Talismãs para contato com o povo encantado

Muita gente chama as fadas ou encantados de elementais. Prefiro não usar essa nomenclatura e usar o termo para me referir exclusivamente a ondinas, gnomos, sílfides e salamandras, que são os seres elementais por excelência, pois são compostos unicamente daquele elemento ao qual pertencem. Já os encantados, fadas ou feéricos, como costumamos chamar esses espíritos, são muito mais complexos na sua composição. Mesmo não tendo corpo físico, eles não se atém em essência a um único elemento, sendo formados por uma combinação. Entre esses seres podemos incluir curupira, saci, iara, elfos, anões, leprechauns, selkies, goblins, ekkekos, pixies, faunos, devas, entre tantos e tantos outros. Suas variações são inúmeras, de acordo com o local de onde se originam.

Esses espíritos não-humanos têm uma relação muito próxima com a bruxaria folclórica desde sempre. Enquanto a magia cerimonial se dedicava muito ao contato com anjos, deuses e demônios, a are bruxa e feiticeira sempre teve maior pendor pela comunhão com o povo feérico. É através dessa relação bem estreita e estabelecida que somos capazes de melhor compreender as flutuações energéticas do lugar que habitamos e também de angariar suas forças e alianças para nossa busca de sabedoria e outros auxílios. Essa relação era tão próxima que a bruxaria foi por muito tempo conhecida na Grã-Bretanha como Faery Faith, a fé das fadas.

A primeira condição para podermos nos reaproximar desse povo é sairmos do racional e irmos para os sentidos. É primordial que, para contatarmos os encantados, tenhamos em nós a capacidade de nos encantar.

Dito isso, algumas coisas ajudam na proximidade para quem busca trabalhar magicamente com esses espíritos e desenvolver uma amizade com eles.

Uma das magias mais fáceis de fazer são as bolsinhas ou mojo bags, e elas podem ter os mais variados fins. Em geral são usadas como talismãs, atraindo aquilo que desejamos, como saúde, amor, poderes psíquicos, proteção, coragem, sucesso, fertilidade, etc. Algumas podem ser sintonizadas na energia dos encantados, as fadas que habitam o mundo natural.

Para buscar essa ajuda, prepare sua bolsinha mágica preferencialmente em uma sexta-feira de lua crescente.

Segue uma lista de ingredientes e uma sugestão de ritual.

Ervas ligadas aos encantados, atraindo sua atenção e favores em termos de proteção e boa sorte:

Sementes de anis, dente-de-leão, lavanda, tília, calêndula, espinheiro, mental, alecrim, verbena, flores de sabugueiro, aspérula

Correspondência de cores (para o tecido):

Preto: proteção, contato espiritual

Azul: sonhos, meditação

Marrom: saúde animal, aterramento

Amarelo: criatividade, clarividência

Dourado: sucesso, força, energia

Cinza: comunicação com fadas e viagens pelos reinos encantados

Verde: magia feérica, fertilidade, prosperidade

Lilás: sensibilidade psíquica, uso divinatório, abertura de visão

Laranja: coragem, atraindo o que se deseja

Rosa: amor, companheirismo, amizade

Roxo: desenvolvimento espiritual, intuição

Vermelho: energia, força, coragem e paixão

Branco: meditação, purificação, magia de lua cheia

Correspondência de cristais com afinidades com o povo feérico

Turmalina negra – aterramento, proteção

Água-marinha – desenvolvimento espiritual, intuição

Esmeralda – visões

Fluorita – atrai encantados, jornadas em seus reinos

Granada – equilibra energias, amor, união

Pirita – sucesso, prosperidade

Quartzo fumê – conexões ancestrais e com fadas, atrai energias positivas e protege

Pedra da lua – poderes psíquicos, satisfação de desejos

Opala – viagem astral

Jade – boa sorte, amizade, harmonia

Quartzo branco – energiza o conjunto todo

Além desses cristais, todas as pedras que contenham um furo que ocorreu naturalmente têm afinidade com o povo encantado.

Para seu rito de encantamento:

Tenha um cristal, uma vela nas cores cinza ou lavanda, um incenso de aroma floral e água de riacho/cachoeira ou fonte em uma tigelinha ou cálice. Tenha à mão os ingredientes escolhidos e o tecido/bolsinha na cor apropriada ao seu intento, além de uma fita para amarrar.

Ponha os ingredientes de ervas, cristais e outros objetos escolhidos dentro de uma bolsinha costurada ou um pedaço de tecido redondo que será amarrado numa trouxinha.

Acenda sua vela. Passe a trouxinha mágica por cada um dos elementos. Fazendo uma prece:

“Chamo pelos poderes dos elementos e de seus elementais, imbuam este talismã mágico com seus poderes e energias atraindo os bons vizinhos desta terra para trabalharem comigo e fazerem parte da minha vida espiritual. Consagrando pelo Ar (passe pelo incenso), pelo Fogo (passe pela chama), pela Água (molhe com as pontas dos dedos) e pela Terra (toque a bolsinha no cristal), chamo pelo poder do povo da natureza, do povo encantado, nossos bons vizinhos, povos das fadas; que em amizade, afeto e parceria de crescimento mútuo sejam atraídos e bem vindos à minha vida. Que assim seja!”

