10a CWED

Agora já finalmente descansada posso contar e registrar minhas aventuras na 10a Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, que ocorreu nos dias 1,2,3, e 4 de agosto, um evento que se repete anualmente em São Paulo desde 2005, mas do qual participei pela primeira vez nesta edição.

E foi uma edição especial, comemorativa, e fiquei muito orgulhosa de fazer parte dessa história.

Zsuzsanna Budapest e eu na abertura da 10a CWED

Zsuzsanna Budapest e eu na abertura da 10a CWED

Fui no ritual de abertura na sexta à noite, que era uma reconstrução do ritual de “abertura da boca”, uma cerimônia sagrada egípcia que consagrava certas estátuas e imagens dos Deuses para que elas se tornassem vivas. Já falei sobre minha experiência com uma estátua viva autêntica de Sekhmet aqui, mas estava curiosíssima para vislumbrar um pouco da cerimônia antiga. De quebra, conheci pessoalmente naquela noite Zsuzsanna Budapest.

No sábado, fui cedinho e acabei ajudando nas traduções das conferencistas internacionais: Z Budapest e Deborah Lipp nas palestras da manhã.

Com a fofíssima e inigualável Sorita d'Este.

Com a fofíssima e inigualável Sorita d’Este.

À tarde, nem sei como, engatei num papo maluco e sem fim com a querida Sorita d’Este, o assunto passeou entre outras coisas por círculos de macieiras, o caldeirão de Gundestrup, Hecate, teatro, vestidos, livros, família, sotaques, mudanças e seres mitológicos. As pessoas curtiram tanto o astral da Sorita, que acho que ela quase podia levar um troféu de Miss Simpatia do evento, isso sem contar na quantidade de bruxos que não queriam mais que ela fosse embora.

Domingo foi dia da minha palestra “Deusas da Pesada: o medo e o fascínio das senhoras da Guerra, da Morte e da Escuridão”. E no escuro Elas me deixaram, que danadas! Preparei uma apresentação com slides lindos, mas não lembrei de levar adaptador para o plug do meu laptop que é daqueles de pinos chatos. Adivinha se o hotel não tinha apenas essas tomadas novas e impossíveis de 3 buracos! Acabou minha bateria no meio do papo e ficamos sem slides, mas o encontro em si foi muito legal. Eu falei um pouco, conversamos todos um pouco, trocando histórias, sensações e experiências, e depois levei todo mundo numa jornada para encontrar minha mãe Sekhmet. palestra3

Os relatos da experiência das pessoas foram interessantíssimos. Teve uma moça que foi lambida por ela, o que é uma atitude já bem conhecida dessa Deusa Leoa, mas que surpreendeu muito a sortuda desavisada. Adorei! Fico muito grata a todo mundo que foi, pela confiança e pela participação. A gente encerrou a tarde tocando a música “Bitch” de Meredith Brooks, que tem tudo a ver com o que conversamos.

traduzindo...

traduzindo…

Na segunda-feira, fui convidada por Claudiney Prieto, organizador do evento, para traduzir os workshops de aprofundamento, e apesar do cansaço inominável no final do dia, valeu cada segundo. Do trabalho com a Z, guardo a música cantada para a água, que agora cantarolo todos os dias no chuveiro: “Water is the first mother”; do papo sobre magia e feitiços com Deborah Lipp, retomei ótimas ideias e conceitos que andavam esquecidos; e do ritual com Sorita d’Este, guardo uma cartinha linda de uma fae com uma mensagem curta e direta que vai me guiar nesse semestre, além de uma deusinha linda que ela trouxe para cada um de Glastonbury.

turma do workshop de aprofundamento com Deborah Lipp (de roxo, ao centro)

turma do workshop de aprofundamento com Deborah Lipp (de roxo, ao centro)

Aliás foi o dia dos presentes. Para me socorrer energeticamente na minha exaustão tradutiva, a amiga Silvia Brianna Bastet me trouxe um dos sprays mágicos dela, e Sorita me presenteou com um livro sobre uma deusa que me ronda, que conversa comigo e com quem eu quero começar a trabalhar também. 20140812_095504

Embora eu esteja postando fotos, quero deixar registrado meu incômodo com as fotografias *durante* os rituais. Ritual, mesmo se mitodrama, mesmo que pareça teatral, não deve ser fotografado, ou talvez apenas por uma ou duas pessoas da organização para guardar como registro. No meu entender, (e isso é minha opinião, cada um tem direito à sua) ou você está dentro ou você está fora de um ritual, não há meio termo. E tirar fotos te põe imediatamente e indiscutivelmente fora, além de ser uma grosseria disparar centenas de flashes por minuto em ambientes escuros desnorteando os outros participantes e os facilitadores.

Proponho às pessoas uma experiência radical: sumam com seus telefones e se façam presentes com *todos* os seus corpos no local onde vocês estão, vivenciando e sorvendo a sacralidade do momento presente. Que tal?