Nova turma de formação mágica

Em 2015 dei início a um grupo de formação mágica com duração de 12 meses. Estamos na reta final com essa primeira turma. Está na hora de preparar o terreno para a próxima roda.

Tenho preferência por encontros presenciais (São Paulo), mas, dependendo do caso, é possível participar via skype ou hangout.

Para saber mais, leia o post no blog do próprio Conclave da Rosa e do Espinho. Se o chamado ecoar no seu âmago, mande um email pedindo pelo formulário, com mais informações e espaço para sua declaração de interesse.

A próxima turma de formação mágica começa na primeira quinzena de setembro.

A DATA DE ENCERRAMENTO PARA ENVIO DO FORMULÁRIO É 18 DE AGOSTO DE 2016.

 

 

Abrindo portais de possibilidades

“Toda mulhcooking-poter é feita à imagem da Deusa.”

Lembro tão claramente da primeira vez que escutei isso, e o quanto esse pensamento instantaneamente abriu em mim um portal de possibilidades e uma elevação imediata de autoestima. Eu já tinha lido as Brumas de Avalon anos antes, já tinha achado lindo mulheres cultuando a Deusa, como criadora de todas as coisas e cujos rituais são os atos de amor e prazer; já havia conhecido um coven de Wicca em Porto Alegre em 1994 e estava levemente familiarizada com a ideia de paganismo, mas nada disso mexeu comigo tão visceralmente quanto o trabalho de cura xamânica do útero do qual participei alguns anos mais tarde.

Nascer e crescer mulher traz em si experiências muito próprias e por vezes muito doloridas por estarmos inseridas em uma sociedade que aprendeu a valorizar muito mais os traços e atitudes masculinas e acabou restringindo as mulheres a certos papéis e limites. Temos, aparentemente, apenas duas escolhas: o caminho do feminino tradicionalmente aceito pelo patriarcado e a sociedade de consumo, ou abrir um atalho à força, endurecendo nossa natureza para sermos aceitas como iguais em um mundo gerido pelo clube do bolinha. Esse clube que aceita, espera e louva as figuras, por exemplo, da mãe perfeita, da barbie, e até do furacão sexy, ao mesmo tempo, abusa de todas elas, pois parece que podem ser usadas quando convém e descartadas, magoadas ou traídas quando convém. Se vamos pela outra senda possível, se não crescemos com uma beleza tradicional e estonteante, ou desejos imediatamente maternais e casadoiros, mas tivemos a sorte de sermos inteligentes e reconhecidas por isso, então, para nos inserirmos e sermos respeitadas de verdade, acabamos por nos masculinizar demais, exacerbando nossa competitividade, nossas cobranças e encontrando um sem fim de dificuldades para relaxar na vida e curtir nossos relacionamentos. Essa postura de animus muito desenvolvido que foi ensinada (e muito bem captada pela minha geração), é um dos grandes paradoxos que estamos vivendo enquanto fêmeas (e machos) e está muito bem descrita nesse texto de Ruth Manus.

Mas será só isso mesmo? Onde podemos vivenciar algo diferente em nossas vidas? Até que ponto nossas escolhas e atitudes sustentam padrões negativos para nós mesmas e até que ponto estamos explorando de fato todas nossas opções e caminhos? É possível um reencontro sagrado e verdadeiramente feminino consigo?

E o quanto um encontro assim, que fortalece nossa natureza verdadeira, pode ser benéfico à toda nossa espécie? Pois afinal, mesmo os homens estando no comando, eles não estão bem, não estão felizes. Se metade da humanidade passa mal, a outra metade, mesmo dominante, não pode estar saudável.

Essas perguntas não têm respostas prontas nem muito menos fórmulas mágicas propondo soluções. São buscas que podem levar a vida toda, mas, com todo o movimento do ressurgimento da Deusa e da proliferação linda e amorosa dos círculos de mulheres, dá para ver que são uma ânsia compartilhada, uma sede de nós mesmas que afeta cada vez mais mulheres que querem viver uma autenticidade, uma irmandade, uma vida mais completa seja lá do que for que nosso âmago e alma precisem exprimir no mundo — e que passa pelo reconhecimento de que nossos corpos e nossas expressões são sagrados.

