A bruxaria é antiga

England_2015 (247)A bruxaria é antiga. Ela nasceu da curiosidade humana de buscar alcançar o mesmo conhecimento e a capacidade dos Deuses. É filha da desobediência, filha da necessidade – nascida do encontro com o outro e o outro mundo, tudo aquilo que não é nós, aquilo que vai além dos sentidos ordinários, mas que era visto, vivenciado e honrado antes de virar proibido. Antes de virar pecado. Antes de pararmos de enxergar. Antes de deixar de ser compreendido pelo próprio afastamento da experiência humana.

A bruxaria é antiga. Ela desperta sentidos adormecidos ou é despertada em nós porque os sentidos adormecidos acordam de repente. Ela abre a visão, a audição, o tato, e principalmente a compreensão de que não estamos sós, que não fomos abandonados, não somos separados do mundo natural, do encanto, e principalmente que não precisamos de redenção alguma.

A bruxaria é antiga. Sabe usar o que há e o que é possível, o corpo, o ambiente, a casa. Cuspe, osso, folha. Água, sol, lágrima. Urina, pano, barro. Caldeirão, faca, vassoura, cálice, prato, pilão e espelho. O que é possível e passível de se disfarçar, pois a bruxaria enxerga os perigos, e fala em silêncios, em sinais, em murmúrios. Anda pelo escuro e se move sem provocar ruído. Sabe não chamar a atenção quando essa atenção é perigosa e pode levar à fogueira, ou à fogueira das vaidades.

A bruxaria é antiga e é não-binária, transita entre polaridades. Sendo selvagem, não determina o tom, nem cobra que você se posicione rigidamente – como se fosse possível lhe colocar inteiro em uma caixinha. Tudo cabe, toda chama cabe. Se te arde o espírito, você é dela, e ela é sua, mesmo que você não faça nada, mas é melhor se fizer.

19121648_307273559699522_4339839048429338624_nA bruxaria é antiga e ela em si não dá regras, exceto aquelas que cada um encontra no seu caminho particular com os Deuses, os espíritos e os encantados. Aquelas que vêm do aprendizado, do tombo, do erro, da atenção, da revelação e das leis do retorno.

A bruxaria não é elitista, não demanda livros, não demanda iniciações pagas, viagem a lugares sagrados nem retiros em spas do espírito. Mas ela é plural e sempre pode se beneficiar muito de várias dessas coisas.

A bruxaria é antiga, tão antiga que é ancestral. Nascida do desespero de não ser ouvido, de não ter justiça humana que ajude, de não encontrar meio mundano de tocar a vida para frente ou superar a adversidade. Ela é nascida da celebração do pacto do visível com o invisível e da necessidade de partilhar com o invisível porque a vida é mais e a vida pede.

Ela é Arte, ela é Ofício, ela é Religião, ela é Feitiçaria, ela é Espiritualidade, e também pode não ser nada disso. A bruxaria não pode ser domesticada, ela não se curva a rótulos ou a regras que venham de fora da tradição a qual você pertence. Ela não suporta a perseguição religiosa contra a liberdade de crença e de prática, muito menos quando é empunhada por filhos seus que, num enlevo de soberba, usam de deboche e escárnio para diminuir e difamar quaisquer outras vertentes e práticas que difiram da sua. Ela é um fogo, um dom que é presente dos Deuses. E os Deuses não costumam tolerar a intolerância de alguns de seus filhos para com os outros.

Ela pode ser xamânica, extática, hereditária, wiccana, heathen, nórdica, gentia, natural, cigana, tradicional, moderna, luciferiana, cerimonial, umbandista, espiritista, druídica, contemporânea, possessória, ela é de quem quiser ser dela, de quem arde com ela, de quem dança com ela, de quem deseja arriscar chamar a si de bruxo e carregar sua marca indelével e inconfundível.

Bruxaria não tem dono. Ela é tão antiga quanto a humanidade, não é um nome com marca registrada.

A bruxaria é herege e libertária. Pelos Deuses, que ela continue assim.

 

Nova turma de formação mágica

Em 2015 dei início a um grupo de formação mágica com duração de 12 meses. Estamos na reta final com essa primeira turma. Está na hora de preparar o terreno para a próxima roda.

Tenho preferência por encontros presenciais (São Paulo), mas, dependendo do caso, é possível participar via skype ou hangout.

Para saber mais, leia o post no blog do próprio Conclave da Rosa e do Espinho. Se o chamado ecoar no seu âmago, mande um email pedindo pelo formulário, com mais informações e espaço para sua declaração de interesse.

A próxima turma de formação mágica começa na primeira quinzena de setembro.

A DATA DE ENCERRAMENTO PARA ENVIO DO FORMULÁRIO É 18 DE AGOSTO DE 2016.

 

 

Somos Bruxos

Publicado em 4 de janeiro de 2015 em gedeparma.com por Gede Parma. Traduzido sob licença do autor.

“A Bruxa tem uma História – Ela é ao mesmo tempo completamente humana e totalmente transcendente. Alguns podem indicá-la como a grande realização e o começo do “sobrenaturalismo” humano, no entanto, o Bruxo, por suas próprias condições e entendimentos, tanto no saber quanto na prática, não deve e não pode transcender a Natureza, cujo outro nome é “Sorte”. A Bruxa existe em todas as culturas humanas, permeou e penetrou o subconsciente e invadiu os sonhos dos homens, seduziu os oprimidos para que revelassem e canalizassem poder e se entregaram por inteiro à Floresta dos Encantamentos – o WildWood, o bosque selvagem. Ele é um feiticeiro magistral e sábio, pelo menos esse seria o ideal, continuamente refinando suas relações, cultivando conexões, cantarolando encantamentos de apelo sensual. É um conclamador de Espíritos e um conversador de criaturas. Qualquer estudo periférico de Bruxaria presente no folclore vai assinalar a capacidade do Bruxo de comungar com seres não humanos, como se houvesse um pacto ancestral e secreto entre eles, e, ao fazê-lo, conspiram contra os paradigmas que oprimem, subjugam, atormentam e lucram à revelia do delicado e feroz equilíbrio entre todas as coisas. Parte desse equilíbrio é a manifestação de forças escuras, destrutivas e degenerativas quando as comunidades humanas começam a se impor sobre os lugares selvagens. De fato um bruxo, enquanto é certamente humano, evocando o jorro completo de emoções humanas, é também um guardião do Coração Selvagem – ainda hoje isso é assim, uma aspiração, uma verdade profunda que orienta as muitas expressões da Nossa Arte, Nossa Mais Nobre Arte.

A Bruxa também é uma sacerdotisa; Ela é consorte com os Deuses, aqueles Espíritos grandiosos e potentes, aliados à humanidade – ao que tudo indica – a quem já dissemos: “Que o Louvor, a Paz e o Poder estejam convosco – vós haveis enobrecido nossa raça!”, e o fizeram. Assim, nossos clãs plurais guardam, mantêm e fomentam pactos com esses seres. É triste que muitos tenham perdido, violado e destruído esses consórcios, pois os Antigos Deuses, conquanto onipresentes, se retraem e caem no esquecimento. A grande renascença do paganismo no mundo ocidental de hoje está servindo para revigorar a presença Deles entre o povo. Embora, na verdade, parece que os Deuses Antigos estão em constante renovação e são especialmente astuciosos. Seus Nomes são invocados constantemente em slogans publicitários, nos nomes dos dias da semana, nos meses do ano, em programas de televisão, no cinema, nos livros. Os seres humanos são criaturas ao mesmo tempo altamente inovadoras e acomodadas, da assim chamada superstição, e ainda batemos na madeira, sabemos nossos signos solares, procuramos videntes e intérpretes dos augúrios, sinais e auspícios e aventamos um mundo prenhe de magia selvagem.

