Nova turma de formação mágica

Em 2015 dei início a um grupo de formação mágica com duração de 12 meses. Estamos na reta final com essa primeira turma. Está na hora de preparar o terreno para a próxima roda.

Tenho preferência por encontros presenciais (São Paulo), mas, dependendo do caso, é possível participar via skype ou hangout.

Para saber mais, leia o post no blog do próprio Conclave da Rosa e do Espinho. Se o chamado ecoar no seu âmago, mande um email pedindo pelo formulário, com mais informações e espaço para sua declaração de interesse.

A próxima turma de formação mágica começa na primeira quinzena de setembro.

A DATA DE ENCERRAMENTO PARA ENVIO DO FORMULÁRIO É 18 DE AGOSTO DE 2016.

 

 

Carga de Maat

Fui convidada por Adriana Guarniero a auxiliar no rito da última lua nova no Faces da Lua. O Faces é um templo de Wicca eleusiana aqui em São Paulo, liderado pelo Edu Scarfon, uma casa que sempre me recebe muito bem  e por cujas pessoas tenho muito afeto.

Maat no faces

Adriana Guarniero, eu e Nefersaaset

Adriana me pediu para fazer Maat, a deusa egípcia da justiça e do equilíbrio. É na balança dela – e contra sua pena da verdade – que pesamos nossos corações ao chegarmos ao mundo dos mortos. Se nosso coração, pesado de culpas e remorsos,  pesar mais do que sua pena, o órgão é então devorado por uma criatura bestial e nossa alma é condenada. Para tanto, a mensagem de Maat é que vivamos uma vida justa, correta e leve, para não termos essa desagradabilíssima surpresa no final.

Foi lindo. Maat de fato apareceu e ficou o tempo todo muito junto de mim, em uma relação que eu chamo de enhancement ou um leve aspectamento, coisa de 20% em mim. Mas alterou toda minha percepção do entorno, da relação com as pessoas, com o rito e com a sala. Foi uma grande honra, ainda mais para quem está tão acostumada com a energia ardente e de espreita da Sekhmet, dar espaço interno e físico a Maat é uma leveza só.

Sob inspiração dela, acabou saindo um texto lindo, uma carga da Deusa, que recitei assim que entrei no círculo onde todos me aguardavam, já preparados pela presença do talentoso Nefersaaset.

Segue de presente essa bela Carga da Deusa Maat.

Obrigada iluminada e altiva Maat por vossa inspiração divina!

 

Eu, mãe do infinito

Deusa alada do equilíbrio

Deusa que guia o Sol, os Planetas

E os ciclos das estações

Eu que peso almas e corações

Em busca da pureza e nobreza de espírito

 

Desço aos braços da terra

Venho a vós que clamais por

Justiça, força e verdade

 

Venho sempre que pedíeis

Para que desperteis de vossas tolices

Dou-vos força para que persevereis em

Vossos esforços de parar a destruição do planeta,

De corrigir vossas falhas

De emendar vossa moral e vossa justiça

Venho a vós com minha pena da verdade

Minha estrela cristalina.

Envolta em constelações,

Imbuo cada ser vivo

Com a vontade de viver em harmonia e retidão.

Eu que evito constantemente que o universo retorne ao caos

Dou à luz a ordem

E tudo que é o correto

Que minha vontade seja feita!

Maat 2016

Às vezes um Deus Selvagem

wild_god_cover_slice-1aEste é um poema circula por vários sites pagãos e, desde a primeira vez que o li, as palavras e imagens ecoaram e mexeram com algo muito profundo em mim. De novo, me deparei com ele esta manhã e me entreguei à tentação de traduzi-lo e, assim, partilhar essa joia preciosa com leitores de língua portuguesa.

Para o original em inglês, há um livreto ilustrado à venda aqui.

 

Às vezes um Deus Selvagem

(Tom Hirons)

 

Às vezes um deus selvagem senta à mesa.

É desajeitado e não sabe lidar

Com porcelana, garfos, mostarda e prataria.

Sua voz transforma vinho em vinagre.

 

Quando ele chega na porta,

Você provavelmente tem medo.

Ele lembra algo escuro

Que você pode ter sonhado,

Ou um segredo que não quer que ninguém saiba.

