Canção para uma existência distraída

Todas as coisas são uma só coisa e vêm de uma só coisa. Poeira estelar, poeira lunar, poeira solar e planetária. Deste pó viemos todos nós. Belos, unidos em uníssono, somos Deuses maxi potentes, mas não o sabemos, pois estamos e somos em pedaços.

Retalhos de nós, retalhos do que podemos ser; frangalhos e migalhas de mil espelhos, onde nos vemos refletidos, todos os dias, numa miríade de ferramentas virtuais ou não, mas que apenas conseguem refletir uma parte do que nem chega perto da força e da beleza de nosso âmago. Sabemos o que é essa força e essa beleza? Não. Não tocamos, não mergulhamos, não adentramos nosso coração e espírito. Uma pena. Uma dor que aumenta e nada cura, ao menos nada do que comumente buscamos. Estamos voltados na direção errada como espécie.

Nosso amor ainda vive em fagulhas internas, sedentas de toque, sedentas de atenção. Dê. Elas, assim que atiçadas, podem se tornar labaredas que consomem as dúvidas, as incertezas, a falta de caminho e a falta de ânimo. Para desfrutar da vida, que é o único motivo verdadeiro de estarmos aqui, há que se atiçar essa chama.

Busca teu espírito antes que ela se apague. Veja se está em brasa — se enxergares é porque ela ainda queima, mesmo que tênue.

Quem alimenta a chama e encontra o vazio em si fica pleno. Só assim poderemos ser. Longe das distrações, dos ruídos, das exigências externas e internas. Apenas.

Adentre seu âmago

Adentre seu âmago

Defesa energética básica – parte 2: CENTRAMENTO

Esta é a segunda parte de uma série de três posts.

O centramento acontece em geral junto ou ao mesmo tempo em que iniciamos o processo de aterramento através das visualizações ou da respiração. É a sensação de estarmos completos, dentro do nosso corpo, presentes por inteiro no local e na situação onde estamos. A mente está tranquila e nos sentimos focados, serenos. Para um exemplo oposto disso, é só falar com alguém que acaba de tentar fazer uma reclamação para sua companhia telefônica. Depois de tratar com qualquer atendente, dificilmente qualquer um de nós consegue permanecer centrado. Por isso, o centramento tem usos muito práticos também no dia a dia.

Essa presença conectada com o interior do corpo e o próprio self acontece naturalmente quando nos conectamos e movemos nossa consciência para o centro físico na barriga ou no plexo solar. Alguém treinado precisa às vezes apenas tomar consciência de seu umbigo, e o centramento acontece. Um exemplo de centramento confiante é a modelo na passarela, essa consciência corporal absoluta é o que permite que ela projete seu senso de self para fora.

O centramento nos dá autoconfiança, assertividade, firmeza e paz interior.

Experimente diferentes técnicas e veja o que funciona melhor para você, ou faça uma atrás da outra se a situação exigir!

Meditação da árvore cósmica

 Esta meditação é ótima e ajuda também aqueles que não sabem como ancorar e centrar sua energia com propriedade.

árvore linda no Caminhos de Pedra - Bento Gonçalves, RS

árvore linda no Caminhos de Pedra – Bento Gonçalves, RS

Feche os olhos relaxe o corpo e inspire em quatro tempos. Segure por quatro. Expire devagar, também em quatro tempos. Segure os pulmões vazios por outros quatro.  Imagine que você tem raízes que saem de seus pés ou da base de sua coluna e penetram o solo. Deixe que elas desçam, atravessando todos os espaços até chegarem ao solo fértil, de lá, seguem descendo e se expandindo. Sinta o pulsar da vida nas suas raízes, deixe que suas dificuldades, suas tristezas, seu nervosismo desça por suas raízes e entregue os para a terra, para que sejam transformados no centro do planeta, que é todo de lava derretida. Deixe que essas emoções sejam transformadas.

 Puxe um pouco dessa energia nutriz da Terra e também um pouco da de fogo, sinta-a viajando, passando pelas camadas de rocha, pela energia escura e confortável do solo, pelas fontes de água subterrâneas. Inspire esse fogo já bem abrandado, puxando-o para sua barriga, logo abaixo do umbigo, na área que é conhecida como hara ou tan-tien.

 Sinta-se  enraizado, firme, sólido, como uma árvore bem plantada na terra.