Segure a bolsinha nas suas mãos e deseje fortemente, chamando em imaginação e força por esse contato com os habitantes desse reino.

Guarde em um local escuro até a lua cheia. Então exponha seu talismã à luz da lua e chame mais uma vez pelos reinos encantados, para que se façam presentes abençoando esse contato e auxiliando em seu desejo. Deixe o talismã tomar um banho de lua por algumas horas, então pode usar ou colocar no seu quarto, no seu altar, ou mesa de trabalho.

O preço da magia

Admirando feitiços no Museum of Witchcraft and Magic

No momento em que o buscador descobre o potencial mágico de um feitiço e recebe as instruções básicas de como fazer isso, seus olhos brilham com as infinitas possibilidades. Há uma empolgação que vem de se perceber capaz de influenciar o próprio destino, mas ao mesmo tempo uma inflação egoica que acha que agora tem poderes e vai usá-los o tempo todo e sem pensar duas vezes.

Bom, a primeira coisa que qualquer um que esteja neste caminho logo descobre é que nem sempre o feitiço dá o resultado esperado. E às vezes pode ser uma bênção o encantamento não funcionar.

O efeito de um trabalho mágico depende diretamente do talento (e alianças) de quem faz, da crença pessoal sobre o merecimento que temos daquilo que estamos pedindo, e também de um alinhamento de uma série de outros fatores sobre os quais não temos controle algum.

Além disso, existe um preceito bem conhecido: “Toda magia tem um preço”.

Quando dizemos isso não estamos nos referindo ao valor que você pagaria a uma mãe de santo ou um feiticeiro para realizar um trabalho, estamos falando do preço energético atrelado a alterarmos o curso da vida. O preço existe pelo desgaste e a dívida que podemos gerar ao mobilizarmos e direcionarmos energia de uma forma não natural.  

Toda vez que metemos o bedelho no curso natural das coisas, causamos algo. Pode ser que lá adiante, o resultado do que colocamos em movimento não seja inofensivo e talvez nem benéfico, inclusive para nós mesmos. É o famoso efeito borboleta. Tudo está interligado, e nosso ego não têm condições de ver o tamanho da teia do destino e todos os fatores envolvidos. Algo que teimamos em querer pode não ser para nós, pode não ser bom para nós.

Também, para que você receba, é possível que tenha de perder. Para algo vir, outra coisa pode ser tirada, e na maior parte das vezes, a gente não sabe onde a conta vai chegar. Considere que o próprio ato mágico queima energia nossa, gasta chi, qi, prana… Não admira que tantos bruxos tenham problemas de saúde, muitas vezes inexplicáveis, depois dos 35 anos. É preciso escolher bem, ter senso de responsabilidade para consigo e para com o todo.

E também não se faz magia para tudo. A magia entra para dar um empurrão extra em algo no qual estou empreendendo meus esforços, ou entra como último recurso, um ato de desespero em um momento de extrema necessidade quando todos os caminhos mundanos foram tentados e nada está dando certo.

Se faço feitiços todos os dias para todas as coisas, então deixa de ser especial, a energia é dispersa e pulverizada entre essas diversas atenções. Não há condições de concentração de forças, portanto fico desgastada e sem resultados.

Escolha bem. Não é à toa que bruxas eram conhecidas como sábias.

Tableau no Museum of Witchcraft and Magic. Boscastle, UK.

O cérebro trino e a astrologia

Em 1970, o neurocientista Paul MacLean desenvolveu uma teoria sobre a evolução cerebral que ele demorou vinte anos para publicar.

Segundo MacLean, os humanos têm o cérebro dividido em três unidades funcionais: cérebro reptiliano, cérebro dos mamíferos inferiores e cérebro racional. Cada unidade representa um estágio evolutivo do sistema nervoso dos vertebrados.

O cérebro humano e primata apresenta os três estágios funcionando dentro de nós e informando nossas ações, emoções e racionalidade. O equilíbrio entre os sistemas varia de pessoa para pessoa, mas pode existir uma forma de buscar compreender qual deles opera em nós com mais força. Os três estratos podem ter relação com signos astrológicos e seus princípios mais elementares, dependendo da forma que cada signo funciona em sua essência. Quem realmente propôs e estudou essa relação a fundo é o astrólogo Carlos Fini, mas segue aqui uma abordagem simplificada.

O Complexo-R ou cérebro reptiliano é basal e formado pela medula espinhal apenas e porções do prosencéfalo. Este primeiro nível é capaz apenas de promover reflexos simples e tem características de defesa da sobrevivência, sendo responsável pela autopreservação e agressão. É a parte em nós que mapeia o meio-ambiente, esquadrinhando tudo para detectar perigos. É responsável pelos movimentos, atividades automáticas e funções fisiológicas involuntárias como batimentos cardíacos e respiração, é o centro instintivo e motor.

