GEDE PARMA NO BRASIL

12604709_443667695824303_8155754261481628369_oEm novembro agora o querido e muitíssimo talentoso bruxo e autor australiano vem ao Brasil para uma série de workshops de aprofundamento no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Há anos, ele manifesta uma vontade imensa de conhecer o Brasil, e estamos muito felizes, eu, Wagner Périco e Cris Morgan (estes dois do espaço Via Paganus no Rio) em poder auxiliar com essa possibilidade, conectando o Gede com pessoas interessadas no trabalho dele por aqui.

Serão workshops bem focados em praticantes mais avançados, que terão a oportunidade de aprofundar técnicas de bruxaria extática e xamânica, pois são bastante vivenciais e exigem dos participantes uma boa experiência de trabalho com estados discretos de consciência.

Ele faz parte da Reclaiming, da tradição Wildwood da Austrália e iniciado em Anderean Craft. Não é conhecido amplamente no Brasil, mas tem quatro livros publicados pela Lllewellyn.

Novidades e ficha de inscrição você encontra na página sobre a turnê.

Inscrições e informações sobre os cursos do Rio de Janeiro (10 e 11 de novembro), entre em contato com o Via Paganus no email:  viapaganus.rj@gmail.com

Inscrições e informações sobre os cursos em São Paulo (16, 18 e 19 de novembro) você encontra aqui 

Confira o vídeo da entrevista que fiz com ele sobre esta vinda:

 

Magia com velas – simples e explicada

19623098_1264257330349406_5702311784069726208_nAcender uma vela na igreja diante de um santo, aceder uma vela em casa para rezar por alguém doente, soprar uma vela de aniversário enquanto se faz um desejo, todas essas são magias plenamente aceitas e integradas em nossa sociedade e, pela simplicidade do ato, uma das receitas mais fáceis de compormos um feitiço quando vamos trabalhar para impulsionar algo magicamente.

Um dia li, não lembro onde, que o universo responde à nossa força, e não às nossas preces. Isso é verdade. Quanto mais forte você for, mais talentoso e preparado, mais influência tem seu ato mágico, mesmo se naquele determinado momento, você se encontre mais debilitado. Porém, essa máxima é importante: quando estivermos verdadeiramente debilitados emocionalmente ou fisicamente, é melhor pedir ajuda a outra pessoa para efetuar o ato mágico por nós ou para nós, já que magia consome energia vital e depende dessa força pessoal para reverberar nos planos e causar alguma mudança.

A magia sempre atua como um megafone, um amplificador de nossas intenções para o universo. Esse chamado pode ser respondido por diversas forças. Pode ser nosso próprio darma que nos acode, como podemos obter a delicada atenção de seres e espíritos que decidem nos ajudar. Alguns podem pedir algo a mais como troca energética para nos conceder o milagre ou ajuda, mas, em geral, a magia com vela é por si só uma oferenda a essas forças aliadas, afinal, a vela contém matéria que é transformada e tornada etérea pelo fogo que consome o material, transmutando e irradiando as preces e símbolos ali contidos. Lembre-se de sempre acompanhar qualquer magia com as devidas providências mundanas e práticas que te levem ao objetivo. Se é por saúde, vá ao médico, tome os remédios; se é por emprego, envie seu currículo, aprimore-se; se é por amor, saia de casa, invista em sua autoestima e cure a si para atrair um par ideal, e por aí vai.

Sem mais delongas, vamos lá:

MAGIA COM VELAS

Ingredientes indispensáveis:

  • uma vela
  • uma prece

É isso mesmo, esse é o mínimo do mínimo e, com esses dois componentes, você já tem uma magia. Claro que a fórmula usada para a prece faz diferença, por exemplo, use sempre palavras no sentido positivo – evitando a palavra “não”, já que tanto nosso cérebro quanto os espíritos parecem não registrar essa palavrinha dentro da frase ­– começando com seu nome dito em alto e bom tom e encerrando com um “que assim seja”.

Por exemplo: “Eu, fulana de tal, intento esta vela para …. bla bla bla… Que assim seja.” Se você não é boa de fórmulas espontâneas, pratique antes de acender a vela ou até escreva num papel.

