A bruxaria é antiga

England_2015 (247)A bruxaria é antiga. Ela nasceu da curiosidade humana de buscar alcançar o mesmo conhecimento e a capacidade dos Deuses. É filha da desobediência, filha da necessidade – nascida do encontro com o outro e o outro mundo, tudo aquilo que não é nós, aquilo que vai além dos sentidos ordinários, mas que era visto, vivenciado e honrado antes de virar proibido. Antes de virar pecado. Antes de pararmos de enxergar. Antes de deixar de ser compreendido pelo próprio afastamento da experiência humana.

A bruxaria é antiga. Ela desperta sentidos adormecidos ou é despertada em nós porque os sentidos adormecidos acordam de repente. Ela abre a visão, a audição, o tato, e principalmente a compreensão de que não estamos sós, que não fomos abandonados, não somos separados do mundo natural, do encanto, e principalmente que não precisamos de redenção alguma.

A bruxaria é antiga. Sabe usar o que há e o que é possível, o corpo, o ambiente, a casa. Cuspe, osso, folha. Água, sol, lágrima. Urina, pano, barro. Caldeirão, faca, vassoura, cálice, prato, pilão e espelho. O que é possível e passível de se disfarçar, pois a bruxaria enxerga os perigos, e fala em silêncios, em sinais, em murmúrios. Anda pelo escuro e se move sem provocar ruído. Sabe não chamar a atenção quando essa atenção é perigosa e pode levar à fogueira, ou à fogueira das vaidades.

A bruxaria é antiga e é não-binária, transita entre polaridades. Sendo selvagem, não determina o tom, nem cobra que você se posicione rigidamente – como se fosse possível lhe colocar inteiro em uma caixinha. Tudo cabe, toda chama cabe. Se te arde o espírito, você é dela, e ela é sua, mesmo que você não faça nada, mas é melhor se fizer.

19121648_307273559699522_4339839048429338624_nA bruxaria é antiga e ela em si não dá regras, exceto aquelas que cada um encontra no seu caminho particular com os Deuses, os espíritos e os encantados. Aquelas que vêm do aprendizado, do tombo, do erro, da atenção, da revelação e das leis do retorno.

A bruxaria não é elitista, não demanda livros, não demanda iniciações pagas, viagem a lugares sagrados nem retiros em spas do espírito. Mas ela é plural e sempre pode se beneficiar muito de várias dessas coisas.

A bruxaria é antiga, tão antiga que é ancestral. Nascida do desespero de não ser ouvido, de não ter justiça humana que ajude, de não encontrar meio mundano de tocar a vida para frente ou superar a adversidade. Ela é nascida da celebração do pacto do visível com o invisível e da necessidade de partilhar com o invisível porque a vida é mais e a vida pede.

Ela é Arte, ela é Ofício, ela é Religião, ela é Feitiçaria, ela é Espiritualidade, e também pode não ser nada disso. A bruxaria não pode ser domesticada, ela não se curva a rótulos ou a regras que venham de fora da tradição a qual você pertence. Ela não suporta a perseguição religiosa contra a liberdade de crença e de prática, muito menos quando é empunhada por filhos seus que, num enlevo de soberba, usam de deboche e escárnio para diminuir e difamar quaisquer outras vertentes e práticas que difiram da sua. Ela é um fogo, um dom que é presente dos Deuses. E os Deuses não costumam tolerar a intolerância de alguns de seus filhos para com os outros.

Ela pode ser xamânica, extática, hereditária, wiccana, heathen, nórdica, gentia, natural, cigana, tradicional, moderna, luciferiana, cerimonial, umbandista, espiritista, druídica, contemporânea, possessória, ela é de quem quiser ser dela, de quem arde com ela, de quem dança com ela, de quem deseja arriscar chamar a si de bruxo e carregar sua marca indelével e inconfundível.

Bruxaria não tem dono. Ela é tão antiga quanto a humanidade, não é um nome com marca registrada.

A bruxaria é herege e libertária. Pelos Deuses, que ela continue assim.

 

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Nova turma de formação mágica

Em 2015 dei início a um grupo de formação mágica com duração de 12 meses. Estamos na reta final com essa primeira turma. Está na hora de preparar o terreno para a próxima roda.

Tenho preferência por encontros presenciais (São Paulo), mas, dependendo do caso, é possível participar via skype ou hangout.

Para saber mais, leia o post no blog do próprio Conclave da Rosa e do Espinho. Se o chamado ecoar no seu âmago, mande um email pedindo pelo formulário, com mais informações e espaço para sua declaração de interesse.

A próxima turma de formação mágica começa na primeira quinzena de setembro.