Pessoas mais conectadas a essa atividade basal do cérebro tendem a enxergar a vida o tempo todo como uma situação de luta, de vida e morte; antecipam o pior e são bastante territoriais. Há uma dificuldade em respeitar o território alheio, sempre se partindo para a conquista, e uma defesa intensa do próprio território para evitar invasões. Se você é de Áries, Escorpião ou Capricórnio, observe o quanto essas funções instintivas imperam na sua vida. São signos que apreciam hierarquias e rituais pessoais repetitivos, que muitas vezes se cristalizam.

Outra possibilidade de ativar de forma definitiva essa sensação constante de que a vida é só sobrevivência é ter aspectos fortes no mapa astrológico relacionados a Saturno e Plutão, que reforçam a memória da dor e das vivências negativas, como forma de se proteger da vida.

Já o cérebro límbico, dos mamíferos inferiores, também conhecido como cérebro emocional segundo MacLean, é o segundo nível funcional do sistema nervoso. Além dos componentes do cérebro reptiliano, ele engloba o telencéfalo e diencéfalo, unindo ali tálamo, hipotálamo e epitálamo, e também o hipocampo e parahipocampo. Esse sistema é responsável pelo controle do comportamento emocional dos indivíduos. É nesta região do cérebro onde são processados os sentimento e emoções mais nobres, como amor, proteção, saudades e carinho. É uma fase secundária da nossa evolução, pois diz respeito a olhar o outro. Depois de sobrevivermos apenas, podemos relaxar mais, aprender a cuidar, acolher, salvar… é ali que entra algo de alteridade e também altruísmo. Esta parte cerebral também é responsável pela experiência das emoções que emergem como toque, os cheiros, o carinho… é o sistema límbico que nos deixa carinhosos. Aqui é possível exercitar uma relação entre esses princípios e os signos de Touro, Câncer, Libra e Peixes. Afinal, são esses signos que mais remetem à relação com o outro no sentido do afeto, da proteção, acolhimento, do uso de expressões faciais e do choro como forma de manipular ou chamar a atenção. São os signos com mais senso estético, muita sensibilidade, com o desejo da troca afetiva com o outro e portanto, o desejo de casar, ter filhos… Enfim, é por eles que passa o entendimento emocional do amor e do prazer, e isso inclui as pessoas que têm uma forte presença de Netuno também em suas configurações astrológicas, esse planeta traz para esse mix uma qualidade insuperável da capacidade de compaixão.

O cérebro racional, conhecido como neocórtex, é composto pelo córtex telencefálico, que é dividido em frontal, parietal, temporal, occipital e insular. Cada uma dessas regiões tem diferentes responsabilidades, e elas incluem as funções executivas. Mas é o néocortex a parte que diferencia seres humanos dos demais animais, é por sua presença que somos capazes de desenvolver o pensamento abstrato e produzir invenções. É a parte mais externa e mais moderna da massa cinzenta, onde funcionam os mecanismos cognitivos, especulativos e racionais. E os signos que mais teriam afinidade natural com essas funções da razão são Gêmeos, Leão, Virgem, Sagitário e Aquário, pois têm como seu principal foco o desejo pelas mudanças, pelas novidades, a expressão da individualidade e o plano das ideias racionais. Outros indicativos astrológicos de termos essas funções bem diferenciadas seria um Mercúrio fortalecido e bons aspectos com Urano.

O funcionamento saudável dessas três partes é fundamental para uma vida plena, pois todos temos de sobreviver, lutar, nos mover, amar, cuidar, relaxar, refletir, compreender e criar. O ideal seria que as três partes tivessem um desenvolvimento harmônico em cada um de nós; a partir do entendimento e valorização dessas diferentes “mentes” que possuímos, podemos encontrar maior paz e harmonia interior.

A hospedaria

Li agora pela manhã, num post de facebook em inglês, um poema lindíssimo de Rumi.

A Casa de Hóspedes

O ser humano é uma casa de hóspedes.
Toda manhã uma nova chegada.

A alegria, a depressão, a falta de sentido, como visitantes inesperados.

Receba e entretenha a todos
Mesmo que seja uma multidão de dores
Que violentamente varrem sua casa e tira seus móveis.
Ainda assim trate seus hóspedes honradamente.
Eles podem estar te limpando
para um novo prazer.

O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,
encontre-os à porta rindo.

Agradeça a quem vem,
porque cada um foi enviado
como um guardião do além.

— Rumi (Mestre sufi do séc. XII)

Esse poema me remete demais a tudo que venho transformando em mim e nos meus atendimentos desde que dei início à minha especialização em psicoterapia junguiana. Carl G. Jung era um grande defensor do politeísmo da consciência, desse entendimento lindo de que somos visitados por deuses, por mensageiros, que passam e despertam em nós reações e emoções. Sentimos desejo com uma visita de Afrodite, sentimos vontade de brigar com uma visita de Ares, nos entregamos à dança e à embriaguez com uma visita de Dionísio. Nos tempos gregos, nada do sentir nos pertencia, eram os deuses que nos inspiravam e moviam.

Hoje, infelizmente, para nosso detrimento, achamos que tudo pertence ao “eu”, temos um só deus habitando em nós, um deus que é dono de tudo… de toda tristeza, de toda angústia, de todas os grandes pensamentos, sacadas e façanhas. Mas essa inflação não nos ajuda, na verdade ela nos desespera.