Adicione para ficar mais interessante:

+  cor da vela e tamanho, formato da prece

Estude correspondências de cores e escolha uma vela com a cor e formato mais apropriados para conduzir a energia do seu desejo. Altere a formatação da sua prece para se adequar melhor a uma divindade específica que vc esteja requerindo, ou use algum encantamento já testado por outros bruxos. Rebusque o seu próprio encantamento.

+ óleos para ungir a vela

Pesquise óleos essenciais, sinergias ou prepare uma infusão de ervas em óleo que possam acrescentar as energias mais adequadas para fortalecer seu intento. Lembre de diluir óleos essenciais, que são puros, ou você pode acabar com lesões na pele.

Para ungir, vá de baixo para cima ou de cima para baixo, dependendo do sentido em que está trabalhando a energia (atraindo, repelindo, expandindo, irradiando)

+ ungir formando uma bateria

Outra forma de unção é fazer uma bateria. Na metade superior da vela você unge no sentido horário, e na metade inferior, no anti-horário. Isso evoca o macrocosmo do próprio globo terrestre, que tem energia rodando em sentido contrário em cada um dos hemisférios.

+ símbolos (astrológicos, rúnicos, nomes)

Adicione escrita simbólica ou literal. Risque nomes, runas, planetas, etc. na cera. Eu costumo fazer com a escrita na vertical sempre. E uso minha faca cerimonial para isso, mas se você for de outra tradição e não puder usar sua faca, ou se não a tiver, use um palito.

+ queimar um barbante

Há tradições que incluem a queima de um barbante de algodão ou lã natural  na cor propícia como parte da prece.

+ dia e hora adequados à magia

Estude as tabelas clássicas e siga as lunações, estações, astrologia, dia correspondentes, hora planetária, etc. etc. etc. para potencializar tudo. Evite fazer magia em lua fora de curso, a menos que você esteja fazendo algo que vá lhe trazer invisibilidade.

+ queimar a mão

Na bruxaria tradicional, sabe-se que magia tem um preço e que sempre algo nos é exigido. Há muitas histórias de sacrifícios, até de Deuses, para que se obtenha um conhecimento ou um milagre especial.

Portanto, é um bom sinal da sua disposição e sacrifício dar uma queimadinha na mão no final da prece quando o pedido ali colocado for de vital importância.

OBSERVAÇÃO: qualquer combinação das dicas anteriores é válida.

ATENÇÃO:

A vela deve sempre queimar até o final do final do final. Coloque a vela em um lugar ultra seguro para evitar incêndio. Box do banheiro e pia da cozinha são bons lugares caso a vela esteja sem supervisão. Mas sério, não pense que porque é uma vela encantada que você recebe uma apólice anti-incêndio do além. Tire TUDO de perto desta vela, calcule se ela acaso cair, se bater um vento, se um espírito aprontar, calcule muito bem todos os riscos antes de deixar uma vela acesa desatendida.

Se não sobrar nada de cera, apenas um mísero restolho do pavio no fundo do prato/castiçal, seu serviço foi bem feito e sua prece recebida. É assim que você sabe. Se a vela chorar desesperadamente, ficar apagando, derramar-se no entorno todo… isso é um sinal que algo não vai bem. Pare tudo, desista e refaça noutro momento, sempre atenta para ver se pode ser um problema na sua formulação da prece, na escolha do momento, ou o seu desejo que é mal intencionado e tem alguém decidindo te proteger de você mesma.

 

Somos Bruxos

Publicado em 4 de janeiro de 2015 em gedeparma.com por Gede Parma. Traduzido sob licença do autor.