Bruxos são da cura – em nosso trabalho espiritual, muitos induziram conexões com o Reino Vegetal, obtendo remédios e também venenos – e o agora infame ditado “Um bruxo que não consegue ferir não consegue curar” sublinha nosso trabalho. Precisamos ser capazes de trabalhar com ambas as “mãos”, segundo o falecido Andre Chumbley declarou – de bênçãos e dádivas, maldições e amarrações – para que possamos efetuar o trabalho de limitar o comportamento inescrupuloso e de malignidade duradoura nas comunidades humanas e em nossas próprias redes de familiaridade e afeto. Também estamos abrindo as portas para a abundância, a prosperidade, o amor e a clareza. Precisamos ter capacidade de enervar a psique para frutificar aquilo que é Justo entre nós em nossa necessária e valiosa relação com o Outromundo, ou seja, o mundo além-do-humano que é inteiramente encantado.

Somos poetas, somos os magos da palavra, somos os cantores de feitiços aos Ventos das Direções, que as Sentinelas Ancestrais possam nos ouvir, fortalecendo e guiando nosso trabalho. Algumas de nossas lendas contam que somos filhos dos Nefilins, da prole dos Decaídos que “caíram de amores” com as radiantes e lindíssimas Filhas dos Homens e nos dotaram de seu Fogo Hábil, a Chama Bruxa. Esse foi o começo do chamado Sangue Feérico e Sangue Bruxo e alguns de nós somos tão gêmeos e irmãos das raças fadas que somos levados a nos tornar Faerie Doctors, curandeiros, e, com nossos aliados do reino Fae (Encantados), somos dados à sabedoria do Povo Verde, para que deles possamos atiçar soluções para problemas que podem mesmo ter começado com os Bons Vizinhos. Alguns encantados também estão dispostos a conceder dádivas e ativar bênçãos em gente humana, repito, contanto que nosso pacto seja rico e vital, honesto e honrado.

Somos videntes, somos treinados nas Artes que perfuram os Véus, tantas vezes tidos como aquilo que define onde começa um reino e termina outro. Somos dados a trabalhos e modos que expandem e contraem nossa força-vital, a presença de nossa consciência e sua inerente mutabilidade, para que possamos ter um vislumbre da Grande Eternidade destilada em momentos na espiral de acordo com nosso envolvimento pessoal e (in)ação, ou mesmo um envolvimento coletivo e (in)ação. Para isso, nós fazemos Jornadas, somos xamânicos; alguns até diriam que Bruxos são Xamãs, e, em boa parte do nosso trabalho, somos mesmo. Parte de nosso trabalho pode ser menos sancionada pelas convenções sociais, mas, de novo, os processos internos da maioria dos praticantes de xamanismo deixariam a maioria das pessoas aterrorizada e exausta só de ouvir falar. As pessoas são sempre cautelosas perto de qualquer um que esteja em forte contato com o Outromundo e as forças e poderes “Outros”, já que são voláteis, vistas como caóticas, instáveis, e, em última instância, aterrorizantes de um jeito que não exige aptidão moral, mas uma audácia perigosa e tola. O tipo de audácia evocada pelo Amor é o tipo de audácia que as Bruxas se tornam habilidosas em produzir quando falamos com os Espíritos, quando tecemos com o Mistério (Wyrd). É o motivo de chamarmos isso de Trabalho, um Ofício. Cada cultura tem uma atitude diferente na sua relação com os tipos de indivíduos a que poderíamos chamar de bruxos. Cada comunidade pode ter suas próprias histórias, lendas e folclore por trás daquela pessoa à margem do vilarejo ou aldeia, que supostamente sai à noite para onde “pessoas de bem” não sonhariam ir e compactua diretamente com Espíritos perante os quais “as pessoas de bem” se acovardariam. Mesmo quando as qualidades benéficas ou radiantes desses Espíritos são óbvias, muita gente tradicional ainda preferiria errar escolhendo a opção mais segura.

Quando fazemos as jornadas, quando voamos, quando entramos em transe e saltamos o muro, mergulhamos fundo na Escuridão, espiralamos em condutos aquíferos ocultos, ou rasgamos o céu como cometas, estamos em missão, estamos caçando e quiçá sendo perseguidos pela própria coisa que caçamos. Somos sonhadores nisso, capazes de, ao mesmo tempo, nos relacionar através de histórias com o que é Profundamente Real e extrair através da vontade as ferramentas e poderes necessários para podermos concluir a jornada em segurança, embora nem sempre nos sintamos seguros ao fazê-lo. Somos desafiados, e embora seja difícil assustar uma Bruxa, ainda somos criaturas primitivas, e perder o senso do Sagrado Terror é perder o impacto e o sublime e, portanto, o sentido da magia profunda.

Somo iniciados – como outros xamãs – e esses Deuses do terror da Iniciação são também os Portadores e Mensageiros da Luz que nos auxiliam em nossa maestria. Esse é o Nosso Diabo, Nosso Mestre, Nosso Rei de Chifres com a Chama entre as Marcas de Sua Coroa. Nossa Senhora é a Fonte de Nosso Poder e a Rainha das Fadas e das Bruxas, do encontro entre os Reinos Verde e Vermelho, para que juntos possamos compreender os Mistérios do Branco e do Preto, de onde emergimos e para onde caímos. A Rosa Azul, a Chama Azul, é com frequência o sinal de nossa feitiçaria, por habitar e sussurrar entre todos e ser o Graal dos Mistérios Ocultos, potentes por não podermos falar deles de jeito nenhum.

E assim criamos Arte das Palavras, sugerindo e apontando para os Mistérios, deixando sinais e pistas, mas jamais entregando o ouro; somos impossibilitados. E assim somos humildes e honrados e exaltamos a quintessência uns dos outros, Nossa Divindade, enquanto giramos nossas rodas, assumimos nossas cores, derramamos tinta e óleo sobre a tela, exprimimos som e ritmo e a poesia da escrita que palpita no coração e estremece a fundação dos mundos. Ao menos é esse o objetivo. Se nossa arte puder nos desfazer e abrir o olhar e o coração ao caminho rosado beijado pelo espinho; se pudermos sentir entre os dedos, na malha de carne e osso, os filamentos de Deus, do Esquecimento e de Faerie formando uma trança bem urdida, então nossa Arte É Nobre!

Alguns de nós, não todos, são meretrizes selvagens – messalinas sagradas – e trabalhamos com a sombra e a música do sexo para que possamos exaltar esse dom mais precioso da nossa Deusa e refazer a urdidura e a trama estrangulada e rasgada em uma tapeçaria plena e forte, adornada por nossos atos sexuais. Gememos, suspiramos, beijamos, guinchamos, lambemos, acariciamos, mergulhamos, fodemos em feroz devoção ao que é mais primitivo, que é mais internamente aterrorizante, aquele alcance perigoso e profundo para que possamos revelar de verdade que TODOS OS RITOS DE AMOR E PRAZER SÃO OS RITUAIS DELA! Palavras manifestas por um Bruxo, um Poeta, um Sonhador, um Vidente, que teve ouvidos para escutar!

Somos professores – passamos adiante o folclore e as técnicas avermelhadas, legendárias e formatadas segundo a maneira que fomos ensinados, mas todos os bons professores de Bruxaria sabem que nossos mestres originais e contínuos são os Antigos, as Sentinelas, aqueles que se apaixonaram por nossas ancestrais, que enobreceram nossas aspirações e nos ofereceram a Arte, aqueles das Raças Feéricas que se aliam a nós e nos testam, os Elementos leviatânicos e ancestrais, os Deuses para quem sussurramos na noite e a própria Senhora do Destino.

Somos aspirantes. Vivemos pela experiência e testamos a Verdade no Caldeirão do Caos. Somos Bruxos.”