Se tudo sou eu, o peso é muito, muito maior. É ótimo quando sou eu que sou incrível, mas como lidar com aquilo que toma conta de mim, aquele ou aquela que se apossa do meu corpo e faz coisas nas quais não me reconheço? Ou quando a tristeza é grande demais e não consigo me mexer? Ela é minha só? Ou é uma visita que veio se hospedar? E se o desânimo for um hóspede que traz uma mensagem, me conta uma história? Em vez de rechaçar ou eliminar, posso então escutar essas visitas, compreender a mensagem, a notícia que me trazem de coisas as quais preciso (ou precisamos – já que cada um de nós é múltiplo) rever.

Isso não quer dizer que o deus ou o visitante podem tomar conta de tudo na minha vida, ganhar tentáculos para permear cada cantinho, mas que cada um recebe sim seu altar, seu lugar de culto e de escuta.

Ao vermos essas chegadas como outras faces, outros em nós, criamos espaço para novas relações internas. Ao acolhermos e ouvirmos os guardiões do além, permitimos também que eles passem, que eles sigam seu rumo depois que a visita terminar.

René Arceo, “Dos Experiencias, Una Identidad.” National Museum of Mexican Art, 1852 

Witchcraft

De vez em quando me sinto profundamente comovida com algum texto. Várias vezes esse texto é de autoria do Gede Parma (Fio Aengus Santika). Não foi diferente esta semana, li a seguinte postagem que abriu meu peito e sussurrou com minha alma, então pedi a ele pela permissão de traduzir e postar em português. Segue aqui, com muita honra, o texto do Fio sobre a palavra “Witchcraft”. **

Witchcraft – Gede Parma (Fio Aengus Santika)

“Bruxaria é um termo escorregadio precisamente por conta de quem e a que o termo se refere, aponta, invoca.

Se tentarmos estabelecer uma definição precisa de bruxaria, não faria sentido fazer isso sem olharmos para as pessoas chamadas de bruxas e que podem, em sociedades tão variadas quanto México, Nigéria, Irlanda, Islândia e Grécia, ser identificadas como tal por lenda, folclore e linguistas.

Uma bruxa é uma mulher que conjura, fascina, lê sinais do Destino nas estrelas e nos sonhos, é amiga das coisas selvagens e conhece os lugares ocultos.

Uma bruxa é um homem que canta as runas, chama os espíritos do mundo inferior, estuda a medicina e o veneno das plantas, ingere o povo cogumelo, voa no vento…

Um bruxo é uma criatura sabática e extática, levada pela natureza e comunhão iniciatória a um congresso erótico com os Mistérios.

E uma bruxa encontrou-se com o Diabo na encruzilhada.

E uma bruxa foi enforcada por maldições de justiça injustamente… e queimada na Escócia por desejar o mal e estragar as colheitas, e por curar os doentes e ensinar às jovens moças sobre o poder.

E um bruxo curou os doentes e abençoou o camponês.

E uma bruxa clamou nas ruas por uma revolução.

E bruxas foram caçadas.

E bruxos foram celebrados.

E bruxos foram ridicularizados.

E bruxas foram respeitadas.

Um bruxo está comprometido apenas com sua natureza e destino, responde apenas à sua estrela e ao conselho dos seus, é responsável por todas suas ações, e sabe, e comanda todos seus sentidos e, ao mesmo tempo, não controla nada…

Pode rasgar a garganta das cobras ou enviar os rios de volta a suas fontes. Podem consolar o ancião que morre e abençoar o recém-nascido, bem como pode ajudar o bebê a morrer no ventre e libertar a mãe de um destino pior.

O bruxo não se humilha. Às vezes vamos aos Deuses e dizemos – vão se foder – de todas as formas em que isso pode ser dito. A bruxa chama, e Eles vêm.

E se nada disso faz sentido, é porque nosso jeito de ser não é feito para um mundo de estupro e redução, ou para sociedades de intolerância e vergonha. A bruxa é Lilith nos desertos, é Prometeu roubando o fogo dos deuses, é Aradia liderando o pedido de liberdade, é Isobel Gowdie que saiu noite afora em forma de lebre e deixou uma vassoura ao lado do marido adormecido, é Alice Kyteler conversando com Robin Artisson na escuridão da encruzilhada, é Bessie Dunlop com seu familiar Thomas Reid, é Tituba, raptada de suas terras e tentando se proteger, é Doreen Valiente cuja poesia rompe os corações, é Rosaleen Norton com seu pincel e sua faca, é Victor Anderson, cujo tambor abre os céus…

A bruxa anda pela floresta, pelo campo fértil, pela urze queimada, por vias urbanas, e pelos limites do vilarejo… e não podem nos matar. Não, temos nossos truques… em cada árvores, cada lago, em cada pira e nó corredio, em todo lado onde humanos rastejam e subjugam… temos nossos truques.