Dentro da minha busca, já passei por vários momentos, vários cursos, vários círculos, várias observações de vida e fiz um bocado de descobertas. E  é com imensa alegria que agora anuncio que o curso “Ativando o Caldeirão de Poder Feminino” , depois de alguns ensaios, vai finalmente sair, agora em agosto.

Dia 1/8 vai ter uma turma bem pequena na minha casa, as vagas já estão quase completas.

Dia 8/8 o curso acontece no espaço Terapia Femmes na zona sul de São Paulo. Clique aqui para ver o evento.

O primeiro módulo é voltado à retomada do seu poder pessoal e da sua sacralidade como mulher. Vamos passar um dia de vivências e rituais  para celebrar nossa divindade e nos comprometermos com um viver mais amoroso e suave. Também vamos falar e entender as diferentes personalidades e talentos que manifestamos durante as quatro faces arquetípicas que vivemos durante um ciclo menstrual e as fases arquetípicas que vivenciamos ao longo da vida, desde a Donzela até a Anciã.

Uma de nossas maiores forças está em descobrir que é possível amar nossos ciclos – do mês e da vida, entendendo a magia e a força de cada um, despertando todo o potencial do nossos úteros, nosso caldeirão criativo que nutre e gesta nossos projetos, sonhos e relacionamentos.

O curso usa conhecimentos e técnicas que vem de tradições xamânicas, como os Toltecas, da magia ocidental com origem cabalística ou celta, e de ensinamentos divulgados pela autora e terapeuta energética Miranda Gray.

Todo trabalho energético e ritualístico mexe com coisas profundas  e seus efeitos podem ser imediatos ou levar anos, não há como prever, mas pela possibilidade inerente de transformação que trazem em si essas propostas, é importante que atendamos o chamado ao nos sentirmos prontas.

Se esse for o seu momento, venha se juntar a nós.

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Lua Branca e Lua Vermelha

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Imagem da artista, escritora e curadora Miranda Gray usada em seus trabalhos do feminino como o curso Red Moon e a Bênção do Útero

Mulher é um bicho esquisito. Já ouvi isso muitas vezes. Não apenas somos “de lua”, como já ouvi dizerem que é preciso “temer um bicho que sangra três dias sem parar e não morre”. Sem dúvida, só esse motivo já basta para deixar os homens desconfiados desses nossos mistérios do sangue.

Os mistérios da natureza fêmea mamífera humana são muitos. Acrescente-se ao sangramento (que em média varia de 10 a 80 ml por ciclo) o fato de que, em sociedades antigas, quando não havia luz elétrica, as mulheres sangravam todas juntinhas na lua nova. E ficavam todas recolhidas em tendas, segundo alguns relatos que sobreviveram, sangrando sobre a terra ou a palha, porque, afinal, não dá para ficar se locomovendo com sangue escorrendo pelas pernas num período em que ainda não havia nem toalhinhas, nem absorventes, nem ob, nem diva cup. As mulheres cíclicas de então ficavam nessas “tendas vermelhas” e eram atendidas pelas meninas mais novas e pelas mulheres mais velhas, experiências que ainda não chegaram ou que já passaram por essa consonância da lua com o útero. Os homens não visitavam essa redoma protetora. Mais um mistério. Que raios se passava lá dentro? Com todas as mulheres reunidas? E era sempre justo quando a lua sumia do céu que a maioria das mulheres cíclicas parava de circular pela aldeia e ia se enfiar numa cabana para sangrar junto a suas irmãs de tribo.

Digo a maioria porque a sociedade sempre conheceu mulheres do contra, as que tinham o ciclo inverso e sangravam nos dias da lua cheia: as mulheres do Ciclo da Lua Vermelha. Essas não acompanhavam a energia crescente e decrescente da lua com seus úteros,elas circulavam normalmente pela aldeia e ajudavam quando as outras estavam encerradas na tenda vermelha, porém sumiam de circulação justamente na plenitude lunar, quando todos faziam festas para a deusa brilhante da noite, que abençoava afastando a escuridão, exacerbando a sensibilidade, provocando partos, subindo marés e indicando a fertilidade das mulheres que acompanhavam o ciclo da lua branca.