A DATA DE ENCERRAMENTO PARA ENVIO DO FORMULÁRIO É 18 DE AGOSTO DE 2016.

 

 

Somos Bruxos

Publicado em 4 de janeiro de 2015 em gedeparma.com por Gede Parma. Traduzido sob licença do autor.

“A Bruxa tem uma História – Ela é ao mesmo tempo completamente humana e totalmente transcendente. Alguns podem indicá-la como a grande realização e o começo do “sobrenaturalismo” humano, no entanto, o Bruxo, por suas próprias condições e entendimentos, tanto no saber quanto na prática, não deve e não pode transcender a Natureza, cujo outro nome é “Sorte”. A Bruxa existe em todas as culturas humanas, permeou e penetrou o subconsciente e invadiu os sonhos dos homens, seduziu os oprimidos para que revelassem e canalizassem poder e se entregaram por inteiro à Floresta dos Encantamentos – o WildWood, o bosque selvagem. Ele é um feiticeiro magistral e sábio, pelo menos esse seria o ideal, continuamente refinando suas relações, cultivando conexões, cantarolando encantamentos de apelo sensual. É um conclamador de Espíritos e um conversador de criaturas. Qualquer estudo periférico de Bruxaria presente no folclore vai assinalar a capacidade do Bruxo de comungar com seres não humanos, como se houvesse um pacto ancestral e secreto entre eles, e, ao fazê-lo, conspiram contra os paradigmas que oprimem, subjugam, atormentam e lucram à revelia do delicado e feroz equilíbrio entre todas as coisas. Parte desse equilíbrio é a manifestação de forças escuras, destrutivas e degenerativas quando as comunidades humanas começam a se impor sobre os lugares selvagens. De fato um bruxo, enquanto é certamente humano, evocando o jorro completo de emoções humanas, é também um guardião do Coração Selvagem – ainda hoje isso é assim, uma aspiração, uma verdade profunda que orienta as muitas expressões da Nossa Arte, Nossa Mais Nobre Arte.

A Bruxa também é uma sacerdotisa; Ela é consorte com os Deuses, aqueles Espíritos grandiosos e potentes, aliados à humanidade – ao que tudo indica – a quem já dissemos: “Que o Louvor, a Paz e o Poder estejam convosco – vós haveis enobrecido nossa raça!”, e o fizeram. Assim, nossos clãs plurais guardam, mantêm e fomentam pactos com esses seres. É triste que muitos tenham perdido, violado e destruído esses consórcios, pois os Antigos Deuses, conquanto onipresentes, se retraem e caem no esquecimento. A grande renascença do paganismo no mundo ocidental de hoje está servindo para revigorar a presença Deles entre o povo. Embora, na verdade, parece que os Deuses Antigos estão em constante renovação e são especialmente astuciosos. Seus Nomes são invocados constantemente em slogans publicitários, nos nomes dos dias da semana, nos meses do ano, em programas de televisão, no cinema, nos livros. Os seres humanos são criaturas ao mesmo tempo altamente inovadoras e acomodadas, da assim chamada superstição, e ainda batemos na madeira, sabemos nossos signos solares, procuramos videntes e intérpretes dos augúrios, sinais e auspícios e aventamos um mundo prenhe de magia selvagem.

Bruxos são da cura – em nosso trabalho espiritual, muitos induziram conexões com o Reino Vegetal, obtendo remédios e também venenos – e o agora infame ditado “Um bruxo que não consegue ferir não consegue curar” sublinha nosso trabalho. Precisamos ser capazes de trabalhar com ambas as “mãos”, segundo o falecido Andre Chumbley declarou – de bênçãos e dádivas, maldições e amarrações – para que possamos efetuar o trabalho de limitar o comportamento inescrupuloso e de malignidade duradoura nas comunidades humanas e em nossas próprias redes de familiaridade e afeto. Também estamos abrindo as portas para a abundância, a prosperidade, o amor e a clareza. Precisamos ter capacidade de enervar a psique para frutificar aquilo que é Justo entre nós em nossa necessária e valiosa relação com o Outromundo, ou seja, o mundo além-do-humano que é inteiramente encantado.

Somos poetas, somos os magos da palavra, somos os cantores de feitiços aos Ventos das Direções, que as Sentinelas Ancestrais possam nos ouvir, fortalecendo e guiando nosso trabalho. Algumas de nossas lendas contam que somos filhos dos Nefilins, da prole dos Decaídos que “caíram de amores” com as radiantes e lindíssimas Filhas dos Homens e nos dotaram de seu Fogo Hábil, a Chama Bruxa. Esse foi o começo do chamado Sangue Feérico e Sangue Bruxo e alguns de nós somos tão gêmeos e irmãos das raças fadas que somos levados a nos tornar Faerie Doctors, curandeiros, e, com nossos aliados do reino Fae (Encantados), somos dados à sabedoria do Povo Verde, para que deles possamos atiçar soluções para problemas que podem mesmo ter começado com os Bons Vizinhos. Alguns encantados também estão dispostos a conceder dádivas e ativar bênçãos em gente humana, repito, contanto que nosso pacto seja rico e vital, honesto e honrado.