Agora volte sua atenção para os ramos que vão crescer a partir do sétimo chakra no topo de sua cabeça. Sinta que eles sobem mais e mais, atravessando o que for em direção ao centro do cosmos. Sobem além das nuvens, da atmosfera terrestre, vão em busca do fogo do céu, da energia solar, lunar, e estelar. Sinta essa imensidão cósmica, busque o centro da galáxia e puxe essa energia levemente dourada para baixo, pelos seus galhos, até que penetre em seu coração.

 Funda as duas energias, a da Terra com a do cosmos, misture-as, e deixe que a mistura preencha e energize seu corpo, inspire três vezes sentindo essa energização.

O mundo superior, o inferior e o médio estão todos aqui, agora, dentro de você.

Faça mais uma inspiração recolhendo a copa da árvore, e depois outra, recolhendo suas raízes de volta ao contêiner do seu corpo.

Quando estiver pronto, abra seus olhos.

Há outras técnicas, claro, por exemplo:

  • Meditação da cor – descubra qual a cor que você vibra e que lhe identifica. Em geral são tons pastéis esses que nos trazem o bem estar. Imagine essa cor vibrando e tomando seu corpo, começando pelos pés e vá subindo devagar, fazendo seu corpo inteiro vibrar nessa mesma cor, até o último fio de cabelo.
  • Meditação do eixo – esta técnica vem da dança moderna. Minha professora Nana Shineflug da Chicago Moving Company ensinava uma técnica para os bailarinos se prepararem para a dança, afinal bailarinos precisam estar mega centrados, pois consciência corporal é tudo no trabalho deles, não sei se ela sabia que a técnica tem usos mágicos, mas descobri que é um ótimo meio físico e muito imediato de alinhar todas as suas partes e seus corpos. Imagine no centro do seu corpo um eixo, como um bastão sólido que vai do topo da cabeça até os pés, passando pelo períneo. Sinta esse eixo. Agora sinta como se seu corpo inteiro “abraçasse”, apertasse esse eixo. Pronto.

No próximo post, a terceira e última parte desta sequência: técnicas de escudo energético.

 

Eu em uma floresta de cedros, no Atlas Médio, Marrocos.

Eu em uma floresta de cedros, no Atlas Médio, Marrocos.

Defesa energética básica – parte 1: ATERRAMENTO

Nossa primeira linha de defesa energética, tanto para nosso dia a dia quanto para cada uma de nossas atividades mágicas, reside nas técnicas básicas de aterramento (grounding), centramento (centering) e escudo (shielding).

**Dei um workshop prático com esse tema ao final de 2013, em São Paulo, e vou apresentar aqui, em três posts, um resumo do que trabalhamos no encontro.

Aqui a palavra “básica” é usada no sentido mais de “fundamental” do que de nível de complexidade, já que as técnicas e visualizações vão se tornando mais e mais eficazes a medida que o praticante têm mais experiência e habilidade mágica.

Independente de praticarmos artes mágicas ou não, todos temos momentos na vida em que precisamos de foco e concentração: uma entrevista de emprego, uma apresentação importante, prestando um concurso ou exame, ou uma conversa séria sobre algum assunto delicado. Se prestarmos atenção, cada um tem seus métodos e pequenos rituais – às vezes aliados a preces e objetos de sorte – de se preparar para esses momentos, para atingir essa concentração necessária, evitando que algo externo nos faça perder o rebolado.

Desde o primeiro momento em que somos apresentados às primeiras técnicas para a magia ou meditação, fica claro o quanto os instantes preparatórios fazem toda a diferença para a qualidade do trabalho ou da experiência que vem a seguir. Quem nunca ouviu uma sacerdotisa ou um facilitador pedindo para “fechar os olhos e respirar devagar e profundamente”? Essa é uma técnica de aterramento e centramento, pois nos ancora de volta no corpo, nos trazendo ao instante presente e acalmando a nossa energia, deixando de lado todas as vibrações mentais e caóticas que não têm lugar ali.

Essas técnicas são preparatórias para meditação, trabalhos de cura, leituras oraculares, trabalho com pêndulo, psicometria, rituais e feitiços. E também são muito úteis na nossa vida mundana, ótimas para utilizarmos quando estamos nos sentindo esquisitos em algum ambiente, quando estamos nervosos (alguém disse TPM?), em contato com muita gente estressada (fila de banco, ônibus lotado) ou como ajuda para manter concentração e foco antes de alguma atividade que exija nossa melhor performance.