“A Bruxa tem uma História – Ela é ao mesmo tempo completamente humana e totalmente transcendente. Alguns podem indicá-la como a grande realização e o começo do “sobrenaturalismo” humano, no entanto, o Bruxo, por suas próprias condições e entendimentos, tanto no saber quanto na prática, não deve e não pode transcender a Natureza, cujo outro nome é “Sorte”. A Bruxa existe em todas as culturas humanas, permeou e penetrou o subconsciente e invadiu os sonhos dos homens, seduziu os oprimidos para que revelassem e canalizassem poder e se entregaram por inteiro à Floresta dos Encantamentos – o WildWood, o bosque selvagem. Ele é um feiticeiro magistral e sábio, pelo menos esse seria o ideal, continuamente refinando suas relações, cultivando conexões, cantarolando encantamentos de apelo sensual. É um conclamador de Espíritos e um conversador de criaturas. Qualquer estudo periférico de Bruxaria presente no folclore vai assinalar a capacidade do Bruxo de comungar com seres não humanos, como se houvesse um pacto ancestral e secreto entre eles, e, ao fazê-lo, conspiram contra os paradigmas que oprimem, subjugam, atormentam e lucram à revelia do delicado e feroz equilíbrio entre todas as coisas. Parte desse equilíbrio é a manifestação de forças escuras, destrutivas e degenerativas quando as comunidades humanas começam a se impor sobre os lugares selvagens. De fato um bruxo, enquanto é certamente humano, evocando o jorro completo de emoções humanas, é também um guardião do Coração Selvagem – ainda hoje isso é assim, uma aspiração, uma verdade profunda que orienta as muitas expressões da Nossa Arte, Nossa Mais Nobre Arte.

A Bruxa também é uma sacerdotisa; Ela é consorte com os Deuses, aqueles Espíritos grandiosos e potentes, aliados à humanidade – ao que tudo indica – a quem já dissemos: “Que o Louvor, a Paz e o Poder estejam convosco – vós haveis enobrecido nossa raça!”, e o fizeram. Assim, nossos clãs plurais guardam, mantêm e fomentam pactos com esses seres. É triste que muitos tenham perdido, violado e destruído esses consórcios, pois os Antigos Deuses, conquanto onipresentes, se retraem e caem no esquecimento. A grande renascença do paganismo no mundo ocidental de hoje está servindo para revigorar a presença Deles entre o povo. Embora, na verdade, parece que os Deuses Antigos estão em constante renovação e são especialmente astuciosos. Seus Nomes são invocados constantemente em slogans publicitários, nos nomes dos dias da semana, nos meses do ano, em programas de televisão, no cinema, nos livros. Os seres humanos são criaturas ao mesmo tempo altamente inovadoras e acomodadas, da assim chamada superstição, e ainda batemos na madeira, sabemos nossos signos solares, procuramos videntes e intérpretes dos augúrios, sinais e auspícios e aventamos um mundo prenhe de magia selvagem.

Bruxos são da cura – em nosso trabalho espiritual, muitos induziram conexões com o Reino Vegetal, obtendo remédios e também venenos – e o agora infame ditado “Um bruxo que não consegue ferir não consegue curar” sublinha nosso trabalho. Precisamos ser capazes de trabalhar com ambas as “mãos”, segundo o falecido Andre Chumbley declarou – de bênçãos e dádivas, maldições e amarrações – para que possamos efetuar o trabalho de limitar o comportamento inescrupuloso e de malignidade duradoura nas comunidades humanas e em nossas próprias redes de familiaridade e afeto. Também estamos abrindo as portas para a abundância, a prosperidade, o amor e a clareza. Precisamos ter capacidade de enervar a psique para frutificar aquilo que é Justo entre nós em nossa necessária e valiosa relação com o Outromundo, ou seja, o mundo além-do-humano que é inteiramente encantado.

Somos poetas, somos os magos da palavra, somos os cantores de feitiços aos Ventos das Direções, que as Sentinelas Ancestrais possam nos ouvir, fortalecendo e guiando nosso trabalho. Algumas de nossas lendas contam que somos filhos dos Nefilins, da prole dos Decaídos que “caíram de amores” com as radiantes e lindíssimas Filhas dos Homens e nos dotaram de seu Fogo Hábil, a Chama Bruxa. Esse foi o começo do chamado Sangue Feérico e Sangue Bruxo e alguns de nós somos tão gêmeos e irmãos das raças fadas que somos levados a nos tornar Faerie Doctors, curandeiros, e, com nossos aliados do reino Fae (Encantados), somos dados à sabedoria do Povo Verde, para que deles possamos atiçar soluções para problemas que podem mesmo ter começado com os Bons Vizinhos. Alguns encantados também estão dispostos a conceder dádivas e ativar bênçãos em gente humana, repito, contanto que nosso pacto seja rico e vital, honesto e honrado.