Somos videntes, somos treinados nas Artes que perfuram os Véus, tantas vezes tidos como aquilo que define onde começa um reino e termina outro. Somos dados a trabalhos e modos que expandem e contraem nossa força-vital, a presença de nossa consciência e sua inerente mutabilidade, para que possamos ter um vislumbre da Grande Eternidade destilada em momentos na espiral de acordo com nosso envolvimento pessoal e (in)ação, ou mesmo um envolvimento coletivo e (in)ação. Para isso, nós fazemos Jornadas, somos xamânicos; alguns até diriam que Bruxos são Xamãs, e, em boa parte do nosso trabalho, somos mesmo. Parte de nosso trabalho pode ser menos sancionada pelas convenções sociais, mas, de novo, os processos internos da maioria dos praticantes de xamanismo deixariam a maioria das pessoas aterrorizada e exausta só de ouvir falar. As pessoas são sempre cautelosas perto de qualquer um que esteja em forte contato com o Outromundo e as forças e poderes “Outros”, já que são voláteis, vistas como caóticas, instáveis, e, em última instância, aterrorizantes de um jeito que não exige aptidão moral, mas uma audácia perigosa e tola. O tipo de audácia evocada pelo Amor é o tipo de audácia que as Bruxas se tornam habilidosas em produzir quando falamos com os Espíritos, quando tecemos com o Mistério (Wyrd). É o motivo de chamarmos isso de Trabalho, um Ofício. Cada cultura tem uma atitude diferente na sua relação com os tipos de indivíduos a que poderíamos chamar de bruxos. Cada comunidade pode ter suas próprias histórias, lendas e folclore por trás daquela pessoa à margem do vilarejo ou aldeia, que supostamente sai à noite para onde “pessoas de bem” não sonhariam ir e compactua diretamente com Espíritos perante os quais “as pessoas de bem” se acovardariam. Mesmo quando as qualidades benéficas ou radiantes desses Espíritos são óbvias, muita gente tradicional ainda preferiria errar escolhendo a opção mais segura.

Quando fazemos as jornadas, quando voamos, quando entramos em transe e saltamos o muro, mergulhamos fundo na Escuridão, espiralamos em condutos aquíferos ocultos, ou rasgamos o céu como cometas, estamos em missão, estamos caçando e quiçá sendo perseguidos pela própria coisa que caçamos. Somos sonhadores nisso, capazes de, ao mesmo tempo, nos relacionar através de histórias com o que é Profundamente Real e extrair através da vontade as ferramentas e poderes necessários para podermos concluir a jornada em segurança, embora nem sempre nos sintamos seguros ao fazê-lo. Somos desafiados, e embora seja difícil assustar uma Bruxa, ainda somos criaturas primitivas, e perder o senso do Sagrado Terror é perder o impacto e o sublime e, portanto, o sentido da magia profunda.

Somo iniciados – como outros xamãs – e esses Deuses do terror da Iniciação são também os Portadores e Mensageiros da Luz que nos auxiliam em nossa maestria. Esse é o Nosso Diabo, Nosso Mestre, Nosso Rei de Chifres com a Chama entre as Marcas de Sua Coroa. Nossa Senhora é a Fonte de Nosso Poder e a Rainha das Fadas e das Bruxas, do encontro entre os Reinos Verde e Vermelho, para que juntos possamos compreender os Mistérios do Branco e do Preto, de onde emergimos e para onde caímos. A Rosa Azul, a Chama Azul, é com frequência o sinal de nossa feitiçaria, por habitar e sussurrar entre todos e ser o Graal dos Mistérios Ocultos, potentes por não podermos falar deles de jeito nenhum.

E assim criamos Arte das Palavras, sugerindo e apontando para os Mistérios, deixando sinais e pistas, mas jamais entregando o ouro; somos impossibilitados. E assim somos humildes e honrados e exaltamos a quintessência uns dos outros, Nossa Divindade, enquanto giramos nossas rodas, assumimos nossas cores, derramamos tinta e óleo sobre a tela, exprimimos som e ritmo e a poesia da escrita que palpita no coração e estremece a fundação dos mundos. Ao menos é esse o objetivo. Se nossa arte puder nos desfazer e abrir o olhar e o coração ao caminho rosado beijado pelo espinho; se pudermos sentir entre os dedos, na malha de carne e osso, os filamentos de Deus, do Esquecimento e de Faerie formando uma trança bem urdida, então nossa Arte É Nobre!