E a Bruxa segue adiante. E assim, se você deseja definir a bruxaria, primeiro reflita e sinta essas criaturas a que chamamos de bruxas. Não nem toda magia é dela, mas uma bruxa pode empregar aquilo que quiser, como bruxa. E é aí que mora o segredo.”

**Fio é um bruxo e autor australiano que esteve no Brasil ensinando alguns workshops em Rio e São Paulo no ano de 2017. Para saber mais sobre seu trabalho, por favor visite http://www.gedeparma.com/

O rito da defumação

Queimar uma planta para, com sua fumaça, abençoar ou purificar alguém ou algo é um hábito religioso muito antigo da humanidade. É justamente nas tradições dos povos nativos das Américas onde vamos buscar a inspiração e conhecimento para retomarmos essas cerimônias que aparecem tão presentes na bruxaria, no paganismo, xamanismo e também no movimento new age.

Porém, devido ao abuso e excesso na utilização de certas plantas, está ocorrendo uma depredação sem sentido e colocando algumas espécies em risco, além de aumentar consideravelmente o valor da erva por conta da dificuldade em encontrá-la. Isso está acontecendo principalmente com a sálvia branca, que é nativa dos Estados Unidos, e com o Palo Santo, nativo do Peru. Por isso, precisamos ficar atentos e fazermos um bom uso dessas plantas sagradas e sabermos variar nossa utilização, recorrendo a plantas nativas do nosso território, em busca de opções para trabalhar essa bênção e limpeza através da fumaça.

Para uma defumação eficaz e respeitosa, que nos conecte ao sagrado, podemos seguir alguns passos:

Tome a planta nas mãos e se conecte com o espírito dela. Por espírito, me refiro não só ao que anima e energiza aquela porção que você tem em mãos, mas ao grande espírito da espécie da erva que você quer utilizar. Converse com esse espírito e peça para que desperte e atue com todo seu potencial de cura, purificação e limpeza.

Então ofereça algo de sua energia para o espírito da planta, em geral isso pode ser feito com um sopro seu sobre o punhado que tem em mãos.

Ponha sua mão que segura a erva, resina ou madeira sobre o peito, sobre o centro cardíaco, e faça uma prece pedindo aquilo que deseja obter com a defumação. Faça isso com reverência verdadeira.

Desmanche a tocha de sálvia ou deposite a erva sobre uma concha de abalone, recipiente cerâmico ou defumador que vai utilizar e acenda, de preferência com o uso de fósforos. Se for utilizar uma resina, ponha um disco de carvão já aceso e na base do turíbulo ou defumador para  depositar a resina sobre a brasa.

Utilize suas mãos,  uma pena de ave ou abanilho para abanar a fumaça na direção desejada.

Defume a si mesmo primeiro. Como o médico que faz toda sua sanitização antes de tocar no paciente, assim o xamã ou sacerdote deve primeiro limpar e purificar a si antes de partir para trabalhar as outras pessoas do grupo ou o espaço que será limpo.

É costume abanar a fumaça sobre os olhos, ouvidos, boca, mãos, coração e corpo. Algumas pessoas escolhem soprar sobre as costas, para aliviar o peso que carregamos, outros não veem isso como uma necessidade. Há quem deseje defumar também a sola dos pés, mas a ordem básica pode se resumir a: cabeça, coração, plexo (abdome), pés.

Na cabeça, devemos entender que ocorra uma purificação de nossos pensamentos, que nossos olhos se abram para a verdade, nossos ouvidos possam escutar o que precisamos e nossa boca possa falar palavras amorosas e verdadeiras. No coração, limpamos nossas emoções, para que despertemos à harmonia e equilíbrio. Os pés são abençoados para que trilhem o caminho da nossa verdade nos levando para perto dos deuses e nos afastando de nossos inimigos.

Os antigos nos ensinam que todas as cerimônias e rituais devem começar com boas intenções e um preparo adequado. Essa limpeza com a fumaça prepara nossa mente, nossas emoções e nosso espírito para entrar em um estado mental em que os processos de cura são favorecidos.  A fumaça que sobe leva consigo nossas preces.

Algumas ervas e resinas e seus usos:

Sálvia branca: era uma medicina feminina dos nativos americanos, seus presentes são a força, clareza de propósito e sabedoria. Eleva a energia do ambiente e, assim, expulsa dali tudo que seja dissonante e negativo.

Tabaco: o tabaco é usado como oferenda e agradecimento. Sua fumaça abre os portais entre os mundos.

Palo Santo: aprofunda os estados meditativos, limpa energias estagnadas, e elimina conflitos.

Breuzinho: essa resina sagrada para os povos amazônicos abre as vias aéreas respiratórias, promove estados meditativos e é purificador poderoso de ambientes pois afasta os maus espíritos.

Alecrim: cura e purificação

Alfazema: promove paz, sono e curas

Artemísia: para estimular os sentidos sutis, sonhos e profecias.

Orégano:  harmonia, tranquilidade e abertura de visão

Abacateiro: embora suas folhas não tenham um aroma especial, a queima delas energiza ambientes  e também auxilia no preparo do ambiente para a prática de necromancia ao criar uma barreira contra espíritos zombeteiros.