Não pensem que as mulheres “primitivas” não faziam ideia de quando estavam férteis. Não pensem. É subestimar demais nossa capacidade de observação e até mesmo a inteligência corporal animal. Tá certo que os homens estavam ocupadíssimos amarrando umas pedras lascadas nuns pedaços de pau para fazer machadinhas e se reunindo em grupos para derrubar o mamute e garantir o sustento da tribo, mas pressupor que a parcela da espécie que ficava parindo bebês, cuidando de crianças e velhos e desenvolvendo melhorias para a comunidade  através de experimentos químicos super complexos como curtir peles e couros, transformar alimentos através do fogo e da cocção e a descoberta de ervas curativas não tinha sequer noção do seu próprio ciclo corporal é um pouco tolo.

Para comprovar isso, taí a Vênus de Laussel, também chamada de “Femme a la corne” um relevo esculpido em calcárioVenus de Laussel ainda no paleolítico, entre 29 e 22 mil anos atrás, que, como tantas outras expressões encontradas dos humanos daquele período da nossa história, retrata uma mulher de medidas exuberantes (ou seja, muito fêmea e redondinha!), sem detalhes de rosto, mas com os seios,  as coxas, o ventre e os genitais bem desenhados. Essa, que foi encontrada em uma caverna na França, tem a mão esquerda sobre o ventre, e a direita segurando um objeto em forma de meia-lua ou chifre, com treze marcações, para o qual ela aparenta estar olhando. Uma das interpretações mais comuns feitas pelos estudiosos é de que a figura seja uma deusa da fertilidade ou uma sacerdotisa xamânica, segurando o que seria  uma espécie de calendário rudimentar, marcando o número de lunações em um ano. E quem mais tem treze “luas”em um ano? Quem acompanha as lunações com sangramentos mensais?  Aí está… A Vênus de Laussel, por ser uma figura feminina que segura essa lua  com as treze ranhuras, demonstra claramente que era sabido que a mulher tinha treze sangramentos em um ciclo solar anual. Para reforçar essa ideia, a imagem ainda por cima tem vestígios de ocre vermelho, indicando sangue.

Esse pigmento vermelho, trata-se de um óxido de ferro mineral usado em pinturas e tingimentos,  é também encontrado em um número muito grande de sepultamentos e tumbas do período pré-histórico, inclusive no nordeste brasileiro. É notável a quantidade de achados arqueológicos de pessoas enterradas em decúbito lateral (de lado) e posição levemente encolhida, quando não claramente fetal, em diversos continentes da Terra, com seus restos mortais, ossos, ou mesmo fibras que envolviam os corpos cobertos com esse pigmento avermelhado. Uma das interpretações é que esses povos claramente entendiam que, assim como todos viemos de um útero vermelho e nascemos envoltos em sangue, da mesma forma, também nos ritos fúnebres, somos devolvidos envoltos nesse sangue simbólico ao útero da terra, ao útero da natureza, a Grande Mãe, que nos recebe de volta em seu ventre que nos transformará e nos parirá em um outro mundo ou plano existencial.

Se de uma mãe viemos, a uma mãe voltaremos.

A sintonia dos nossos ciclos, mesmo como mulheres modernas usando apps de receitas e vendo séries no netflix, ainda tende a acompanhar a lua, seja em consonância, férteis na lua cheia e sangrando na lua nova, ou expressando a energia oposta. São os chamados Ciclos da Lua Branca e da Lua Vermelha.

Ao longo da vida oscilamos entre os dois, passeando de um ponto ao outro dependendo de como estamos com nossa energia: se mais “maternas” e concordantes com expectativas tradicionais de gênero sobre a passividade e acolhimento femininos (características muito louvadas em nós pela sociedade patriarcal), ou se estamos indo contra a correnteza, tentando criar um novo caminho, testando novas águas solitárias, nos colocando à margem dos papéis prontos e sendo imprevisíveis, amazonas, misteriosas e indomáveis.

É muito interessante observar os movimentos do nosso ventre nesse sentido para entendermos a vontade do corpo e o que ele nos revela sobre a energia que nos interessa *de fato* em cada momento.

Se você não está menstruando nem na lua nova nem na cheia exatamente, é porque seu ciclo está oscilando rumo a uma direção ou outra. Fique atenta para acompanhar para onde ele aponta.

A Vênus de Laussel, do alto de seus 45 cm, nos mostra que sempre soubemos das coisas, o importante é prestar atenção e valorizar a sabedoria que nos pertence desde sempre.