Alguns de nós, não todos, são meretrizes selvagens – messalinas sagradas – e trabalhamos com a sombra e a música do sexo para que possamos exaltar esse dom mais precioso da nossa Deusa e refazer a urdidura e a trama estrangulada e rasgada em uma tapeçaria plena e forte, adornada por nossos atos sexuais. Gememos, suspiramos, beijamos, guinchamos, lambemos, acariciamos, mergulhamos, fodemos em feroz devoção ao que é mais primitivo, que é mais internamente aterrorizante, aquele alcance perigoso e profundo para que possamos revelar de verdade que TODOS OS RITOS DE AMOR E PRAZER SÃO OS RITUAIS DELA! Palavras manifestas por um Bruxo, um Poeta, um Sonhador, um Vidente, que teve ouvidos para escutar!

Somos professores – passamos adiante o folclore e as técnicas avermelhadas, legendárias e formatadas segundo a maneira que fomos ensinados, mas todos os bons professores de Bruxaria sabem que nossos mestres originais e contínuos são os Antigos, as Sentinelas, aqueles que se apaixonaram por nossas ancestrais, que enobreceram nossas aspirações e nos ofereceram a Arte, aqueles das Raças Feéricas que se aliam a nós e nos testam, os Elementos leviatânicos e ancestrais, os Deuses para quem sussurramos na noite e a própria Senhora do Destino.

Somos aspirantes. Vivemos pela experiência e testamos a Verdade no Caldeirão do Caos. Somos Bruxos.”

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Um programa de formação na arte da magia sagrada

Tenho dificuldade para me encaixar. Sempre foi assim. Me foi dado um nome raro, não me furaram a orelha quando pequena, sou canhota. Já começou daí a sequência de diferenças que viriam a marcar minha passagem pelos rincões do planeta.

Não bastasse isso, me desloco. Ao escolher uma nova casa em um novo lugar, preciso começar tudo de novo, fazer redes de amigos, conhecer o meio pagão local e buscar um grupo para me inserir.

Depois de cinco anos de volta ao Brasil, estou decidida a atender ao chamado de ensinar aquilo que me foi passado e formar eu mesma um grupo novo de práticas e devoção. Um grupo novo em folha, mas de técnicas e ensinamentos muito antigos, mesclados ao que nos oferece a globalização.

Eu passei por uma formação mágica de escola de mistérios com um professor americano, um programa pesadíssimo que praticamente faz a gente abdicar da vida mundana para poder completar. Como esse nível de dedicação é quase impossível, o que vou repassar é uma versão adaptada para um tempo maior, com um pouco menos de volume de trabalho por período, embora não menos exigente.

Muito importante salientar que a educação mágica que ofereço é na linha da Bruxaria Tradicional Moderna. Para entender melhor que raio é isso, clique aqui, onde explico direitinho essa vertente.

Desde os tempos antigos, as escolas de mistérios existiram para saciar a sede daqueles que sentem o chamado da busca pelo conhecimento, tanto de si quanto dos mundos invisíveis. É uma universidade do saber da alma, onde aprendemos a despertar e desenvolver nosso potencial mágico e espiritual. O objetivo é um profundo conhecimento e maestria do seu eu para poder fazer o meio de campo entre as forças espirituais e o plano físico, trabalhando curas pessoais, com resultados visíveis na melhora da sua qualidade de vida e de relações, e também trabalhar a serviço de curas planetárias, auxiliando os vários planos, mediando energias e oferecendo sua colaboração na recuperação do equilíbrio terrestre nos diversos reinos.

Sobre a formação

O currículo é composto de um plano de 12 aulas mensais, algumas precisariam ser presenciais, material de leitura e tarefas que envolvem desde práticas das técnicas ensinadas (algumas de preferência em duplas) até pesquisas individuais e também construção de objetos.

Algumas teorias e práticas abordadas:

* trabalhando os quatro elementos

* artes divinatórias e abertura dos sentidos

* defesa energética

* autoconhecimento e autotransformação

* sistemas energéticos do corpo: chakras, meridianos, doshas

* medicina energética básica

* magia com velas, talismãs, ervas, pedras

* magia com tarot

*alinhando sua alma tríplice

* jornadas xamânicas

* celebrando a sacralidade dos ciclos e dos elementais do lugar onde você habita

Não é um programa iniciatório, mas, ao final dos primeiros doze meses, todos que concluírem o currículo de maneira satisfatória e passarem por um exame final, podem prosseguir para o segundo ano, avançado, onde poderão explorar mais profundamente a área de sua escolha, o caminho do mago, o caminho do bruxo ou o caminho do curandeiro, e ser convidado a integrar um clã de bruxaria em formação.