Somos videntes, somos treinados nas Artes que perfuram os Véus, tantas vezes tidos como aquilo que define onde começa um reino e termina outro. Somos dados a trabalhos e modos que expandem e contraem nossa força-vital, a presença de nossa consciência e sua inerente mutabilidade, para que possamos ter um vislumbre da Grande Eternidade destilada em momentos na espiral de acordo com nosso envolvimento pessoal e (in)ação, ou mesmo um envolvimento coletivo e (in)ação. Para isso, nós fazemos Jornadas, somos xamânicos; alguns até diriam que Bruxos são Xamãs, e, em boa parte do nosso trabalho, somos mesmo. Parte de nosso trabalho pode ser menos sancionada pelas convenções sociais, mas, de novo, os processos internos da maioria dos praticantes de xamanismo deixariam a maioria das pessoas aterrorizada e exausta só de ouvir falar. As pessoas são sempre cautelosas perto de qualquer um que esteja em forte contato com o Outromundo e as forças e poderes “Outros”, já que são voláteis, vistas como caóticas, instáveis, e, em última instância, aterrorizantes de um jeito que não exige aptidão moral, mas uma audácia perigosa e tola. O tipo de audácia evocada pelo Amor é o tipo de audácia que as Bruxas se tornam habilidosas em produzir quando falamos com os Espíritos, quando tecemos com o Mistério (Wyrd). É o motivo de chamarmos isso de Trabalho, um Ofício. Cada cultura tem uma atitude diferente na sua relação com os tipos de indivíduos a que poderíamos chamar de bruxos. Cada comunidade pode ter suas próprias histórias, lendas e folclore por trás daquela pessoa à margem do vilarejo ou aldeia, que supostamente sai à noite para onde “pessoas de bem” não sonhariam ir e compactua diretamente com Espíritos perante os quais “as pessoas de bem” se acovardariam. Mesmo quando as qualidades benéficas ou radiantes desses Espíritos são óbvias, muita gente tradicional ainda preferiria errar escolhendo a opção mais segura.

Quando fazemos as jornadas, quando voamos, quando entramos em transe e saltamos o muro, mergulhamos fundo na Escuridão, espiralamos em condutos aquíferos ocultos, ou rasgamos o céu como cometas, estamos em missão, estamos caçando e quiçá sendo perseguidos pela própria coisa que caçamos. Somos sonhadores nisso, capazes de, ao mesmo tempo, nos relacionar através de histórias com o que é Profundamente Real e extrair através da vontade as ferramentas e poderes necessários para podermos concluir a jornada em segurança, embora nem sempre nos sintamos seguros ao fazê-lo. Somos desafiados, e embora seja difícil assustar uma Bruxa, ainda somos criaturas primitivas, e perder o senso do Sagrado Terror é perder o impacto e o sublime e, portanto, o sentido da magia profunda.

Somo iniciados – como outros xamãs – e esses Deuses do terror da Iniciação são também os Portadores e Mensageiros da Luz que nos auxiliam em nossa maestria. Esse é o Nosso Diabo, Nosso Mestre, Nosso Rei de Chifres com a Chama entre as Marcas de Sua Coroa. Nossa Senhora é a Fonte de Nosso Poder e a Rainha das Fadas e das Bruxas, do encontro entre os Reinos Verde e Vermelho, para que juntos possamos compreender os Mistérios do Branco e do Preto, de onde emergimos e para onde caímos. A Rosa Azul, a Chama Azul, é com frequência o sinal de nossa feitiçaria, por habitar e sussurrar entre todos e ser o Graal dos Mistérios Ocultos, potentes por não podermos falar deles de jeito nenhum.

E assim criamos Arte das Palavras, sugerindo e apontando para os Mistérios, deixando sinais e pistas, mas jamais entregando o ouro; somos impossibilitados. E assim somos humildes e honrados e exaltamos a quintessência uns dos outros, Nossa Divindade, enquanto giramos nossas rodas, assumimos nossas cores, derramamos tinta e óleo sobre a tela, exprimimos som e ritmo e a poesia da escrita que palpita no coração e estremece a fundação dos mundos. Ao menos é esse o objetivo. Se nossa arte puder nos desfazer e abrir o olhar e o coração ao caminho rosado beijado pelo espinho; se pudermos sentir entre os dedos, na malha de carne e osso, os filamentos de Deus, do Esquecimento e de Faerie formando uma trança bem urdida, então nossa Arte É Nobre!