 

Ele não toca a campainha;

Em vez disso, arranha a porta

Com suas mãos sangrentas

Embora prímulas

Brotem a seus pés.

 

Você não vai querer que ele entre.

Você está muito ocupado.

Está tarde, ou cedo, e além do mais…

Não consegue olhar para ele diretamente

Porque dá vontade de chorar.

 

O cachorro late.

O deus selvagem sorri,

Estende a mão.

O cachorro lambe suas feridas

E o leva para dentro.

 

O deus selvagem está de pé na sua cozinha.

Hera começa a tomar conta dos armários;

Há visco morando nas luminárias

E passarinhos começam a cantar

Uma canção antiga na boca da sua chaleira.

 

“Não tenho muito”, você diz

E lhe dá sua pior comida.

Ele senta à mesa, sangrando.

Tosse raposas.

Tem toupeiras nos olhos.

 

Quando sua esposa chama lá de cima,

Você fecha a porta e diz a ela

Que está tudo bem.

Não vai deixar que veja

O estranho convidado à sua mesa.

 

O deus selvagem pede uísque

E você serve um copo para ele

E depois um para si.

Três cobras estão fazendo um ninho

Nas suas cordas vocais. Você tosse.

 

Ó, espaço infinito

Ó, mistério eterno.

Ó, ciclos sem fim de morte e renascimento.

Ó, milagre da vida.

Ó, a maravilhosa dança de tudo isso.

 

Você tosse novamente

Despeja as cobras e

Engole o uísque,

Refletindo como foi que envelheceu tanto

E aonde tudo foi parar.

 

O deus selvagem remexe uma bolsa

Feita de lontras e rouxinóis.

Puxa uma flauta dupla,

Ergue a sobrancelha,

E todos os pássaros se põem a cantar.

 

A raposa salta para dentro dos seus olhos.

As toupeiras saem da escuridão.

As cobras de derramam por seu corpo.

Seu cachorro uiva e lá em cima

A esposa exalta e chora ao mesmo tempo.

 

O deus selvagem dança com o cachorro.

Você dança com os pardais,

Um gamo branco puxa uma banqueta

E berra hinos a antigos encantamentos.

Um pelicano salta entre as cadeiras.

 

Ao longe, guerreiros saem de suas tumbas.

Ouro antigo cresce como se fosse grama no campo.

Todos sonham as palavras para canções há muito esquecidas.

Os morros ecoam, e as grandes rochas cinzas badalam

Com riso e loucura e a dor e alegria de viver.

 

No meio da dança,

A casa sai do chão.

Nuvens entram pelas janelas;

O relâmpago bate com o punho na mesa.

A lua encosta na janela, sorrindo.

 

O deus selvagem aponta para o seu flanco.

Você está sangrando muito.

Está sangrando há muito tempo,

Possivelmente desde que nasceu.

Há um urso na ferida.

 

“Por que me abandonou à própria morte?”

Pergunta o deus selvagem, e você responde:

“Estava ocupado em sobreviver.

As lojas estavam todas fechadas;

Não sabia como. Sinto muito.”

 

Ouça todos eles:

 

A raposa na sua garganta e

As cobras nos braços e

A carriça e os pardais e o cervo…

Os grandes animais inomináveis

Do seu fígado e rins e coração…

 

Há uma sinfonia de uivos.

Uma cacofonia de dissidências.

O deus selvagem assente com a cabeça e

Você acorda no chão segurando uma faca,

Uma garrafa e um punhado de pelos pretos.

 

Seu cachorro dorme na mesa.

Sua mulher se mexe lá em cima.

Suas bochechas estão molhadas de lágrimas;

Sua boca dói pelo riso ou pelos gritos.

Um urso preto está sentado junto ao fogo.

 

Às vezes um deus selvagem senta à mesa.

É desajeitado e não sabe lidar

Com porcelana, garfos, mostarda e prataria.

Sua voz transforma vinho em vinagre

E a morte, ele devolve à vida.

 

 

Em São Paulo, em maio

womb-goddess

Ativando o caldeirão de poder feminino – curso em três módulos

 Volto a oferecer esta jornada de autodescoberta e despertar mágico feminino a partir de maio, num espaço especialíssimo na zona norte da cidade: o Sagrada Espiral.