20140329_233422

Um programa de formação na arte da magia sagrada

Tenho dificuldade para me encaixar. Sempre foi assim. Me foi dado um nome raro, não me furaram a orelha quando pequena, sou canhota. Já começou daí a sequência de diferenças que viriam a marcar minha passagem pelos rincões do planeta.

Não bastasse isso, me desloco. Ao escolher uma nova casa em um novo lugar, preciso começar tudo de novo, fazer redes de amigos, conhecer o meio pagão local e buscar um grupo para me inserir.

Depois de cinco anos de volta ao Brasil, estou decidida a atender ao chamado de ensinar aquilo que me foi passado e formar eu mesma um grupo novo de práticas e devoção. Um grupo novo em folha, mas de técnicas e ensinamentos muito antigos, mesclados ao que nos oferece a globalização.

Eu passei por uma formação mágica de escola de mistérios com um professor americano, um programa pesadíssimo que praticamente faz a gente abdicar da vida mundana para poder completar. Como esse nível de dedicação é quase impossível, o que vou repassar é uma versão adaptada para um tempo maior, com um pouco menos de volume de trabalho por período, embora não menos exigente.

Muito importante salientar que a educação mágica que ofereço é na linha da Bruxaria Tradicional Moderna. Para entender melhor que raio é isso, clique aqui, onde explico direitinho essa vertente.

Desde os tempos antigos, as escolas de mistérios existiram para saciar a sede daqueles que sentem o chamado da busca pelo conhecimento, tanto de si quanto dos mundos invisíveis. É uma universidade do saber da alma, onde aprendemos a despertar e desenvolver nosso potencial mágico e espiritual. O objetivo é um profundo conhecimento e maestria do seu eu para poder fazer o meio de campo entre as forças espirituais e o plano físico, trabalhando curas pessoais, com resultados visíveis na melhora da sua qualidade de vida e de relações, e também trabalhar a serviço de curas planetárias, auxiliando os vários planos, mediando energias e oferecendo sua colaboração na recuperação do equilíbrio terrestre nos diversos reinos.

Sobre a formação

O currículo é composto de um plano de 12 aulas mensais, algumas precisariam ser presenciais, material de leitura e tarefas que envolvem desde práticas das técnicas ensinadas (algumas de preferência em duplas) até pesquisas individuais e também construção de objetos.

Algumas teorias e práticas abordadas:

* trabalhando os quatro elementos

* artes divinatórias e abertura dos sentidos

* defesa energética

* autoconhecimento e autotransformação

* sistemas energéticos do corpo: chakras, meridianos, doshas

* medicina energética básica

* magia com velas, talismãs, ervas, pedras

* magia com tarot

*alinhando sua alma tríplice

* jornadas xamânicas

* celebrando a sacralidade dos ciclos e dos elementais do lugar onde você habita

Não é um programa iniciatório, mas, ao final dos primeiros doze meses, todos que concluírem o currículo de maneira satisfatória e passarem por um exame final, podem prosseguir para o segundo ano, avançado, onde poderão explorar mais profundamente a área de sua escolha, o caminho do mago, o caminho do bruxo ou o caminho do curandeiro, e ser convidado a integrar um clã de bruxaria em formação.

Esse programa terá início na segunda quinzena de outubro  – primavera do hemisfério sul. Caso tenha interesse, entre em contato pelo email petruciafinkler@gmail.com para mais informações.

O número de alunos que posso aceitar é limitado pela minha capacidade de acompanhar de perto a evolução de cada um e poder me manter presente e disponível como mentora dos processos.

Distância geográfica não é um impedimento para a formação, embora eu adoraria ter um pequeno grupo em São Paulo. Questões financeiras também não devem ser um impedimento. Se as coisas que normalmente escrevo, ou algo em mim fala à sua alma e  você sente que gostaria muito de me ter como orientadora, entre em contato comigo.

***A primeira turma foi decidida e fechada no dia 2/9/2015. Devo abrir novamente para interessados em julho ou agosto de 2016.

carta do

carta do “Journey into Egypt Tarot” de Julie Cuccia-Watts

A Bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração de um herege…

Vou inaugurar algo novo neste blog.  Como tenho amigos internacionais que escrevem coisas lindas, mas que não têm material disponível em português, vou passar a fazer algumas traduções pontuais e compartilhar aqui. Vou começar por um texto de Gede Parma, um bruxo amigo (e agora também meu professor) que tem três livros muito legais publicados. Ele agora está em Bali, mas cresceu na Austrália, e muito do meu interesse pelos bruxos australianos veio por conta de partilharmos do mesmo hemisfério terrestre, o que traz características especiais para nosso trabalho mágico.

Enfim, sem mais, vou proceder com o ótimo e poético texto que ele publicou originalmente em 22 de abril no blog da página dele. Bruxos e bruxas, com vocês, Gede Parma:

“A Bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração de um herege…

Hoje, muita gente vê a Bruxaria – em suas várias modalidades – como um resgate das feitiçarias pagãs pré-cristãs e o xamanismo ancestral de nossos antepassados europeus. Sim, ela é. E, no entanto, a Bruxaria pertence a uma História, é uma Medicina Mítica nascida da terrível união entre serpentes de fogo, o povo escondido dos ocos dos morros e aqueles com língua serpentiforme que testemunham tudo isso – a magia humana se encontra com o fogo do outro mundo, e a Árvore do Conhecimento oferece seus frutos.

As famílias particulares e os clãs de Craft de hoje contam lendas sobre anjos decaídos, gnose Luciferiana, irmãs Feéricas no vento e nos rios, da sabedoria dos mortos, nossos amados e poderosos ancestrais, e essa é uma conversa, um confronto, uma interrogação. Nossa conversa não se encerrou com a corrupção da Igreja de Constantino e a conversão gradual da Europa, África e Oriente Próximo às crenças abraâmicas. Isso foi, claro, o começo de um genocídio cultural que a população profundamente ferida da Europa propagou em seus navios coloniais como uma doença, levada a quase todos os cantos do planeta. Essa é uma doença que Bruxos conhecem bem. Ele surge para combater esse tirano, aqueles que de propósito decidem empunhar essa monstruosidade. Ele nasce para conjurar a Arte e a Consciência para dentro das pessoas e abrir à força nossos corações um pouco mais para a Beleza. Dançamos com demônios para que saibamos como estraçalhá-los, e os antigos deuses nos ajudam, enquanto somos nós estraçalhados para renascermos em um Fogo Alquímico que nos leva ao Fio da Navalha. Palavras aqui sussurradas vão reformular o Mundo.

Sim sou Bruxo. Sou Pagão às vezes, sou pagão a maior parte do tempo. Tenho de ser animista com as samambaias e as flores, cantando para a glória do pó anterior, que existe sob o peso do asfalto e do concreto, espirais de aço no desenho das cidades. Preciso sê-lo com rios tóxicos e ar poluído, eu o inspiro e ele se move em mim. Tento provar e absorver o veneno e transmutá-lo num bálsamo de cura, uma canção corvídea radical que vai consertar a quebra. Sei como voar no Vento, mas esse conhecimento, e até mesmo essa ação, é apenas verdadeiramente da Bruxaria quando inserido em um contexto de muitos, de uma comunidade dos que transitam no mistério. Abençoados sejam os guerreiros dessas últimas palavras… Lee Morgan, Peter Grey, Oberyn Huldren, Ravyn Stanfield…

Uma famosa líder da Bruxaria Moderna, que é em geral considerada como New Age ou uma pastora excessivamente politizada, na verdade explica o âmago da Bruxaria para os iniciados quando diz: “A Bruxaria é a tradição secreta iniciatória da Deusa da Europa e do Oriente Próximo.” No coração de nossa Bruxaria está a Deusa, Nossa Senhora. É a Verdade, a Sabedoria, o Amor. Mas não paramos nossa conversa nas cavernas; levamos nossas antigas e profundas alianças com aqueles espíritos ancestrais e os mistérios e infiltramos capelas e catedrais, onde eles construíram suas casas para Deus, conhecendo a estratégia deles. Esses pagãos imundos, esse vadios gentios, precisam vir até esses poços, onde essas linhas de poder convergem nesta terra, precisam vir até onde nós derrubamos os bosques do demônio, então é aqui que vamos construir. E então nós fomos – meus ancestrais, e provavelmente os seus também, foram – e, primeiro, por baixo de nossas preces ao Cristo, Maria e os santos, nós sussurramos e lembramos de outros Nomes, outros Poderes, até que um dia não lembramos mais. Há uma Casa Secreta que guarda essa memória, beba dessa Água e talvez vá recordar. Sim, isso era pagão, a religião da própria terra, mas o segredo das bruxas mesmo na barriga do algoz. Conhecemos o comportamento das feras, bestas saudáveis, fortes, vívidas, ou lembramos de como as coisas deveriam ser.