Alguns de nós, não todos, são meretrizes selvagens – messalinas sagradas – e trabalhamos com a sombra e a música do sexo para que possamos exaltar esse dom mais precioso da nossa Deusa e refazer a urdidura e a trama estrangulada e rasgada em uma tapeçaria plena e forte, adornada por nossos atos sexuais. Gememos, suspiramos, beijamos, guinchamos, lambemos, acariciamos, mergulhamos, fodemos em feroz devoção ao que é mais primitivo, que é mais internamente aterrorizante, aquele alcance perigoso e profundo para que possamos revelar de verdade que TODOS OS RITOS DE AMOR E PRAZER SÃO OS RITUAIS DELA! Palavras manifestas por um Bruxo, um Poeta, um Sonhador, um Vidente, que teve ouvidos para escutar!

Somos professores – passamos adiante o folclore e as técnicas avermelhadas, legendárias e formatadas segundo a maneira que fomos ensinados, mas todos os bons professores de Bruxaria sabem que nossos mestres originais e contínuos são os Antigos, as Sentinelas, aqueles que se apaixonaram por nossas ancestrais, que enobreceram nossas aspirações e nos ofereceram a Arte, aqueles das Raças Feéricas que se aliam a nós e nos testam, os Elementos leviatânicos e ancestrais, os Deuses para quem sussurramos na noite e a própria Senhora do Destino.

Somos aspirantes. Vivemos pela experiência e testamos a Verdade no Caldeirão do Caos. Somos Bruxos.”

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Um programa de formação na arte da magia sagrada

Tenho dificuldade para me encaixar. Sempre foi assim. Me foi dado um nome raro, não me furaram a orelha quando pequena, sou canhota. Já começou daí a sequência de diferenças que viriam a marcar minha passagem pelos rincões do planeta.

Não bastasse isso, me desloco. Ao escolher uma nova casa em um novo lugar, preciso começar tudo de novo, fazer redes de amigos, conhecer o meio pagão local e buscar um grupo para me inserir.

Depois de cinco anos de volta ao Brasil, estou decidida a atender ao chamado de ensinar aquilo que me foi passado e formar eu mesma um grupo novo de práticas e devoção. Um grupo novo em folha, mas de técnicas e ensinamentos muito antigos, mesclados ao que nos oferece a globalização.

Eu passei por uma formação mágica de escola de mistérios com um professor americano, um programa pesadíssimo que praticamente faz a gente abdicar da vida mundana para poder completar. Como esse nível de dedicação é quase impossível, o que vou repassar é uma versão adaptada para um tempo maior, com um pouco menos de volume de trabalho por período, embora não menos exigente.

Muito importante salientar que a educação mágica que ofereço é na linha da Bruxaria Tradicional Moderna. Para entender melhor que raio é isso, clique aqui, onde explico direitinho essa vertente.

Desde os tempos antigos, as escolas de mistérios existiram para saciar a sede daqueles que sentem o chamado da busca pelo conhecimento, tanto de si quanto dos mundos invisíveis. É uma universidade do saber da alma, onde aprendemos a despertar e desenvolver nosso potencial mágico e espiritual. O objetivo é um profundo conhecimento e maestria do seu eu para poder fazer o meio de campo entre as forças espirituais e o plano físico, trabalhando curas pessoais, com resultados visíveis na melhora da sua qualidade de vida e de relações, e também trabalhar a serviço de curas planetárias, auxiliando os vários planos, mediando energias e oferecendo sua colaboração na recuperação do equilíbrio terrestre nos diversos reinos.

Sobre a formação

O currículo é composto de um plano de 12 aulas mensais, algumas precisariam ser presenciais, material de leitura e tarefas que envolvem desde práticas das técnicas ensinadas (algumas de preferência em duplas) até pesquisas individuais e também construção de objetos.