Dia 14/05/2016
Das 10h às 18h com breve pausa para o almoço. Inclui os materiais e coffee break.
Espaço Sagrada Espiral, Rua Ibéria 122, próximo ao metrô Parada Inglesa, SP
A ficha de inscrição e mais detalhes do curso, você encontra aqui

O verdadeiro caldeirão de toda a magia habita dentro de cada mulher: é o nosso ventre. O útero tem uma energia tão incrível que pode formar e gestar não apenas o milagre de uma vida humana, mas também nossos projetos, sonhos e relacionamentos. Despertando, honrando e nos conectando a essa energia tomamos o trono do poder das nossas vidas como verdadeiras imperatrizes que somos.

Este curso propõe vivências e ritos profundos para fazer este resgate e conexão, mudando sua energia de vida.

É dividido em três módulos que são uma construção. O primeiro é independente, mas é um pré-requisito para o segundo e assim por diante. É um convite para você despertar e viver sua energia em sua máxima potência.

Alguns depoimentos de mulheres que já participaram desse trabalho:

“Processo transformador. Transformação sutil que foi acontecendo em mim ao longo dos encontros. Os intervalos me deram tempo para perceber e assimilar as mudanças e o processo todo me abriu um caminho de auto descoberta. Para as mulheres em busca de si mesmas, super recomendo!”  A. 38 anos

 

“Além das mudanças providenciadas pela vida, tive uma transformação muito importante no modo de ver a vida e de me relacionar com ela e tudo isso porque aprendi a valorizar a menina que fui, a mulher que sou e a Deusa que vive em mim. O presente recebido da vida que hoje cresce aqui no meu ventre, pôde ser deliciosamente aceito e compreendido principalmente por hoje eu saber o poder da mulher que sou e sempre fui e não sabia. Plenitude poderia resumir o que ganhei por ter me dado o curso de presente. O primeiro presente de muitos que mereço. Que assim seja. ” S. 37 anos

**Ficha de inscrição  aqui

BANNER _ 1

Coisas que amei em “A Bruxa”

12622120_10153576584937956_1100363212298883309_o

**Não leia se você não quer spoilers e, por favor, não vá ao cinema assistir esse filme se você não tem nenhuma noção de ocultismo. Você não vai gostar, ponto.

AMEI:

  • A reconstrução histórica totalmente impecável que faz com que a gente se transponha facilmente à realidade daquele tempo e lugar.
  • O título em inglês grafado “The VVitch” para preservar o uso litográfico de dois “v” formando o W para economia de caracteres móveis nas gráficas do período dos 1600s.
  • A direção de arte e a fotografia! Uau.
  • Que o filme não é de terror mais sim um drama sombrio
  • Que nunca ficamos sabendo exatamente os motivos de a família ser banida de uma comunidade cristã quando eles parecem ser os mais puros e corretos fiéis seguidores de todos os preceitos religiosos. Porém o que eles praticavam de fato que poderia incomodar tanto assim a ponto de causar sua expulsão?
  • O uso de simbolismo da bruxaria antiga, incluindo os medos que inspirava e a reconstrução das práticas encontradas nos relatos da inquisição (como usar a gordura e entranhas de um bebê não batizado para ungir seu corpo e vassoura para realizar um voo mágico na lua cheia)
  • Não ser explícito e pornográfico ao mostrar os horrores cometidos (como nos poupar do destroçamento do bebê)
  • O uso dos animais ligados à tradição oculta: sapo, bode, corvo, lebre.
  • Uso de símbolos que vêm de outras fontes, como da bíblia ou até de contos de fadas, amarrando essas imagens dentro da história (cálice de prata, maçã).
  • A voz sedutora, as esporas (!!!) e as luvas do formidável Black Phillip. Tudo como deve ser. 😉
  • O glamour usado pela bruxa da casinha em se apresentar lindíssima em todas as partes visíveis para o menino.
  • Caleb cedendo à tentação de seu desejo. E depois a cena linda de sua morte, em meio a uma possessão real cheia de poesia somada a uma histeria coletiva da época.
  • Os gêmeos muito sinistros cantando a musiquinha do Black Phillip
  • 921110_10153576585012956_2501359925218001392_oQue a maior parte da tensão do filme vem da tensão dos personagens em não dizerem nem uma palavra errada, não fazerem nada fora da lei de Deus, ou o pagamento é a condenação eterna.
  • O fato de que Thomasin abre o filme rezando e listando seus pecados, quando na verdade ela é a mais pura de toda a família até precisar matar a mãe e depois fazer seu pacto com chifrudo (o pai é orgulhoso, rouba e mente; o irmão tem desejo pela irmã, mente e encobre mentiras do pai; a mãe é clara sobre quais filhos ela prefere e acusa Thomasin de tudo; os gêmeos são preguiçosos e sádicos)
  • A libertação de Thomasin
  • A cena paralela em que tudo vem abaixo, com o delírio de Katherine sobre seus filhos e o corvo em seu peito, e ao mesmo tempo o ataque da bruxa que vai se alimentar no celeiro.
  • A lebre com seu narizinho e inocente ar de perigo
  • A linda cena do final. Na verdade toda a sequencia.
  • O fato de que Black Phillip só responde pra Thomasin quando ela já está desistindo dele (tão comum, tão comum!)
  • O pai morrendo caindo sobre sua pilha de lenha. É só o que aquele incompetente sabia fazer. Minha nossa como ele fazia escolhas erradas!
  • Ter assistido na maravilhosa companhia de um bando de bruxos e poder discutir cada detalhe depois da sessão (aliás, discussão regada à Casillero del Diablo, que apropos!)

