Profecias de fim e início dos tempos

A semana passada foi cheia de sentimentos e questionamentos lembrados pela passagem do 11 de setembro. Muitos dizem que o ato terrorista contra as torres gêmeas marcariam o início do Armageddon, do nosso fim dos tempos, como anunciado pela imagem do Arcano XVI, a Torre do Tarot. 

Isso, somado ao fato de rapidamente nos aproximarmos do fatídico dezembro de 2012, prometido pelo fim do calendário Maia, leva mais e mais gente a uma certa apreensão física e espiritual sobre o que esperar, e se de fato devemos esperar algum evento explosivo ou cataclísmico pela frente.

A internet está recheada das mais loucas teorias e afirmações sobre o que está por vir. Quem estiver a fim de agregar  pânico à sua vida, em menos de cinco minutos consegue arrecadar material suficiente para começar a planejar um bunker no estacionamento do condomínio ou se mudar para uma serra – quanto mais alta, melhor. Sei de famílias inteiras que, na dúvida, estão planejando se mandar para alguma das chapadas no interior do Brasil entre 15 de dezembro e o réveillon.

Vários defendem que as agências NASA e FEMA nos EUA sabem de “coisas” e estão dando pistas de grandes tragédias pela frente, as quais não estariam divulgando amplamente para não causar um caos coletivo mundial.

Bem, nada disso é novo para mim. Desde 1989 escuto eternas discussões sobre esses assuntos. Tanto sobre o Planeta X (o famoso planeta Chupão, que também leva o nome de Hercolubus) que entraria no sistema solar em algum momento, passando perto demais de nós, assim desestabilizando a gravidade terrestre e forçando uma reversão de polos. Outra proposta de catástrofe é o buraco deixado pela extração do petróleo ao longo dos anos. Esse espaço vazio que ainda resta acabaria sendo preenchido à força, por água que desce ou por terra que se reacomoda, causando um número ainda mais aterrador (com perdão do trocadilho) de terremotos. Agora fala-se ainda em gigantescas explosões solares e por aí vai.

Ou seja, eu sofro com isso desde os 14 anos de idade e, na boa, cansei de me preocupar.

O que vemos é um histórico de grupos e mais grupos – em diferentes épocas – que anunciaram o fim do mundo ou alguma espécie de rapture, um retorno de deus para buscar supostos escolhidos. E todos de que temos notícia estão até hoje esperando o tal evento tão grandioso e tão ansiado ou temido.

Muita gente me pergunta o que acho de tudo isso, pois mesmo os mais céticos estão começando a ficar grilados com a insistência do assunto e, sabendo que desde pequena eu “mexo com essas coisas”, vêm a mim para pedir uma opinião.

Só posso responder que não sei. De fato não faço ideia do que vem por aí, se é que vem alguma coisa. Há uma turma que garante que já estivemos, enquanto espécie, destinados ao desastre absoluto, mas que no período da convergência harmônica de 1987, acabamos alterando o curso de nosso destino, e as transições pelas quais vamos passar já não exigem mais tamanha purgação física através de catástrofes gigantescas; ou seja, o planeta escolheu passar por todas as mudanças necessárias prescindindo da destruição por fogo ou água conforme fora profetizado anteriormente. Isso pode ser um alento.

 

Os sete mundos

Gosto muito da cosmologia do povo Seneca, umas das tribos Iroquois dos EUA. Para eles, são sete os mundos da criação: mundo do Amor, mundo do Gelo, mundo da Água, mundo da Separação, mundo da Iluminação, mundo da Profecia e Revelação e mundo da Completude.

1º. Mundo do Amor

As rochas foram os primeiros seres criados. Armazenavam a verdade de toda a criação. Havia humanos já neste primeiro mundo de amor incondicional, em que todas as formas de vida eram respeitadas, e o Sol era capaz de curar. Porém muitos se tornaram medrosos, avarentos, invejosos e nada dignos de confiança, quando desacreditaram dos ideais de amor, gratidão e louvor à abundância da vida. O primeiro mundo foi destruído por fogo, para ser purificado. A aurora boreal nos serve de lembrança do sol interno da Terra.

2º. Mundo do Gelo

Após a primeira purificação, o mundo foi governado pelo gelo. Os antílopes vieram se oferecer em sacrifício para a sobrevivência da população. Foram muitas as lições de sobrevivência, instinto, intuição e criatividade. O calor do sol se fora, mas a vida seguiu harmoniosa até que a presunção e o orgulho levaram os líderes a ignorar os sentimentos humanos e a igualdade entre as pessoas. Houve então uma inversão dos polos e o gelo tomou conta do planeta, purificando-o.

 3⁰. Mundo da Água

Os cristais auxiliaram no avanço das antigas civilizações, o mundo era repleto de bênçãos de criatividade, magnetismo e controle das fontes de energia, mas uma raça se sentia superior às outras e não compartilhava nada de seu conhecimento e técnicas de cura. O sentimento de superioridade levou à escravidão. O medo tomou conta, o abuso de autoridade levou ao controle de outras raças, e o desequilíbrio desgastou o senso de pertencer à Terra. O mundo foi destruído e purificado pela água. Essa parte da história se refere ao continente de Atlântida.