Sou herege. Mantenho santuários com luzes iluminando o rosto dos Santos, de Maria, de Jesus. Sussurro seus Nomes junto a outros Nomes – os Antigos são alimentados, regozijam, re-lembram, como eu relembro. Tenho uma faca e um cálice diante de Maria; invada minha casa, caçador, sim, há heresia aqui… que a fidelidade da casa, a antiga providência do coração, seja meu escudo. As bruxas sobem pelas chaminés, levadas pela fumaça de nossas plantas sagradas, pactos que fizemos há muito tempo, e alçamos voo para nos comprometermos com o desdobrar das obras do próprio Destino. Sempre, como a raposa voadora, como a lebre saltitante, aparentemente delicados e mansos, mas verdadeiramente astuciosos, escapamos de seu ávido domínio.

Ordens enviadas para nos pacificar e oprimir são desmontadas quando as subvertemos de dentro para fora. Nunca deixamos de conversar nossas conspirações corvídeas, nossas catedrais de congregação encobertas pela noite. Nossos ritos não são relíquias, são bestas vivas e famintas. Elas nos tiram de nossas camas à noite para que cruzemos o limiar do lar colhido conjurando poderes ctônicos que se erguem do frêmito terrestre. Buchadas soturnas são evacuadas, enquanto sonhos urdidos em tranças fortes e ancestrais de luxúria nos levam de volta para casa e uns para os outros. Reunimo-nos em grupos de mais de três, nas encruzilhadas e em chãos tortuosos e desparelhos, para encantar e perturbar as burocracias do tempo e o gasto energético da elite. A sombra da tirania capitalista afoga as Pessoas e o Planeta. Foi para isso que nascemos, e Antigas Casas são ressuscitadas. Aradia, Jack, Robin da Arte, Jeanne da Árvore, fervilhamos no espaço entre as palavras nos livros de história… o mundo jamais esqueceu de verdade… assombramos e levamos vivacidade aonde apenas a aridez do coração parece governar… Chegamos com um tição feito das cinzas de nossos Companheiros Decaídos e as brasas das cavernas, nossos espíritos acenderam a Fagulha uma vez mais.

Esgueiramo-nos em cemitérios e dançamos em rochedos esculpidos pelo mar…

Consorciamos com Poderes Leviatânicos nas frestas do que foi e do que vai ser. Tudo o que vai ser. Irmãs Nornes de rostos encovados e olhar jovial seduzem nossos espíritos a saltarem muros rumo à terra de nosso legado…

O baixar das armas de guerra uns contra os outros e nossos corpos se avizinha, se dobra, contorce, para criar Arte nos centro concordantes onde a feitiçaria se torna uma sinergia com Nosso Próprios Espíritos…

Nossa conversa nunca terminou. Não uns com os outros. Nem com você. Nem com os vis vilões que são os terroristas da riqueza da terra e nossa imanência soberana. Nossa conversa se tornou silenciosa, efervescente, lamuriosa… se tornou cambaleante, arruinada e tempestuosa… se tornou o sal nas lágrimas e o trovejante arco-íris na risada de nossas peles ao entrarmos e sairmos do Trabalho que fazemos para derrubar a fortaleza… não duvide que estamos trabalhando…

A bruxaria é uma poesia estranha, uma arte nobre, uma besta selvagem no coração do herege… E hereges se fortalecem quando por Escolha somos tomados por Loucos, e nessa Loucura recebemos as Chaves para as Torres… cantamos com os Tecelões-Estelares e os relâmpagos se arqueiam para cima e para baixo, para baixo e para cima.

Nossa Loucura não é para todo mundo até que nosso Trabalho esteja terminado. Declarações de Domínio Daimônico habitam em Sonhos. Sonhos que vamos despertar.”

IMG_0130-300x225

Gede-FaceGede Parma (Fio) é bruxo, vidente, curandeiro, místico, ativista e escritor. Mora em Ubud, Bali, a ilha onde nasceu, e é um viajante do mundo. É um autor premiado de livros sobre paganismo e bruxaria e um entusiasta da poesia informal e da dança. Apresenta workshops sobre magia xamânica, feitiçaria e também rituais em ambos os hemisférios e é iniciado nas linhagens Wildwood e Anderean de bruxaria, bem como Reclaiming e é um aprendiz da Anderson Faery. É conhecido por seu foco facilitador em espaços de êxtase e comunhão íntima com os Poderes do Eterno Cosmos e Espíritos Locais em todo o mundo.

Já palestrou em muitas conferências pagãs e espirituais, festivais e retiros. Já compartilhou sua magia e suas perspectivas no Parliament of the World’s Religions, Reclaiming WitchCamps, BaliSpirit Festival, Between the Worlds, Pagan Summer Gathering, DragonEye Tours, Ritual Experience Weekends e facilitou centenas de rituais abertos ou privados, workshops e intensivos ao redor do mundo.

 

Mandingas de Réveillon

Como ainda há algumas boas almas desesperadas, cheias de dúvidas sobre o que fazer na virada, decidi fazer essa postagem de última hora com algumas dicas bem boas.

O Réveillon é importante por tratar-se de um limiar.

Toda troca ou alteração de uma coisa para outra coisa cria um estado de limiar, de travessia, um momento em que não estamos nem aqui, nem lá, e oferece a oportunidade de um recomeço. A virada do ano, que é celebrada por algumas nações (veja bem, nem todo mundo tá ligando para a troca do calendário), se presta muito bem para evocar esse momento de “ponto de mutação”, uma união do passado com o futuro – um espaço onde, teoricamente, tudo é possível. Agora, dito isso, reparem que temos vários desses momentos ao longo da vida e até de um único dia, como, por exemplo, o amanhecer e o entardecer, o meio-dia e a meia-noite. Qualquer troca é troca, é travessia e, portanto, passível de ser utilizada para potencializar as energias que queremos emanar e, assim, atrair.

Esse é outro detalhe importante: a gente precisa emanar a vibe do que desejamos manifestar para que aquilo seja atraído ao nosso campo magnético. Nada é tão simples, óbvio, mas esse é o começo da coisa.

“Aimeusdeuses! Petrucia, me ajuda, estou desesperada/insegura/perdida, não sei o que fazer!”

Se esse é seu caso, vamos então ao que interessa:

CALCINHA

Para este Réveillon, já passei a dica da lingerie combinando com o esmalte de unha na entrevista mega fofa que dei para o site Chic Glória Kalil. Quem não viu ou não lembra, clique aqui. Outro fator fundamental para essa mandinga dar certo é que a calcinha precisa ser nova e recebida de presente. Não vale comprar a sua, precisa ganhar. Claro que pode combinar com a mãe/irmã/amiga/vizinha para uma comprar pra outra a cor desejada.