Prazeres físicos em práticas espirituais

Exercícios de meditação, jornadas e práticas devocionais nos chegam sempre acompanhados de  uma lista de benefícios mentais, mágicos e de conhecimento. Quando se fala em resultados físicos, em geral se relaciona a melhoras em estados de saúde e eventuais curas que podemos atingir, mas pouco – ou nada – se discute sobre os prazeres físicos que podemos sentir durante essas práticas, seja pela sensibilidade energética e sua atuação em nossos centros, seja por termos um encontro de cunho sexual com deuses ou outras entidades.

Habitando uma esfera dominada pela cultura judaico-cristã, é comum sentirmos em um primeiro momento como se esse tipo de contato fosse algo proibido ou tabu, para então descobrirmos que não estamos sós nessa experiência.

 

OS SENTIDOS ETÉRICOS

“Só os sentidos podem curar a alma, tal como só a alma pode curar os sentidos.”

– Oscar Wilde

Os sentidos são sem dúvida a porta das nossas percepções neste plano, e agradá-los é algo muito poderoso e prazeroso. Todos sabemos.

Selene and Endymion

Os cinco sentidos, visão, tato, gosto, olfato e audição, podem ser apurados e desenvolvidos, assim temos verdadeiros eruditos, vide um perfumista, um enólogo, um grande chef ou maestro de orquestra.

Como bruxos, logo aprendemos que devemos desenvolver ainda mais esses sentidos para refiná-los a percepções ainda mais sutis… aquelas que raramente podem ser captadas pelas terminações nervosas do corpo, mas são perceptíveis pelos corpos sensíveis energéticos por criarem “perturbações” identificáveis nas nossas energias mais etéricas, a que podemos chamar de Qi (chi) na medicina chinesa e taoísmo ou de prana, na ayurveda, por exemplo.

Também há teorias científicas sobre energias sutis no corpo humano, esses estudos e proposições vêm desde Hipócrates, nascido em 460 AEC (antes da era comum). Pai da medicina, ele descrevia um campo energético que fluía das mãos das pessoas. Pitágoras chamava de pneuma essa energia que tudo permeia, o fogo central do universo. Ele também descrevia três corpos ocupados pela alma: Etéreo, Luminoso e Terrestre. A partir da Idade Média, temos Paracelso, Kepler, Van Helmont, Reichenbach abordando o assunto de diversas formas. Já no século XX, em 1911, Kilner chamou de aura os campos energéticos em três camadas que ele percebeu em seu trabalho no hospital St. Thomas em Londres. Harold Burr, em 1935, médico especialista em neuroanatomia de Yale, revelou que os blocos formadores da vida são “campos eletrodinâmicos”. Ele mediu e mapeou esses “campos de vida” com voltímetros e propôs seu uso para diagnosticar doenças precocemente. Em 1939, Semyon Davidovich Kirlian descobriu que poderia fotografar o campo de alta frequência da corrente colorida de luz emanada pelo corpo humano; Wilhelm Reich, chamava essa energia de Orgone, e estudou alterações no fluxo do orgone em relação a doenças e traumas físicos ou psicológicos.

 

CHAKRAS SUPERIORES

Uma abordagem que muito interessa para ajudar a explicar por que experiências místicas produzem sensações intensas, não apenas de bem estar, mas de prazer físico pode vir da ayurveda.

O prana é entendido como “a primeira essência abaixo da respiração” e seria classificado como o que chamamos de “energia vital”. Não é material, mas está presente em cada partícula da criação é o aspecto expansivo da energia e vyria (potência viril) é sua intensidade. Virya inspira todos os fervores sejam eles místicos, sexuais, criativos, artísticos, políticos, espirituais… No seu corpo físico, prana e vyria são manifestações de ojas, a vitalidade interior. Esses dois, completamente despertos e fusionados, criam samarasya – a benção da fusão entre a vida mística e a instintiva.

Aqui entra também o Sahasrara – chakra coronoário, que tem seu ponto físico no topo da cabeça, traz consciência da unidade do infinito inexpressável. No estado em que se atinge o sahasrara, a experiência e o experienciador são uma e a mesma coisa. O centro de tudo em infinito nada. É além de tudo, porém está aqui e agora, também chamado de nirvana, satori, samadhi, Ain Soph, paraíso, tao…

Um pouco mais abaixo, no crânio, encontramos o Bindu Chakra, um ponto no Sahasrara superior, que seria a fonte de todos os chakras. É o centro onde a unidade se divide na dualidade, a semente da origem do universo, simbolizado ao mesmo tempo por uma lua cheia e uma crescente. É comumente chamado de bindu visarga  – a gota que cai, indicando as gotas de ambrosia continuamente escorrendo do Sahasrara, a fonte do amrit , néctar, que desce fluindo pelo centro da coluna que se chama Sushumna Nadi. Ele é o chakra responsável pela sensação de “banho de mel”.

 

BANHO DE MEL

Nas tradições xamânicas toltecas praticadas no México e no sudoeste americano, se fala nessa sensação de um tremor ou calafrio de corpo inteiro, que começa na cabeça e desce até os pés, como se alguém abrisse o topo do nosso crânio e ali derramasse um líquido morno e aromático. É uma sensação extremamente prazerosa, muitas vezes se demorando no abdômen, onde se sente um ‘frio’ similar a uma montanha russa e alguns espasmos que lembram mesmo um orgasmo sexual.