NÃO GOSTEI:

  • O público kids do cinema que além de não entender nada dava gargalhadas em momentos totalmente nada a ver.
  • A tradução da frase mais linda do filme inteiro que foi deturpada! No inglês, Black Phillip pergunta “Wouldst thou like to live deliciously?”, que seria “Gostaríeis de viver deliciosamente?”. Mas como é que traduzem? Pois bem: “Quer viver na luxúria?”. Este é o problema. Enquanto “deliciosamente” é algo absolutamente tentador e aceitável, “luxúria” é um dos pecados capitais. E assim rouba o público do cinema de delirar com o convite mais sedutor e fácil de aceitar de todos, ao trocar uma tentação pelo lembrete de um pecado com menos graça do que a palavra original.

 

Águas de fontes e rios sagrados

A água é um elemento presente demais nas nossas vidas. Bebemos água, tomamos banho, lavamos as mãos, usamos o vaso sanitário e damos descarga, choramos, lavamos roupa, caminhamos na chuva, ficamos admirados com fotos poéticas de mar, de rio e de cataratas, sonhamos com praias, piscinas ou cachoeiras.

A água exerce um fascínio sobre nós. É fonte de vida, de purificação, de prazer e também de morte. A água afoga ou a água toma e destrói o que está em seu caminho quando há enchente, enxurrada, tsunami, além de nos desesperar por sua falta – seja por causas naturais ou irresponsabilidade humana.

Com tamanha força e presença em nossas vidas, não admira que ao longo da história tenham havido tantos poços, fontes e rios considerados sagrados por diversas culturas. Pela nossa desconexão moderna, vários deles foram esquecidos em sua sacralidade e servem apenas de fonte natural de recursos para nós. Sabemos se o rio Doce que morreu em 2015 pela tragédia e negligência da Samarco não era sagrado e celebrado por populações indígenas? Sabemos de sua importância para as populações ribeirinhas e como fonte de abastecimento de muitas comunidades, mas e como fonte devocional mesmo? O que sabemos sobre esse rio e tantos outros rios brasileiros?

Quem guarda essa informação são os povos nativos, já que a maioria dos locais sagrados para eles estão relacionados a mitos de origem e narrativas históricas. São locais onde ocorreram fatos ligados à criação da humanidade e a origem das etnias. Como é o caso, por exemplo da Cachoeira de Iauretê, no Amapá.

Embora os católicos se utilizem de água benta, e mesmo os protestantes usem água em batismos e outros rituais, os países ocidentais parecem ter perdido esse respeito e amor por um recurso tão importante, mesmo que para os povos do deserto – de onde surgiu a fé cristã –, fontes, rios e oásis eram sim algo muito especial e considerados presentes divinos. Felizmente há algumas fontes ligadas a nomes de santos, e esses locais mantém esse ar místico e transcendental que a água sempre teve.