**esse texto nasceu como parte da preparação para o curso Ativando o Caldeirão de Poder Feminino. Para um dia de vivências ritualísticas e papos profundos sobre a essência de nossa natureza cíclica e sacralidade femininas, entre em contato comigo para saber das próximas datas ou organizar uma turma na sua região.

10a CWED

Agora já finalmente descansada posso contar e registrar minhas aventuras na 10a Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, que ocorreu nos dias 1,2,3, e 4 de agosto, um evento que se repete anualmente em São Paulo desde 2005, mas do qual participei pela primeira vez nesta edição.

E foi uma edição especial, comemorativa, e fiquei muito orgulhosa de fazer parte dessa história.

Zsuzsanna Budapest e eu na abertura da 10a CWED

Zsuzsanna Budapest e eu na abertura da 10a CWED

Fui no ritual de abertura na sexta à noite, que era uma reconstrução do ritual de “abertura da boca”, uma cerimônia sagrada egípcia que consagrava certas estátuas e imagens dos Deuses para que elas se tornassem vivas. Já falei sobre minha experiência com uma estátua viva autêntica de Sekhmet aqui, mas estava curiosíssima para vislumbrar um pouco da cerimônia antiga. De quebra, conheci pessoalmente naquela noite Zsuzsanna Budapest.

No sábado, fui cedinho e acabei ajudando nas traduções das conferencistas internacionais: Z Budapest e Deborah Lipp nas palestras da manhã.

Com a fofíssima e inigualável Sorita d'Este.

Com a fofíssima e inigualável Sorita d’Este.

À tarde, nem sei como, engatei num papo maluco e sem fim com a querida Sorita d’Este, o assunto passeou entre outras coisas por círculos de macieiras, o caldeirão de Gundestrup, Hecate, teatro, vestidos, livros, família, sotaques, mudanças e seres mitológicos. As pessoas curtiram tanto o astral da Sorita, que acho que ela quase podia levar um troféu de Miss Simpatia do evento, isso sem contar na quantidade de bruxos que não queriam mais que ela fosse embora.

Domingo foi dia da minha palestra “Deusas da Pesada: o medo e o fascínio das senhoras da Guerra, da Morte e da Escuridão”. E no escuro Elas me deixaram, que danadas! Preparei uma apresentação com slides lindos, mas não lembrei de levar adaptador para o plug do meu laptop que é daqueles de pinos chatos. Adivinha se o hotel não tinha apenas essas tomadas novas e impossíveis de 3 buracos! Acabou minha bateria no meio do papo e ficamos sem slides, mas o encontro em si foi muito legal. Eu falei um pouco, conversamos todos um pouco, trocando histórias, sensações e experiências, e depois levei todo mundo numa jornada para encontrar minha mãe Sekhmet. palestra3

Os relatos da experiência das pessoas foram interessantíssimos. Teve uma moça que foi lambida por ela, o que é uma atitude já bem conhecida dessa Deusa Leoa, mas que surpreendeu muito a sortuda desavisada. Adorei! Fico muito grata a todo mundo que foi, pela confiança e pela participação. A gente encerrou a tarde tocando a música “Bitch” de Meredith Brooks, que tem tudo a ver com o que conversamos.

traduzindo...

traduzindo…

Na segunda-feira, fui convidada por Claudiney Prieto, organizador do evento, para traduzir os workshops de aprofundamento, e apesar do cansaço inominável no final do dia, valeu cada segundo. Do trabalho com a Z, guardo a música cantada para a água, que agora cantarolo todos os dias no chuveiro: “Water is the first mother”; do papo sobre magia e feitiços com Deborah Lipp, retomei ótimas ideias e conceitos que andavam esquecidos; e do ritual com Sorita d’Este, guardo uma cartinha linda de uma fae com uma mensagem curta e direta que vai me guiar nesse semestre, além de uma deusinha linda que ela trouxe para cada um de Glastonbury.

turma do workshop de aprofundamento com Deborah Lipp (de roxo, ao centro)

turma do workshop de aprofundamento com Deborah Lipp (de roxo, ao centro)

Aliás foi o dia dos presentes. Para me socorrer energeticamente na minha exaustão tradutiva, a amiga Silvia Brianna Bastet me trouxe um dos sprays mágicos dela, e Sorita me presenteou com um livro sobre uma deusa que me ronda, que conversa comigo e com quem eu quero começar a trabalhar também. 20140812_095504

