldades para relaxar na vida e curtir nossos relacionamentos. Essa postura de animus muito desenvolvido que foi ensinada (e muito bem captada pela minha geração), é um dos grandes paradoxos que estamos vivendo enquanto fêmeas (e machos) e está muito bem descrita nesse texto de Ruth Manus.

Mas será só isso mesmo? Onde podemos vivenciar algo diferente em nossas vidas? Até que ponto nossas escolhas e atitudes sustentam padrões negativos para nós mesmas e até que ponto estamos explorando de fato todas nossas opções e caminhos? É possível um reencontro sagrado e verdadeiramente feminino consigo?

E o quanto um encontro assim, que fortalece nossa natureza verdadeira, pode ser benéfico à toda nossa espécie? Pois afinal, mesmo os homens estando no comando, eles não estão bem, não estão felizes. Se metade da humanidade passa mal, a outra metade, mesmo dominante, não pode estar saudável.

Essas perguntas não têm respostas prontas nem muito menos fórmulas mágicas propondo soluções. São buscas que podem levar a vida toda, mas, com todo o movimento do ressurgimento da Deusa e da proliferação linda e amorosa dos círculos de mulheres, dá para ver que são uma ânsia compartilhada, uma sede de nós mesmas que afeta cada vez mais mulheres que querem viver uma autenticidade, uma irmandade, uma vida mais completa seja lá do que for que nosso âmago e alma precisem exprimir no mundo — e que passa pelo reconhecimento de que nossos corpos e nossas expressões são sagrados.

Dentro da minha busca, já passei por vários momentos, vários cursos, vários círculos, várias observações de vida e fiz um bocado de descobertas. E  é com imensa alegria que agora anuncio que o curso “Ativando o Caldeirão de Poder Feminino” , depois de alguns ensaios, vai finalmente sair, agora em agosto.

Dia 1/8 vai ter uma turma bem pequena na minha casa, as vagas já estão quase completas.

Dia 8/8 o curso acontece no espaço Terapia Femmes na zona sul de São Paulo. Clique aqui para ver o evento.

O primeiro módulo é voltado à retomada do seu poder pessoal e da sua sacralidade como mulher. Vamos passar um dia de vivências e rituais  para celebrar nossa divindade e nos comprometermos com um viver mais amoroso e suave. Também vamos falar e entender as diferentes personalidades e talentos que manifestamos durante as quatro faces arquetípicas que vivemos durante um ciclo menstrual e as fases arquetípicas que vivenciamos ao longo da vida, desde a Donzela até a Anciã.

Uma de nossas maiores forças está em descobrir que é possível amar nossos ciclos – do mês e da vida, entendendo a magia e a força de cada um, despertando todo o potencial do nossos úteros, nosso caldeirão criativo que nutre e gesta nossos projetos, sonhos e relacionamentos.

O curso usa conhecimentos e técnicas que vem de tradições xamânicas, como os Toltecas, da magia ocidental com origem cabalística ou celta, e de ensinamentos divulgados pela autora e terapeuta energética Miranda Gray.

Todo trabalho energético e ritualístico mexe com coisas profundas  e seus efeitos podem ser imediatos ou levar anos, não há como prever, mas pela possibilidade inerente de transformação que trazem em si essas propostas, é importante que atendamos o chamado ao nos sentirmos prontas.

Se esse for o seu momento, venha se juntar a nós.

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Lua Branca e Lua Vermelha

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Imagem da artista, escritora e curadora Miranda Gray usada em seus trabalhos do feminino como o curso Red Moon e a Bênção do Útero

Mulher é um bicho esquisito. Já ouvi isso muitas vezes. Não apenas somos “de lua”, como já ouvi dizerem que é preciso “temer um bicho que sangra três dias sem parar e não morre”. Sem dúvida, só esse motivo já basta para deixar os homens desconfiados desses nossos mistérios do sangue.

Os mistérios da natureza fêmea mamífera humana são muitos. Acrescente-se ao sangramento (que em média varia de 10 a 80 ml por ciclo) o fato de que, em sociedades antigas, quando não havia luz elétrica, as mulheres sangravam todas juntinhas na lua nova. E ficavam todas recolhidas em tendas, segundo alguns relatos que sobreviveram, sangrando sobre a terra ou a palha, porque, afinal, não dá para ficar se locomovendo com sangue escorrendo pelas pernas num período em que ainda não havia nem toalhinhas, nem absorventes, nem ob, nem diva cup. As mulheres cíclicas de então ficavam nessas “tendas vermelhas” e eram atendidas pelas meninas mais novas e pelas mulheres mais velhas, experiências que ainda não chegaram ou que já passaram por essa consonância da lua com o útero. Os homens não visitavam essa redoma protetora. Mais um mistério. Que raios se passava lá dentro? Com todas as mulheres reunidas? E era sempre justo quando a lua sumia do céu que a maioria das mulheres cíclicas parava de circular pela aldeia e ia se enfiar numa cabana para sangrar junto a suas irmãs de tribo.