No livro “Don Juan and the Art of Sexual Energy” de Merilyn Tunneshende, Doña Celestina que está treinando a autora americana descreve o que chama de “Banho celestial”, como uma resposta do corpo energético a algo que o estimula e excita. Não é uma sensação que pode ser forçada ou manipulada, e diferente do orgasmo físico, esse orgasmo do corpo sutil, em vez de começar nos genitais e subir, começa no topo da cabeça e desce.

Para experimentá-lo é necessário muita sensibilidade, extrema até. Muitos vão passar uma vida inteira e jamais vivenciar isso. Ele pode acontecer durante práticas de meditação, ou até por algum estímulo artístico, como uma música que nos toque profundamente a alma.

Outra experiência, sem esse “banho” energético, é o profundo prazer que se experimenta ao atingirmos o silêncio mental. Muito se fala nos benefícios mentais e físicos da meditação no mundo moderno, defendida até mesmo por médicos e cientistas. É comprovada sua eficácia para auxiliar em casos de pressão alta, administração de estados de estresse e tensão nervosa, além de proporcionar muito bem-estar.

Mas ao atingirmos, com a prática, o silêncio, o vazio mental mesmo, a ausência de pensamentos que é o objetivo da meditação, há um vislumbre de outra sensação, muito mais profunda e intensa do que a descrição de “bem-estar”. A sensação do silêncio mental tem algo mais… Algo tão atraente que explica o porquê de tantos yoguis e mestres tibetanos conseguirem ficar dias a fio, sem comer, beber, dormir ou falar, nesse estado de meditação. É um sensação tão incrível, da qual não queremos mais sair.

Então essa é uma primeira forma de experimentarmos um prazer muito intenso dentro de práticas espirituais, e um prazer que se manifesta reverberando no corpo físico. E essa forma independe da interação com outros seres, é um voo solo, apenas uma interação nossa com a energia ou os elementos.

 

PRAZER FÍSICO ATRAVÉS DO CONTATO COM ESPÍRITOS, ENTIDADES E DEUSES

Apollo-og-Dahne1Aqui entramos noutro campo de possibilidades. E as ideias a que estamos mais acostumados incluem sonhos eróticos com deuses e entidades do astral ou então incubus e sucubus. Estes últimos são os famosos “demônios” que nos visitam no sono para nos proporcionar um prazer claramente sexual enquanto sugam nossa energia, como vampiros. Quem teve um encontro com um ser desses sabe muito bem o quanto é difícil resistir, mesmo quando ficamos conscientes do que está acontecendo. A sensação é extremamente prazerosa, enquanto ao mesmo tempo muito esquisita e até dolorosa. No dia seguinte, levantamos da cama sem energia e passamos o dia tentando nos recuperar, como quem tem uma ressaca difícil. Portanto, não encorajo ninguém a conscientemente buscar contatos com incubus e sucubus, e se você é constantemente assaltado por eles na sua energia, precisa achar formas de se proteger.

Além dos sonhos, podemos ter contatos íntimos com Deuses, encantados e outros seres dentro de trabalhos visionários ou transes. Pessoas com travas e inibições no plano físico podem ter uma experiência completamente satisfatória e surpreendente nesse nível etérico/astral. É importante ressaltar que o contato sexual com esses seres independe da sua orientação sexual, muitos seres do plano astral não têm esse tipo de diferenciação ou preconceito, e você pode ficar muito surpreso. Vale reforçar que esse contato é iniciado pelo outro lado, raramente consegue ser forçado por nós.

Para os pagãos, o relacionamento com nossas divindades pode variar desde uma apreciação distante e reverente, até uma relação bem mais próxima, passando por uma sensação de parceria e amizade e podendo chegar ao amor romântico. Não se engane, essa história de um deus desejar deitar-se com uma mortal ou de um boto virar homem não é só mitologia grega ou lenda indígena.

Para um exemplo de enlevo ou arroubo de êxtase em contato com a divindade, podemos nos mirar no cristianismo, onde isso é muito documentado. As freiras são conhecidas como “noivas de Cristo”, e isso não é à toa!

Santa Teresa de Ávila se questiona em seus escritos:

Eu queria saber explicar, com o favor de Deus, a diferença que há entre união e arroubo ou enlevo ou voo, que chamam de espírito ou arrebatamento, que são uma coisa só. Digo que esses diferentes nomes se referem a uma só coisa, que também se chama êxtase.

Nesses arroubos (…) não há como resistir, ao contrário da união em que ficamos em nosso próprio terreno, podendo quase sempre, mesmo que com sofrimentos e esforços, resistir, nos arroubos, na maioria das vezes, isso não é possível, pois eles amiúde surgem sem que penseis, nem coopereis, vindo como um ímpeto tão acelerado e forte que vedes e sentir uma nuvem ou águia possante levantar-se e colher-vos com suas asas.”