Embora eu esteja postando fotos, quero deixar registrado meu incômodo com as fotografias *durante* os rituais. Ritual, mesmo se mitodrama, mesmo que pareça teatral, não deve ser fotografado, ou talvez apenas por uma ou duas pessoas da organização para guardar como registro. No meu entender, (e isso é minha opinião, cada um tem direito à sua) ou você está dentro ou você está fora de um ritual, não há meio termo. E tirar fotos te põe imediatamente e indiscutivelmente fora, além de ser uma grosseria disparar centenas de flashes por minuto em ambientes escuros desnorteando os outros participantes e os facilitadores.

Proponho às pessoas uma experiência radical: sumam com seus telefones e se façam presentes com *todos* os seus corpos no local onde vocês estão, vivenciando e sorvendo a sacralidade do momento presente. Que tal?

Defesa energética básica – parte 1: ATERRAMENTO

Nossa primeira linha de defesa energética, tanto para nosso dia a dia quanto para cada uma de nossas atividades mágicas, reside nas técnicas básicas de aterramento (grounding), centramento (centering) e escudo (shielding).

**Dei um workshop prático com esse tema ao final de 2013, em São Paulo, e vou apresentar aqui, em três posts, um resumo do que trabalhamos no encontro.

Aqui a palavra “básica” é usada no sentido mais de “fundamental” do que de nível de complexidade, já que as técnicas e visualizações vão se tornando mais e mais eficazes a medida que o praticante têm mais experiência e habilidade mágica.

Independente de praticarmos artes mágicas ou não, todos temos momentos na vida em que precisamos de foco e concentração: uma entrevista de emprego, uma apresentação importante, prestando um concurso ou exame, ou uma conversa séria sobre algum assunto delicado. Se prestarmos atenção, cada um tem seus métodos e pequenos rituais – às vezes aliados a preces e objetos de sorte – de se preparar para esses momentos, para atingir essa concentração necessária, evitando que algo externo nos faça perder o rebolado.

Desde o primeiro momento em que somos apresentados às primeiras técnicas para a magia ou meditação, fica claro o quanto os instantes preparatórios fazem toda a diferença para a qualidade do trabalho ou da experiência que vem a seguir. Quem nunca ouviu uma sacerdotisa ou um facilitador pedindo para “fechar os olhos e respirar devagar e profundamente”? Essa é uma técnica de aterramento e centramento, pois nos ancora de volta no corpo, nos trazendo ao instante presente e acalmando a nossa energia, deixando de lado todas as vibrações mentais e caóticas que não têm lugar ali.

Essas técnicas são preparatórias para meditação, trabalhos de cura, leituras oraculares, trabalho com pêndulo, psicometria, rituais e feitiços. E também são muito úteis na nossa vida mundana, ótimas para utilizarmos quando estamos nos sentindo esquisitos em algum ambiente, quando estamos nervosos (alguém disse TPM?), em contato com muita gente estressada (fila de banco, ônibus lotado) ou como ajuda para manter concentração e foco antes de alguma atividade que exija nossa melhor performance.

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 É a ativação do nosso “fio terra”, para que nossos corpos físicos e energéticos se mantenham estabilizados durante nossas atividades e para ajudar a processarmos as vivências astrais, retornando ao nosso corpo físico com harmonia e liberando para a terra o excesso de correntes que podem inclusive ser nocivas para nosso sistema. Em alguns casos, também pode ser visto como um partilhar, uma oferenda desse “boost” extra de energia que passamos para o local onde estamos ou o planeta.

Quando envolvidos em trabalhos espirituais podemos sofrer uma série de desconfortos físicos ou energéticos, como tontura, cabeça pesada, ficar zonzo, aéreo, desorientado, confuso, sentindo certas partes do corpo mais pesadas do que as outras, sofrer alteração de temperatura, etc. Essas técnicas equilibram o corpo, fazendo com que a gente se sinta mais seguro, firme, alinhado e apoiado pelo universo.

Vivemos em um corpo físico em um mundo físico, isso é uma riqueza! Fazer um “aterramento” firma nossa presença no corpo e no momento presente, para que outros corpos sutis possam alçar voo sem correr riscos.