É comprovado que a água de alguns locais é sim dotada de propriedades curativas especiais, e histórias de todos os tempos refletem milagres e curas ocorridos para gente que consumiu ou se banhou em certas águas. Com essas águas testadas, e verificado seus teores minerais, nosso capitalismo tratou de engarrafá-las para vender como água pura da fonte ou construir ali spas de águas terapêuticas, às quais só se tem acesso ao frequentarmos o local e, claro, pagando um preço.

September 27 2010 One CTA Card in the Fountain

Piscina decorativa na base da escada da Harold Washington Library em Chicago. Moedas e até um cartão de ônibus.

A ideia do poço dos desejos, que pede apenas uma moeda para satisfazer nossos pedidos mais profundos, seja por brincadeira ou superstição, ainda se mantém, e mesmo em prédios públicos as pessoas por vezes insistem em jogar moedas em algum chafariz existente. É o caso da piscina decorativa ao pé da escada da Harold Washington Library em Chicago, onde as pessoas insistem em jogar não só moedas, mas até cartão de passe de ônibus e metrô.

 

Também há lendas de fontes malignas, que traziam doenças a quem dali bebesse, e cujo espírito enviava maldições aos nomes cantados às suas margens. A água é ambígua, e isso acrescenta a seu mistério.

Por sua qualidade que dá e tira a vida, a água é um dos símbolos mais antigos de tudo que é fora do plano material, tudo que é além do visível. É um meio de contato com os espíritos e um meio de receber bênçãos do além. Os mares, chuvas e rios precisavam ser propiciados e acalmados para que nos fossem benevolentes em nossas viagens e travessias, pois a água sempre guardou o desconhecido e deve ser tratada, no mínimo, com muito respeito.

Em culturas de países mais antigos, é notável a presença e a memória dessas águas sagradas, embora muito também haja se perdido. A mania das metrópoles em cobrir seus rios e córregos para esconder o uso a que foram relegados – como esgoto – nos afasta ainda mais da presença da água e nossa responsabilidade sobre esse recurso de que tanto necessitamos.

Quando se viaja, especialmente em busca de lugares espirituais para nós, é comum a visita a lugares de águas sagradas, e, apesar de todos os obstáculos da inspeção alfandegária, também é comum que o viajante traga um pouco dessa água santa de volta para sua casa.

DSCN7359

no Pueblo de Taos, o rio sagrado não pode ser nem tocado por quem não é da reserva.

Há rios sacros que são intocáveis por quem não é dali, como o Blue Lake do povo Pueblo em Taos no Novo México, EUA. Eles acreditam que seu povo se originou do lago, e conseguiram que o governo lhes devolvesse o local, para que os indígenas tivessem acesso irrestrito. O rio Pueblo, que corre em meio à reserva que podemos visitar, nasce nesse lago e é proibido aos visitantes sequer tocar naquela água.

 

O lago Titicaca no Peru é considerado um lago de águas mágicas. Esconde um sem fim de enigmas, histórias e lendas ligados ao misticismo xamânico, à cosmologia inca e à magia. Até o contorno do lago lembra o de um dos animais sagrados para os incas, o puma. O lago também é visto como uma divindade propriamente dita, Mamakhota.

O rio Ganges, na Índia, é o mais venerado do mundo, considerado pelos hindus uma divindade materna, é usado para tudo. Como banheiro, para cremar os mortos ritualisticamente, para se banhar e expiar suas impurezas… é um rio com partes muito poluídas (embora isso em nada pareça deter o fervor dos hindus dedicados), mas com outras de água ainda muito pura. Quem visita conta que é possível pegar dessa água junto à nascente. Tenho uma amiga que guarda uma garrafinha dessa água na geladeira há nove anos. Desde que trouxe de uma viagem.

Essa é outra característica fascinante dessas águas… parecem não sofrer a deterioração comum de outras águas. Algo há… que nove anos depois, a água não tenha mudado nem de gosto, nem de cheiro. Permanece como deve ser, insípida, inodora e incolor.

A Fonte Vermelha e a Fonte Branca ao pé do Tor

England_2015 (178)Em 2015, tive a oportunidade de visitar Glastonbury, uma cidade inglesa que tem lendas e histórias fascinantes. Realmente é um local muito, muito especial, já que ali é a entrada para Avalon. O Tor, o morro de “Ynis Vitrin”, a ilha de vidro, é dominante na paisagem. E a seu pé, nascem duas fontes. A mais famosa é Chalice Well (Fonte do Cálice), sagrada por ser reconhecidamente um local de fortíssima energia da Deusa, uma força feminina que imbui toda a região do poço e seus jardins, onde se pode passar horas relaxando e aproveitando a energia, além de beber da água e lavar-se com ela.

