O rito da defumação

Queimar uma planta para, com sua fumaça, abençoar ou purificar alguém ou algo é um hábito religioso muito antigo da humanidade. É justamente nas tradições dos povos nativos das Américas onde vamos buscar a inspiração e conhecimento para retomarmos essas cerimônias que aparecem tão presentes na bruxaria, no paganismo, xamanismo e também no movimento new age.

Porém, devido ao abuso e excesso na utilização de certas plantas, está ocorrendo uma depredação sem sentido e colocando algumas espécies em risco, além de aumentar consideravelmente o valor da erva por conta da dificuldade em encontrá-la. Isso está acontecendo principalmente com a sálvia branca, que é nativa dos Estados Unidos, e com o Palo Santo, nativo do Peru. Por isso, precisamos ficar atentos e fazermos um bom uso dessas plantas sagradas e sabermos variar nossa utilização, recorrendo a plantas nativas do nosso território, em busca de opções para trabalhar essa bênção e limpeza através da fumaça.

Para uma defumação eficaz e respeitosa, que nos conecte ao sagrado, podemos seguir alguns passos:

Tome a planta nas mãos e se conecte com o espírito dela. Por espírito, me refiro não só ao que anima e energiza aquela porção que você tem em mãos, mas ao grande espírito da espécie da erva que você quer utilizar. Converse com esse espírito e peça para que desperte e atue com todo seu potencial de cura, purificação e limpeza.

Então ofereça algo de sua energia para o espírito da planta, em geral isso pode ser feito com um sopro seu sobre o punhado que tem em mãos.

Ponha sua mão que segura a erva, resina ou madeira sobre o peito, sobre o centro cardíaco, e faça uma prece pedindo aquilo que deseja obter com a defumação. Faça isso com reverência verdadeira.

Desmanche a tocha de sálvia ou deposite a erva sobre uma concha de abalone, recipiente cerâmico ou defumador que vai utilizar e acenda, de preferência com o uso de fósforos. Se for utilizar uma resina, ponha um disco de carvão já aceso e na base do turíbulo ou defumador para  depositar a resina sobre a brasa.

Utilize suas mãos,  uma pena de ave ou abanilho para abanar a fumaça na direção desejada.

Defume a si mesmo primeiro. Como o médico que faz toda sua sanitização antes de tocar no paciente, assim o xamã ou sacerdote deve primeiro limpar e purificar a si antes de partir para trabalhar as outras pessoas do grupo ou o espaço que será limpo.

É costume abanar a fumaça sobre os olhos, ouvidos, boca, mãos, coração e corpo. Algumas pessoas escolhem soprar sobre as costas, para aliviar o peso que carregamos, outros não veem isso como uma necessidade. Há quem deseje defumar também a sola dos pés, mas a ordem básica pode se resumir a: cabeça, coração, plexo (abdome), pés.

Na cabeça, devemos entender que ocorra uma purificação de nossos pensamentos, que nossos olhos se abram para a verdade, nossos ouvidos possam escutar o que precisamos e nossa boca possa falar palavras amorosas e verdadeiras. No coração, limpamos nossas emoções, para que despertemos à harmonia e equilíbrio. Os pés são abençoados para que trilhem o caminho da nossa verdade nos levando para perto dos deuses e nos afastando de nossos inimigos.

Os antigos nos ensinam que todas as cerimônias e rituais devem começar com boas intenções e um preparo adequado. Essa limpeza com a fumaça prepara nossa mente, nossas emoções e nosso espírito para entrar em um estado mental em que os processos de cura são favorecidos.  A fumaça que sobe leva consigo nossas preces.

Algumas ervas e resinas e seus usos:

Sálvia branca: era uma medicina feminina dos nativos americanos, seus presentes são a força, clareza de propósito e sabedoria. Eleva a energia do ambiente e, assim, expulsa dali tudo que seja dissonante e negativo.

Tabaco: o tabaco é usado como oferenda e agradecimento. Sua fumaça abre os portais entre os mundos.

Palo Santo: aprofunda os estados meditativos, limpa energias estagnadas, e elimina conflitos.

Breuzinho: essa resina sagrada para os povos amazônicos abre as vias aéreas respiratórias, promove estados meditativos e é purificador poderoso de ambientes pois afasta os maus espíritos.

Alecrim: cura e purificação

Alfazema: promove paz, sono e curas

Artemísia: para estimular os sentidos sutis, sonhos e profecias.

Orégano:  harmonia, tranquilidade e abertura de visão

Abacateiro: embora suas folhas não tenham um aroma especial, a queima delas energiza ambientes  e também auxilia no preparo do ambiente para a prática de necromancia ao criar uma barreira contra espíritos zombeteiros.

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