PARA VIAJAR MUITO

Outra coisa que eu adoro fazer depois da meia-noite, quando quero viajar bastante, é correr na rua com uma mala de viagem, vazia mesmo. O importante é a corrida com a bagagem. Aprendi isso quando eu tinha 13 anos, com um amigo da minha mãe que era peruano. Ele disse que era tradicional fazer isso no Peru. Pode não ser verdade, mas a ideia é boa, e o resultado sempre deu certo pra mim. É mais difícil de fazer na cidade grande, mas quem mora em praia ou bairros menores, deve aproveitar. Teve uma tia minha que teve preguiça e foi só até o portão da casa com a mala. Resultado? Viajou, mas foi perto. O ideal é dar a volta na quadra.

EM BUSCA DE CHAMEGO

Para quem está só e quer companhia, é imprescindível que a primeira pessoa a ser cumprimentada no toque das 12 badaladas seja alguém do sexo oposto (ou do mesmo, se essa é sua preferência, claro). Quando eu era solteira-e-à-procura, não perdia essa chance, a ponto de, em um Réveillon bem simplinho no qual que estávamos apenas eu e uma amiga na casa dela, a gente primeiro abraçar o cachorro – que era pequeno, mas macho – quando deu meia-noite, sob risco de não conseguirmos nos emparceirar naquele ano.

ADEUS ANO VELHO, VIDA VELHA, ENERGIA VELHA, PELE VELHA

sálvia e alecrimAno passado, passei essa data em Marrakech, no Marrocos. Não rolou celebração nenhuma nas ruas, apenas em hotéis. E ficamos, eu e meu marido, zanzando em busca de uma contagem regressiva que não aconteceu. Estava bem frio, 3c, e achamos por fim restaurante, perto da praça Jmaa el Fna, onde pedimos um chá de hortelã tradicional que o garçom nos trouxe a 15 segundos da meia-noite. Brindamos singelamente com chá. Porém, mais cedo, havíamos feito um Hamman, o banho marroquino que tem uma sessão inacreditável de esfoliação. Acho que a mulher tirou um meio quilo de pele velha do meu corpitcho. Tudo do banho foi incrível, mas o melhor foi me dar conta que eu entraria o ano deixando tudo de antigo para trás.

Então, para quem quer abandonar o velho e fazer uma limpeza legal das suas energias, eu recomendo um banho feito com alecrim ou sálvia, ou os dois. A gente fica com cheiro de tempero, mas são ervas muito eficientes para limpeza de energias discordantes ou negativas, purificação e também de forte proteção. O alecrim dá uma energizada bem legal, uma acordada boa, que tem a ver com o nome da festa (“réveillon” vem do francês e quer dizer despertar) além de ser uma plantinha muito usada nos feitiços de amor. Voilá.

O sal grosso, eu acho um pouco forte demais para nosso lindo, sutil e colorido campo energético. Seria o equivalente a tomar banho com água sanitária. Salvo em raras excessões, seu uso é abrasivo demais e desnecessário.

RÉVEILLON ENTRE OS LENÇÓISmandinga1

Minha última dica não é para amor, mas um banho para “uso da área de lazer”, ou seja, para diversão pura, a princípio sem visar compromisso algum. Se você anda devagar, esse é um banho incrível para tirar a teia de aranha e aproveitar todo o potencial daquele órgão feminino pequeno e fundamental, o único órgão do corpo humano cuja função é exclusivamente o prazer . Talvez o banho dê resultado para homens também, não sei. Se algum menino usar e der certo, me conte depois!

Enfim, tenha ou não um alvo à vista, tome esse banho por sua própria conta e risco.

Os ingredientes:

3 pétalas de rosa

3 paus de canela

3 xícaras de café de sakê

mel

Jogue tudo numa panelinha no fogo e deixe levantar fervura. Desligue e deixe curtir um tempo. Tome banho normal, por último, encha a panelinha com água do chuveiro, diga as palavras do seu encantamento, abençoando a poção. Diga com todas as letras a finalidade daquela mistura e do seu ritual. Não é recomendado dizer o nome da pessoa que você deseja, por razões de livre arbítrio, mas cada um sabe do seu karma. Aí, jogue a mistura sobre o corpo e deixe secar naturalmente.

Boa sorte e feliz 2015!!!!

de volta à fogueira?

Por muitos e muitos anos, fui adepta da calcinha nova em tal e tal cor para a virada do ano, mas já faz algum tempo que me preocupo muito pouco com roupas (íntimas ou não) e adereços para passar o revèillon. Porém, nunca jamais antes me ocorreu combinar a cor do esmalte com a da calcinha, para dar, digamos, um peso a mais no poder da atração daquilo que desejamos para o novo ano.

Bom, essa foi a ideia do site Chic- Gloria Kalil, que me convidou para contribuir com as informações sobre as correspondências e efeito de cada cor para calcinha + esmalte de unhas. Usando conhecimentos de kabbalah, cromoterapia e magia, respondi ao desafio, e o resultado – que ficou ótimo! – está aqui.

Porém, no processo da publicação, algo interessante ocorreu. A repórter, que é uma querida e conhecida minha,  perguntou como poderia me creditar, e eu pedi “bruxa e astróloga”. Depois, ela me informou que a orientação do site pediu para não usar a palavra “bruxa”. Confesso que fiquei incomodada, e como disse uma amiga no facebook: “que coisa mais Idade Média”! Oras, as informações são permitidas (e desejadas), mas o que sou não é?!

Sendo bem sincera, achei um super preconceito do site e um desrespeito, não só a mim, como fonte da matéria, mas a toda uma religião e modo de vida que aí está.

Que coisa feia, em pleno século XXI!!!!

Nada, mas nada chic.

******ATUALIZAÇÃO: aparentemente houve algum mal entendido, a repórter do site me informou que não ocorreu nenhum veto à palavra/expressão “bruxa”, mas sim que estavam tentando adequar à linguagem das leitoras; assim que perceberam que a supressão da palavra estava sendo compreendida como uma atitude preconceituosa, elas imediatamente voltaram atrás e, no mesmo dia, a incluíram corretamente nos meus créditos como “bruxa e astróloga”.

10a CWED

Agora já finalmente descansada posso contar e registrar minhas aventuras na 10a Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, que ocorreu nos dias 1,2,3, e 4 de agosto, um evento que se repete anualmente em São Paulo desde 2005, mas do qual participei pela primeira vez nesta edição.

E foi uma edição especial, comemorativa, e fiquei muito orgulhosa de fazer parte dessa história.

Zsuzsanna Budapest e eu na abertura da 10a CWED

Zsuzsanna Budapest e eu na abertura da 10a CWED

Fui no ritual de abertura na sexta à noite, que era uma reconstrução do ritual de “abertura da boca”, uma cerimônia sagrada egípcia que consagrava certas estátuas e imagens dos Deuses para que elas se tornassem vivas. Já falei sobre minha experiência com uma estátua viva autêntica de Sekhmet aqui, mas estava curiosíssima para vislumbrar um pouco da cerimônia antiga. De quebra, conheci pessoalmente naquela noite Zsuzsanna Budapest.

No sábado, fui cedinho e acabei ajudando nas traduções das conferencistas internacionais: Z Budapest e Deborah Lipp nas palestras da manhã.

Com a fofíssima e inigualável Sorita d'Este.

Com a fofíssima e inigualável Sorita d’Este.

À tarde, nem sei como, engatei num papo maluco e sem fim com a querida Sorita d’Este, o assunto passeou entre outras coisas por círculos de macieiras, o caldeirão de Gundestrup, Hecate, teatro, vestidos, livros, família, sotaques, mudanças e seres mitológicos. As pessoas curtiram tanto o astral da Sorita, que acho que ela quase podia levar um troféu de Miss Simpatia do evento, isso sem contar na quantidade de bruxos que não queriam mais que ela fosse embora.