England_2015 (166)Chalice Well apesar de muito anterior ao cristianismo, também entrou no imaginário cristão pois dizem que foi ali que José de Arimateia teria enterrado o santo graal, e, ao fazê-lo, ali brotou uma fonte de água com gosto de sangue. Isso é verdade, a água de Chalice Well tem gosto de sangue, por ser de teor de ferro altíssimo. Nada mais apropriado para uma fonte da força divina feminina do que uma água que tem gosto de sangue, algo com que as mulheres lidam todos os meses. Não só ela tem o gosto, como também é avermelhada e tinge tudo por onde passa, deixando um rastro vermelho em seu percurso, assim também é conhecida como a Fonte Vermelha.England_2015 (164)

Tenho um amigo americano, com o qual perdi contato, que era HIV positivo. Ele ficou anos fazendo treinamento com sacerdotisas em alguma tradição em Glastonbury. Ficou bebendo da água e também fazia monitoramento sanguíneo enquanto esteve lá e depois de retornar. Ele contava que seus índices virais haviam caído de forma vertiginosa, que deixava os médicos americanos embasbacados.

Fiquei hospedada de frente para Chalice Well, enxergava seus jardins da varanda do quarto de nosso Bed & Breakfast. Todos os dias, a qualquer horário, via pessoas que traziam garrafas para buscar a água. Para entrar nos jardins é preciso pagar um valor que fica para a fundação de Chalice Well, porém há uma bica externa ao muro, com acesso livre a qualquer horário. Foi lá que enchi duas garrafas da sagrada água para trazer para casa.

Do outro lado da rua, ou seja, a questão de vinte metros, e também ao pé do Tor, nasce outra fonte: The White Spring. A Fonte Branca tem bem menos ferro, portanto o gosto é com certeza mais palatável, mas é rica em calcário. Por seu sabor mais agradável, foi usada por um tempo como a fonte oficial da cidade, e em sua nascente foi erigida uma construção para conter as cisternas. Dentro é proibido tirar fotos. O ambiente é marcadamente distinto de Chalice Well. É um prédio escuro, úmido, com o ruído da água e uma atmosfera espiritual que remete mais a um templo. É um templo. E ali não há fundação mantenedora, mas um grupo de voluntários que abre a fonte à tarde para visitação pública. Há incenso queimando, velas, altares. Aliás, dois grandes, um para o Deus Cornífero, e outro para a Deusa Mãe. Ficam diametralmente opostos. Andar ali dentro é andar pisando em águas… é bastante mágica a experiência. E completamente diferente da que se tem do outro lado da rua na fonte feminina. A White Spring, tem uma sensação de elevação, algo que nos puxa para cima, que relaxa ao se derramar sobre nós, ao contrário da gravidade reforçada e amorosa que sobe da terra para nos envolver e acolher em Chalice Well. Ali também é possível se banhar e fazer rituais. O grupo de voluntários também conduz rituais ocasionais no local. E, como na outra fonte, há uma bica externa, onde eu enchia minhas garrafas de água diariamente para beber ao longo das muitas caminhadas e passeios.

England_2015 (163)Por ser rica demais em calcário, a cisterna foi desativada porque os canos  constantemente entupiam. Então a fonte foi aposentada no seu papel de abastecimento de água da cidade, e o local permaneceu fechado até o grupo de voluntários assumir.

Por ser rica demais em calcário, a White Spring, deixa um rastro – adivinhe – branco por onde passa.

Não é a coisa mais incrível, fantástica e sagrada? Duas fontes, distantes coisa de vinte metros, deixarem rastros diferentes e tão simbólicos por onde passam? E também descobri que as duas águas se unem em canais subterrâneos e, juntas, abastecem a água do lago que fica dentro da propriedade da abadia de Glastonbury Abbey, que existiu desde o século V e chegou a ser a abadia mais rica e poderosa da Inglaterra até ser destruída por Henrique VIII. (Reza a lenda que o Rei Artur foi enterrado lá com Guinevere).