 4º . Mundo da Separação

O mais longo dos mundos é o que estamos vivendo ainda hoje. Foi prometido que nunca mais as tribos da Terra teriam de se submeter ao domínio de uma raça. As novas lições seriam apreendidas através da separação de raças, clãs, línguas, religiões e costumes. O objetivo era encontrar a harmonia, mas no processo perdemos o conceito de unidade, de integridade. Por ser o mundo mais duradouro e também o intermediário, é o ponto da virada em termos de nossa evolução espiritual. Foi um mundo de muitos deuses, onde a ganância e o desejo de poder levaram a guerras. Posses materiais se tornaram um símbolo de sucesso, comparação, ameaça e mágoa. A intuição, a criatividade e tudo que é diferente passaram a ser temidos. A união sexual passou a ser definida por regras morais e dogma. A luxúria tomou o lugar de nosso conhecimento interno. O método escolhido para a purgação, caso necessário, seria através do movimento da Terra e uma inversão dos polos, na esperança de que os humanos voltassem a se alinhar e harmonizar com o planeta. Estamos agora na encruzilhada; uma nova raça, de união estaria se formando, ao mesmo tempo em que muitas almas abandonam o planeta. Caso uma certa porcentagem da população terrestre passasse a honrar e respeitar o planeta, a purgação não seria necessária. O povo Seneca acredita que esse número foi alcançado.

 5º. Mundo da Iluminação

Era na qual estamos entrando agora em 2013. Segundo a profecia, cinco estrelas com caudas virão e uma delas fertilizará a Terra. Os quatro elementos serão purificados com o remédio novo trazido pelas estrelas com cauda. O céu e a terra serão unificados por certo tempo. O deserto será retomado pelas plantas. Sementes serão resgatadas do 1º mundo, e todas as cinco raças serão um só coração, uma só mente e uma só família. Será o período de uma tribo unificada, a unidade que buscamos há milhares de luas. Seremos capazes de curar através do pensamento. Será uma era de equilíbrio e alegria, novas formas de aprendizado encontrarão seu lugar. Os humanos conseguirão viver em paz consigo, com os outros e com todas as famílias terrestres. Os povos subterrâneos reemergirão com as sementes antigas. Cometas ajudarão na multiplicação da vegetação.

Os sete sinais de que esta era está próxima:

* O homem vai inventar uma caixa que ferve água. (serve o microondas?)

* Os olmos morrerão (nas últimas décadas houve uma epidemia de doença nos olmos na América do Norte e a maior parte da população desta árvore de fato padeceu).

* As folhas dos bordos (maple tree) murcharão fora de época.

* Os morangos selvagens deixarão de crescer.

* A Black Mesa (terra sagrada das tribos Hopi) será corrompida.

* Vai existir uma casa no céu onde o homem branco pode morar. (estações espaciais?)

* O homem cria um fogo que quando queima, nenhuma planta ou animal poderá viver de novo naquele lugar. (bomba atômica?)

Enfim, segundo os sinais vislumbrados pelos indígenas há bastante tempo, estamos a caminho de uma transição inevitável. No entanto, os anciãos Seneca dizem que a mudança não necessariamente precisa vir acompanhada da inversão polar em nível físico. Se um número suficiente de nossa espécie conseguisse se alinhar com a família planetária, a inversão poderia ser evitada. Para os índios, cada ciclo de estações trouxe mais provas de que diferentes grupos entre os Duas Pernas estariam se somando, através da energia de celebração e gratidão. Após algum tempo, receberam a mensagem da Mãe Terra de que a família planetária conseguiu evitar a inversão, através dessa unificação.

Dizem que não viveremos a alvorada desse Quinto Mundo até em torno de 2013. Nesse período, a Mãe começará a oscilar e teremos cataclismos “em todas as áreas onde os Duas Pernas escolheram o caminho da guerra, da desigualdade, das ações erradas ou desarmonia”.

Os antigos guardiões sempre souberam que o conflito nunca foi externo a nós, mas mora dentro de cada um.  E nada existe em separado; todos os caminhos são sagrados, toda a vida reside dentro da Eterna Chama do Grande Mistério e vive para sempre dentro de todos os seres. Cabe a nós vasculharmos cada conflito interno e curá-lo, para estabilizar a oscilação e tudo que evita que encontremos nosso equilíbrio e uma harmonia mundial. Ainda teremos provações e testes de resistência, que vão nos preparar para o Mundo da Iluminação.

As dez questões propostas pelos Hopi

Por isso, vale prestar atenção nas dez perguntas lançadas por um grupo de cinco conselheiros da Oraibi Hopi Nation  em  abril de 1993, e comunicadas  por ChoQosh Auh’ho’oh, um coastal elder.

“Vocês andam dizendo às pessoas que esta é a Penúltima Hora, agora precisam voltar atrás e dizer às pessoas que esta é a Hora. Eis aquilo que precisam ponderar:

Onde estão vivendo?

O que estão fazendo?

Com quem se relacionam?

Suas relações são íntegras?

De onde vem sua água?

Conheçam seu jardim.

É hora de comunicar sua verdade.

Criem suas comunidades.

Sejam bons uns para os outros.

E não busquem um líder fora de si mesmos.”

 

“Nós somos aqueles por quem estávamos esperando.”

*** informações sobre profecias Seneca retiradas do livro “Other Council Fires Were Here Before Ours” Harper, 1991. De Sams, Jamie e Nitsch, Twylah. Pronunciamento Hopi retirado de “The Beauty Path. A Native American Journey Into One Love”. De Robert Roskind. One Love Press, 2006.

 

 

 

 

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