Esse programa terá início na segunda quinzena de outubro  – primavera do hemisfério sul. Caso tenha interesse, entre em contato pelo email petruciafinkler@gmail.com para mais informações.

O número de alunos que posso aceitar é limitado pela minha capacidade de acompanhar de perto a evolução de cada um e poder me manter presente e disponível como mentora dos processos.

Distância geográfica não é um impedimento para a formação, embora eu adoraria ter um pequeno grupo em São Paulo. Questões financeiras também não devem ser um impedimento. Se as coisas que normalmente escrevo, ou algo em mim fala à sua alma e  você sente que gostaria muito de me ter como orientadora, entre em contato comigo.

***A primeira turma foi decidida e fechada no dia 2/9/2015. Devo abrir novamente para interessados em julho ou agosto de 2016.

carta do

carta do “Journey into Egypt Tarot” de Julie Cuccia-Watts

A Bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração de um herege…

Vou inaugurar algo novo neste blog.  Como tenho amigos internacionais que escrevem coisas lindas, mas que não têm material disponível em português, vou passar a fazer algumas traduções pontuais e compartilhar aqui. Vou começar por um texto de Gede Parma, um bruxo amigo (e agora também meu professor) que tem três livros muito legais publicados. Ele agora está em Bali, mas cresceu na Austrália, e muito do meu interesse pelos bruxos australianos veio por conta de partilharmos do mesmo hemisfério terrestre, o que traz características especiais para nosso trabalho mágico.

Enfim, sem mais, vou proceder com o ótimo e poético texto que ele publicou originalmente em 22 de abril no blog da página dele. Bruxos e bruxas, com vocês, Gede Parma:

“A Bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração de um herege…

Hoje, muita gente vê a Bruxaria – em suas várias modalidades – como um resgate das feitiçarias pagãs pré-cristãs e o xamanismo ancestral de nossos antepassados europeus. Sim, ela é. E, no entanto, a Bruxaria pertence a uma História, é uma Medicina Mítica nascida da terrível união entre serpentes de fogo, o povo escondido dos ocos dos morros e aqueles com língua serpentiforme que testemunham tudo isso – a magia humana se encontra com o fogo do outro mundo, e a Árvore do Conhecimento oferece seus frutos.

As famílias particulares e os clãs de Craft de hoje contam lendas sobre anjos decaídos, gnose Luciferiana, irmãs Feéricas no vento e nos rios, da sabedoria dos mortos, nossos amados e poderosos ancestrais, e essa é uma conversa, um confronto, uma interrogação. Nossa conversa não se encerrou com a corrupção da Igreja de Constantino e a conversão gradual da Europa, África e Oriente Próximo às crenças abraâmicas. Isso foi, claro, o começo de um genocídio cultural que a população profundamente ferida da Europa propagou em seus navios coloniais como uma doença, levada a quase todos os cantos do planeta. Essa é uma doença que Bruxos conhecem bem. Ele surge para combater esse tirano, aqueles que de propósito decidem empunhar essa monstruosidade. Ele nasce para conjurar a Arte e a Consciência para dentro das pessoas e abrir à força nossos corações um pouco mais para a Beleza. Dançamos com demônios para que saibamos como estraçalhá-los, e os antigos deuses nos ajudam, enquanto somos nós estraçalhados para renascermos em um Fogo Alquímico que nos leva ao Fio da Navalha. Palavras aqui sussurradas vão reformular o Mundo.

Sim sou Bruxo. Sou Pagão às vezes, sou pagão a maior parte do tempo. Tenho de ser animista com as samambaias e as flores, cantando para a glória do pó anterior, que existe sob o peso do asfalto e do concreto, espirais de aço no desenho das cidades. Preciso sê-lo com rios tóxicos e ar poluído, eu o inspiro e ele se move em mim. Tento provar e absorver o veneno e transmutá-lo num bálsamo de cura, uma canção corvídea radical que vai consertar a quebra. Sei como voar no Vento, mas esse conhecimento, e até mesmo essa ação, é apenas verdadeiramente da Bruxaria quando inserido em um contexto de muitos, de uma comunidade dos que transitam no mistério. Abençoados sejam os guerreiros dessas últimas palavras… Lee Morgan, Peter Grey, Oberyn Huldren, Ravyn Stanfield…