Usando a água sagrada em casa

Eu também trouxe uma garrafa dessa água da Fonte Branca, e está feliz e linda, junto com a água vermelhinha de Chalice Well na minha geladeira há quase seis meses. Porém, como são garrafas grandes (sim, eu arrisquei mesmo com a alfândega e trouxe no total três litros de água dentro da mala), ocupam espaço, e meu marido anda reclamando.

Então… uma inspiração minha foi de guardar e poder usar essa água em sprays. Uma mistura sagrada para borrifar na aura ou no ambiente, para limpeza e bênção. Optei por combinar com óleos essenciais de acordo com a vibração e efeito que estou buscando.

spraysCriei quatro vidros por enquanto. Alguns com pura água, óleos essenciais e glicerina vegetal, outros com mistura de águas da fonte branca ou da vermelha de Glastonbury
com água desmineralizada e até um pouco de álcool de cereais para ajudar na conservação e evaporação na hora de aplicar.

A água da chuva de dias sagrados na roda do ano é considerada sacra também. É comum coletar essa água e guardar em garrafinhas para usaagua white springr depois em feitiços, talismãs e bênçãos. Outra ideia é guardar água do mar de uma praia muito limpa. O uso é um pouco diferente, por ter sal, ela é basicamente purificadora. Tenho uma garrafa de água do Mariscal, SC há três anos comigo. Segue ótima.

Se você também tem águas sagradas guardadas a sete chaves em algum lugar da sua geladeira e curtiu a ideia de fazer um spray com elas, segue a receita:

Spray para aura ou ambiente

*1 vidro para 120 ml de líquido, com spray

*30 gotas de óleo essencial (boas combinações espirituais e sensoriais são lavanda com olíbano, sândalo com ylang ylang, vetiver com neroli e palmarosa)

*2 colheres de sopa de álcool de cereais ou vodka

*½ colher de chá de glicerina vegetal

* água sagrada ou água desmineralizada (ou uma combinação destas) <120ml, para completar o vidro.

Cristais de água

Masaru Emoto é o japonês que fotografa moléculas de águas congeladas. O trabalho dele é fascinante. Ele não só compara moléculas de água de fontes sagradas do mundo com águas comuns ou até poluídas, mas também compara moléculas do mesmo copo de água antes e depois de receberem uma oração, por exemplo. É impressionante as alterações moleculares que ocorrem sob a ação de sentimentos humanos (eu te amo, eu te odeio), estilos musicais, ou preces de qualquer tipo, rabinos, sufis, cristãos, budistas, e reiki, por exemplo. Considerando que nossos corpos e nosso planeta são compostos de 80% de água, imagine que tipo e força de ação nossos pensamentos individuais e coletivos podem ter sobre essa substância!

Isso também quer dizer que toda e qualquer água pode ser sacralizada ou benta. E é isso que devemos fazer. Abençoar o copo que bebemos, abençoar nosso corpo, enviar sentimentos de amor e bênção às águas que nos rodeiam, mesmo as mais poluídas. Imagine o espírito do rio Tietê… como precisa de atenção e encorajamento.

Um mapa de nossas águas sagradas

Em um país jovem e inconsciente como o nosso, onde ninguém consultou os habitantes nativos e onde, para homenagear e peticionar orixás (que são deuses importados, embora já muito arraigados por aqui), as pessoas entopem o oceano e os rios com material plástico, cabe a nós redescobrirmos e retomarmos o hábito de fazer oferendas naturais, peregrinações e devoções às águas sagradas que existem no nosso território. Eu adoraria que nos lançássemos em uma campanha de pesquisa e busca desses locais. E adoraria que quem já tem algum conhecimento sobre isso ajudasse, apontando suas descobertas aqui em comentários ou em outro lugar! Vamos fazer um mapa de nossos tesouros abençoados aquáticos brasileiros?

“A baboseira de ‘Amor e luz’ da nova era

Se você, como eu, fica pasmo com a generalização e esvaziamento de termos e saudações como “muita luz pra você”, “beijos de luz”, “gratidão”, “gratiluz”, entre outros nas comunidades ditas espirituais, new age ou nova era, este texto é pra você.