Digo a maioria porque a sociedade sempre conheceu mulheres do contra, as que tinham o ciclo inverso e sangravam nos dias da lua cheia: as mulheres do Ciclo da Lua Vermelha. Essas não acompanhavam a energia crescente e decrescente da lua com seus úteros,elas circulavam normalmente pela aldeia e ajudavam quando as outras estavam encerradas na tenda vermelha, porém sumiam de circulação justamente na plenitude lunar, quando todos faziam festas para a deusa brilhante da noite, que abençoava afastando a escuridão, exacerbando a sensibilidade, provocando partos, subindo marés e indicando a fertilidade das mulheres que acompanhavam o ciclo da lua branca.

Não pensem que as mulheres “primitivas” não faziam ideia de quando estavam férteis. Não pensem. É subestimar demais nossa capacidade de observação e até mesmo a inteligência corporal animal. Tá certo que os homens estavam ocupadíssimos amarrando umas pedras lascadas nuns pedaços de pau para fazer machadinhas e se reunindo em grupos para derrubar o mamute e garantir o sustento da tribo, mas pressupor que a parcela da espécie que ficava parindo bebês, cuidando de crianças e velhos e desenvolvendo melhorias para a comunidade  através de experimentos químicos super complexos como curtir peles e couros, transformar alimentos através do fogo e da cocção e a descoberta de ervas curativas não tinha sequer noção do seu próprio ciclo corporal é um pouco tolo.

Para comprovar isso, taí a Vênus de Laussel, também chamada de “Femme a la corne” um relevo esculpido em calcárioVenus de Laussel ainda no paleolítico, entre 29 e 22 mil anos atrás, que, como tantas outras expressões encontradas dos humanos daquele período da nossa história, retrata uma mulher de medidas exuberantes (ou seja, muito fêmea e redondinha!), sem detalhes de rosto, mas com os seios,  as coxas, o ventre e os genitais bem desenhados. Essa, que foi encontrada em uma caverna na França, tem a mão esquerda sobre o ventre, e a direita segurando um objeto em forma de meia-lua ou chifre, com treze marcações, para o qual ela aparenta estar olhando. Uma das interpretações mais comuns feitas pelos estudiosos é de que a figura seja uma deusa da fertilidade ou uma sacerdotisa xamânica, segurando o que seria  uma espécie de calendário rudimentar, marcando o número de lunações em um ano. E quem mais tem treze “luas”em um ano? Quem acompanha as lunações com sangramentos mensais?  Aí está… A Vênus de Laussel, por ser uma figura feminina que segura essa lua  com as treze ranhuras, demonstra claramente que era sabido que a mulher tinha treze sangramentos em um ciclo solar anual. Para reforçar essa ideia, a imagem ainda por cima tem vestígios de ocre vermelho, indicando sangue.

Esse pigmento vermelho, trata-se de um óxido de ferro mineral usado em pinturas e tingimentos,  é também encontrado em um número muito grande de sepultamentos e tumbas do período pré-histórico, inclusive no nordeste brasileiro. É notável a quantidade de achados arqueológicos de pessoas enterradas em decúbito lateral (de lado) e posição levemente encolhida, quando não claramente fetal, em diversos continentes da Terra, com seus restos mortais, ossos, ou mesmo fibras que envolviam os corpos cobertos com esse pigmento avermelhado. Uma das interpretações é que esses povos claramente entendiam que, assim como todos viemos de um útero vermelho e nascemos envoltos em sangue, da mesma forma, também nos ritos fúnebres, somos devolvidos envoltos nesse sangue simbólico ao útero da terra, ao útero da natureza, a Grande Mãe, que nos recebe de volta em seu ventre que nos transformará e nos parirá em um outro mundo ou plano existencial.

Se de uma mãe viemos, a uma mãe voltaremos.

A sintonia dos nossos ciclos, mesmo como mulheres modernas usando apps de receitas e vendo séries no netflix, ainda tende a acompanhar a lua, seja em consonância, férteis na lua cheia e sangrando na lua nova, ou expressando a energia oposta. São os chamados Ciclos da Lua Branca e da Lua Vermelha.

Ao longo da vida oscilamos entre os dois, passeando de um ponto ao outro dependendo de como estamos com nossa energia: se mais “maternas” e concordantes com expectativas tradicionais de gênero sobre a passividade e acolhimento femininos (características muito louvadas em nós pela sociedade patriarcal), ou se estamos indo contra a correnteza, tentando criar um novo caminho, testando novas águas solitárias, nos colocando à margem dos papéis prontos e sendo imprevisíveis, amazonas, misteriosas e indomáveis.

É muito interessante observar os movimentos do nosso ventre nesse sentido para entendermos a vontade do corpo e o que ele nos revela sobre a energia que nos interessa *de fato* em cada momento.

Se você não está menstruando nem na lua nova nem na cheia exatamente, é porque seu ciclo está oscilando rumo a uma direção ou outra. Fique atenta para acompanhar para onde ele aponta.

A Vênus de Laussel, do alto de seus 45 cm, nos mostra que sempre soubemos das coisas, o importante é prestar atenção e valorizar a sabedoria que nos pertence desde sempre.

**esse texto nasceu como parte da preparação para o curso Ativando o Caldeirão de Poder Feminino. Para um dia de vivências ritualísticas e papos profundos sobre a essência de nossa natureza cíclica e sacralidade femininas, entre em contato comigo para saber das próximas datas ou organizar uma turma na sua região.