Uma famosa líder da Bruxaria Moderna, que é em geral considerada como New Age ou uma pastora excessivamente politizada, na verdade explica o âmago da Bruxaria para os iniciados quando diz: “A Bruxaria é a tradição secreta iniciatória da Deusa da Europa e do Oriente Próximo.” No coração de nossa Bruxaria está a Deusa, Nossa Senhora. É a Verdade, a Sabedoria, o Amor. Mas não paramos nossa conversa nas cavernas; levamos nossas antigas e profundas alianças com aqueles espíritos ancestrais e os mistérios e infiltramos capelas e catedrais, onde eles construíram suas casas para Deus, conhecendo a estratégia deles. Esses pagãos imundos, esse vadios gentios, precisam vir até esses poços, onde essas linhas de poder convergem nesta terra, precisam vir até onde nós derrubamos os bosques do demônio, então é aqui que vamos construir. E então nós fomos – meus ancestrais, e provavelmente os seus também, foram – e, primeiro, por baixo de nossas preces ao Cristo, Maria e os santos, nós sussurramos e lembramos de outros Nomes, outros Poderes, até que um dia não lembramos mais. Há uma Casa Secreta que guarda essa memória, beba dessa Água e talvez vá recordar. Sim, isso era pagão, a religião da própria terra, mas o segredo das bruxas mesmo na barriga do algoz. Conhecemos o comportamento das feras, bestas saudáveis, fortes, vívidas, ou lembramos de como as coisas deveriam ser.

Sou herege. Mantenho santuários com luzes iluminando o rosto dos Santos, de Maria, de Jesus. Sussurro seus Nomes junto a outros Nomes – os Antigos são alimentados, regozijam, re-lembram, como eu relembro. Tenho uma faca e um cálice diante de Maria; invada minha casa, caçador, sim, há heresia aqui… que a fidelidade da casa, a antiga providência do coração, seja meu escudo. As bruxas sobem pelas chaminés, levadas pela fumaça de nossas plantas sagradas, pactos que fizemos há muito tempo, e alçamos voo para nos comprometermos com o desdobrar das obras do próprio Destino. Sempre, como a raposa voadora, como a lebre saltitante, aparentemente delicados e mansos, mas verdadeiramente astuciosos, escapamos de seu ávido domínio.

Ordens enviadas para nos pacificar e oprimir são desmontadas quando as subvertemos de dentro para fora. Nunca deixamos de conversar nossas conspirações corvídeas, nossas catedrais de congregação encobertas pela noite. Nossos ritos não são relíquias, são bestas vivas e famintas. Elas nos tiram de nossas camas à noite para que cruzemos o limiar do lar colhido conjurando poderes ctônicos que se erguem do frêmito terrestre. Buchadas soturnas são evacuadas, enquanto sonhos urdidos em tranças fortes e ancestrais de luxúria nos levam de volta para casa e uns para os outros. Reunimo-nos em grupos de mais de três, nas encruzilhadas e em chãos tortuosos e desparelhos, para encantar e perturbar as burocracias do tempo e o gasto energético da elite. A sombra da tirania capitalista afoga as Pessoas e o Planeta. Foi para isso que nascemos, e Antigas Casas são ressuscitadas. Aradia, Jack, Robin da Arte, Jeanne da Árvore, fervilhamos no espaço entre as palavras nos livros de história… o mundo jamais esqueceu de verdade… assombramos e levamos vivacidade aonde apenas a aridez do coração parece governar… Chegamos com um tição feito das cinzas de nossos Companheiros Decaídos e as brasas das cavernas, nossos espíritos acenderam a Fagulha uma vez mais.

Esgueiramo-nos em cemitérios e dançamos em rochedos esculpidos pelo mar…

Consorciamos com Poderes Leviatânicos nas frestas do que foi e do que vai ser. Tudo o que vai ser. Irmãs Nornes de rostos encovados e olhar jovial seduzem nossos espíritos a saltarem muros rumo à terra de nosso legado…

O baixar das armas de guerra uns contra os outros e nossos corpos se avizinha, se dobra, contorce, para criar Arte nos centro concordantes onde a feitiçaria se torna uma sinergia com Nosso Próprios Espíritos…

Nossa conversa nunca terminou. Não uns com os outros. Nem com você. Nem com os vis vilões que são os terroristas da riqueza da terra e nossa imanência soberana. Nossa conversa se tornou silenciosa, efervescente, lamuriosa… se tornou cambaleante, arruinada e tempestuosa… se tornou o sal nas lágrimas e o trovejante arco-íris na risada de nossas peles ao entrarmos e sairmos do Trabalho que fazemos para derrubar a fortaleza… não duvide que estamos trabalhando…

A bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração do herege… E hereges se fortalecem quando por Escolha somos tomados por Loucos, e nessa Loucura recebemos as Chaves para as Torres… cantamos com os Tecelões-Estelares e os relâmpagos se arqueiam para cima e para baixo, para baixo e para cima.