 

CONTATO SENSUAL COM SERES ELEMENTAIS

Há bruxos que têm aliados constantes do reino dos encantados, os chamados fetchmates, com quem podem manter uma relação de cunho sexual. Um encontro assim com um feérico pode ser também ocasional, dentro de algum trabalho visionário específico, ou, caso tenha muita afinidade com esse reino, pode acabar casando, ou seja, tendo uma noiva ou noivo encantado. Essas histórias eram comuns alguns séculos atrás e seguem acontecendo ainda hoje nos meios mágicos.

“Eu vim a ti pelos portais de pedra naquele monte circundado.

Teu nome elfo tu me deste, um segredo de som prateado

Nos meus pés, sapatos dourados, eu de escarlate vestida

Minha cama é onde deitas tua cabeça, tua boca contra o meu seio.

Não é mortal o meu marido, com ele minha alma mora

E se por isso sou amaldiçoada, essa tristeza levo embora

E ainda sei, e sei tão bem, que o amor não tem barreiras

E vou amar para todo sempre, meu caminhante das estrelas.”

 

O amante desconhecido, Dolores Ashcroft-Nowicki

 

Quem segue tradições de fadas, em um nível avançado, depois de trabalhar com um ser (em geral do sexo oposto) que primeiro se apresenta como aliado e parceiro de trabalho, pode evoluir para uma relação de simbiose completa entre o parceiro humano e o faery. Há tradições bem rígidas a este respeito, não é algo feito levianamente. Caso ocorra um casamento, este é pela eternidade.

O autor Orion Foxwood que tem uma tradição de trabalho muito intenso com esses seres, descreve a relação dele para seus alunos como uma ponte entre os dois mundos: quando ele fecha os olhos, enxerga no mundo de sua noiva fada, quando abre, é ela quem vê para dentro do mundo dele.

Ele também defende que nos encontros com encantados é comum confundirmos qualquer contato como tendo conotação sexual, pelo tipo de energia que eles vibram. Como são de uma rara intensidade, nossa consciência humana atual interpreta e identifica tudo como tensão sexual. Então atenção para não confundir as coisas. Pode não ser essa a intenção do ser que você encontrou.

Outra possibilidade interessante é quem incorpora um deus ou deusa durante o ato sexual. Isso acontece de forma casual, quando já se está no ato, e, de repente, algo divino ou feérico toma emprestado nosso corpo, para também se divertir. É uma possessão leve, parcial, mas que guia nossos movimentos e pode fazer coisas que não são do nosso repertório normal. A experiência é muito intensa e em geral divertida. É uma invasão por parte da entidade, e você pode ou não acolher, claro. A soberania é sempre sua.

 

TABUS, ONDE DE FATO FICA MINHA LINHA AMARELA? QUAL O LIMITE?

             Eu trabalho apenas com duas restrições, mas elas são absolutamente rígidas, por considerar que seriam envolvimentos muito perigosos para nossa integridade real. Trata-se se interações sexuais com espíritos condicionais (demônios) ou com espíritos de humanos desencarnados. Jamais experimente com essas categorias.

 

E DE QUE NOS SERVEM ESSES CONTATOS?

As práticas individuais que trazem o prazer físico são maravilhosas e enriquecedoras, eu entendo como um acelerador evolutivo. A sensação mais permanente disso, o que nos levaria a um estado constante “orgástico” seria na iluminação, ao atingirmos um estado pleno no Sahashara, achei um texto do Osho que descreve isso muito bem:

“Realmente, quando você alcança ao sahasrar, uma coroa floresce dentro de você, uma lótus de mil e uma pétalas se abre. Nenhuma coroa pode ser comparado com isso, mas assim isso tornou-se apenas um símbolo e o símbolo tem existido por todo o mundo. Isso simplesmente mostra que em toda parte as pessoas se tornaram cônscias e alertas de um modo ou de outro da suprema síntese no sahasrar.

Num orgasmo sexual interior e exterior se encontram, porém momentaneamente. No sahasrar eles se unem permanentemente. É por isso que digo que a pessoa precisa ir do sexo ao samadhi. No sexo noventa e nove por cento é sexo, um por cento é sahasrar; no sahasrar noventa e nove por cento é sahasrar, um por cento é sexo. Eles estão juntos, estão interligados, por profundas correntes de energia. Portanto, se você desfrutou do sexo, não faça lá sua moradia. Sexo é somente um vislumbre do sahasrar. O sahasrar irá proporcionar milhares, milhões de bem aventuranças, de bênçãos a você.”

Já os contatos aprofundam nosso trabalho com os planos interiores, nos trazem maior afinidade e ampliam nossa percepção. Também é uma forma de devoção a nossos deuses oferecendo o presente da nossa energia física através das sensações que eles podem assim também experimentar. No entanto, ninguém jamais deve permitir um contato forçado. As ocorrências de encontros com conotação sexual com seres do astral são também para benefício deles, eles têm interesse nessa troca. Se você se assustar ou não tiver vontade, pare, diga não, você é soberano de todos os seus corpos e tem todo direito de escolher com quem vai se relacionar, mesmo no plano etérico.

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