Algumas teorias e práticas abordadas:

* trabalhando os quatro elementos

* artes divinatórias e abertura dos sentidos

* defesa energética

* autoconhecimento e autotransformação

* sistemas energéticos do corpo: chakras, meridianos, doshas

* medicina energética básica

* magia com velas, talismãs, ervas, pedras

* magia com tarot

*alinhando sua alma tríplice

* jornadas xamânicas

* celebrando a sacralidade dos ciclos e dos elementais do lugar onde você habita

Não é um programa iniciatório, mas, ao final dos primeiros doze meses, todos que concluírem o currículo de maneira satisfatória e passarem por um exame final, podem prosseguir para o segundo ano, avançado, onde poderão explorar mais profundamente a área de sua escolha, o caminho do mago, o caminho do bruxo ou o caminho do curandeiro, e ser convidado a integrar um clã de bruxaria em formação.

Esse programa terá início na segunda quinzena de outubro  – primavera do hemisfério sul. Caso tenha interesse, entre em contato pelo email petruciafinkler@gmail.com para mais informações.

O número de alunos que posso aceitar é limitado pela minha capacidade de acompanhar de perto a evolução de cada um e poder me manter presente e disponível como mentora dos processos.

Distância geográfica não é um impedimento para a formação, embora eu adoraria ter um pequeno grupo em São Paulo. Questões financeiras também não devem ser um impedimento. Se as coisas que normalmente escrevo, ou algo em mim fala à sua alma e  você sente que gostaria muito de me ter como orientadora, entre em contato comigo.

***A primeira turma foi decidida e fechada no dia 2/9/2015. Devo abrir novamente para interessados em julho ou agosto de 2016.

carta do

carta do “Journey into Egypt Tarot” de Julie Cuccia-Watts

Bruxaria Tradicional – uma vertente pagã aberta e fascinante

É fato que, de todas as tradições de bruxaria possíveis no paganismo, a Wicca é hoje a mais difundida, mas vale lembrar que embora todo wiccano seja bruxo, nem todo bruxo é wiccano. Eu, por exemplo, embora tenha muitos amigos em diversas tradições da Wicca e participe de muitos eventos e festivais organizados por templos e igrejas de Wicca, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, não sou praticante dessa linha, mas sim do que se chama Bruxaria Tradicional ou Old Craft. Submission-3-The-Unborn

Porém, acho necessário esclarecer que minhas práticas e minha linhagem também não são as mesmas dos conceitos e preceitos sobre os quais foi fundado no Brasil o Conselho de Bruxaria Tradicional. Pelo que entendi  através do material da organização e também de conversas com o pessoal do Conselho (e posso estar equivocada), eles consideram Bruxaria Tradicional as linhagens de ensinamentos e práticas que descendem diretamente de práticas familiares ou locais da Europa pré-cristã e que sejam puras e fiéis à região de onde a tradição provém. Por exemplo, se minha tradição é Britânica, eu não poderia misturar panteões de deuses, mesmo morando nas Américas, mas sim preservar e conectar-me com os deuses de um único panteão, Celta, digamos; bem como eu não poderia misturar práticas de magia cerimonial ou de outras linhas mais modernas ou não.

Há quem defenda por aí que Bruxaria Tradicional mesmo não existe, por não existir mais nenhuma tradição tão pura que não tenha sofrido influências ao longo dos séculos, e também há quem diga que Bruxaria Hereditária (que é uma vertente considerada tradicional) é algo inventado e muito discutível. Discordo desses dois pontos por conhecer e descender (no sentido de ter por mestres e ter recebido linhagem) de bruxos incríveis que são exatamente dessas vertentes. A força e a verdade de um mago ou bruxo a gente conhece pelo trabalho e pela vida da pessoa, acho dispensável ficar debatendo se os meios pelos quais a pessoa faz seus contatos nos outros mundos –  e desenvolve seu trabalho neste –  são ou não validados pela pequenez de nossa classificação e hierarquias humanas. Isso é necessário quando a pessoa quer fazer ou se diz parte de uma tradição instituída com regras próprias;  fora isso, tudo é possível, e temos de estar abertos a todas as formas pelas quais os poderes podem se manifestar e os conhecimentos podem ser transmitidos aos andarilhos desses muitos caminhos.

A Bruxaria Tradicional na qual percorro meus dias e trabalhos mágicos é em parte pré-Wicca e dela difere em várias coisas, porém tem sim misturas bem contemporâneas, o que é impossível de evitar já que estamos tão globalizados (não só em nossas informações, mas em nossos próprios genes!!!), e por isso estou curtindo muito a nova alcunha que vi para o termo: Bruxaria Tradicional Moderna.