Ficar vibrando só na luz, negando todos os nossos outros sentimentos e verdades é um tremendo desserviço à evolução e integridade do ser humano. Vibrar só de um lado das nossas polaridades é convidar tudo que reprimimos a se apoderar de nós de uma forma muito mais forte e nociva posteriormente.

Não tenha medo de assumir seus lados nãos “aceitáveis”, não tenha medo de ser humano e mortal. Abrace, receba e aceite todas as partes do seu self. É a única coisa saudável a se fazer. E é a mais sábia.

Conheça-te a ti mesmo – em todos teus recônditos e teus demônios internos não terão mais poder sobre ti, mas trabalharão contigo na busca de uma vida bem vivida e um self verdadeiramente integrado, com relações muito mais harmoniosas de verdade.

Fiz essa introdução, pois o assunto muito me interessa e anda me aborrecendo cada vez mais. Já o que vem a seguir é um texto ótimo que li online há algumas semanas ,onde achei que a autora faz um trabalho maravilhoso – e desbocado – para desmascarar essa baboseira pelo que ela é, uma atrocidade contra si.

*****O texto a seguir foi traduzido e está sendo publicado no meu blog com autorização da autora Alana McHugh. O original foi publicado no site analouisemay.com, em 19 de novembro de 2015, e você pode encontrar o original aqui.

“A baboseira de ‘Amor e luz’  da nova era

Enchanted-Forest

‘Amor e luz’ é um termo comumente usado pelo pessoal New Age, arremessado para todo lado como uma espécie de panaceia, se sobrepondo ao que quer que tenha acontecido anteriormente com sua luz passivo-agressiva fluorescente.

Abra sua boca e me permita empurrar goela abaixo meu amor e minha luz, antes que você se ofenda, antes que pense que sou má pessoa, antes que pense que sou qualquer outra coisa que não angelical.

Mas a agressão real está direcionada à própria sombra de cada um.

‘Sou apenas amor e luz. Tudo que sou é amor e luz.’

Não há nada mais distante da verdade, você está completamente delirante e desconsiderando metade de quem você é.

Sua sombra trabalha pra caralho para chamar sua atenção para que aprenda algo de valor.

‘A pessoa não se torna iluminada por imaginar figuras de luz, mas por trazer a escuridão para a consciência.’ – Carl Jung

Sua sombra é sua melhor professora e aliada, e, no entanto, você gosta de chutá-la no estômago quando ela está no chão, com você gritando furiosamente através de lágrimas desesperadas: ‘Amor e luz! Amor e luz! Amor e luz, porra!!’ Gritando e fechando os olhos com força, tentando abolir seu lado demoníaco, como se ele pudesse ser destruído pela simples força de vontade de fingir que você é um ‘ser de luz’.

Determinado a se enxergar apenas sob os tons dourados da divindade, você está dolorosamente fazendo tudo errado.

Você é todas as cores e todos os tons.

Você é feito do frágil cintilante sopro da vida e da crueldade da implacável agente da morte.

Você tem um lado tão escuro que se recusa a ser subjugado por seus mantras teimosos de positividade e crenças unilaterais em cristais de quartzo, ioga, pureza e em ser “bonzinho”.

As profundezas do seu self de obsidiana pode oferecer tesouros que apenas o abismo pode suportar, a sua esculhambação carrega em si as mais brilhantes chamas do inferno, que podem lhe iluminar na verdadeira glória flamejante do seu self unificado e integrado.

Então, se eu fosse você eu abandonava essa fachada de amor e luz, você não está enganando ninguém.

Todos sabemos que seu interior está cheio de merdas e matéria em decomposição e vilania.

Sabemos porque nós também estamos cheios disso.

Vomite seus pensamentos tóxicos e atitudes perversas em cima da minha mesa de centro e me dê algo de valor como companhia.

Me dê a pedreira que de verdade compõe a tua alma, não o fantasma vacilante do teu espírito.

Caia na real.

Me dê tua profundidade.

Você é amor e luz E TAMBÉM uma escuridão imensurável.

Honre sua sombra, ou essa vadia vai te foder tanto que não há quantidade de óleo de coco extraído a frio que vá aliviar.

Ela está do seu lado e é melhor você também estar. (Em vez de ficar flutuando em amor e luz na fadalândia de merda)

Bênçãos,

Amor & Luz & Escuridão Imensurável xx”