Nossa Loucura não é para todo mundo até que nosso Trabalho esteja terminado. Declarações de Domínio Daimônico habitam em Sonhos. Sonhos que vamos despertar.”

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Gede-FaceGede Parma (Fio) é bruxo, vidente, curandeiro, místico, ativista e escritor. Mora em Ubud, Bali, a ilha onde nasceu, e é um viajante do mundo. É um autor premiado de livros sobre paganismo e bruxaria e um entusiasta da poesia informal e da dança. Apresenta workshops sobre magia xamânica, feitiçaria e também rituais em ambos os hemisférios e é iniciado nas linhagens Wildwood e Anderean de bruxaria, bem como Reclaiming e é um aprendiz da Anderson Faery. É conhecido por seu foco facilitador em espaços de êxtase e comunhão íntima com os Poderes do Eterno Cosmos e Espíritos Locais em todo o mundo.

Já palestrou em muitas conferências pagãs e espirituais, festivais e retiros. Já compartilhou sua magia e suas perspectivas no Parliament of the World’s Religions, Reclaiming WitchCamps, BaliSpirit Festival, Between the Worlds, Pagan Summer Gathering, DragonEye Tours, Ritual Experience Weekends e facilitou centenas de rituais abertos ou privados, workshops e intensivos ao redor do mundo.

 

Mandingas de Réveillon

Como ainda há algumas boas almas desesperadas, cheias de dúvidas sobre o que fazer na virada, decidi fazer essa postagem de última hora com algumas dicas bem boas.

O Réveillon é importante por tratar-se de um limiar.

Toda troca ou alteração de uma coisa para outra coisa cria um estado de limiar, de travessia, um momento em que não estamos nem aqui, nem lá, e oferece a oportunidade de um recomeço. A virada do ano, que é celebrada por algumas nações (veja bem, nem todo mundo tá ligando para a troca do calendário), se presta muito bem para evocar esse momento de “ponto de mutação”, uma união do passado com o futuro – um espaço onde, teoricamente, tudo é possível. Agora, dito isso, reparem que temos vários desses momentos ao longo da vida e até de um único dia, como, por exemplo, o amanhecer e o entardecer, o meio-dia e a meia-noite. Qualquer troca é troca, é travessia e, portanto, passível de ser utilizada para potencializar as energias que queremos emanar e, assim, atrair.

Esse é outro detalhe importante: a gente precisa emanar a vibe do que desejamos manifestar para que aquilo seja atraído ao nosso campo magnético. Nada é tão simples, óbvio, mas esse é o começo da coisa.

“Aimeusdeuses! Petrucia, me ajuda, estou desesperada/insegura/perdida, não sei o que fazer!”

Se esse é seu caso, vamos então ao que interessa:

CALCINHA

Para este Réveillon, já passei a dica da lingerie combinando com o esmalte de unha na entrevista mega fofa que dei para o site Chic Glória Kalil. Quem não viu ou não lembra, clique aqui. Outro fator fundamental para essa mandinga dar certo é que a calcinha precisa ser nova e recebida de presente. Não vale comprar a sua, precisa ganhar. Claro que pode combinar com a mãe/irmã/amiga/vizinha para uma comprar pra outra a cor desejada.

PARA VIAJAR MUITO

Outra coisa que eu adoro fazer depois da meia-noite, quando quero viajar bastante, é correr na rua com uma mala de viagem, vazia mesmo. O importante é a corrida com a bagagem. Aprendi isso quando eu tinha 13 anos, com um amigo da minha mãe que era peruano. Ele disse que era tradicional fazer isso no Peru. Pode não ser verdade, mas a ideia é boa, e o resultado sempre deu certo pra mim. É mais difícil de fazer na cidade grande, mas quem mora em praia ou bairros menores, deve aproveitar. Teve uma tia minha que teve preguiça e foi só até o portão da casa com a mala. Resultado? Viajou, mas foi perto. O ideal é dar a volta na quadra.

EM BUSCA DE CHAMEGO

Para quem está só e quer companhia, é imprescindível que a primeira pessoa a ser cumprimentada no toque das 12 badaladas seja alguém do sexo oposto (ou do mesmo, se essa é sua preferência, claro). Quando eu era solteira-e-à-procura, não perdia essa chance, a ponto de, em um Réveillon bem simplinho no qual que estávamos apenas eu e uma amiga na casa dela, a gente primeiro abraçar o cachorro – que era pequeno, mas macho – quando deu meia-noite, sob risco de não conseguirmos nos emparceirar naquele ano.