Domingo foi dia da minha palestra “Deusas da Pesada: o medo e o fascínio das senhoras da Guerra, da Morte e da Escuridão”. E no escuro Elas me deixaram, que danadas! Preparei uma apresentação com slides lindos, mas não lembrei de levar adaptador para o plug do meu laptop que é daqueles de pinos chatos. Adivinha se o hotel não tinha apenas essas tomadas novas e impossíveis de 3 buracos! Acabou minha bateria no meio do papo e ficamos sem slides, mas o encontro em si foi muito legal. Eu falei um pouco, conversamos todos um pouco, trocando histórias, sensações e experiências, e depois levei todo mundo numa jornada para encontrar minha mãe Sekhmet. palestra3

Os relatos da experiência das pessoas foram interessantíssimos. Teve uma moça que foi lambida por ela, o que é uma atitude já bem conhecida dessa Deusa Leoa, mas que surpreendeu muito a sortuda desavisada. Adorei! Fico muito grata a todo mundo que foi, pela confiança e pela participação. A gente encerrou a tarde tocando a música “Bitch” de Meredith Brooks, que tem tudo a ver com o que conversamos.

traduzindo...

traduzindo…

Na segunda-feira, fui convidada por Claudiney Prieto, organizador do evento, para traduzir os workshops de aprofundamento, e apesar do cansaço inominável no final do dia, valeu cada segundo. Do trabalho com a Z, guardo a música cantada para a água, que agora cantarolo todos os dias no chuveiro: “Water is the first mother”; do papo sobre magia e feitiços com Deborah Lipp, retomei ótimas ideias e conceitos que andavam esquecidos; e do ritual com Sorita d’Este, guardo uma cartinha linda de uma fae com uma mensagem curta e direta que vai me guiar nesse semestre, além de uma deusinha linda que ela trouxe para cada um de Glastonbury.

turma do workshop de aprofundamento com Deborah Lipp (de roxo, ao centro)

turma do workshop de aprofundamento com Deborah Lipp (de roxo, ao centro)

Aliás foi o dia dos presentes. Para me socorrer energeticamente na minha exaustão tradutiva, a amiga Silvia Brianna Bastet me trouxe um dos sprays mágicos dela, e Sorita me presenteou com um livro sobre uma deusa que me ronda, que conversa comigo e com quem eu quero começar a trabalhar também. 20140812_095504

Embora eu esteja postando fotos, quero deixar registrado meu incômodo com as fotografias *durante* os rituais. Ritual, mesmo se mitodrama, mesmo que pareça teatral, não deve ser fotografado, ou talvez apenas por uma ou duas pessoas da organização para guardar como registro. No meu entender, (e isso é minha opinião, cada um tem direito à sua) ou você está dentro ou você está fora de um ritual, não há meio termo. E tirar fotos te põe imediatamente e indiscutivelmente fora, além de ser uma grosseria disparar centenas de flashes por minuto em ambientes escuros desnorteando os outros participantes e os facilitadores.

Proponho às pessoas uma experiência radical: sumam com seus telefones e se façam presentes com *todos* os seus corpos no local onde vocês estão, vivenciando e sorvendo a sacralidade do momento presente. Que tal?

Bê-á-bá do paganismo – ou uma ajuda para quem me pergunta: “Hã, você é o quê?”.

Quando se tem um caminho espiritual que foge ao convencional (especialmente quando é fora das três grandes religiões – judaísmo, cristianismo, islamismo) é difícil escapar a comentários ou perguntas totalmente atrapalhados de pessoas com as melhores intenções. Quando digo que sou pagã, quem tem alguma vaga noção do que seja me presume Wicca (que é apenas uma das vertentes do paganismo), se falo em Bruxaria Tradicional, me imaginam fazendo poções, feitiços e conjurando espíritos nas horas vagas e, uma vez, tentando explicar para uma moça que eu não era cristã, ela me respondeu: “Ah, tudo bem, também não sou católica”.

Não, darling, não foi isso que eu disse.

Para ajudar as pessoas de fora a entenderem essa espiritualidade que cresce muito rapidamente (tanto em números de curiosos quanto de praticantes), dar algum tipo de norte para quem está buscando entender mais sobre essa fé – e também para alguma mãe que descobriu que a filha adolescente agora anda com um pentagrama pendurado no pescoço e lendo livros de bruxaria –, achei que poderia escrever um textinho bem básico e esclarecedor. Outro motivo válido é oferecer conhecimento para ajudar a erradicar a ignorância que leva às atitudes de intolerância religiosa.

Denominadores comuns

um altar coletivo

um altar coletivo

Paganismo, ou melhor, neopaganismo é um termo bastante amplo que inclui várias práticas distintas de espiritualidade sempre baseadas em crenças pré-monoteístas, variando desde a Wicca, que é a denominação mais conhecida hoje em dia, ao Asatru, Helenismo, Kemetismo, Druidismo, Xamanismo e a Bruxaria Tradicional entre outras – lembrando que o Candomblé, o Budismo e o Hinduísmo também são religiões que figuram tecnicamente como paganismo. Algumas linhas tentam reconstruir práticas religiosas pré-cristãs, outras se fundamentam em panteões de deuses e rituais antigos reinterpretados para nosso mundo moderno globalizado e tecnológico.

Como cada um tem práticas, crenças e linhas muito distintas, vou tentar resumir e apresentar alguns conceitos que são comuns à maioria:

  1. São religiões ou espiritualidades NÃO- cristãs. A exemplo do judaísmo e do islamismo, a figura de J.C. não conta e não entra em nossas preces e rituais. Porém, no Brasil, onde tudo é muito misturado, tudo é possível. Quem nunca entrou numa lojinha esotérica e encontrou lá aquela famosa imagem do sagrado coração de Jesus? Como eu disse, aqui é tudo misturado, é quase inconcebível para muita gente que a pessoa seja espiritualizada e dê zero importância à figura pendente na cruz, então não duvido que tenha gente que concilie esses caminhos.
  2.  Não há nenhum dogma, nenhum livro ou ensinamento máximo estabelecendo no que as pessoas devem acreditar ou como devem levar suas vidas. As diferentes tradições têm práticas e linhas mais estabelecidas, mas há muitos pagãos ecléticos que misturam o que faz sentido para eles, e mesmo quem tem linhagens específicas ainda assim tem sempre abertura para (e deve!) desafiar o que quiser e seguir a descoberta do seu caminho dentro de uma determinada tradição. No fundo, então, você é sempre seu próprio pastor e guia. Isso exige uma responsabilidade pessoal do caramba. Há linhas que enfatizam rituais mais formais e cerimoniosos, outras praticam xamanismo e curas naturais, há quem prefira se dedicar a artes manuais, ervas medicinais, feitiços, meditações ou até cozinha mágica. As formas de viver e manifestar nossa espiritualidade são múltiplas.
  3. A divindade (Deus/Deusa) é honrada como imanente na natureza, ou seja, a divindade mora dentro, e não, fora. Como essa força está dentro, não ficamos procurando transcender a matéria para atingir algo que está no além e distante de nós. O paraíso é aqui e ter um corpo é o maior presente.
  4. Deus é Deus e Deusa. A força criadora é vivida como uma polaridade. Nos rituais e cultos, a Deusa tende a ser mais celebrada em várias das tradições, afinal nosso planeta é feminino (Gaia), a Natureza é Mãe e quem dá a vida é a mulher.
  5. Além da força criadora primordial se dividir em polaridades masculina e feminina, muitos pagãos também são politeístas, cultuando diferentes panteões das religiões antigas,vendo nos diferentes deuses e deusas e suas características as representações das várias faces da divindade primordial. Muitos são ainda animistas, respeitando a alma e a consciência que habita todas as formas de vida e até corpos inanimados.
  6. Sendo uma espiritualidade voltada ao culto da terra, são celebrados os festivais das estações do ano e os ciclos de morte e renascimento.  A roda da vida é sagrada em todas as suas manifestações, assim como também são sagradas as direções dos pontos cardeais e os quatro elementos da natureza. Como a natureza é sagrada, um dos traços mais comuns em todas as variadas manifestações possíveis do paganismo está na consciência ecológica e todas as práticas green.
  7. A maioria dos pagãos acredita na reencarnação, mas conheço alguns que não partilham dessa ideia.
  8. Nos reunimos para celebrar nossa espiritualidade e praticar magia, que envolve práticas ancestrais como encantamentos,música, dança, exercícios de concentração, rituais de cura e muita visualização criativa.
  9. A responsabilidade pessoal é muitíssimo enfatizada. Cabe a você decidir o que é certo e errado, mas, lembre-se tudo que vai volta. Ponto. Ninguém escapa da lei do retorno. Para os wiccanos, então, tudo que você faz volta multiplicado por três. Entendeu o tamanho da responsabilidade de arcar com nossos atos e nossas escolhas?