ATERRAMENTO – ÂNCORA- GROUNDINGP1000840 (480x640)

 É a ativação do nosso “fio terra”, para que nossos corpos físicos e energéticos se mantenham estabilizados durante nossas atividades e para ajudar a processarmos as vivências astrais, retornando ao nosso corpo físico com harmonia e liberando para a terra o excesso de correntes que podem inclusive ser nocivas para nosso sistema. Em alguns casos, também pode ser visto como um partilhar, uma oferenda desse “boost” extra de energia que passamos para o local onde estamos ou o planeta.

Quando envolvidos em trabalhos espirituais podemos sofrer uma série de desconfortos físicos ou energéticos, como tontura, cabeça pesada, ficar zonzo, aéreo, desorientado, confuso, sentindo certas partes do corpo mais pesadas do que as outras, sofrer alteração de temperatura, etc. Essas técnicas equilibram o corpo, fazendo com que a gente se sinta mais seguro, firme, alinhado e apoiado pelo universo.

Vivemos em um corpo físico em um mundo físico, isso é uma riqueza! Fazer um “aterramento” firma nossa presença no corpo e no momento presente, para que outros corpos sutis possam alçar voo sem correr riscos.

Esse sentimento de estabilidade vem da nossa conexão com a Terra e o chão. Se não estivermos aterrados, é fácil girar fora do eixo, entrando em processos de hiperatividade e perdendo quantidades imensas de energia além de permitir que vibrações ou entidades indesejadas façam uso da nossa falta de cuidado com nós mesmos.

O trabalho espiritual deve ter como objetivo que nos sintamos bem, caso estejamos nos sentindo mal, ou esquisitos, estamos vazando energia ou lidando com uma sobrecarga para a qual não estamos preparados.

 Algumas técnicas

 Conectar-se com o mundo tangível do corpo e da realidade concreta imediatamente faz esse “fio terra”.

  •  Respiração diafragmática
  • Respiração 4 X 4 (inspira, segura, expira, segura – cada um em quatro tempos)
  • Deitar de barriga na terra
  • Tocar o chão
  • Segurar alguma pedra na mão
  • Fazer tarefas bem mundanas como lavar louça, cortar grama, cozinhar, limpar a casa (muitos ritualistas sentem necessidade de fazer algo assim depois de facilitar um trabalho poderoso).
  • Segurar uma turmalina
  • Comer chocolate (olha que desculpa incrível para ter sempre um bombom na bolsa!).
  • Comer – nada como essa atividade prazerosa para nos jogar de volta ao corpo na hora.
  • Visualizar suas raízes penetrando e se firmando na terra, buscando energia estável do solo e passando para a terra energias confusas ou excessivas.

Exercício Corda Âncora

  1. Sente-se bem aprumado em uma cadeira, com os pés tocando o chão e a coluna reta.
  2. Respire devagar e profundamente. Respiração diafragmática.
  3. Feche os olhos e imagine uma bola de luz verde girando de uns 10 a 15 cm de diâmetro, no seu chakra cardíaco.
  4. Deixe que um tentáculo, um fio de luz, desça suavemente pelo seu corpo e passando para as profundezas da Terra até o centro do planeta, formando uma corda âncora para você.
  5. Permita que a ponta do fio se funda com o centro da Terra e se firme.
  6. Puxe um pouco dessa energia de volta até seu peito e enrole a energia, conectando-a ao seu quarto chakra – o cardíaco.  (ela vai fazer um tipo de “clique” quando se ajustar ali).
  7. Verifique se a corda está bem conectada ao chakra e que não haja nenhuma obstrução ou rompimento entre seu centro e o centro da Terra.
  8. Faça com que a energia da corda no seu peito se amplie para a largura dos ombros, ou até mais larga de estiver planejando limpar a aura.
  9. Dê permissão a seu corpo para se livrar de qualquer energia em excesso ou desnecessária através dessa corda. Mande para baixo, liberando na Terra e vendo essa energia ser absorvida ou transmutada no coração do planeta mãe.
  10. Lembre-se que de agora em diante, sua âncora vai continuar operando, ajustando seu corpo na frequência planetária e sempre permitindo que seu corpo libere energias desnecessárias ou em desacordo através da sua vontade.
  11. Quando terminar, toque com as mãos no chão ou em algum objeto sólido para se reconectar com a superfície e o seu corpo, inspire profundamente, então levante e alongue-se.

No próximo post, técnicas de centramento.