O Louco e o salto dionisíaco

Para muitos, o primeiro Dionísio pode vir na forma do Louco. O arcano zero. O arcano sem número, o coringa do baralho, que pode ser colocado à frente do Mago, depois do Mundo ou onde quer que seja necessária uma entrega desavisada, uma rendição irresponsável.

Para responsabilidade temos vovô Cronos, para a justiça temos papai Zeus, e se existe o neto para a loucura, é porque ela também é imprescindível à experiência humana e merece um lugar no Olimpo, sapateie, esperneie e negue quem quiser.
Meu primeiro Dionísio foi O Louco. O tolo muito bem representado no baralho Thoth – resultado da união da mente mágica de um e dos traços mágicos da outra.

The Fool from the Thoth Tarot Deck by Aleister Corwley and Lady Frieda Harris

 

Naquele quadro virado em carta, o deus da primavera veste verde para exibir toda sua força criativa junto das uvas suculentas da colheita. Na cabeça, os chifres do fértil masculino selvagem; na mão direita o cálice do magnetismo da forma, e na esquerda a tocha ardente da eletricidade – ambos símbolos alquímicos, forças opostas que em seu encontro fornecem o requisito básico para o verdadeiro salto quântico acontecer.

 
A força telúrica e a exuberância deste Deus espiralam para fora num cordão umbilical que parte não de seu umbigo, que seria voltado para si e mesquinho para o mundo, mas de seu coração, a sexta sefira, a esfera do amor belo, que irradia para o mundo o que temos de melhor, abraçando tudo, redimindo tudo e fazendo a conexão do eu com a unidade do cosmos.
Mas, para entender e viver esse nível de insanidade sábia e potente, é preciso primeiro aceitar o convite de pular.

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