ADEUS ANO VELHO, VIDA VELHA, ENERGIA VELHA, PELE VELHA

sálvia e alecrimAno passado, passei essa data em Marrakech, no Marrocos. Não rolou celebração nenhuma nas ruas, apenas em hotéis. E ficamos, eu e meu marido, zanzando em busca de uma contagem regressiva que não aconteceu. Estava bem frio, 3c, e achamos por fim restaurante, perto da praça Jmaa el Fna, onde pedimos um chá de hortelã tradicional que o garçom nos trouxe a 15 segundos da meia-noite. Brindamos singelamente com chá. Porém, mais cedo, havíamos feito um Hamman, o banho marroquino que tem uma sessão inacreditável de esfoliação. Acho que a mulher tirou um meio quilo de pele velha do meu corpitcho. Tudo do banho foi incrível, mas o melhor foi me dar conta que eu entraria o ano deixando tudo de antigo para trás.

Então, para quem quer abandonar o velho e fazer uma limpeza legal das suas energias, eu recomendo um banho feito com alecrim ou sálvia, ou os dois. A gente fica com cheiro de tempero, mas são ervas muito eficientes para limpeza de energias discordantes ou negativas, purificação e também de forte proteção. O alecrim dá uma energizada bem legal, uma acordada boa, que tem a ver com o nome da festa (“réveillon” vem do francês e quer dizer despertar) além de ser uma plantinha muito usada nos feitiços de amor. Voilá.

O sal grosso, eu acho um pouco forte demais para nosso lindo, sutil e colorido campo energético. Seria o equivalente a tomar banho com água sanitária. Salvo em raras excessões, seu uso é abrasivo demais e desnecessário.

RÉVEILLON ENTRE OS LENÇÓISmandinga1

Minha última dica não é para amor, mas um banho para “uso da área de lazer”, ou seja, para diversão pura, a princípio sem visar compromisso algum. Se você anda devagar, esse é um banho incrível para tirar a teia de aranha e aproveitar todo o potencial daquele órgão feminino pequeno e fundamental, o único órgão do corpo humano cuja função é exclusivamente o prazer . Talvez o banho dê resultado para homens também, não sei. Se algum menino usar e der certo, me conte depois!

Enfim, tenha ou não um alvo à vista, tome esse banho por sua própria conta e risco.

Os ingredientes:

3 pétalas de rosa

3 paus de canela

3 xícaras de café de sakê

mel

Jogue tudo numa panelinha no fogo e deixe levantar fervura. Desligue e deixe curtir um tempo. Tome banho normal, por último, encha a panelinha com água do chuveiro, diga as palavras do seu encantamento, abençoando a poção. Diga com todas as letras a finalidade daquela mistura e do seu ritual. Não é recomendado dizer o nome da pessoa que você deseja, por razões de livre arbítrio, mas cada um sabe do seu karma. Aí, jogue a mistura sobre o corpo e deixe secar naturalmente.

Boa sorte e feliz 2015!!!!

de volta à fogueira?

Por muitos e muitos anos, fui adepta da calcinha nova em tal e tal cor para a virada do ano, mas já faz algum tempo que me preocupo muito pouco com roupas (íntimas ou não) e adereços para passar o revèillon. Porém, nunca jamais antes me ocorreu combinar a cor do esmalte com a da calcinha, para dar, digamos, um peso a mais no poder da atração daquilo que desejamos para o novo ano.

Bom, essa foi a ideia do site Chic- Gloria Kalil, que me convidou para contribuir com as informações sobre as correspondências e efeito de cada cor para calcinha + esmalte de unhas. Usando conhecimentos de kabbalah, cromoterapia e magia, respondi ao desafio, e o resultado – que ficou ótimo! – está aqui.

Porém, no processo da publicação, algo interessante ocorreu. A repórter, que é uma querida e conhecida minha,  perguntou como poderia me creditar, e eu pedi “bruxa e astróloga”. Depois, ela me informou que a orientação do site pediu para não usar a palavra “bruxa”. Confesso que fiquei incomodada, e como disse uma amiga no facebook: “que coisa mais Idade Média”! Oras, as informações são permitidas (e desejadas), mas o que sou não é?!

Sendo bem sincera, achei um super preconceito do site e um desrespeito, não só a mim, como fonte da matéria, mas a toda uma religião e modo de vida que aí está.

Que coisa feia, em pleno século XXI!!!!

Nada, mas nada chic.

******ATUALIZAÇÃO: aparentemente houve algum mal entendido, a repórter do site me informou que não ocorreu nenhum veto à palavra/expressão “bruxa”, mas sim que estavam tentando adequar à linguagem das leitoras; assim que perceberam que a supressão da palavra estava sendo compreendida como uma atitude preconceituosa, elas imediatamente voltaram atrás e, no mesmo dia, a incluíram corretamente nos meus créditos como “bruxa e astróloga”.