As tradições

o templo mais perfeito é a natureza

o templo mais perfeito é a natureza

A mais comum hoje é a Wicca, uma forma de bruxaria que surgiu na década de 1950 e é muito praticada nos Estados Unidos e no Brasil. Das tradições wiccanas originais que são as linhas Gardneriana ou Alexandrina, surgiram várias outras como Feri, Diânica. Helênica, Céltica, etc.

Além dessas formais, há tradições familiares, de bruxas e bruxos que passam seus ensinamentos de pai para filho dentro de uma mesma família, como acontece na stregheria italiana, ou a alguém que eles “adotam”.

Há também muitos praticantes solitários, então a pessoa estuda as tradições, apreende aquilo que sente fazer sentido para ela mesma e cria suas próprias combinações e rituais.

“Coven” é o nome dado ao grupo de bruxos praticantes das tradições mais contemporâneas. Bruxos de linhagem familiar ou os praticantes de bruxaria tradicional se organizam em Clãs ou são descendentes de um clã. Os grupos são liderados por um sacerdote ou sacerdotisa (ou os dois), e é importante verificar se essas pessoas tem estofo, se passaram por vários anos de estudo e foram iniciadas em uma tradição em particular – não basta se dizer sacerdote, tem que ter café no bule.

Tradições formais e sérias exigem dedicação e um programa rígido de estudos antes de considerar o aprendiz para uma iniciação. Bruxaria não tem certificado, e “iniciações” oferecidas em cursos rápidos de uma tarde não fazem sentido algum. É um trabalho demorado, de muito autoconhecimento e muita dedicação para se estabelecer contatos nos mundos interiores. Por isso, esse caminho não é para todo mundo.

O que a bruxaria não é:

NÃO é satanismo. Essa figura nem existe nas religiões pré-cristãs. Não acreditamos em céu, inferno e diabo. Como é que iríamos cultuar uma figura na qual sequer acreditamos?

Também não é ficar fazendo feitiços, poções e magia. Há uma diferença entre feitiçaria como prática e bruxaria como espiritualidade. Qualquer pessoa de qualquer religião pode fazer feitiços. Um ateu pode fazer feitiços se quiser. Feitiçaria não necessariamente envolve celebrações específicas, práticas de devoções à natureza e, muito menos, exige que se leve em conta alguma ética e o respeito ao livre-arbítrio do outro. Para ser um feiticeiro poderoso não é requisito celebrar o equinócio da primavera nem assumir conscientemente a responsabilidade de sermos parte de uma grande rede cósmica onde nosso papel é sempre buscar uma evolução maior; mas, para um pagão sério, essas coisas vêm antes do preparo de uma maldição para estragar o aparelho de som do vizinho.

Para muitos, a bruxaria é antes de tudo uma prática religiosa, de fé, de sintonia consigo mesmo e com o mundo natural. É abrir-se para escutar o vento, sentir a água, ler o fogo e relaxar na terra. Magia é alterar a energia e a consciência por força da vontade. Magia é parte importante da bruxaria, mas há bruxos que quase nunca fazem feitiços, e muitos fazem para transformarem a si mesmos, num esforço de se lapidar internamente para, aí sim, manifestar no externo a prosperidade, a sabedoria e, principalmente, a paz e a harmonia que todos desejamos na vida.

labirinto

Transcrição de palestra com Laurie Cabot

Fiquei imensamente honrada pelo convite e a oportunidade de traduzir a palestra de Laurie Cabot e Chris LeVasseur como parte do Festival de Paganismo Grego organizado pelo templo Faces da Lua no último fim de semana.

Videoconferência com Laurie Cabot e Chris LeVasseur @ Faces da Lua.

Eles falavam, eu anotava e traduzia cada parte para os participantes ali presentes. Muita gente perguntou depois se a palestra fora gravada ou se eu faria uma transcrição em algum lugar. Avisei que minha caligrafia é trágica e às vezes nem eu mesma consigo decifrar o que escrevi. Porém, acho que é possível aproveitar que a memória ainda está fresca depois do evento e tentar recuperar o que for possível dos meus garranchos e anotações. Portanto, aqui vai! –

Transcrição da palestra de Laurie Cabot – High Priestess da Cabot Tradition  acompanhada de Chris LeVasseur, discípulo da tradição. 24/11/2012 Templo Faces da Lua, São Paulo:

Os dois começaram explicando que, do ponto de vista deles, a Bruxaria é tratada como Arte, Ciência e Religião. Eles focam muito na ciência por trabalharam partindo do fato que a atividade cerebral é responsável por despertar nosso poder interior. A diminuição da frequência das ondas mentais é o segredo para o desenvolvimento e acesso de atributos psíquicos. As pessoas sensitivas fazem isso naturalmente, sem perceber que é este o processo. Os bruxos fazem isso ao trabalhar magia e também ao energizar e imbuir suas ferramentas mágicas.

Eles acreditam que através do ato de ensinar essa ciência da Bruxaria para o mundo é que podemos alcançar mais respeito e aceitação de nossas práticas, pois assim somos capazes de explicar de maneira prática porque a Bruxaria é algo bom.

A Física Quântica postula que todas as coisas existem ao mesmo tempo. Quando estamos dormindo, estamos num estado em que acessamos o todo. Mas precisamos acessar este estado de acordo com nossa vontade, para realizar alguma tarefa.

A magia deve ser prática e constante, e não esporádica. É algo que ajuda a fazer acontecer, a saber coisas, a saber com antecedência. Quando sabemos algo com antecedência, podemos parar o processo, escalar ou acelerar.

Todo mundo tem essa capacidade, mas é necessário aprender o controle. Temos desenvolver habilidades psíquicas e também controlar o que entra e o que sai do nosso campo. Para isso, usamos escudos de proteção.

Há séculos sabemos que a magia é real. Agora, finalmente, os cientistas ligados à Física Quântica estão afirmando que a magia é real. Esse é um grande choque para eles.

Mas e como podemos controlar? E como evitar trabalhar a magia pelos motivos errados?

Bem, as regras são bem naturais. O que você fizer, retorna; multiplicado por três ou até dez vezes. Então você é seu próprio juiz ao escolher o que vai trazer para sua vida. É muito simples e tão natural que esquecemos que tudo que vai, volta – até fofoca!

É necessário ter muita atenção aos nossos pensamentos. Há um trabalho de programação para aprender a controlar o que pensamos e dizemos. Quando desenvolvemos nossas habilidades, as coisas ficam mais rápidas, o efeito é mais rápido. É importante aprender a neutralizar o acabamos de dizer quando enunciamos algo que não era nossa intenção e não queremos manifestar.

Assistir ao noticiário é ruim, mas ao vermos notícias de assassinatos, acidentes, etc., devemos parar e neutralizar. Também podemos projetar que o assassino seja apanhado e preso para que não cometa aquilo novamente.