Meu amigo, e agora também professor, Gede Parma, que é um autor pagão australiano,  anda fazendo umas postagens no facebook compartilhando certos conceitos sob sua ótica  de bruxo tradicional.

Achei a definição de Bruxaria Tradicional maravilhosa e pedi permissão para traduzir e postar – a qual ele concedeu. Segue, portanto, a definição de Tradicional Witchcraft ou Old Craft segundo Gede Parma:

“1. Um movimento diverso do renascimento da Wicca nos anos 1950 e 60, centralizado inicialmente em torno de Robert Cochrane (Roy Bowers), o mestre original (conhecido) do Clã de Tubal Cain. Alegações de linhagem/costumes de bruxaria mais autência ou pré-moderna eram centrais a esses debates e perspectivas. Por fim, embora o movimento moderno conhecido amplamente como Tradicional ou Old Craft seja contemporâneo da Wicca, não deveria, na minha opinião, ser definido constantemente contrapondo-se a ela.

(Com uma ressalva: um Wicanno Gardneriano pode de fato ser um bruxo tradicional, assim como um bruxo tradicional pode também ser iniciado na Wicca. Enquanto o ritual da Wicca aparenta ser fundamentalmente baseado em magia grimórica salomônica e renascentista, o ritual da maioria das linhas de Bruxaria Tradicional bebem do folclore europeu codificado em histórias/canções/rimas antigos, costumes localizados e também do testemunho de várias bruxas acusadas durante a Inquisição).

2. Qualquer prática de bruxaria ou linhagem/tradição/clã inspirados na bruxaria histórica e folclórica da Europa e sua diáspora, identificando-se com ela de formas texturizadas e narrativas.

3. Assim como no item 2, e potencialmente se identificando com o item 1, uma bruxa tradicional trabalha tanto com linhas vermelhas quanto brancas. A linha vermelha se refere ao conhecimento e práticas bem avermelhados, passados de mão em mão, de boca a ouvido, do sopro à carne, através do tempo e do espaço. A linha branca é a gnose iniciática/iniciatória e a comunhão reveladora aprofundada ou visionária com o Outro Mundo, com os espíritos, com os espíritos pessoais,  por exemplo, Inspiração. Bruxaria sem conexão  e sinergia conscientes (como pactos, casamentos e promessas) com os Espíritos, definitivamente, não é bruxaria tradicional.

Passada a mim pelo Fogo Divino

pelo Olho, de novo e de novo

Branco o clarão do Lorde Serafim

Fiado dentro da Próprio Corpo da Mente

Vermelho o Rio inchado e forte

na terra da Soberania

onde rainhas antigas deram luz

às histórias que me libertariam

Vivificado em prata na Noite

onde o silêncio traz o sonho carregado

entre o Pensamento e a Memória

Ó antigo conceda a Chama Real

Três Fios trançados em meu Cordão

Serpente Viva no meu pescoço

pendurada como o laço do Enforcado

Astúcia dos bruxos, feito dos bruxos.”

Gede Parma ainda adiciona abaixo do post mais alguns comentários:

“Exemplos de Tradições contemporâneas que são consideradas ou se dizem ‘Tradicionais ou Old Craft’ incluem:

Clã de Tubal Cain

Cultus Sabbati

1734

Anderson Faery/Feri (também chamado Vicia)

Anderean Craft

Sophian Thread of WildWood

Glenshire Order of Witches

Lady Circe’s Lineage and Mantle-Bearers

Além da miríade de outros grupos e indivíduos conhecidos e desconhecidos que usam ou não algum nome.

Também devo mencionar que outra explicação muito direta de Tradicional ou Old Craft é qualquer grupo, prática individual, ordem ou linhagem que seja anterior ao revival dos anos 1950 e dá seguimento a costumes, técnicas e conhecimentos mais antigos.

E AINDA, que estou ciente de que dentro das tradições Gardnerianas e Alexandrinas há amplos conhecimentos tradicionais, práticas e técnicas!”

Então aí está. Espero que esses comentários ajudem a esclarecer mais uma das vertentes possíveis para vivermos essa espiritualidade tão fascinante.