Esse sentimento de estabilidade vem da nossa conexão com a Terra e o chão. Se não estivermos aterrados, é fácil girar fora do eixo, entrando em processos de hiperatividade e perdendo quantidades imensas de energia além de permitir que vibrações ou entidades indesejadas façam uso da nossa falta de cuidado com nós mesmos.

O trabalho espiritual deve ter como objetivo que nos sintamos bem, caso estejamos nos sentindo mal, ou esquisitos, estamos vazando energia ou lidando com uma sobrecarga para a qual não estamos preparados.

 Algumas técnicas

 Conectar-se com o mundo tangível do corpo e da realidade concreta imediatamente faz esse “fio terra”.

  •  Respiração diafragmática
  • Respiração 4 X 4 (inspira, segura, expira, segura – cada um em quatro tempos)
  • Deitar de barriga na terra
  • Tocar o chão
  • Segurar alguma pedra na mão
  • Fazer tarefas bem mundanas como lavar louça, cortar grama, cozinhar, limpar a casa (muitos ritualistas sentem necessidade de fazer algo assim depois de facilitar um trabalho poderoso).
  • Segurar uma turmalina
  • Comer chocolate (olha que desculpa incrível para ter sempre um bombom na bolsa!).
  • Comer – nada como essa atividade prazerosa para nos jogar de volta ao corpo na hora.
  • Visualizar suas raízes penetrando e se firmando na terra, buscando energia estável do solo e passando para a terra energias confusas ou excessivas.

Exercício Corda Âncora

  1. Sente-se bem aprumado em uma cadeira, com os pés tocando o chão e a coluna reta.
  2. Respire devagar e profundamente. Respiração diafragmática.
  3. Feche os olhos e imagine uma bola de luz verde girando de uns 10 a 15 cm de diâmetro, no seu chakra cardíaco.
  4. Deixe que um tentáculo, um fio de luz, desça suavemente pelo seu corpo e passando para as profundezas da Terra até o centro do planeta, formando uma corda âncora para você.
  5. Permita que a ponta do fio se funda com o centro da Terra e se firme.
  6. Puxe um pouco dessa energia de volta até seu peito e enrole a energia, conectando-a ao seu quarto chakra – o cardíaco.  (ela vai fazer um tipo de “clique” quando se ajustar ali).
  7. Verifique se a corda está bem conectada ao chakra e que não haja nenhuma obstrução ou rompimento entre seu centro e o centro da Terra.
  8. Faça com que a energia da corda no seu peito se amplie para a largura dos ombros, ou até mais larga de estiver planejando limpar a aura.
  9. Dê permissão a seu corpo para se livrar de qualquer energia em excesso ou desnecessária através dessa corda. Mande para baixo, liberando na Terra e vendo essa energia ser absorvida ou transmutada no coração do planeta mãe.
  10. Lembre-se que de agora em diante, sua âncora vai continuar operando, ajustando seu corpo na frequência planetária e sempre permitindo que seu corpo libere energias desnecessárias ou em desacordo através da sua vontade.
  11. Quando terminar, toque com as mãos no chão ou em algum objeto sólido para se reconectar com a superfície e o seu corpo, inspire profundamente, então levante e alongue-se.

No próximo post, técnicas de centramento.

Abrindo seu potencial de visão

Semana que vem vou me reunir com apaixonados, aficionados, estudiosos, aprendizes e mestres de Tarot na 3a Confraria Brasileira de Tarot em São Paulo. Como parte do evento, vou dar este workshop totalmente prático. Venha sem medo. 

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“Um workshop 100% prático, onde você vai ampliar as possibilidades de relacionamento com as cartas e passar a usá-las como uma ferramenta para abrir sua visão e potencial intuitivo.”

Petrucia Finkler tem quase trinta anos de experiência em artes divinatórias, é praticante de bruxaria tradicional com linhagem europeia e norte-americana, é apaixonada por magia extática e não resiste a um bom ritual. Junto com Pietra di Chiaro Luna facilita uma roda mensal para mulheres em São Paulo.

Serviço:

3ª Confraria Brasileira de Tarot – 19 a 21 de julho, 2013

Workshop: Perdendo o medo das cartas

Sábado, 20 de julho
Das 15h30 às 17h.
Faces da Lua: Rua Colônia da Glória, 414 – Vila Mariana – São Paulo