Não devemos assistir a filmes de terror. As imagens são muito fortes, é difícil neutralizar e nós não precisamos de mais terror no mundo. Não assistir esses filmes para não perpetuar essa energia.

A Bruxaria vem sendo trabalhada há muitos anos como devocional, e fala-se em estados mágicos, mas não se ensina como fazer. É uma questão de treinar o cérebro, programar para controlar o cérebro. Quanto mais se pratica, mais fácil vai ficando.

Chris explicou que foi incorporando essa ciência dentro dos aprendizados e técnicas que aprendeu no 1º grau, nos rituais, etc., e fez muita diferença.

Laurie salientou que é tudo muito prático. É diferente de apenas desejarmos alguma coisa, é saber que sua palavra, seu pensamento vai se realizar; não se trata de faz de conta, de mundo de Disney. É uma ferramenta para usar energia real.

Eles não se preocupam em acreditar, se preocupam em saber.

É importante os bruxos e bruxas lembrarem que um de nossos grandes talentos é a cura.  Com o uso de nossas habilidades entramos na energia vital e na aura de outra pessoa. Podemos aprender a energizar com cores para facilitar a cura. Cores diferentes são usadas para doenças diferentes.  Isso vai funcionar nove vezes em dez. Nada funciona 100% das vezes, mas 70 a 90% já é muito bom.  A história da Bruxaria nos mostra que somos curadores.

Em Witchcraft 1 (curso), que o Chris ensina agora é onde se aprende esse trabalho de luz curativa e diagnóstico de doenças a distância, pois se pode visualizar e tocar o paciente à distância.

No primeiro grau da tradição Cabot, isso é verificável e provado. É possível constatar que houve a cura. É fácil testar o diagnóstico feito também, ao comparar com o que a medicina convencional afirmou. No primeiro grau, então, já se tem essa habilidade comprovada. A primeira vez que acontece para o aluno, é um momento dramático.

Todos têm habilidades psíquicas e é sensacional poder verificar isso através de uma perspectiva científica. A meditação é importante, mas não te prepara pra o que você pode fazer com aquilo.

Um exemplo de exercício que eles fazem em aula é descrever alguém que nunca viram e dizer o que está errado com a pessoa.

Está bem que muitas vezes a gente sabe quem está chamando assim que o telefone toca, mas não deve ser esporádico, devemos poder usar essa capacidade quando a gente quer.

O uso do tarot é psíquico, não é memorizado. Eles entram em alfa e a informação vem. Não tem a ver com as cartas.

Você quer que sua magia funcione, que traga resultados. A ciência se soma à magia e manifestação; mas vê-se que é possível ir além. Entender que as entidades estão vivas no outro mundo – isso é palpável – de falar, conversar, contatar Deuses, ancestrais, o que eles dizem é verdade, pois têm uma perspectiva mais clara.

Esse desenvolvimento torna nossa religião mais poderosa. Fazemos vários tipos de ritual e a energia que recebemos é real, é mais poderoso traçar o círculo e a energia vai naquela direção.

Os Deuses às vezes nos ajudam, diferente das outras religiões, nossos Deuses às vezes não atendem, não ajudam, pois querem que aprendamos nossas lições. Porém, em tempos de grave crise, eles operam milagres que seriam impossíveis de superarmos de outra forma.

Devemos trabalhar e desenvolver um relacionamento especial com um Deus ou Deusa específico, uma relação de amizade. Assim, pode ser que esse Deus ou Deusa nos ajude. Não é qualquer um que atende nosso chamado.

Este deve ser um relacionamento pessoal, não só às vezes e não com deuses variados. É importante ter um altar e uma devoção diária dirigida a um Deus ou Deusa na nossa casa, além de nosso altar geral. É preciso alimentar essa relação. Não é para chamar por eles só quando se precisa. Não é tarefa deles ajudar os humanos. Você que tem de fazer sua magia, às vezes eles ajudam.

Assim vamos entendendo qual é a do outro mundo, que é para onde todos nós vamos. É melhor nos familiarizarmos, assim temos menos medo de chegar lá, sem medo da morte.

As várias facetas da Bruxaria

A Bruxaria tem tantas facetas, pode-se estudar uma vida inteira.

Poções empregam ervas, raízes, e isso é real. A energia vai manifestar a intenção das plantas.

A astrologia traz outro entendimento de mundo, como os planetas nos afetam.

Escolha uma especialidade como bruxo, seja porções, trabalho com ervas, astrologia… Veja onde está seu talento.  E também pode tentar aprender de tudo um pouco, pois é tudo interconectado. Ervas estão ligadas à astrologia, algumas são regidas pela lua, outras por Vênus… Temos de saber as diferentes qualidades, como misturar e como imbuir energeticamente para poder fazer a magia.

Velas é um trabalho mais fácil e a magia fica mais poderosa ao acrescentar cores, que estão ligadas ao planeta que rege aquela cor.

Por exemplo, o preto não é usado para malefícios. Para obtermos o preto, há que se combinar todas as cores, portanto ele puxa as cores e luzes de todos os planetas e puxa a magia para nós.

O branco reflete e envia a mensagem, o preto puxa e manifesta.

Cada cor do arco-íris tem sua influência regida por um planeta. Mas não é tão simples usar, sempre tem mais…

A parafina ou o material da vela também faz diferença, cera de abelha é mais pura.

Pode se usar ervas e cristais para magias bem mundanas. Acrescentar um cristal programado no pote de hidratante de rosto, por exemplo, ou ervas também. assim você trabalha sua beleza física e mágica juntas.

Mas preste atenção, pois da mesma forma que temos alergia a certas substâncias, também não nos damos bem magicamente com todas as substâncias.

Outra linha de trabalho mágico é a magia de cristais, ou seja, são muitas facetas. Às vezes não sou bom naquilo, ver onde está sua especialidade.

Imbuindo ferramentas mágicas com a sua energia

Chris reforça que eles falam muito em habilidades psíquicas, mas que isso não é só para prever coisas e fazer adivinhação, mas para controlar e dirigir energia.

Para energizar, imbuir uma ferramenta, entrar primeiro em estado alfa e dirigir a energia luminosa usando sua habilidade. Nas aulas eles testam depois as varinhas que foram energizadas e sentem a ferramenta mágica projetando energia na mão. Podemos imbuir as ferramentas e os cristais com nossa energia pessoal.

Laurie explica que a aura ao nosso redor é real, a aura da varinha também existe por conta de seu material. No estado alfa, você projeta a sua energia para dentro da aura da varinha, por exemplo.

Ciência dos Cristais

A ciência dos cristais está ligada a ressonância elétrica que eles possuem. Se tomar um banho de banheira com um quartzo branco gigante, e o cristal se partir, você pode ser eletrocutado. O governo (americano) usa cristais na construção de mísseis para que não percam a direção. Eles cortam um cristal grande ao meio pela base e aplicam uma metade de cada lado do míssil, e as metades ficam enviando impulsos elétricos ritmicamente de um lado a outro.

Um relógio de quartzo usa um cristal muito diminuto, e mesmo daquele tamanho o cristal faz funcionar o relógio.

O estado alfa

O estado alfa é um nível de onda cerebral, o mesmo do sono. Durante o sono, descemos ainda mais e chegamos ao estado teta, mas é no alfa onde a magia acontece. Então precisamos reproduzir o estado alfa pela nossa vontade.,

Estado beta é o estado quando estamos acordados.

Assim que fechar os olhos por mais de três minutos, o cérebro baixa a onda para o nível alfa. É quando todos temos acesso a onde se envia a energia para a manifestação do feitiço.  O cérebro é um computador, ao treiná-lo para fazer isso você se torna uma máquina que tem controle de seu poder.

Também estão anotadas as respostas às perguntas feitas pelos participantes. Essa parte, prometo acrescentar em um outro post.